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O Descobrimento do Brasil tem sua data relegada ao arquivo da História

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Conhecendo a História

O Brasil foi oficialmente avistado pelos portugueses em 22 de abril de 1500, durante a expedição liderada por Pedro Álvares Cabral, marcando o início da presença europeia no território.

Contexto Histórico

O evento conhecido como “descobrimento do Brasil” ocorreu no contexto das grandes navegações portuguesas, realizadas nos séculos XV e XVI, quando Portugal buscava novas rotas comerciais para as Índias e expandia sua presença ultramarina. A expedição de Cabral partiu com 13 embarcações e mais de 1.200 homens, seguindo a rota atlântica que contornava a África em direção à Índia. Poucos anos antes, o Tratado de Tordesilhas (1494) havia definido a divisão das novas terras entre Portugal e Espanha, garantindo a Portugal o controle das terras a leste da linha imaginária estabelecida. 

A Chegada ao Brasil

Em 22 de abril de 1500, a frota portuguesa avistou o litoral brasileiro, próximo ao Monte Pascoal, na atual Bahia. Inicialmente, a terra foi chamada de Ilha de Vera Cruz e, posteriormente, Terra de Santa Cruz. A primeira missa no território foi celebrada pelo frei Henrique de Coimbra em 26 de abril de 1500. Após alguns dias, Cabral seguiu viagem rumo à Índia, deixando o território sob observação e exploração inicial. 

Quem Descobriu?

Tradicionalmente, Pedro Álvares Cabral é considerado o “descobridor” do Brasil, mas a historiografia moderna questiona o termo “descobrimento”, pois a terra já era habitada por milhões de indígenas há cerca de 11 mil anos. Alguns historiadores preferem termos como “chegada dos portugueses”“achamento” ou até “invasão”, reconhecendo a presença pré-existente dos povos autóctones e evitando uma visão eurocêntrica da história. 

Primeiros Contatos e Consequências

A descoberta do Brasil - RTP Ensina

Os primeiros contatos entre portugueses e indígenas envolveram trocas simbólicas e observação mútua, sem ocupação imediata do território. A notícia da nova terra se espalhou rapidamente pela Europa, sendo registrada em mapas como o Planisfério de Cantino em 1502. A exploração inicial do pau-brasil, iniciada em 1511, deu origem ao nome atual do país. 

Debate Historiográfico

O termo “descobrimento” é cada vez mais questionado, pois implica que o território era desconhecido, ignorando a história milenar dos povos indígenas. A abordagem contemporânea enfatiza que o evento representa a chegada dos portugueses a uma terra já habitada, marcando o início da colonização europeia e da integração do Brasil ao sistema comercial atlântico e à expansão do cristianismo. 

Polêmica

Para muitos historiadores, o 22 de abril deixou de ser importante porque os “golpistas” que proclamaram a República, precisavam de um mártir e ressuscitaram Tiradentes depois de 100 anos no esquecimento, devido a sua participação no movimento da Inconfidência, que foi secundário.

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  • Da Redação / Com informações complementares
  • Foto Destaque: Reprodução / Internet
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Conhecendo a História

Peixe pré-histórico que viveu há mais de 250 milhões de anos foi encontrado com ajuda de pesquisadores do Rio

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Nova espécie, que sobreviveu por pouco ao impacto do meteorito que causou a maior extinção em massa da história do planeta, revela detalhes de um ecossistema de 254 milhões de anos

Por Felipe Lucena* | Rio de Janeiro (RJ)

Uma nova espécie de peixe pré-histórico, que viveu há cerca de 254 milhões de anos, pouco antes da maior extinção em massa da história do planeta, acaba de ser apresentada em um estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O fóssil, encontrado no município de Alto Garças, em Mato Grosso, está excepcionalmente preservado e oferece uma rara oportunidade de conhecer a vida existente no continente sul-americano nos momentos que antecederam uma das maiores transformações da história da Terra.

