Política Municipal
Câmara de Vitória pode mudar o nome da Avenida Dante Michelini
Política / Municipal
A proposta vem após a morte de Dantinho, neto do empresário que dá nome à avenida e um dos investigados no assassinato da menina Araceli
Por Patrícia Maciel e Maria Clara Leitão* – Vitória / ES
Um projeto de lei na Câmara de Vitória pode mudar o nome da Avenida Dante Michelini, que contorna a Praia de Camburi. A proposta vem após a morte de Dante Brito Michelini, conhecido como Dantinho, de 75 anos, um dos investigados pela morte da menina Araceli Cabrera Sanchez, de 8 anos, assassinada em 1973.
O Projeto de Lei nº 004/2026, proposto pelo vereador Armandinho Fontoura (PL) nesta quinta-feira (5), altera o logradouro e redesigna o nome da via para Avenida Governador Gerson Camata, em homenagem ao ex-governador do Espírito Santo, assassinado em 2018.

Acusados da morte de Araceli Cabrera Sanchez: Dante Brito Michelini, o Dantinho; Dante de Barros Michelini; e Paulo Helal
A morte de Dantinho reabriu a discussão sobre o nome da avenida, que homenageia o avô dele, o empresário capixaba Dante Michelini. O projeto de Armandinho revoga a Lei Municipal nº 1.701, de 16 de janeiro de 1967, que deu à avenida o nome do empresário, seis anos antes de Araceli ser assassinada, em maio de 1973.
Na justificativa do projeto, Fontoura lembra que Camata foi o primeiro governador eleito diretamente no Espírito Santo no período da redemocratização. “Homenageá-lo é manter viva a memória de um líder que, do município ao Senado Federal, sempre representou o Espírito Santo com destemor e paixão”, diz o texto.
Caso é “vergonha do Poder Judiciário”
O vereador contou à reportagem do Folha Vitória que a iniciativa se deu após manifestações populares sobre o sentimento de injustiça que envolve o caso Araceli.
“A sociedade capixaba está com isso entalado na garganta. A família Michelini era muito poderosa na época. Houve um julgamento. Utilizou-se de uma influência política à época e foi uma das maiores vergonhas do Poder Judiciário. Eles foram absolvidos. A sociedade nunca acreditou que houve justiça de verdade”, disse Fontoura.
Armandinho ponderou que a homenagem foi feita ao avô de Dantinho, que não tem relação com o crime, mas que a mudança se justifica pelo fato de o neto ter o mesmo nome do avô.

“Nós estamos aqui propondo essa remoção do nome, que é o mesmo nome da pessoa que foi acusada no caso Araceli, lembrando que o caso Araceli foi um crime hediondo de um estupro seguido de morte, um caso que choca até hoje. Cinquenta e três anos e parece que não há justiça para Araceli. Com esse crime bárbaro que aconteceu, esse debate volta à tona”, Armandinho Fontoura, vereador de Vitória.
O vereador explicou que gostaria que a avenida passasse a ter o nome de Araceli, mas afirmou que legalmente não é possível porque já há um viaduto com o nome da menina, e não é possível haver dois logradouros com o mesmo nome na cidade.
Quem foi o empresário que dá nome à avenida?
Dantinho ganhou notoriedade nacional por ter sido um dos três investigados por estuprar, matar e queimar o corpo de Araceli. Em 1980, a Justiça o condenou a 18 anos de prisão. No entanto, em 1991, ele foi absolvido por falta de provas.
Mesmo após a absolvição, o sobrenome Michelini continuou associado ao caso e também é lembrado diariamente por motoristas que passam por uma das principais vias de Vitória: a orla de Camburi. Mas afinal, quem foi Dante Michelini, que dá nome à avenida?
Em entrevista à reportagem do Folha Vitória, o historiador e pesquisador Marcus Vinícius Sant’Ana explicou que se trata de uma homenagem ao empresário capixaba que era avô de Dantinho.
“Dante Michelini (avô) foi um grande empresário e o fato de ele nomear a avenida se deve às posses que ele tinha principalmente naquela região. Ele acabou cedendo alguns terrenos para a avenida poder ser pavimentada em Vitória”, disse o professor.
Marcus destacou, ainda, que Dante Michelini morreu no dia 13 de janeiro de 1965, oito anos antes do assassinato de Araceli, crime que envolveu o neto Dante Brito Michelini e também o filho, Dante de Barros Michelini (já falecido), que foi investigado e julgado pela morte da menina.
“Já a avenida foi nomeada como Dante Michelini no ano de 1967, ou seja, dois anos depois do falecimento do empresário e seis anos antes da morte de Araceli”, lembrou o historiador.
Além disso, não apenas de nome são marcadas as coincidências envolvendo a avenida e a morte de Araceli Cabrera Sanchez. O Bar Franciscano, para onde ela teria sido levada e violentada, ficava na Avenida Dante Michelini.
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- Folha Vitória – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Thiago Soares / Folha Vitória e Reprodução
Política / Municipal
Vereador propõe prioridade de matrícula para pacientes em tratamento de câncer em escolas da capital
Por Paulo Roberto Borges* | Vitória (ES)
O vereador de Vitória Bruno Malias (PSB) é autor do Projeto de Lei que dispõe sobre a prioridade de matrícula para pacientes em tratamento de câncer nas escolas do município da capital capixaba.
Malias tem se destacado como um parlamentar atuante e propositivo, com iniciativas que buscam trazer benefícios concretos para a população. Defensor do esporte e, consequentemente, de um estilo de vida mais saudável, o vereador também demonstra sensibilidade ao apresentar projetos voltados a outras áreas, alcançando diferentes segmentos da sociedade.

Vereador de Vitória, Bruno Malias, um dos mais atuantes do Parlamento da capital / Foto: Reprodução – Redes Sociais
A atuação de Bruno Malias tem ultrapassado os limites da Câmara de Vitória. Alguns de seus projetos e iniciativas têm servido de inspiração para parlamentares de outros municípios capixabas, ampliando sua visibilidade e reforçando a importância de seu trabalho no Legislativo estadual.
Segundo o vereador, o tratamento oncológico impõe às crianças e às suas famílias uma rotina marcada por constantes deslocamentos para consultas e exames, além de impactos físicos, emocionais e sociais.
“Nesse contexto, a manutenção do vínculo escolar torna-se um importante instrumento de inclusão, dignidade, esperança e reconstrução da normalidade na vida desses estudantes”, afirma Bruno Malias na justificativa do projeto.
A proposta busca, portanto, garantir que crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer tenham assegurado o direito de permanecer vinculados à rede de ensino, mesmo diante das dificuldades e limitações impostas pelo tratamento. A iniciativa reforça a importância de políticas públicas que conciliem o cuidado com a saúde e a continuidade da vida escolar, preservando o desenvolvimento educacional e a convivência social desses estudantes.
O Projeto de Lei nº 25/2026, de autoria do vereador Bruno Malias, foi aprovado pela Comissão de Educação da Câmara Municipal e segue em tramitação. No entanto, até o momento, não há registro de aprovação final em plenário nem de sanção pela Prefeitura.
Dessa forma, o projeto ainda não se tornou lei e, por isso, a prioridade de matrícula para pacientes em tratamento oncológico ainda não está sendo aplicada pela rede municipal de ensino.
- Da Redação / Com informações do gabinete do vereador
- Foto destaque; Reprodução / CMV
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