Mudanças no Futebol Brasileiro
CBF e clubes aprovam adoção de novas regras no futebol brasileiro
Esportes / Futebol
Em reunião, CBF e clubes aprovam adoção das regras introduzidas na Copa do Mundo para o futebol brasileiro em caráter imediato
Por Luciana Vermell* | Rio de Janeiro (RJ)
A CBF realizou nesta segunda-feira (10), em um hotel na Barra da Tijuca (RJ), a terceira reunião com clubes das Séries A e B do Brasileirão para a criação da Liga do Futebol Brasileiro. O encontro definiu a adoção imediata de novas regras de arbitragem, muitas delas vigentes na Copa do Mundo, para as Séries A e B do Brasileirão, Copa do Brasil (Masculina e Feminina) e Feminino A1.
A reunião marcou o início de um ciclo de discussões para elaboração de um novo regulamento para a temporada de 2027, abordando propostas para arbitragem, área que receberá R$ 200 milhões em investimentos entre 2026 e 2027.
Com uma receita de 1,8 bilhões de euros na temporada 2024/2025, o Brasileirão tem arrecadação distante de ligas como Premier League (7,5 bi), La Liga (5,7 bi) e Bundesliga (5,5 bi), por exemplo. Ciente de que atualmente o futebol brasileiro é um produto subvalorizado, dos pontos de vista desportivo e comercial, a CBF vem tomando uma série de medidas para mudar este quadro. Neste esteio, a modernização do regulamento surge como um ponto de partida das melhorias necessárias para o futebol brasileiro.

Presidente da CBF, Samir Saud / Foto: Luciana Varmell – CBF
O presidente da CBF, Samir Xaud, destacou que estas mudanças precisam ser feitas em concordância entre os protagonistas do futebol brasileiro.
“Esta é mais uma reunião que, como é prática desta gestão, se baseia no diálogo e acontece de forma democrática. Hoje daremos o pontapé inicial nesta série de cinco reuniões para falar de um novo regulamento, discutindo a implementação das regras que já foram utilizadas na Copa do Mundo. Faz parte da reestruturação do futebol brasileiro. Esta é uma missão de todos: da CBF, dos clubes, das federações, cada um fazendo seu papel”, disse.
Gustavo Dias Henrique, vice-presidente da CBF, destacou que a paciência é um componente fundamental para que os avanços se concretizem.
“As mudanças na arbitragem são difíceis, requerem tempo e precisam de mecanismos para se chegar onde queremos. Estamos investindo valores milionários em equipamentos e treinamentos e não é de uma hora para outra que tudo vai mudar. Precisamos dos clubes e dos dirigentes neste processo”, disse.
Um dos pontos que a CBF busca corrigir é o aumento do tempo de bola rolando nas partidas. Em parceria com a CBF Academy, a entidade reuniu seu corpo técnico para entender os pontos que podem resultar no aumento desta média. Daí surgiu o relatório “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro”, com um diagnóstico inédito sobre o tema, embasado por dados fornecidos pela empresa OPTA Stats Perform.
Em 2026, até a parada para a Copa do Mundo, o tempo médio de bola rolando na Série A do Brasileirão era de 52 minutos e 54 segundos, distante da meta da FIFA de 60 minutos de bola rolando. Vale destacar que nenhuma das grandes ligas mundiais consegue chegar a esta minutagem: a Premier League registra 55:23, a Ligue 1 56:17 (mesmo tempo da Bundesliga), La Liga 55:09 e Série A, 54:28 (dados considerando a temporada 2026).
Comparando outros dados do futebol brasileiro com os das principais ligas globais, o estudo identifica formas de recuperar aproximadamente 6 minutos e 22 segundos de bola rolando por jogo, ajustando itens como a marcação de faltas, o tempo levado para reposição da bola em jogo, a duração dos atendimentos médicos e as checagens de VAR e impedimento semiautomático.
“A gente partiu de dados para entender onde estão as principais interrupções e o que podemos fazer para melhorar o jogo. O estudo mostra que existe espaço para recuperar mais de seis minutos de bola rolando por partida, e nosso trabalho é transformar esse diagnóstico em ações concretas. Isso passa pela aplicação das novas regras, pela padronização dos critérios e pela capacitação dos árbitros, mas também depende da participação dos clubes e dos jogadores. O objetivo é ter um jogo mais fluido, com menos interrupções e mais futebol”, afirmou Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF.
Nesta reunião, a CBF propôs aos clubes a adoção das novas regras da IFAB, aplicadas na Copa do Mundo de 2026, ao futebol brasileiro já na temporada atual (o prazo para adoção das novas regras seria 2028). A FIFA estima que o novo conjunto de regras possa dar mais 5 minutos e 49 segundos de jogo a cada partida.
