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Experiências agroecológicas de Santa Teresa despertam interesse de comitiva chilena

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Por Wallas Ribeiro* | Santa Teresa (ES)

Experiências desenvolvidas por produtores rurais de Santa Teresa estão ultrapassando fronteiras e despertando o interesse de profissionais e agricultores de outros países. No dia 6 de agosto, o município recebeu uma comitiva chilena para um intercâmbio técnico voltado ao conhecimento de práticas agroecológicas desenvolvidas na região.

A visita teve como um dos principais focos as experiências ligadas ao Orgânicos em Foco, iniciativa criada em 2021 com o objetivo de fortalecer a produção orgânica no município, incentivar práticas sustentáveis e oferecer suporte técnico aos produtores.

O interesse da comitiva pelas experiências de Santa Teresa surgiu a partir da aproximação com o Incaper de Colatina, por intermédio de Edna da Silva de Abreu, que coordenava um projeto de pesquisa e extensão da Fapes com abrangência regional. Durante esse trabalho, experiências agroecológicas desenvolvidas em Santa Teresa ganharam destaque, especialmente os resultados alcançados em propriedades acompanhadas pelo Orgânicos em Foco.

Do campo para o intercâmbio internacional

A programação começou pela manhã no Sítio Nosso Lar, propriedade de Eudayr Alves Moreira Junior, onde os visitantes conheceram experiências agroecológicas desenvolvidas na propriedade.

Na sequência, a comitiva participou, no auditório do Sebrae, de uma apresentação sobre os resultados das experiências com biofertilizantes realizadas em Santa Teresa. A atividade foi conduzida pelo engenheiro-agrônomo e mestre em Agroecologia Arildo Sebastião Silva, consultor do Sebrae e parceiro da Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico.

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No período da tarde, os visitantes conheceram o Sítio Taufner II, de José Francisco Taufner, produtor de café sustentável participante do Orgânicos em Foco. Na propriedade, o destaque foi o sistema de produção de biofertilizante.

Entre as práticas que mais despertaram o interesse dos visitantes estiveram justamente o sistema de produção de biofertilizantes e a utilização de calda sulfocálcica.

Conhecimento que transforma a produção

Para quem acompanha o Orgânicos em Foco desde o início, os resultados também aparecem dentro das propriedades.

O produtor Ricardo Serro, participante da iniciativa desde sua criação, destaca que um dos principais ganhos foi o conhecimento adquirido para enfrentar os desafios encontrados na produção de café e desenvolver uma atividade mais sustentável.

Segundo o produtor, o acompanhamento técnico permitiu compreender melhor aspectos relacionados ao solo, ao manejo da propriedade e à produção de insumos utilizados na própria lavoura.

Cada mês, com a visita, era um aprendizado novo. Esse conhecimento foi fantástico, principalmente para entendermos como está o solo, porque o foco do trabalho orgânico é garantir um solo adequado”, relata.

Ricardo também destaca a possibilidade de produzir café de qualidade sem a utilização de inseticidas e adubos químicos, além da redução de custos proporcionada por algumas práticas adotadas na propriedade, como a produção do próprio biofertilizante.

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Para ele, receber visitantes estrangeiros interessados nessas experiências demonstra que aquilo que vem sendo construído nas propriedades de Santa Teresa pode contribuir com produtores de outros lugares.

Em todas as partes do mundo as pessoas querem consumir alimentos saudáveis. Quando falamos em saudável, também falamos em sustentabilidade. Que isso sirva de exemplo para outros produtores”, afirma.

Santa Teresa além das fronteiras

A presença da comitiva chilena reforça o potencial das experiências desenvolvidas no campo teresense e amplia a troca de conhecimentos sobre modelos de produção que conciliam qualidade, sustentabilidade e valorização do produtor rural.

Por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico e de parcerias com instituições que atuam no desenvolvimento do setor, a Prefeitura de Santa Teresa vem incentivando ações de capacitação, assistência técnica e adoção de práticas sustentáveis no meio rural.

