Destaque no Norte
Jaguaré se consolida como referência cultural no Norte do Estado
Regional
Por Paulo Roberto Borges*
Quem acompanha as ações voltadas à valorização da cultura no Norte do Espírito Santo pode, em determinados momentos, ter a impressão de que grandes eventos, com trios elétricos e bandas de outros Estados, representam a cultura capixaba. Mas será que representam?
Com frequência, verdadeiras fortunas dos municípios são consumidas em eventos capazes de atrair multidões, mas que pouco ou nada têm a ver com as tradições locais, com a identidade cultural de cada comunidade ou com ações capazes de contribuir para a formação de crianças, jovens e cidadãos. A quantidade de pessoas reunidas não deveria ser o único parâmetro para medir o sucesso de uma política cultural.
Veja-se o caso de São Mateus. Durante a administração anterior, o município chegou a promover eventos praticamente em sequência, de manhã, à tarde e à noite, com atrações que pouco contribuíam para a valorização da cultura mateense. Ao contrário, muitas dessas iniciativas acabavam associadas ao consumo excessivo de álcool, à promiscuidade e a outros problemas que em nada ajudavam a construir uma identidade cultural positiva para o município.

Alguns municípios, conduzidos por governantes com pouco conhecimento sobre o verdadeiro significado da cultura e de seu papel transformador, acabaram seguindo o mesmo caminho. Criou-se, em determinados momentos, uma espécie de competição para saber quem oferecia o espetáculo mais grandioso, sem que houvesse, necessariamente, preocupação com o conteúdo, com a identidade local ou com o legado deixado para a população.
Felizmente, há exemplos que caminham na direção oposta — e Jaguaré é um deles.
O município vem se consolidando como uma referência cultural no Norte do Espírito Santo ao investir em iniciativas que valorizam suas próprias raízes. A programação inclui feiras de artesanato, gastronomia, empreendedorismo, apresentações de bandas e fanfarras, além de atividades de caráter cívico e estudantil. São eventos que colocam em evidência a identidade do município, seus moradores, o produtor rural, os artistas e as tradições locais.
Um exemplo recente foi o 10º Festival de Bandas de Jaguaré, realizado no dia 27 de julho, na Praça Nicolau Falchetto. O evento reuniu cerca de 300 músicos e reafirmou o compromisso do município com a valorização da cultura e da música.
Além de celebrar a tradição das bandas e fanfarras, o festival promoveu o intercâmbio entre músicos de diferentes cidades e contribuiu para projetar Jaguaré como um importante polo de valorização cultural no Norte capixaba.
Durante o evento, o maestro da Banda Musical Municipal de Jaguaré (BAMMUJA), João Paulo Rigo Barros, destacou a importância de iniciativas dessa natureza. Segundo ele, investir em bandas e fanfarras vai muito além da formação musical: trata-se também de uma ferramenta de inclusão social, capaz de oferecer aprendizado, disciplina e convivência, além de contribuir para manter crianças e adolescentes afastados de situações de vulnerabilidade, ocupando seu tempo com cultura e arte.
É justamente aí que está a diferença.
Cultura não deve ser confundida com entretenimento de ocasião. Uma política cultural séria precisa deixar legado, fortalecer a identidade de uma comunidade, abrir oportunidades e contribuir para a formação de cidadãos.
A Prefeitura de Jaguaré, ao manter e incentivar iniciativas como o Festival de Bandas, demonstra estar conectada aos anseios da população e compreender que cultura também é educação, cidadania, inclusão e desenvolvimento.
Ao preservar suas tradições, valorizar seus talentos e criar espaços para que crianças e jovens tenham contato com a música, a arte e a história de sua comunidade, Jaguaré não apenas realiza eventos: constrói identidade e projeta positivamente o município.
Enquanto alguns preferem gastar milhões para importar atrações e buscar apenas multidões, Jaguaré mostra que é possível fazer diferente — investir naquilo que é seu, valorizar quem vive no município e transformar cultura em instrumento de formação e orgulho para sua gente.
