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Luto no Jornalismo

Renato Machado, ícone do telejornalismo, morre aos 83 anos no Rio

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BRASIL

Ex-apresentador do ‘Bom Dia Brasil’ construiu carreira de mais de quatro décadas na TV Globo

Por Letícia Montrezor* | Rio de Janeiro (RJ)

O jornalista Renato Machado morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul da cidade. A causa da morte não foi divulgada.

“A Clínica São Vicente lamenta o falecimento do jornalista Renato Machado na manhã desta quinta-feira e expressa suas condolências à família”, informou o hospital em nota enviada ao DIA.

Casado com a jornalista Mônica Morel, Renato era pai da atriz Maria Eduarda Machado. Referência do telejornalismo brasileiro, construiu uma trajetória de mais de quatro décadas na TV Globo. Ao longo da carreira, apresentou o “Bom Dia Brasil”, o “Jornal da Globo” e o “RJTV”, integrou a bancada do “Jornal Nacional” e atuou como repórter especial e correspondente internacional.

À frente do “Bom Dia Brasil” entre 1996 e 2010, também exerceu a função de editor-chefe e participou da reformulação do telejornal. Durante o período, dividiu a bancada com Leilane Neubarth e, mais tarde, com Renata Vasconcellos.

Início da carreira

Renato Machado  - Reprodução / Instagram

Jornalista Renato Machado – Foto: Reprodução / Instagram

Renato Machado nasceu em 21 de março de 1943, no Rio de Janeiro. Formou-se em Direito pela PUC-Rio e chegou a ser aprovado no concurso do Itamaraty, mas desistiu da carreira diplomática para seguir o caminho da comunicação.

Antes de entrar no jornalismo, trabalhou como ator, dublador e integrou o Teatro Oficina. Em 1967, mudou-se para Londres após ser aprovado em um concurso da BBC, onde atuou no rádio.

De volta ao Brasil, ingressou no “Jornal do Brasil” como tradutor. Depois, tornou-se repórter e editor de Internacional, com destaque para a cobertura de política externa e assuntos internacionais.

Renato Machado  - Reprodução / Instagram
Convidado por Armando Nogueira, chegou à TV Globo em 1982. Um de seus primeiros trabalhos na emissora foi a cobertura da Guerra das Malvinas. A experiência em temas internacionais e a fluência em inglês e francês ajudaram a consolidar seu espaço no canal.

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No ano seguinte, assumiu o posto de correspondente em Londres, onde permaneceu até 1988. Da Europa, acompanhou acontecimentos como o desastre nuclear de Chernobyl, os atentados terroristas em Paris, as celebrações pelos 40 anos do Dia D e o crescimento de Ayrton Senna na Fórmula 1.

Durante a cobertura dos atentados em Paris, em 1986, Renato chegou a ser detido pela polícia francesa ao lado do repórter cinematográfico Paulo Pimentel. A equipe filmava a área externa de um presídio onde estaria um suspeito dos ataques quando foi abordada por um agente.

“Era um edifício grande, que tomava todo o quarteirão. Percorremos a avenida filmando, de dentro do carro, e um guarda achou que nossa movimentação era estranha. Evidentemente, parou o carro e nos prendeu. Foi a minha prisão mais longa. O guarda nos levou a uma guarita em alguma altura da murada e, assim como nas outras vezes, retirou a fita da câmera e confiscou nossos passaportes”, relembrou ao Memória Globo.

Renato também realizou reportagens na América Central durante conflitos armados na região e entrevistou Daniel Ortega. Ao longo da carreira, enfrentou situações de risco em coberturas de guerras e crises políticas.

Consolidação no telejornalismo

De volta ao Brasil, em 1988, passou a trabalhar como repórter especial. Participou da cobertura da redemocratização do Chile, das eleições presidenciais de 1989 e da queda do ditador Alfredo Stroessner, no Paraguai. Na ocasião, revelou que o Brasil concederia asilo político ao ex-presidente paraguaio.

Renato também viveu um momento de tensão durante uma reportagem para o “Globo Repórter”, ao voar em um caça da Força Aérea Brasileira.

Em 1990, deixou a Globo e seguiu para a TV Manchete, onde cobriu a Guerra do Golfo. Retornou à emissora carioca no ano seguinte e participou de coberturas como o impeachment do ex-presidente Fernando Collor e a morte do piloto Ayrton Senna.

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Em 1996, assumiu a bancada e a função de editor-chefe do “Bom Dia Brasil”. Nos 15 anos em que esteve no programa, ajudou a adotar um formato mais dinâmico, com maior interação entre os apresentadores, entradas ao vivo e presença de comentaristas.

Em setembro de 2011, voltou a Londres como correspondente internacional. No período, acompanhou a crise econômica europeia e os ataques ao jornal francês “Charlie Hebdo”, em 2015.

