Prefeitura em Ação
Câmara aprova investimento da Prefeitura para ações de combate à crise hídrica em São Mateus
Regional
São Mateus (ES) | Do Correspondente
Anos atrás, a população de São Mateus enfrentou um dos maiores problemas que já impactaram a sociedade local: a crise hídrica. Na ocasião, a água que abastecia a cidade foi atingida pela salinização, obrigando os moradores a recorrer à compra de galões de água mineral para consumo.
Como costuma ocorrer em situações de grande comoção social, surgiram também aqueles que tentaram tirar proveito político da crise, inclusive com vistas às eleições que se aproximavam. O então ex-prefeito se apresentou como uma dessas figuras, embora sua projeção política também tenha sido favorecida pela omissão da administração que o antecedeu.
O problema, entretanto, nunca foi efetivamente solucionado. Apesar das promessas feitas ao longo dos anos de que a questão do abastecimento seria tratada como prioridade, a população de São Mateus continuou convivendo com o risco de interrupções e com a possibilidade de comprometimento da qualidade da água em períodos de estiagem prolongada.

Com o início da atual administração, a questão hídrica passou a ocupar lugar de destaque na agenda do município. Algumas medidas paliativas foram adotadas na tentativa de minimizar os efeitos do problema, mas ainda sem representar uma solução definitiva. Isso porque uma intervenção de maior porte exige investimentos que não estão disponíveis nos cofres municipais.
Na busca por uma solução mais efetiva, a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal, na sessão ordinária da última segunda-feira (10), o Projeto de Lei nº 020/2026, que autoriza a abertura de crédito adicional especial no valor de R$ 26,3 milhões no orçamento do município.
O projeto prevê a autorização para a contratação de um empréstimo destinado a viabilizar ações de infraestrutura voltadas ao enfrentamento do problema. Os vereadores apreciaram e aprovaram a proposta, que permitirá a execução de obras para a mudança do ponto de captação de água do Rio Cricaré utilizado no abastecimento da cidade.
Os recursos deverão ser aplicados nas obras de infraestrutura necessárias para a transferência do atual ponto de captação, medida considerada estratégica para reduzir os impactos provocados pelo avanço da cunha salina durante os períodos de estiagem.
Atualmente, a captação de água ocorre no bairro Porto. Em períodos de longa estiagem, porém, o avanço da cunha salina pelo Rio Cricaré compromete a qualidade da água captada, afetando diretamente o abastecimento e a água que chega às torneiras das residências mateenses.
A aprovação do projeto pela Câmara representa, portanto, um passo importante na busca por uma solução mais duradoura para um problema que há anos preocupa a população de São Mateus.
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- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
Regional
Conselho Tutelar: um órgão importante, porém esquecido por muitos governantes
São Mateus (ES) | Do Correspondente
O Conselho Tutelar é um órgão permanente, autônomo e fundamental para o Sistema de Garantia de Direitos. Criado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tem como missão zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes. Cada município deve manter, no mínimo, um Conselho Tutelar, composto por cinco membros — os conselheiros tutelares — eleitos pela comunidade para atuar na defesa dos direitos desse público.
Vale destacar que o Conselho Tutelar é um órgão autônomo, com atuação independente, embora deva trabalhar de forma articulada com os demais serviços e órgãos da rede pública de proteção.
Apesar de toda a sua importância, a atuação dos Conselhos Tutelares ainda parece não sensibilizar alguns governantes. Talvez isso ocorra justamente por se tratar de um órgão autônomo e independente, que não deve ser utilizado politicamente e cuja atuação precisa estar acima de interesses partidários ou pessoais.
Em vários municípios, os Conselhos Tutelares trabalham em estruturas precárias e com recursos insuficientes para fazer frente às inúmeras demandas que chegam diariamente. Em muitos casos, os profissionais precisam lidar com situações complexas envolvendo violência, abandono, negligência, conflitos familiares e outras formas de vulnerabilidade, muitas vezes sem as condições adequadas para desempenhar suas funções.
No município de São Mateus, por exemplo, a Prefeitura cumpre as obrigações administrativas relacionadas ao Conselho Tutelar, mas, segundo informações colhidas pela reportagem, seria necessário um olhar mais atento por parte da sociedade e dos poderes constituídos. Prefeitura e Câmara Municipal poderiam oferecer um suporte mais consistente ao órgão, especialmente considerando a extensão territorial do município e uma população de aproximadamente 130 mil habitantes.
A dimensão territorial de São Mateus representa um desafio adicional para os conselheiros. Para atender à volumosa demanda, muitas vezes eles precisam deixar a sede para realizar diligências e acompanhar famílias e crianças em situação de vulnerabilidade. Nessas circunstâncias, a unidade pode ficar sem um profissional disponível para receber novas demandas e encaminhar situações que chegam ao Conselho.
Não se trata de um trabalho simples. Os conselheiros enfrentam diariamente situações delicadas e, muitas vezes, conflitos familiares e sociais que exigem equilíbrio, paciência, firmeza e, sobretudo, conhecimento da legislação e dos instrumentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em relação à estrutura do Conselho Tutelar, embora a legislação estabeleça a composição mínima de cinco membros eleitos, isso não impede que o município disponibilize um servidor para auxiliar no atendimento administrativo e no recebimento das demandas quando os conselheiros estiverem em campo, realizando diligências ou acompanhando situações que exigem sua presença.
Outro veículo também poderia ser disponibilizado para o Conselho Tutelar de São Mateus. O município possui uma extensa área territorial e longas distâncias a serem percorridas, o que exige condições adequadas de deslocamento para que os atendimentos sejam realizados com a agilidade que muitas situações emergenciais requerem.
Prefeitura, Câmara Municipal e até mesmo a iniciativa privada poderiam construir parcerias e apoiar de maneira mais efetiva esse órgão tão importante para a proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes mateenses.
Investir no Conselho Tutelar não é apenas oferecer melhores condições de trabalho aos conselheiros. É fortalecer a rede de proteção e demonstrar, na prática, que crianças e adolescentes são prioridade. Afinal, quando uma criança ou um adolescente precisa do Conselho Tutelar, não há espaço para demora, improviso ou omissão. Há, acima de tudo, um direito que precisa ser protegido.

- Pauta1 – Correspondente no Norte
- Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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