O intercâmbio mostra que conhecimentos construídos nas propriedades do município podem contribuir não apenas para o fortalecimento da agricultura local, mas também servir de referência para produtores e profissionais interessados em modelos sustentáveis de produção.

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  • Fonte: Prefeitura de Santa Teresa / Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Econômico / Comunicação
  • Foto destaque: Divulgação / PMST 
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Conselho Tutelar: um órgão importante, porém esquecido por muitos governantes

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São Mateus (ES) | Do Correspondente

O Conselho Tutelar é um órgão permanente, autônomo e fundamental para o Sistema de Garantia de Direitos. Criado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tem como missão zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes. Cada município deve manter, no mínimo, um Conselho Tutelar, composto por cinco membros — os conselheiros tutelares — eleitos pela comunidade para atuar na defesa dos direitos desse público.

Vale destacar que o Conselho Tutelar é um órgão autônomo, com atuação independente, embora deva trabalhar de forma articulada com os demais serviços e órgãos da rede pública de proteção.

Apesar de toda a sua importância, a atuação dos Conselhos Tutelares ainda parece não sensibilizar alguns governantes. Talvez isso ocorra justamente por se tratar de um órgão autônomo e independente, que não deve ser utilizado politicamente e cuja atuação precisa estar acima de interesses partidários ou pessoais.

Em vários municípios, os Conselhos Tutelares trabalham em estruturas precárias e com recursos insuficientes para fazer frente às inúmeras demandas que chegam diariamente. Em muitos casos, os profissionais precisam lidar com situações complexas envolvendo violência, abandono, negligência, conflitos familiares e outras formas de vulnerabilidade, muitas vezes sem as condições adequadas para desempenhar suas funções.

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No município de São Mateus, por exemplo, a Prefeitura cumpre as obrigações administrativas relacionadas ao Conselho Tutelar, mas, segundo informações colhidas pela reportagem, seria necessário um olhar mais atento por parte da sociedade e dos poderes constituídos. Prefeitura e Câmara Municipal poderiam oferecer um suporte mais consistente ao órgão, especialmente considerando a extensão territorial do município e uma população de aproximadamente 130 mil habitantes.

A dimensão territorial de São Mateus representa um desafio adicional para os conselheiros. Para atender à volumosa demanda, muitas vezes eles precisam deixar a sede para realizar diligências e acompanhar famílias e crianças em situação de vulnerabilidade. Nessas circunstâncias, a unidade pode ficar sem um profissional disponível para receber novas demandas e encaminhar situações que chegam ao Conselho.

Não se trata de um trabalho simples. Os conselheiros enfrentam diariamente situações delicadas e, muitas vezes, conflitos familiares e sociais que exigem equilíbrio, paciência, firmeza e, sobretudo, conhecimento da legislação e dos instrumentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Em relação à estrutura do Conselho Tutelar, embora a legislação estabeleça a composição mínima de cinco membros eleitos, isso não impede que o município disponibilize um servidor para auxiliar no atendimento administrativo e no recebimento das demandas quando os conselheiros estiverem em campo, realizando diligências ou acompanhando situações que exigem sua presença.

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Outro veículo também poderia ser disponibilizado para o Conselho Tutelar de São Mateus. O município possui uma extensa área territorial e longas distâncias a serem percorridas, o que exige condições adequadas de deslocamento para que os atendimentos sejam realizados com a agilidade que muitas situações emergenciais requerem.

Prefeitura, Câmara Municipal e até mesmo a iniciativa privada poderiam construir parcerias e apoiar de maneira mais efetiva esse órgão tão importante para a proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes mateenses.

Investir no Conselho Tutelar não é apenas oferecer melhores condições de trabalho aos conselheiros. É fortalecer a rede de proteção e demonstrar, na prática, que crianças e adolescentes são prioridade. Afinal, quando uma criança ou um adolescente precisa do Conselho Tutelar, não há espaço para demora, improviso ou omissão. Há, acima de tudo, um direito que precisa ser protegido.


  • Pauta1 – Correspondente no Norte
  • Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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