Renato passou o posto para a jornalista Cecília Malan em janeiro de 2016 e retornou ao Rio. Como repórter especial do “Globo Repórter”, assinou trabalhos como “A arte como passaporte”, sobre projetos de música e dança capazes de transformar a realidade de famílias de baixa renda. A edição recebeu indicação ao Emmy Internacional na categoria atualidade.

Paixão pelos vinhos

Além do telejornalismo, Renato Machado também construiu uma trajetória ligada ao universo dos vinhos. Entre 2004 e 2009, apresentou o “Menu Confiança”, do GNT, ao lado do chef Claude Troisgros. Enquanto o francês preparava os pratos, o jornalista escolhia as bebidas e explicava as harmonizações.

Renato Machado era apaixonado por vinhos - Reprodução / Instagram

Renato também comandou a série documental “Reserva Especial”, na qual percorreu regiões produtoras da França, como Champagne, Bordeaux, Borgonha e Provença. Em 2014, apresentou no “Jornal Hoje” uma série de reportagens sobre a relação entre a bebida, a gastronomia, a cultura e as características naturais do sul francês.

Após deixar a TV Globo, em 2021, passou a dedicar mais tempo ao tema. Gravou o documentário “Uma semana na Provence”, exibido pelo canal Sabor & Arte, lançou um curso on-line sobre vinhos franceses e manteve nas redes sociais conteúdos sobre viagens, visitas a vinícolas e curiosidades sobre a bebida.

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  • Informações de O Dia – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / TV Globo

 

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BRASIL

Delegados da PF pedem que Gonet se declare impedido para apurar relatório

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A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) quer que Gonet se retire de investigações com citações ao Procurador Geral da República

Por Manuela de Moura e Luana Patriolino* | Brasília (F)

A ADPF pediu neste sábado (5) que o procurador geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar na apuração sobre a elaboração de um relatório da Polícia Federal (PF) relacionado à Operação Compliance Zero.

A ADPF argumenta que Gonet deveria se declarar impedido porque seu nome aparece no próprio relatório que está sendo analisado pela PGR. A entidade cita o artigo 258 do Código de Processo Penal, que estende aos integrantes do Ministério Público as regras de impedimento e suspeição aplicadas aos juízes.

“Independentemente de qualquer juízo sobre intenções, que a ADPF não formula, o efeito objetivo da medida é intimidatório sobre os investigadores”, afirmou a associação.

A entidade também questionou o fato de a apuração ter como alvo os policiais responsáveis pela elaboração do documento, e não a decisão judicial que determinou sua produção.

Para a ADPF, responsabilizar os executores por cumprir uma ordem judicial transfere aos investigadores uma controvérsia que, na avaliação da associação, deve ser discutida no próprio STF.

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“Se a Procuradoria-Geral da República entende que a decisão determinante do relatório é irregular ou que deveria ter sido previamente comunicada, a via própria é o processo perante o Supremo Tribunal Federal”, afirmou a associação.

Relatório da Policia Federal

– A controvérsia envolve um relatório produzido pela PF a pedido do ministro André Mendonça, do STF

– O documento reuniu informações sobre mensagens e contatos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moares e o próprio Paulo Gonet.

– Após retirar o sigilo do relatório, Mendonça determinou que os elementos apresentados fossem analisados e solicitou manifestação da PGR.

– Na sequência, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, passou a conduzir os procedimentos relacionados ao caso e pediu esclarecimentos à Procuradoria sobre a elaboração do documento.

– A PGR informou a Fachin que abriu o Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para apurar se houve eventual ordem ou interferência externa que pudesse ter comprometido o conteúdo do relatório.

– Segundo a Procuradoria, o Ministério Público não foi comunicado sobre a determinação para a produção do material.

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– A PGR sustenta que a ausência de comunicação impediu o exercício do controle externo da atividade policial durante a elaboração do documento.

– Além do impedimento de Gonet, a associação pediu o arquivamento do procedimento instaurado pela PGR, sob o argumento de que o instrumento seria inadequado para questionar uma decisão do STF.

A entidade também defendeu que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero sejam investigados “em toda a sua extensão”, sem seletividade em relação às autoridades envolvidas.

A ADPF afirmou ainda que prestará assistência aos delegados e servidores eventualmente alcançados por procedimentos instaurados nas circunstâncias questionadas.

“Assegurar que ninguém seja responsabilizado por cumprir ordem judicial não é defesa corporativa: é defesa da capacidade do Estado brasileiro de investigar sem receio de retaliação”, declarou a entidade.

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  • Matéria do Metrópoles – Conteúdo
  • Foto destaque: Crédito – Breno Esaki / Metrópolis

 

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