Cultura / Evento Literário
Exposição “Heróis Quilombolas” faz sucesso na Feira Literária Internacional de Maricá, no Rio de Janeiro
Conhecendo a História
Por Paulo Roberto Borges*
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Foi um sucesso de público e de interessados a apreciarem a exposição Heróis Quilombolas, durante a realização da Feira Literária Internacional de Maricá, no Estado do Rio de Janeiro. De acordo com os organizadores foram mais de 200 mil pessoas que estiveram prestigiando o evento.
No Rio, inclusive na capital daquele Estado, é sucesso; no Espírito Santo, principalmente em São Mateus, não há espaço e nem apoio para a grandeza dessa iniciativa sócio cultural e histórica que em muito contribuiu para o conhecimento das nossas raízes e injustiças.

Curiosidade da jovem que encanta e assombra…
O escritor e jornalista Maciel de Aguiar, proprietário do África-Brasil Museu Intercontinental, recebeu muitos elogios pelo cervo, pela difusão de cultura e conhecimento da nossa História e, principalmente, pelo resgate dos “esquecidos” pela historiografia oficial.
“Muitos ficaram impactados com a grandiosidade das esculturas representando os que enfrentaram o sistema escravocrata e foram “esquecidos” pela historiografia oficial, feitas pelo artista plástico Jonas Conceição, além das cenas inspiradas nas gravuras de Rugendas e Debret, os objetos de suplício e os 40 livros de minha autoria, com base na oralidade — pesquisados e escritos de 1965 a 1995 —, que resgatam a saga dos negros do Vale do Cricaré ao Sul da Bahia, durante os quase 300 anos de escravidão, como um trabalho pioneiro, realizado com recursos próprios e inédito no Brasil”, enfatiza Maciel, que é autor de 144 livros, além de inúmeros artigos.

O que também vale destacar, foi a surpresa dos presentes à exposição na Feira Literária Internacional de Maricá, o fato do seu museu estar fechado há 10 anos e sem qualquer apoio por parte de entidades governamentais e mesmo da iniciativa privada.
O ÁfricaBrasil Museu Intercontinental está localizado no Porto de São Mateus, Norte do Estado do Espírito Santo, e, segundo o escritor e jornalista, “enfrenta inúmeras adversidades naturais da complexa e difícil relação de um intelectual comprometido com a verdade histórica vivendo em um Município e um Estado que desprezam, desvalorizam e negligenciam a enorme contribuição do povo negro para com essa bela e extraordinária aventura chamada civilização brasileira”.
Para ele, “milhares de visitantes entenderam melhor a própria história, além da grandiosa contribuição da África para a História do Brasil e, por certo, muitos se transformaram em pessoas mais tolerantes, compreensivas, generosas e melhores”.
Alguns depoimentos chegaram a ser emocionantes, como o do prefeito de Maricá, Fabiano Horta, que postou em seu Instagram oficial e o que chamou a atenção foi a sua presença visitando pessoalmente a exposição.

