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Guriri só será bom para o turista se for bom para seus moradores

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Regional

Por Paulo Roberto Borges* – São Mateus

O balneário de Guriri, localizado no município de São Mateus, norte capixaba, já foi cantado em prosa e verso e até chamado de Ilha do Mel dentre outros adjetivos que, tempos depois podemos dizer que foi apenas um projeto midiático para vender algo que tinha embalagem bonita, porém, dentro um produto de qualidade duvidosa. Uma espécie de propaganda enganosa.

O Guriri glamourizado, aquele das páginas de jornais e revistas, expondo seus encantos não existe e nunca existiu desde quando virou local habitado por pessoas e não somente por mariscos, areia e vegetação rasteira. O Guriri de hoje, o verdadeiro, traz inúmeros problemas que passaram por décadas sem qualquer intervenção do poder público de maneira efetiva com a intenção de uma solução definitiva diante dos problemas que foram surgindo. Hoje esses problemas estão no ápice.

Durante o período de festas o poder público se movimenta freneticamente para maquiar o local, pelo menos nas duas principais avenidas, em detrimento das ruas perpendiculares e transversais, aonde residem a maioria das pessoas com suas famílias e animais domésticos. Varrem, tiram entulhos, podam árvores, pintam meios-fios, melhora a iluminação, enfeitam o pavão. O intuito é montar um cenário que só existe nas duas principais artérias, por onde circulam os visitantes, os veranistas, os turistas e os farofeiros. Claro que os comerciantes dessas vias vibram com a possibilidade de melhorar seu faturamento. O que virá depois desse período pouco importa e enquanto estão faturando, santificam o gestor pela obra ali feita.

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Vários gestores passaram e pouco se fez para que o residente local, o nativo, se orgulhasse de ali morar. Passado o período pseudo-glamuroso, voltam a conviver com a realidade, voltam os problemas recorrentes e, com qualquer chuva, os alagamentos, as “esquadrilhas” de pernilongos, o aumento de casos de dengue, as ruas com crateras, lama, poeira, poças d’água conforme o clima e a ocasião. Guriri passa a ser o que sempre foi. O manto que cobrira seus problemas e que são escondidos durante o período festivo é retirado e voltam os problemas crônicos, companheiro fiel do morador ano todo.

O morador de Guriri não quer ter essas companhias que só trazem transtornos para o seu dia-a-dia. Quando chove é alagamento; quando faz sol a poeira; as árvores não recebem podas, o “entulho se entulha”; o transporte público é deficitário; a saúde costuma ficar doente e o doente fica doente de indignação pela carência dos serviços disponibilizados para turistas no curto período que por lá passam e que não se prolongam pelo restante do ano.

O DER está construindo a chamada calçada cidadã nas duas laterais da Rodovia Otovarino Duarte Santos que tem lá sua importância; entretanto não são vistas pelos nativos como prioridade. Estes, na realidade, têm outras prioridades urgentes, por exemplo, entrar e sair das suas residências sem precisar de usar algum meio de transporte aquático. Alguém poderá argumentar que a verba que custeia as calçadas cidadãs  são do DER. Não, não são. Pertence ao pagador de impostos, os quais deveriam ser ouvidos quanto da aplicação desse recurso.

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A gente reconhece os esforços da atual gestão e do próprio governo do Estado, mas o cidadão tem todo o direito de exigir que as coisas aconteçam com mais celeridade naquilo que é possível se fazer. A microdrenagem é importante, assim como a macrodrenagem. Haja paciência para esperar o dia da redenção, mas… que jeito?!

A verdade verdadeira é que Guriri só vai ser o que dizem que é, quando todos os seus moradores puderem dizer e viver também as maravilhas que as propagandas disseminam mundo a fora. Por enquanto continua sendo um bairro aparentemente nobre, mas que tem os mesmos problemas de um bairro periférico de uma cidade cheia de “poréns”…

Guriri não pode ser bom para o turista sem antes ser bom para seus moradores. Simples assim.

