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Polícia Federal / Investigação

PF indicia Jair Bolsonaro e Eduardo por coação

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Política

Ex-presidente e o filho são acusados de tentar interferir na ação penal do golpe. Pastor Silas Malafaia é alvo de busca e apreensão

Por Francisco Artur de Lima e Júnio Silva* – Brasília /DF

A Polícia Federal fechou, nesta quarta-feira, mais um capítulo da investigação sobre a trama golpista, ao indiciar o ex-presidente Jair Bolsonaro e o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por coação no curso do processo que apura a participação do ex-chefe do Executivo na tentativa de derrubar a democracia.

Com 170 páginas, o relatório da PF é categórico ao apontar que pai e filho atuaram com o jornalista Paulo Figueiredo e o pastor Silas Malafaia com o objetivo de interferir na ação penal sobre o golpe. Com base no parecer, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou busca e apreensão contra Malafaia e medidas restritivas ao líder evangélico, como a retenção do passaporte e proibição de manter contato com Bolsonaro e Eduardo. 

Moraes também enviou o relatório da PF à Procuradoria-Geral da República (PGR), para que o órgão se manifeste, e determinou que a defesa de Bolsonaro explique, em 48 horas, os descumprimentos de medidas cautelares, a reiteração de condutas ilícitas e a existência de risco de fuga, já que a corporação apresentou, no relatório, um pedido de asilo político direcionado ao presidente da Argentina, Javier Milei.

No relatório, a PF diz que “com base nos elementos probatórios apresentados neste relatório, conclui-se que Eduardo Nanes Bolsonaro e Jair Messias Bolsonaro, com a participação de Paulo Figueiredo e Silas Lima Malafaia, encontram-se associados ao mesmo contexto, praticando condutas com o objetivo de interferir no curso da Ação Penal n. 2668 – STF, processo no qual o segundo nominado consta formalmente como réu”, escreveu a PF.

Também de acordo com o relatório, Bolsonaro e o filho usaram sistematicamente as contas bancárias das respectivas esposas para mascarar a origem e o destino de recursos destinados ao financiamento das atividades no exterior.

Segundo a PF, Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões para a conta de Michelle. No dia seguinte, Heloísa Bolsonaro, mulher de Eduardo, recebeu os valores. A operação, diz o relatório, tinha como objetivo “escamotear” os recursos e evitar bloqueios judiciais.

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Asilo

O relatório também apontou que Bolsonaro planejou pedir asilo político na Argentina. O plano, recuperado pela PF nos celulares do ex-presidente, datava de fevereiro do ano passado.

“De início, devo dizer que sou, em meu país de origem, perseguido por motivos e por delitos essencialmente políticos”, relatou Bolsonaro na minuta do pedido de asilo. Segundo os investigadores da PF, o objetivo de uma possível ida para a Argentina seria impedir a aplicação da lei penal. O país vizinho é governado pelo presidente Javier Milei, um aliado de Bolsonaro.

Em nota publicada no X, Eduardo negou ter feito lobby nos Estados Unidos para interferir no julgamento do pai. De acordo com o parlamentar, a ida aos EUA “jamais teve como objetivo interferir em qualquer processo em curso no Brasil”, escreveu. “Sempre deixei claro que meu pleito é pelo restabelecimento das liberdades individuais no país, por meio da via legislativa, com foco no projeto de anistia que tramita no Congresso Nacional”, defendeu-se. A defesa do ex-presidente não se pronunciou até o fechamento desta edição.

Enquanto Bolsonaro e filho foram indiciados, o pastor Silas Malafaia foi alvo de operação de busca e apreensão, na noite desta quarta-feira, no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, foram apreendidos aparelhos celulares do religioso.

Ao desembarcar de um voo procedente de Lisboa, Malafaia foi abordado por agentes federais e levado para prestar depoimento. Segundo o relatório, o líder religioso atuou como orientador de Jair Bolsonaro em diversas ocasiões e o instigou a descumprir medidas cautelares impostas pelo Supremo, como a proibição do uso de redes sociais.

