Política Regional
Vereadora é cassada após denúncia de fraude no Bolsa Família
Regional
A cassação foi aprovada por sete votos favoráveis e um contrário, após cerca de quatro horas de análise
Por Guilherme Lage*
A Câmara Municipal de São Domingos do Norte cassou, nesta sexta-feira (10), o mandato da vereadora Andressa Siqueira após a conclusão de um processo administrativo que apurou uma denúncia envolvendo suposta tentativa de inclusão irregular de uma pessoa no programa Bolsa Família.
A decisão foi tomada durante uma sessão especial de julgamento do Processo Administrativo nº 110/2026. A cassação foi aprovada por sete votos favoráveis e um contrário, após cerca de quatro horas de análise.
Segundo a comissão processante, a vereadora teria usado a influência do cargo para pressionar uma servidora do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) a incluir uma pessoa no programa de transferência de renda sem o cumprimento dos critérios técnicos previstos pela legislação federal.
Ainda conforme a comissão, a denúncia não se limitava ao benefício social, mas envolvia uma suposta tentativa de interferência em uma decisão administrativa para favorecer terceiros, conduta considerada incompatível com o exercício do mandato parlamentar.
Julgamento
A sessão, que estava prevista para começar às 9h, teve início às 9h45. Durante o julgamento, foram apresentados o relatório da comissão processante, a defesa da vereadora, os debates entre os parlamentares e a votação dos quesitos analisados pelo plenário.
Andressa Siqueira não compareceu à sessão. Com a ausência da parlamentar, o vereador Patrick Mota, secretário suplente, foi convocado pelo presidente da Câmara, Sérgio Tamanini, para ocupar a função durante os trabalhos.
A defesa da vereadora foi feita pelo advogado Igor Voltz, que contestou as acusações e pediu a rejeição do pedido de cassação. Após a sessão, o advogado informou que todas as manifestações da defesa já haviam sido apresentadas no processo.
Votação
Durante a votação, os vereadores analisaram seis quesitos apresentados no parecer final da comissão processante.
O primeiro quesito, relacionado à quebra de decoro parlamentar, foi aprovado por sete votos favoráveis e um contrário. O segundo foi rejeitado por unanimidade.
Os terceiro, quarto e quinto quesitos também foram aprovados pelo mesmo placar de sete votos a um. Já o sexto quesito foi rejeitado por unanimidade.
O único voto contrário aos quesitos que levaram à cassação foi do vereador Leonel Meneguete. Os vereadores Danilo Ballarini, Ivanete Kuster, Rosângela Nogueira, Celso Meneguete, Vanildo Salvador, Patrick Mota e Sérgio Tamanini votaram pela aprovação do parecer da comissão.
Após a votação, o presidente da Câmara declarou oficialmente a perda do mandato de Andressa Siqueira.
A ata da sessão começou a ser lavrada às 14h05 e será anexada ao Processo Administrativo nº 110/2026, registrando todas as manifestações, decisões e votações realizadas durante o julgamento.
A defesa da ex-vereadora ainda poderá recorrer ao Poder Judiciário para questionar a decisão tomada pelo Legislativo municipal.
O outro lado
A vereadora afirmou que irá se pronunciar sobre o afastamento neste sábado (11). A defesa dela também informou que enviará uma nota para esclarecer o caso.
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- Folha Vitória – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / FV
Regional
Conselho Tutelar: um órgão importante, porém esquecido por muitos governantes
São Mateus (ES) | Do Correspondente
O Conselho Tutelar é um órgão permanente, autônomo e fundamental para o Sistema de Garantia de Direitos. Criado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tem como missão zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes. Cada município deve manter, no mínimo, um Conselho Tutelar, composto por cinco membros — os conselheiros tutelares — eleitos pela comunidade para atuar na defesa dos direitos desse público.
Vale destacar que o Conselho Tutelar é um órgão autônomo, com atuação independente, embora deva trabalhar de forma articulada com os demais serviços e órgãos da rede pública de proteção.
Apesar de toda a sua importância, a atuação dos Conselhos Tutelares ainda parece não sensibilizar alguns governantes. Talvez isso ocorra justamente por se tratar de um órgão autônomo e independente, que não deve ser utilizado politicamente e cuja atuação precisa estar acima de interesses partidários ou pessoais.
Em vários municípios, os Conselhos Tutelares trabalham em estruturas precárias e com recursos insuficientes para fazer frente às inúmeras demandas que chegam diariamente. Em muitos casos, os profissionais precisam lidar com situações complexas envolvendo violência, abandono, negligência, conflitos familiares e outras formas de vulnerabilidade, muitas vezes sem as condições adequadas para desempenhar suas funções.
No município de São Mateus, por exemplo, a Prefeitura cumpre as obrigações administrativas relacionadas ao Conselho Tutelar, mas, segundo informações colhidas pela reportagem, seria necessário um olhar mais atento por parte da sociedade e dos poderes constituídos. Prefeitura e Câmara Municipal poderiam oferecer um suporte mais consistente ao órgão, especialmente considerando a extensão territorial do município e uma população de aproximadamente 130 mil habitantes.
A dimensão territorial de São Mateus representa um desafio adicional para os conselheiros. Para atender à volumosa demanda, muitas vezes eles precisam deixar a sede para realizar diligências e acompanhar famílias e crianças em situação de vulnerabilidade. Nessas circunstâncias, a unidade pode ficar sem um profissional disponível para receber novas demandas e encaminhar situações que chegam ao Conselho.
Não se trata de um trabalho simples. Os conselheiros enfrentam diariamente situações delicadas e, muitas vezes, conflitos familiares e sociais que exigem equilíbrio, paciência, firmeza e, sobretudo, conhecimento da legislação e dos instrumentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em relação à estrutura do Conselho Tutelar, embora a legislação estabeleça a composição mínima de cinco membros eleitos, isso não impede que o município disponibilize um servidor para auxiliar no atendimento administrativo e no recebimento das demandas quando os conselheiros estiverem em campo, realizando diligências ou acompanhando situações que exigem sua presença.
Outro veículo também poderia ser disponibilizado para o Conselho Tutelar de São Mateus. O município possui uma extensa área territorial e longas distâncias a serem percorridas, o que exige condições adequadas de deslocamento para que os atendimentos sejam realizados com a agilidade que muitas situações emergenciais requerem.
Prefeitura, Câmara Municipal e até mesmo a iniciativa privada poderiam construir parcerias e apoiar de maneira mais efetiva esse órgão tão importante para a proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes mateenses.
Investir no Conselho Tutelar não é apenas oferecer melhores condições de trabalho aos conselheiros. É fortalecer a rede de proteção e demonstrar, na prática, que crianças e adolescentes são prioridade. Afinal, quando uma criança ou um adolescente precisa do Conselho Tutelar, não há espaço para demora, improviso ou omissão. Há, acima de tudo, um direito que precisa ser protegido.

- Pauta1 – Correspondente no Norte
- Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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