Uma multidão prestigiou o evento
E alguns deram emocionantes depoimentos, desde o competente e talentoso prefeito da cidade, Fabiano Horta — postado em seu Instagram oficial, que nos prestigiou pessoalmente, visitando várias vezes a exposição. ”Pessoas comuns e até aquelas conhecedoras da nossa História, que entenderam a importância de conhecer, preservar e valorizar as suas histórias e descobrir os imensuráveis valores de suas ancestralidades”, pontuou Maciel de Aguiar, que é natural de Conceição da Barra, reside desde adolescente na cidade de São Mateus, foi secretário de Estado da Cultura e está indicado ao prêmio Nobel de Literatura.
Prestígio e convites
O ditado popular diz que “Santo de casa não faz milagre”. Depende. Em São Mateus e algumas cidades capixabas, não faz, até porque – em vários casos – o poder nem sempre é ocupado por governantes esclarecidos, com conhecimento da importância da educação e cultura, além de se sentirem inseguros e ameaçados pelo talento de alguns munícipes.
Deixa estar… Fato é que inúmeras propostas para a realização de outras exposições em museus e espaços no Rio de Janeiro e outros estados são recebidos. “Muito nos gratifica, valoriza, prestigia e dignifica o nosso trabalho de 50 anos de lutas, enfrentamentos desiguais e destemidas persistências”.
Presença do grande escritor capixaba, Maciel de Aguiar, na Feira Internacional de Maricá, Rio de Janeiro
Ao finalizar esta entrevista, Maciel fez questão que registrássemos o agradecimento ao “dinâmico e eficiente” secretário Municipal de Educação de Maricá, Márcio Jardim, “que nos recebeu com generosidade e nos disponibilizou uma superestrutura para a realização da exposição sob a direção de Adriano da Silva Queiroz/ASQ Produções Artísticas Ltda”. E mais: “Agradecer o carinho que recebemos do povo da bela e acolhedora cidade de Maricá e dos cariocas o que nos resta dizer muito obrigado”.…
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* Com informações dos organizadores do evento
* Fotos: Divulgação / PMM
Conhecendo a História
Dia do Trabalho, sua origem e história
Dia do Trabalhador, Dia Internacional do Trabalhador[ ou Primeiro de Maio é uma data comemorativa internacional, dedicada aos trabalhadores, celebrada anualmente no dia 1 de maio em diversos países, sendo feriado em alguns deles.
A homenagem remonta ao dia 1 de maio de 1886, quando uma greve foi iniciada na cidade norte-americana de Chicago com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho, melhorias e benefícios aos trabalhadores, principalmente a redução da jornada de trabalho diária, que chegava a 17 horas, para oito horas. Durante a manifestação houve confrontos, o que resultou em prisões e mortes de trabalhadores inocentes. Este acontecimento serviria de inspiração para muitas outras manifestações que se seguiriam. Estas lutas operárias culminaram numa série de direitos e deveres, previstos em leis e nas constituições locais, sancionados por constituições.
No período entreguerras, a duração máxima da jornada de trabalho foi fixada em oito horas, na maior parte dos países industrializados.
No calendário litúrgico, o dia celebra a memória de São José Operário, o santo padroeiro dos trabalhadores.
Em Chicago, a greve atingiu várias empresas. No dia 3 de maio, durante uma manifestação, grevistas da fábrica McCormick saíram em perseguição dos indivíduos contratados pela empresa para furar a greve. São recebidos pelos detetives da agência Pinkerton e policias armados de espingardas. O confronto resultou em três trabalhadores mortos. No dia seguinte, realizou-se uma marcha de protesto e, à noite, após a multidão se ter dispersado na Haymarket Square, restaram cerca de duzentos manifestantes e o mesmo número de policiais. Foi quando uma bomba explodiu perto dos policiais, matando um deles. Sete outros foram mortos no confronto que se seguiu.
Em consequência desses eventos, os sindicalistas anarquistas Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel, August Spies e Louis Lingg, foram condenados à forca, apesar da inexistência de provas. Louis Lingg cometeu suicídio na prisão, ingerindo uma cápsula explosiva. Os outros quatro foram enforcados em 11 de novembro de 1887, dia que ficou conhecido como Black Friday. Três outros foram condenados à prisão perpétua. Em 1893 eles foram inocentados e reabilitados pelo governador de Illinois, que confirmou ter sido o chefe da polícia quem organizara tudo, inclusive encomendando o atentado para justificar a repressão que viria a seguir.[7][8][9]
Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de 8 horas e proclamou feriado o dia 1 de maio daquele ano. Em 1920, a então União Soviética adotou o Primeiro de Maio como feriado nacional, sendo seguida por alguns países.
Até hoje, o governo dos Estados Unidos se nega a reconhecer a data como o Dia do Trabalhador. Em 1890, a luta dos trabalhadores norte-americanos fez com que o Congresso aprovasse a redução da jornada de trabalho, de 16 horas para 8 horas diárias.
Até o início da Era Vargas (1930–1945) certos tipos de agremiação dos trabalhadores fabris eram bastante comuns, embora não constituísse um grupo político muito forte, dada a incipiente industrialização do país. O movimento operário caracterizou-se, em um primeiro momento, teve influências do anarquismo e, mais tarde, do comunismo, mas com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, essas influências foram gradativamente dissolvidas pelo chamado trabalhismo.
Até então, o Dia do Trabalhador era considerado, no âmbito dos movimentos anarquistas e comunistas, como um momento de luta, protesto e crítica às estruturas socioeconômicas do país. A propaganda trabalhista de Vargas, sutilmente, transformou um dia destinado a celebrar o trabalhador em Dia do Trabalho. Tal mudança, aparentemente superficial, alterou profundamente as atividades realizadas no 1 de maio. Até então marcado por piquetes e passeatas, o Dia do Trabalhador passou a ser comemorado com festas populares, desfiles e celebrações similares.
Aponta-se que o caráter massificador do Dia do Trabalhador, no Brasil, se expressa especialmente pelo antigo costume que os governos tinham de anunciar nesse dia o aumento anual do salário-mínimo. Outro ponto muito importante atribuído ao dia do trabalhador foi a criação da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, em 1 de maio de 1943.
A defesa dos direitos dos trabalhadores sempre esteve sob a luz das organizações de trabalhadores e, consequentemente requer repensar o sentido das organizações sindicais e o que se pretende para o futuro da sociedade brasileira. Porém estes direitos sofrem alterações com o passar do tempo, em circunstâncias de pressões vindas de movimentos sociais organizados.
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