Em gravações divulgadas pela PF, Malafaia orienta Bolsonaro sobre o que falar após o anúncio pelo governo norte-americano do tarifaço. “(…) Tem que pressionar o STF dizendo que, se houver uma anistia ampla e total, a tarifa vai ser suspensa. Ainda pode usar o seguinte argumento: não queremos ver sanções contra ministros do STF e sua famílias. Eles se cagam disso!”, declarou o pastor.

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O relatório da PF mostra que Malafaia e Bolsonaro mantinham intensa comunicação sobre o que seria divulgado nas redes sociais do ex-presidente, com o religioso informando, inclusive, que havia pedido a um “marqueteiro” que inventasse a frase “anistia já e a taxação cai”.

Após prestar depoimento, nesta quarta-feira, Malafaia atacou Moraes. “O criminoso Alexandre de Moraes, que denuncio há quatro anos, estabeleceu o crime de opinião no Estado Democrático de Direito. Até onde isso vai? Não tenho medo de ditadores. Não sou bandido”, disse, em entrevista coletiva.

Xingamentos ao pai

O relatório da PF também registra uma troca de mensagens em que Eduardo xinga o ex-presidente e ameaça abandoná-lo, após o pai chamá-lo de “imaturo” em uma entrevista.

Na entrevista ao site Poder360, Bolsonaro comentou sobre o conflito entre o filho Eduardo e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). “Eu ia deixar de lado a história do Tarcísio, mas, graças aos elogios que você fez a mim no Poder 360, estou pensando seriamente em dar mais uma porrada nele, para ver se você aprende”, diz Eduardo. “VTNC seu ingrato do caralho”, completa na mensagem seguinte.

As mensagens enviadas por Eduardo expressam a revolta. “Se o imaturo do seu filho de 40 anos não puder encontrar com os caras aqui, porque você me joga para baixo, quem vai se fuder é vc. E vai decretar o resto da minha vida nesta porra aqui”, escreveu. Logo após o sermão, Eduardo mandou o pai ter “responsabilidade”.

Após ser xingado, Bolsonaro dá entrevista nova elogiando o filho. Horas depois, Eduardo se retrata com o pai. “Desculpa. Peguei pesado. Estava puto na hora”.

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* Correio Braziliense – Conteúdo / Colaboraram Gabriel Botelho e Pedro Grigori

* Foto/Destaque: Crédito – Sérgio Lima / AFP

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Política

Prefeitura nega que Ricardo tenha aberto diálogo e cobra governo por “obras irregulares”

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O que parecia ser um movimento de aproximação entre o governo do ES e a Prefeitura de Vitória, virou ponto de tensão

Por Fabiana Tostes*

Após a coluna De Olho no Poder revelar com exclusividade que o governador Ricardo Ferraço (MDB) telefonou para a prefeita de Vitória, Cris Samorini (PP), num gesto que apontaria para uma possível aproximação, a Prefeitura da Capital encaminhou duas notas à coluna confirmando o telefonema, mas negando que o teor tenha sido de abertura de diálogo.

Na manifestação da Prefeitura diz que a ligação tratou de “embargos de obras irregulares na Capital”, citando o Ginásio do DED e o Cais das Artes, e que houve uma cobrança para que o poder público dê o exemplo no cumprimento das leis.

A Prefeitura também negou que Ricardo tenha dado as boas-vindas à nova prefeita, afirmando que ele não respondeu ao convite para participar da solenidade de posse de Cris Samorini:

“Ferraço não compareceu à solenidade, não respondeu ao convite e sequer enviou representante, tampouco manifestou qualquer sinal de diálogo institucional ou de boas-vindas à nova chefe do Executivo municipal”, diz trecho da nota enviada à coluna.

Entenda

Na manhã desta quarta-feira (08), a coluna publicou que o governador telefonou para a prefeita de Vitória, ontem (07), e que, na ligação, teria parabenizado Cris pelo cargo e colocado a administração estadual à disposição da Prefeitura.