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* Da Redação / Com informações do correspondente

* Foto/Destaque: Reprodução / Redes Sociais

 

 

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Experiências agroecológicas de Santa Teresa despertam interesse de comitiva chilena

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Por Wallas Ribeiro* | Santa Teresa (ES)

Experiências desenvolvidas por produtores rurais de Santa Teresa estão ultrapassando fronteiras e despertando o interesse de profissionais e agricultores de outros países. No dia 6 de agosto, o município recebeu uma comitiva chilena para um intercâmbio técnico voltado ao conhecimento de práticas agroecológicas desenvolvidas na região.

A visita teve como um dos principais focos as experiências ligadas ao Orgânicos em Foco, iniciativa criada em 2021 com o objetivo de fortalecer a produção orgânica no município, incentivar práticas sustentáveis e oferecer suporte técnico aos produtores.

O interesse da comitiva pelas experiências de Santa Teresa surgiu a partir da aproximação com o Incaper de Colatina, por intermédio de Edna da Silva de Abreu, que coordenava um projeto de pesquisa e extensão da Fapes com abrangência regional. Durante esse trabalho, experiências agroecológicas desenvolvidas em Santa Teresa ganharam destaque, especialmente os resultados alcançados em propriedades acompanhadas pelo Orgânicos em Foco.

Do campo para o intercâmbio internacional

A programação começou pela manhã no Sítio Nosso Lar, propriedade de Eudayr Alves Moreira Junior, onde os visitantes conheceram experiências agroecológicas desenvolvidas na propriedade.

Na sequência, a comitiva participou, no auditório do Sebrae, de uma apresentação sobre os resultados das experiências com biofertilizantes realizadas em Santa Teresa. A atividade foi conduzida pelo engenheiro-agrônomo e mestre em Agroecologia Arildo Sebastião Silva, consultor do Sebrae e parceiro da Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico.

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No período da tarde, os visitantes conheceram o Sítio Taufner II, de José Francisco Taufner, produtor de café sustentável participante do Orgânicos em Foco. Na propriedade, o destaque foi o sistema de produção de biofertilizante.

Entre as práticas que mais despertaram o interesse dos visitantes estiveram justamente o sistema de produção de biofertilizantes e a utilização de calda sulfocálcica.

Conhecimento que transforma a produção

Para quem acompanha o Orgânicos em Foco desde o início, os resultados também aparecem dentro das propriedades.

O produtor Ricardo Serro, participante da iniciativa desde sua criação, destaca que um dos principais ganhos foi o conhecimento adquirido para enfrentar os desafios encontrados na produção de café e desenvolver uma atividade mais sustentável.

Segundo o produtor, o acompanhamento técnico permitiu compreender melhor aspectos relacionados ao solo, ao manejo da propriedade e à produção de insumos utilizados na própria lavoura.

Cada mês, com a visita, era um aprendizado novo. Esse conhecimento foi fantástico, principalmente para entendermos como está o solo, porque o foco do trabalho orgânico é garantir um solo adequado”, relata.

Ricardo também destaca a possibilidade de produzir café de qualidade sem a utilização de inseticidas e adubos químicos, além da redução de custos proporcionada por algumas práticas adotadas na propriedade, como a produção do próprio biofertilizante.

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Para ele, receber visitantes estrangeiros interessados nessas experiências demonstra que aquilo que vem sendo construído nas propriedades de Santa Teresa pode contribuir com produtores de outros lugares.

Em todas as partes do mundo as pessoas querem consumir alimentos saudáveis. Quando falamos em saudável, também falamos em sustentabilidade. Que isso sirva de exemplo para outros produtores”, afirma.

Santa Teresa além das fronteiras

A presença da comitiva chilena reforça o potencial das experiências desenvolvidas no campo teresense e amplia a troca de conhecimentos sobre modelos de produção que conciliam qualidade, sustentabilidade e valorização do produtor rural.

Por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico e de parcerias com instituições que atuam no desenvolvimento do setor, a Prefeitura de Santa Teresa vem incentivando ações de capacitação, assistência técnica e adoção de práticas sustentáveis no meio rural.

O intercâmbio mostra que conhecimentos construídos nas propriedades do município podem contribuir não apenas para o fortalecimento da agricultura local, mas também servir de referência para produtores e profissionais interessados em modelos sustentáveis de produção.

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  • Fonte: Prefeitura de Santa Teresa / Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Econômico / Comunicação
  • Foto destaque: Divulgação / PMST 
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