Os professores Valéria Gallo e Francisco J. de Figueiredo, do Departamento de Zoologia da Uerj, participaram da descrição científica do animal, incluindo investigação, análise morfológica, descrição e validação do estudo. A nova espécie foi batizada de Leolepis matogrossensis e representa um achado raro em escala mundial entre os peixes continentais do Permiano Superior.

A nova espécie pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios) que reúne cerca de 96% dos peixes vertebrados atualmente existentes, incluindo espécies como atum, salmão e bacalhau. O animal tinha aproximadamente 15 centímetros de comprimento e apresentava uma característica marcante: seu corpo era protegido por escamas resistentes formadas por dentina e esmalte, os mesmos materiais encontrados nos dentes humanos.

O grau de preservação torna o achado especialmente relevante. Enquanto grande parte dos peixes dessa idade encontrados no Brasil é conhecida apenas por dentes, escamas ou fragmentos ósseos isolados, o exemplar de Leolepis conserva praticamente todo o corpo. O estudo o classifica como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado no estado de Mato Grosso, além de representar um achado raro em escala mundial.

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Um retrato da vida antes da maior extinção do planeta

O peixe viveu durante o Permiano Superior, em um grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior existente quando a América do Sul e a África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana.

Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas. O fóssil, portanto, ajuda a reconstruir parte de um ecossistema que existia pouco antes da chamada extinção Permo-Triássica, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos. O evento foi o maior episódio de extinção em massa conhecido pela ciência: cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas desapareceram.

Um peixe que viveu perto de uma cratera de asteroide

Há ainda uma coincidência geológica que torna a descoberta particularmente interessante: o fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul.

Formada pelo impacto de um asteroide estimado em 2 a 3 quilômetros de diâmetro, a estrutura possui aproximadamente 40 quilômetros de diâmetro. O impacto ocorreu em período próximo ao final do Permiano, quando Leolepis ainda fazia parte daquele ecossistema.

O evento de Araguainha pode ter causado efeitos ambientais regionais importantes, embora as evidências disponíveis não permitam apontá-lo como a principal causa da extinção em massa do final do Permiano.

Uma nova espécie para entender a evolução dos peixes

Além de registrar uma espécie até então desconhecida, a pesquisa contribui para ampliar o conhecimento sobre a evolução dos actinopterígios, grupo extremamente diverso que domina a fauna de peixes atual. O resultado ajuda a compreender a diversidade, a distribuição geográfica e a evolução desses peixes durante o Permiano.

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A descoberta também é importante porque o registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul ainda é considerado pouco conhecido. A pesquisadora Valéria Gallo, envolvida na descrição do fóssil, afirma que “por estar excepcionalmente preservado, o exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas”.

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. O nome Leolepis é uma homenagem ao geólogo, enquanto matogrossensis faz referência ao estado brasileiro onde o fóssil foi encontrado.

Para os pesquisadores, a descoberta também indica que ainda podem existir outros fósseis importantes a serem encontrados não apenas no Brasil, mas em diferentes regiões da América do Sul.

Pesquisa reúne instituições brasileiras e internacionais

O estudo foi realizado por uma equipe formada por pesquisadores vinculados à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Natural History Museum, de Londres, e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), entre outras colaborações internacionais.

Participaram da pesquisa Martha Richter, do Natural History Museum; Francisco J. de Figueiredo e Valéria Gallo, da Uerj; Raoul J. Mutter, pesquisador associado à área de paleontologia; Gerson Souza Saes, da UFMT, e Dharani Sundaran. A análise contou ainda com dados comparativos fornecidos pela pesquisadora Sam Giles, da University of Birmingham.

O fóssil permanece depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de O fóssil permanece depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso, sob o registro UFMT-353 a,b.

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  • Matéria do Diário do Rio – Conteúdo
  • Foto destaque: Divulgação
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