Para Relembrar e vivenciar
Páscoa – Crucificação e Ressurreição de Jesus
Conhecendo a História
Páscoa é uma das principais tradições do cristianismo, relembra a crucificação, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Por Daniel Neves Silva *
A Páscoa é uma celebração do calendário religioso cristão em memória à crucificação e à ressurreição de Jesus Cristo. A celebração cristã inspirou-se em uma comemoração judaica chamada pesach, que acontecia na mesma época que Jesus foi crucificado e ressuscitou.
Uma característica bem conhecida da Páscoa é o fato de que sua celebração é móvel, portanto, todo ano ela é realizada em uma data diferente. Os critérios usados para definir essa data foram estabelecidos pelas autoridades da Igreja Católica durante o Concílio de Niceia, realizado no século IV d.C.
Origem da Páscoa
A Páscoa comemorada pelos cristãos é uma ressignificação de uma festa judaica. No entanto, a comemoração cristã e a judaica têm significados completamente distintos. Esta, chamada de pesach, era realizada pela lembrança da libertação dos hebreus da escravidão no Egito.
Essa história é narrada nos “Pentateucos” — os cinco primeiros livros da Bíblia. A palavra pesach, do idioma hebraico, significa “passagem” e faz menção à passagem do anjo da morte no Egito — a décima praga, conforme a narrativa bíblica. A festa foi revisada pelos cristãos, passando a relacionar-se à crucificação e ressurreição de Cristo.
Importância da Páscoa
A Páscoa é, para muitos cristãos, a festa de maior importância do calendário religioso, uma vez que ressalta um acontecimento de grande importância dentro da fé cristã: a ressurreição — entendida no cristianismo como uma demonstração da divindade de Jesus.
Essa ideia pode ser percebida na Bíblia, uma vez que ela registra uma fala de Paulo, que afirma (em I Coríntios 15:14): “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”|1|. Assim, podemos identificar a importância da ressurreição de Jesus dentro da visão religiosa do cristianismo.
Desse ponto de vista, foi por meio da ressurreição que a humanidade teve a redenção de seus pecados. Jesus Cristo, portanto, voluntariamente sacrificou-se para redimir a humanidade e dar-lhe uma nova chance de salvação. Uma vez realizado o sacrífico, o poder de Deus teria se manifestado.
Semana Santa
O calendário litúrgico praticado pelos católicos acompanha a aproximação da Páscoa com muita devoção. A preparação dela é realizada no decorrer da quaresma — período de 40 dias que antecede essa celebração e quando os fiéis realizam alguma penitência (o tipo de penitência é escolhida por cada pessoa).

Outra marca importante dessa preparação é a Semana Santa, uma tradição que busca relembrar os passos de Jesus durante sua última semana, passando por sua crucificação e ressurreição. Na tradição católica, a Semana Santa é iniciada no Domingo de Ramos e relembra a chegada triunfal de Jesus a Jerusalém (ilustração).
A Semana Santa também relembra a Última Ceia, na Quinta-Feira Santa. Essa foi a última ceia de Jesus com seus discípulos. Ela foi realizada durante a celebração judaica citada (pesach), e nela Jesus anunciou que um dos discípulos o trairia e que os outros fugiriam perante a sua perseguição.
Na Quinta-Feira Santa, é realizado o Rito do Lava-Pés como forma de relembrar o ato de Jesus de abaixar-se para lavar os pés de seus discípulos no local que tomavam a ceia. O ato é entendido dentro da crença cristã como uma demonstração de um importante mandamento de Cristo: o de amar uns aos outros.
Ainda na Quinta-Feira Santa, Jesus foi preso como resultado da traição de Judas Iscariotes. No dia seguinte, a Sexta-Feira Santa, ele foi torturado e condenado à morte. A tradição cristã costuma encenar esses acontecimentos em peças teatrais conhecidas como Paixão de Cristo. Depois de condenado, Cristo foi crucificado em uma colina conhecida como Gólgota.
Ainda na Semana Santa, o dia seguinte à crucificação de Cristo é conhecido como Sábado de Aleluia, e o domingo no qual ele ressuscitou é o Domingo de Páscoa.
Como mencionado, a Páscoa é uma das celebrações mais importantes do calendário religioso dos cristãos, e, portanto, tradições são realizadas nesse período. Neste texto já mencionamos a crucificação e ressurreição de Cristo, conhecidas como Paixão de Cristo.