Esse é o tipo de legado que merece ser reconhecido e multiplicado.
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- Da Redação / Com informações da Prefeitura de Jaguaré – Comunicação
- *Foto destaque: Divulgação / PMJ
Regional
Conselho Tutelar: um órgão importante, porém esquecido por muitos governantes
São Mateus (ES) | Do Correspondente
O Conselho Tutelar é um órgão permanente, autônomo e fundamental para o Sistema de Garantia de Direitos. Criado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tem como missão zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes. Cada município deve manter, no mínimo, um Conselho Tutelar, composto por cinco membros — os conselheiros tutelares — eleitos pela comunidade para atuar na defesa dos direitos desse público.
Vale destacar que o Conselho Tutelar é um órgão autônomo, com atuação independente, embora deva trabalhar de forma articulada com os demais serviços e órgãos da rede pública de proteção.
Apesar de toda a sua importância, a atuação dos Conselhos Tutelares ainda parece não sensibilizar alguns governantes. Talvez isso ocorra justamente por se tratar de um órgão autônomo e independente, que não deve ser utilizado politicamente e cuja atuação precisa estar acima de interesses partidários ou pessoais.
Em vários municípios, os Conselhos Tutelares trabalham em estruturas precárias e com recursos insuficientes para fazer frente às inúmeras demandas que chegam diariamente. Em muitos casos, os profissionais precisam lidar com situações complexas envolvendo violência, abandono, negligência, conflitos familiares e outras formas de vulnerabilidade, muitas vezes sem as condições adequadas para desempenhar suas funções.
No município de São Mateus, por exemplo, a Prefeitura cumpre as obrigações administrativas relacionadas ao Conselho Tutelar, mas, segundo informações colhidas pela reportagem, seria necessário um olhar mais atento por parte da sociedade e dos poderes constituídos. Prefeitura e Câmara Municipal poderiam oferecer um suporte mais consistente ao órgão, especialmente considerando a extensão territorial do município e uma população de aproximadamente 130 mil habitantes.
A dimensão territorial de São Mateus representa um desafio adicional para os conselheiros. Para atender à volumosa demanda, muitas vezes eles precisam deixar a sede para realizar diligências e acompanhar famílias e crianças em situação de vulnerabilidade. Nessas circunstâncias, a unidade pode ficar sem um profissional disponível para receber novas demandas e encaminhar situações que chegam ao Conselho.
Não se trata de um trabalho simples. Os conselheiros enfrentam diariamente situações delicadas e, muitas vezes, conflitos familiares e sociais que exigem equilíbrio, paciência, firmeza e, sobretudo, conhecimento da legislação e dos instrumentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em relação à estrutura do Conselho Tutelar, embora a legislação estabeleça a composição mínima de cinco membros eleitos, isso não impede que o município disponibilize um servidor para auxiliar no atendimento administrativo e no recebimento das demandas quando os conselheiros estiverem em campo, realizando diligências ou acompanhando situações que exigem sua presença.
Outro veículo também poderia ser disponibilizado para o Conselho Tutelar de São Mateus. O município possui uma extensa área territorial e longas distâncias a serem percorridas, o que exige condições adequadas de deslocamento para que os atendimentos sejam realizados com a agilidade que muitas situações emergenciais requerem.
Prefeitura, Câmara Municipal e até mesmo a iniciativa privada poderiam construir parcerias e apoiar de maneira mais efetiva esse órgão tão importante para a proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes mateenses.
Investir no Conselho Tutelar não é apenas oferecer melhores condições de trabalho aos conselheiros. É fortalecer a rede de proteção e demonstrar, na prática, que crianças e adolescentes são prioridade. Afinal, quando uma criança ou um adolescente precisa do Conselho Tutelar, não há espaço para demora, improviso ou omissão. Há, acima de tudo, um direito que precisa ser protegido.

- Pauta1 – Correspondente no Norte
- Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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