Economia
Europa veta entrada de carne do Brasil a partir desta quinta-feira
Brasil / Economia
A União Europeia (UE) proibirá, a partir desta quinta-feira (3), a entrada em seu território de carne ou produtos de origem animal procedentes do Brasil devido à falta de garantias por parte do país quanto ao cumprimento das normas europeias sobre o uso de antibióticos no gado.
Como consequência, o Brasil deixará de estar autorizado a exportar para a União Europeia animais destinados à produção de alimentos e produtos de origem animal para consumo humano, em particular carne bovina, aves, carne equina, produtos de aquicultura, mel e tripas.
No entanto, no caso da carne de ave e do mel, uma equipe europeia iniciou no final de agosto uma auditoria, que será concluída em 4 de setembro, para verificar se os produtores brasileiros cumprem as normas europeias sobre o uso de antibióticos.
Os demais produtos não serão analisados, porque o Brasil não pode fornecer as garantias exigidas para todo o ciclo de vida no momento da auditoria (como no caso da carne bovina e dos ovos) ou porque as exportações para a União Europeia não estão autorizadas de fato (como ocorre com os produtos da aquicultura).
A legislação da União Europeia estabelece, em particular, que não é permitido o uso de antibióticos para promover o crescimento ou aumentar o rendimento do gado, e que antimicrobianos reservados para infecções humanas não devem ser utilizados para tratar animais.
Fontes da Comissão Europeia detalharam à agência EFE que, se o resultado dessas inspeções aos produtores de carne de ave e mel for positivo, Bruxelas poderá propor a autorização do Brasil para voltar a exportar carne de ave e/ou mel para a União Europeia.
Contudo, isso não ocorreria imediatamente, pois antes seria necessário analisar as informações coletadas e redigir conclusões, o que exigirá tempo, explicou nesta semana a porta-voz comunitária Eva Hrncirova.
Nesse contexto, Hrncirova disse que Bruxelas “continua colaborando” estreitamente com as autoridades brasileiras e que, embora já tenham sido recebidas garantias documentadas para produtos como carne de ave e mel, a Comissão exige garantias “que cubram todo o ciclo de vida dos animais”.
A porta-voz acrescentou que, no caso da carne bovina, “a situação é diferente por enquanto”, mas admitiu que “isso não termina aqui” e que a UE confia em que o Brasil trabalhará para resolver a questão e retomar as importações o mais rápido possível.
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- Matéria do Estadão – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
Brasil / Economia
Correios somam prejuízo líquido de R$ 5,5 bi no 1º semestre, 30% maior do que igual período de 2025
Por Aramis Merki* | São Paulo (SP)
Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 30,36% ante o resultado negativo de R$ 4,26 bilhões de igual período de 2025.
No segundo trimestre, o prejuízo líquido foi de R$ 2,39 bilhões, queda de 5,5% em relação ao prejuízo de R$ 2,53 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando o prejuízo foi de R$ 3,16 bilhões, houve redução de 24,4%.
A receita líquida de vendas e serviços somou R$ 4 bilhões no segundo trimestre, queda de 5,4% ante os R$ 4,2 bilhões registrados um ano antes. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, porém, a receita cresceu 3,8%, segundo o balanço de resultados publicado neste sábado, 29.
Apesar das cifras bilionárias no vermelho, o balanço revela que a operação postal direta não é a responsável primária por sangrar o caixa. A estatal apurou lucro bruto positivo de R$ 121 milhões no segundo trimestre e de R$ 274 milhões no acumulado do semestre.
A corrosão dos resultados
ocorre nas linhas seguintes, impulsionada por pesadas despesas gerais e administrativas — que somaram R$ 1,52 bilhão apenas no trimestre — e despesas financeiras de R$ 775 milhões. O resultado pressiona ainda mais a saúde financeira da empresa, cujo patrimônio líquido afundou para um patamar negativo de R$ 19,9 bilhões.
Em nota, a estatal disse que os resultados ocorrem em meio à implementação de um plano de reestruturação, que inclui revisão de despesas e contratos, reorganização da companhia, aumento da eficiência operacional e medidas para ampliar a geração de receitas.
Em nota, a estatal classificou o cenário como “desafiador” e reforçou a dependência do plano de reestruturação em curso. O pacote de medidas prevê a venda de imóveis subutilizados, lançamento de um marketplace próprio, renegociação de contratos e o Programa de Demissão Voluntária (PDV), que já resultou no desligamento efetivo de 6.545 empregados até o fim do semestre (dos quais 783 ainda aguardam a quitação dos incentivos).
Fechando no vermelho sucessivamente desde 2022, a crise levou a estatal a uma dependência aguda de crédito e socorro estatal. O governo federal já assumiu o compromisso de injetar R$ 6 bilhões na companhia até o final de 2027, montante que será incluído na proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA).
Esse aporte governamental é uma das âncoras do megaempréstimo de R$ 12 bilhões assinado no final do ano passado com um consórcio de cinco grandes bancos. O empréstimo foi autorizado pelo Tesouro Nacional, com acordo válido até 2040 e garantia da União, para reduzir o risco às instituições financeiras que concederam o crédito. Se os Correios não pagarem as parcelas, o governo federal deve honrá-las.
Pessoas a par do empréstimo apontam que, após a operação de R$ 12 bilhões garantida pela União, com a dívida alongada e mais barata, foi possível que os Correios quitassem antecipadamente, já em janeiro, o empréstimo de R$ 1,8 bilhão contratado em 2025. O prazo da dívida passou de 18 para 180 meses, com três anos de carência e custo efetivo de DI + 1,89% ao ano, bem inferior ao da dívida substituída. Com isso, a estatal encerrou o semestre sem nenhum empréstimo vencendo no curto prazo, e com o saldo total recuando de R$ 14 bilhões para R$ 12,9 bilhões.
Hoje, interlocutores apontam não haver incerteza relevante sobre a continuidade das operações. Além do empréstimo já contratado, uma nova operação de R$ 7 bilhões, também com garantia da União, está em estágio avançado. Os Correios também negociam uma operação de R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) para seu programa de modernização.
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- Matéria do jornal Estadão – Conteúdo
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