Entre as medidas apresentadas estão: limites de tempo para arremessos laterais, tiros de meta e substituições; permanência de um minuto fora de campo para atletas atendidos no gramado; adoção do princípio de que somente o capitão dialogue com o árbitro em determinadas situações; e ampliação das possibilidades de intervenção do VAR. Segundo estimativa apresentada pela CBF, o conjunto de medidas observado na Copa do Mundo pode representar um ganho médio de 5 minutos e 49 segundos de jogo por partida.
A próxima reunião do conselho técnico está prevista para 14 de setembro e tratará da organização de competições.
Conheça as novas regras:
1. Cinco segundos para arremesso lateral
Contagem começa assim que o jogador tiver a bola em mãos.
2. Cinco segundos para cobrar tiro de meta
Árbitro apita e conta cinco segundos. Caso goleiro exceda tempo, concede escanteio ao adversário.
3. Dez segundos para deixar o campo em substituições
Jogador substituído deve sair pelo ponto mais próximo de forma célere, sem caminhada.
4. Um minuto fora após atendimento
Atleta que for atendido no gramado precisará sair e deve permanecer fora por um minuto.
5. Após atendimento ao goleiro um jogador de linha fica fora por um minuto
Treinador indica quem cumpre o minuto fora.
6. Somente o capitão fala com o árbitro
Um único interlocutor por equipe durante toda a partida.
7. Cobrir a boca em discussão: vermelho (Protocolo Vini Jr)
Tapar intencionalmente a boca ao discutir com adversário será conduta passível de expulsão.
8. Checagem de VAR para aplicação de segundo cartão amarelo
Passa a ser revisável pelo VAR o cartão que resulta em expulsão.
9. Checagem de VAR para escanteio concedido por engano (aprovada para 2027)
Decisão do escanteio é revertida pelo VAR se puder ser alterada imediatamente e sem atrasar o reinício.
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- Fonte: Confederação Brasileira de Futebol (CBF) – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Luciana Vermell / CBF
Esportes / Futebol
Sem gols, Fluminense empata com o Independiente Rivadavia pela Libertadores
Os dois times voltarão a medir forças na próxima terça-feira (18), a partir das 19h (de Brasília), no Estádio Malvinas Argentinas
Por João Alexandre Borges* | Rio de Janeiro (RJ)
O Fluminense empatou com o Independiente Rivadavia (ARG) por 0 a 0 no Maracanã, na noite desta terça-feira (11), pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores. A equipe carioca teve uma atuação muito ruim e fez pouco para balançar a rede e abrir vantagem no confronto. O Tricolor ouviu vaias da torcida.
Os dois times voltarão a se enfrentar na próxima terça-feira (18), a partir das 19h (de Brasília), no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza.
Antes, porém, o Fluminense foca no Campeonato Brasileiro. O Tricolor vai enfrentar o Palmeiras no sábado (15), a partir das 16h30, no Maracanã, pela 23ª rodada da competição.
O jogo

Soteldo, assim como o goleiro Fábio, foi destaque / Foto: Lucas Merçon – FFC
O Fluminense fez um primeiro tempo muito ruim no Maracanã. Mesmo com mais posse de bola, a equipe de Luis Zubeldía teve muita dificuldade para ser criativa ao longo da etapa inicial e praticamente não obrigou o goleiro Bolcato a trabalhar.
O Independiente Rivadavia, por sua vez, até recuperou a bola no campo de ataque algumas vezes, mas não conseguiu aproveitar. No geral, o time argentino fez pouco para balançar a rede.
O Tricolor só viveu um bom momento em campo na reta final, em dois lances. Soteldo fez jogada individual, finalizou, e a bola explodiu na marcação. Hulk ficou com o rebote, mas finalizou muito mal. Pouco depois, Martinelli finalizou de fora da área com perigo.
A torcida ficou na bronca e vaiou após o árbitro encerrar o primeiro tempo.
No retorno do intervalo, o jogo ficou mais movimentado e, consequentemente, melhorou. O Independiente Rivadavia teve três grandes chances no começo: Fábio salvou em duas; na outra, a bola bateu na trave. Pelo lado do Flu, Lucho Acosta fez ótima jogada e finalizou, mas a bola bateu na marcação.
Passado esse período e com o passar do tempo, o time argentino já não oferecia o mesmo perigo. O Fluminense tinha mais posse, mas ainda cometia muitos erros para realmente crescer em campo.
Não por acaso, o Tricolor voltou a assustar na etapa complementar mais perto dos 35, depois de uma cobrança de escanteio. A bola ficou viva e sobrou para Cano, mas o atacante finalizou mal.
Assim, o Fluminense teve mais uma atuação ruim na temporada. Depois do apito final, a torcida protestou no Maracanã com gritos de “time sem vergonha”.
- Matéria de O Dia – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Lucas Merçon / Fluminense FC
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