No Sábado de Aleluia, em determinados locais, é realizado um ritual conhecido como Malhação de Judas, no qual um boneco com proporções humanas é espancado e queimado como uma espécie de punição a Judas por ter traído Jesus. Durante a Páscoa, é tradição que as missas ou cultos sejam voltados para a celebração desses acontecimentos e grandes ceias (Eucaristia, para os católicos) são realizadas.
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No interior do estado de Goiás, um ritual de Páscoa é realizado há quase três séculos: a Procissão do Fogaréu (foto). Essa procissão foi introduzida na cidade, em meados do século XVIII, por um padre espanhol e encena a perseguição e prisão de Jesus Cristo. A festa é um dos grandes patrimônios da cultura daquele estado e reúne milhares de pessoas todos os anos.
De um ponto de vista secular, a Páscoa também tem tradições bastante consolidadas. Essas práticas têm relação com os ovos de Páscoa e podem manifestar-se pela troca deles como presentes, ou, no caso das crianças, pela brincadeira de fazê-las procurarem-nos dentro de um certo espaço.
A data da Páscoa, como mencionado, é móvel, e sua instituição foi feita, no século IV, pela Igreja Católica. Durante o Concílio de Niceia, as autoridades da Igreja definiram sua celebração para o primeiro domingo que acontece após a lua cheia seguinte ao equinócio de primavera (para o Hemisfério Norte).
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* O autor é formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
* Fotos: Ilustrativas / Redes Sociais / MSNews
Conhecendo a História
4 de Julho: Os Estados Unidos da América comemoram 250 anos de sua Independência
Em datas marcantes e de grande relevância para a humanidade, o portal Pauta 1 reafirma seu compromisso de levar conhecimento aos leitores, especialmente àqueles que ainda não perceberam a importância de compreender os grandes acontecimentos históricos que moldaram o mundo e cujos reflexos ainda influenciam a vida das pessoas e das nações.
Neste 4 de julho, celebra-se a Independência dos Estados Unidos da América, um dos acontecimentos mais importantes da história contemporânea, responsável por transformar o cenário político mundial e inspirar diversos movimentos de emancipação em diferentes países.
Confira a seguir como esse marco histórico aconteceu.
A independência dos Estados Unidos foi declarada em 4 de julho de 1776 e reconhecida pelos ingleses em 1783, após cinco anos de guerra. A independência foi resultado do choque de interesses entre colonos e ingleses. A tensão aumentou consideravelmente por meio das leis e dos novos impostos que os ingleses foram impondo à colônia.
Fatores que contribuíram para a independência dos Estados Unidos

A independência dos Estados Unidos foi resultado do rompimento nas relações entre as Treze Colônias e a Inglaterra. Isso aconteceu porque os interesses da Inglaterra e os interesses dos colonos começaram a se mostrar diferentes, gerando atrito entre as partes. A partir de determinado momento, os colonos passaram a entender que não fazia mais sentido manter os laços coloniais com os ingleses.
Primeiramente pode ser mencionada uma série de conflitos nos quais a Inglaterra se envolveu. Grande parte deles tinha reflexos no continente americano, a exemplo dos casos de conflitos contra os franceses, como aconteceu na Guerra dos Sete Anos. No caso da América, esses conflitos resultavam em combates entre colonos ingleses e colonos franceses.
Os colonos sustentavam todo o peso das batalhas, formando e sustentando batalhões, para, no final, não terem os seus interesses considerados pela Inglaterra. Um exemplo claro se deu quando os ingleses se envolveram na guerra de sucessão do trono austríaco. Ingleses e franceses defendiam lados diversos e isso resultou conflitos na América. Os colonos financiaram um ataque a Louisbourg, tomando um forte local, mas, no final, os ingleses forçaram-nos a devolver o forte para os franceses.
Além disso, os colonos sentiram o peso dos impostos aumentar sobre eles porque, com os conflitos, mais tropas eram enviadas para a América do Norte, e o sustento delas era obrigação dos colonos. As guerras também exigiam o aumento de impostos dos colonos, como veremos mais adiante no texto.
O aumento da arrecadação na colônia é entendido pelos historiadores como uma mudança da política colonial dos ingleses em relação às Treze Colônias. Essa mudança tinha relação com o processo de industrialização da Inglaterra, pois era necessário obter mais matérias-primas e abrir novos mercados consumidores. A expansão da indústria inglesa deu-se mediante a exploração das Treze Colônias.
Por fim, havia a questão da ocupação das terras do oeste. Essas terras foram conquistadas dos franceses depois da Guerra dos Sete Anos, e os colonos ingleses desejavam ocupá-las, mas a Coroa inglesa não permitia a ocupação. A decisão da Coroa era parte da política inglesa em relação aos indígenas, isto é, a metrópole não queria ter problemas com os índios que habitavam essas regiões, e a não ocupação das terras era a melhor forma de evitá-los.