O telefonema seria um gesto de aproximação e de “bandeira branca”, após quase cinco anos de conflitos e divergências entre o Estado e a Capital.

O grupo do ex-governador Renato Casagrande (PSB) e do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) são adversários e devem se enfrentar nas urnas, em outubro. Já Ricardo e Cris tinham uma boa relação – ao menos até 2024 – por terem em comum o bom trânsito na área empresarial. Cris foi presidente da Findes.

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Antes da publicação da coluna, foi tentado contato com a prefeita para tratar do assunto, mas sem sucesso. Após a publicação, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Vitória enviou a seguinte nota à coluna:

“A prefeita de Vitória, Cris Samorini, recebeu contato telefônico do governador do Estado, Ricardo Ferraço, nesta terça-feira (7), cujo assunto foram embargos de obras irregulares na Capital, a exemplo do ginásio do DED e do Cais das Artes”.

Durante a ligação, a prefeita reiterou ao governador que o cumprimento das normas legais é princípio inegociável da administração pública e que, ao exigir dos cidadãos a obediência às leis, o poder público deve dar o exemplo.

Cris Samorini destacou e frisou que todas as obras no município são e continuarão sendo fiscalizadas conforme dispõe a lei, sem exceções, com aplicação das medidas cabíveis sempre que constatadas não conformidades e/ou irregularidades. Acrescentou que as equipes responsáveis pelas fiscalizações têm total autonomia para atuar com isenção, de modo a assegurar que a atuação ocorra de forma estritamente legal, imparcial e transparente.

A prefeita afirmou ainda que o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Espírito Santo (CREA-ES) tem atuado de forma integrada junto às equipes municipais, contribuindo com o acompanhamento das intervenções e reforçando as ações voltadas à segurança de trabalhadores e dos capixabas.

Cris Samorini finalizou a ligação reafirmando seu compromisso com a legalidade, a ordem urbana e a proteção da coletividade, conduzindo suas ações com base em critérios técnicos e baseados no interesse público.

A nota encaminhada não confirmou e nem negou se houve, por parte do governo do Estado, a iniciativa de reabrir o diálogo com o município. Por esse motivo, foi feito um novo contato da coluna com a Prefeitura, que enviou à colunista Fabi Tostes uma segunda manifestação.

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Na segunda nota – já num tom acima que a primeira – a Prefeitura nega que tenha ocorrido qualquer abertura para o diálogo entre os entes e cita a ausência de Ricardo na posse.

Segue, na íntegra, a segunda nota:

“O atual governador do Estado, Ricardo Ferraço, foi formalmente convidado pelo então prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, para participar da solenidade de transmissão de cargo da vice-prefeita, Cris Samorini, por ocasião de sua assunção ao cargo de prefeita da capital.

Registra-se que Ferraço não compareceu à solenidade, não respondeu ao convite e sequer enviou representante, tampouco manifestou qualquer sinal de diálogo institucional ou de boas-vindas à nova chefe do Executivo municipal.

O esclarecimento enviado pela prefeita reforça o compromisso da atual gestão com a transparência e a clareza na condução das relações institucionais, pautadas pelo respeito entre os entes públicos e pelo interesse coletivo”.

A Prefeitura também encaminhou um ofício, que seria o convite ao governador para a posse de Cris. O documento é datado do último dia 2, quando Ricardo tomou posse como governador.

Outro lado

O governador Ricardo Ferraço foi procurado para se manifestar a respeito das notas da Prefeitura de Vitória, mas até o momento, não se pronunciou.

Em tempo

Se a mudança dos gestores alimentava, no mercado político, a expectativa de pacificação entre o governo do Estado e a Prefeitura de Vitória, os últimos movimentos trataram de dissipar qualquer sinal de trégua.

Ao contrário, inauguram um novo foco de tensão e aprofundam a já esgarçada relação entre o Estado e a Capital.

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  • Reprodução da Coluna De Olho no Poder / Folha Vitória
  • Foto Destaque: Reprodução
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