Novos impostos
Como mencionamos, os gastos que a Inglaterra teve com as guerras em que ela se envolveu ao longo do século XVIII, a Revolução Industrial e a mudança na política colonial trouxeram uma necessidade de maior arrecadação por parte da Coroa. Essa necessidade passava pela criação de novos impostos e pelo estabelecimento de mecanismos que garantiriam que eles fossem cobrados.
O aumento de impostos e a maior presença de autoridades inglesas nas Treze Colônias colocaram fim numa política que dava grande autonomia aos colonos. A perda de autonomia, a criação de novos impostos e a maior rigidez das autoridades coloniais contribuíram largamente para que as relações entre metrópole e colônia ficasse bem ruins.
Entre as leis anunciadas pela Inglaterra, destacam-se a Lei do Açúcar, a Lei da Hospedagem, a Lei da Moeda, a Lei do Selo e os Atos Townshend. Entre elas, uma das que mais causou indignação foi a Lei do Selo, que determinava que documentos em papéis, como contratos, jornais, cartazes, entre outros, tivessem, obrigatoriamente, um selo inglês que era pago.
Essa lei gerou protestos e boicotes por parte da população colona, forçando a Inglaterra a revogá-la. Entretanto, outras leis foram anunciadas posteriormente, como os Atos Townshend e a Lei do Chá. Esta última serviu como estopim para que a insatisfação dos colonos levasse à independência.
Lei do Chá

A Lei do Chá foi anunciada em 1773 e determinava que todo o chá vendido nas Treze Colônias seria obrigatoriamente comercializado pela Companhia das Índias Orientais. Isso afetaria uma série de comerciantes que não poderiam mais comercializar um produto importante e também faria com que o preço dele subisse, pois, agora, apenas uma empresa o venderia, e ela teria o direito de cobrar o preço que quisesse.
A indignação com a lei motivou 150 colonos disfarçados de índios a invadirem o porto de Boston e destruírem carregamentos de chá da companhia. Estima-se que cerca de 340 caixas tenham sido lançadas ao mar. Esse evento recebeu o nome de Festa do Chá de Boston e aconteceu no dia 16 de dezembro de 1773.
As autoridades inglesas ficaram furiosas com o acontecimento e decidiram punir severamente a colônia por meio das Leis Intoleráveis. Entre essas leis estava a determinação do fechamento do porto de Boston até que o prejuízo fosse pago. Além disso, elas determinaram a proibição do direito de reunião, além da autonomia de Massachusetts ter sido revogada e de mais soldados terem sido enviados para lá, sendo obrigação dos colonos abrigá-los e alimentá-los.
Quando os colonos declararam a independência?
As Leis Intoleráveis motivaram representantes das Treze Colônias a se reunirem para debater a situação com os ingleses. Essa reunião se deu com o Primeiro Congresso Continental da Filadélfia, realizado entre setembro e outubro de 1774. Nesse primeiro encontro, os colonos emitiram sua insatisfação com as leis impostas pelos ingleses, mas mantiveram sua fidelidade com o rei inglês.
A situação se agravou porque os ingleses decidiram enviar mais tropas para as Treze Colônias e, mais uma vez, obrigaram os colonos a sustentá-las. O desgaste nas relações aumentou consideravelmente a partir daí, e os primeiros conflitos armados entre colonos e ingleses aconteceram por meio da Batalha de Lexington e Concord, em 1775.
Posteriormente, organizou-se o Segundo Congresso Continental da Filadélfia, no qual os representantes das Treze Colônias alegaram não haver mais condições de manter os laços coloniais com a Inglaterra. Assim, em 4 de julho de 1776, foi emitida a declaração de independência, documento que explicava os motivos da separação.
A independência dos Estados Unidos foi pacífica?

Não. Depois da declaração de independência, os conflitos entre colonos norte-americanos e ingleses seguiram acontecendo e se estenderam por mais cinco anos. Para garantir a defesa de sua independência, os colonos formaram uma milícia armada, que lutou contra as tropas inglesas. Além disso, os cidadãos norte-americanos puderam se armar para se defender.
A derrota dos ingleses foi sacramentada por meio da Batalha de Yorktown, que ocorreu no final de 1781. Depois dela, os ingleses aceitaram negociar com os norte-americanos, e a independência dos Estados Unidos foi reconhecida por meio do Tratado de Paris de 1783.
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- Pesquisa Pauta1
- Foto destaque: Reprodução de Arquivos Históricos / Declaração da Independência dos EUA
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