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Política Internacional

Tarifaço: Brasil abre processo para aplicar Lei de Reciprocidade aos EUA

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Brasil / Economia

Medida ocorre em razão da taxa de 25%; Presidência afirma que solicita realização de ‘consultas diplomáticas’ ao governo americano

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta quinta-feira, 13, o processo para aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, em razão da aplicação da tarifa de 25% contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais.

“Em cumprimento ao artigo 16 do referido decreto, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas”, afirma nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgada na noite desta quinta-feira.

Segundo o comunicado, a consulta à diplomacia americana antes da adoção de medidas mostra o esforço do Brasil para privilegiar o diálogo com a Casa Branca. As negociações podem levar ao adiamento ou à suspensão de eventuais contramedidas, a critério do governo, mas o Ministério das Relações Exteriores terá de produzir relatórios periódicos sobre seu andamento.

O governo destacou que, durante a investigação da Seção 301 da lei americana – com base na qual o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) acusou o Brasil de práticas desleais em temas como Pix e desmatamento -, apresentou evidências para contestar os argumentos americanos. A Secom voltou a classificar as tarifas como “injustificadas e arbitrárias”. “O Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, afirma a nota.

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O governo também disse que seguirá trabalhando para reduzir os efeitos das tarifas e defendeu o multilateralismo e o fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Seguiremos trabalhando pela diversificação de parcerias comerciais e abertura de novos mercados para nossos produtos”, diz a Secom. A nota cita ainda o Plano Brasil Soberano, voltado à proteção dos setores afetados e à preservação de empregos e da capacidade produtiva.

Desde o ano passado, a aplicação da lei divide opiniões no governo Lula e entre setores privados, que temem os efeitos de uma eventual resposta na mesma proporção. Na ocasião, o governo também abriu o processo na Camex, mas não avançou na adoção de medidas.

As próximas semanas devem ser marcadas por consultas aos setores afetados. O governo descartou, por exemplo, a proposta de economistas de aplicar tarifas de exportação sobre produtos sensíveis retirados pelo governo Trump da lista do novo tarifaço. A avaliação é de que a medida seria difícil de justificar politicamente, após meses de esforços para evitar a taxação.

O passo dado agora cumpre os prazos e formalidades previstos na lei para eventual adoção de medidas tarifárias e comerciais. O governo pode aplicar contramedidas provisórias enquanto avalia as definitivas, mas antes terá de realizar consultas públicas com as partes interessadas.

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Entre as possibilidades, estão restrições à importação de bens e serviços, suspensão de concessões comerciais e de investimentos e de obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual. As medidas devem ser proporcionais ao impacto econômico provocado pelo outro país.


  • Matéria do Estadão – Conteúdo
  • Foto destaque: Crédito – AFP
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Brasil / Economia

China não comprou “toda a safra de açaí” do Amapá; acordo prevê exportação de apenas uma cooperativa

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Por Maria Eduarda Joia*

Não é verdade que uma empresa chinesa tenha comprado “toda a safra de açaí” produzida no estado do Amapá pelos próximos cinco anos, como alegam publicações que somam mais de 30 mil interações nas redes sociais em julho de 2026. Os conteúdos distorcem um contrato divulgado entre uma cooperativa de extrativistas e uma distribuidora chinesa para a exportação de 15 mil toneladas de açaí até 2031. O montante, que deverá ser exportado ao longo de cinco anos, se trata da safra de uma única cooperativa e é cerca de metade do que o estado produz em um ano.

As publicações circulam após a divulgação, no fim de maio de 2026, de um contrato firmado entre a Amazonbai, uma cooperativa de produtores agroextrativistas de açaí do Amapá, e uma rede de distribuição de alimentos chinesa.

No entanto, não se trata da compra de “toda a produção” de açaí do estado do Amapá, apenas da produção da cooperativa.

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A parceria estabelece a exportação de toda a safra dos produtores da Amazonbai, totalizando 15 mil toneladas do fruto, até 2031. O acordo foi realizado durante uma feira de alimentos da Ásia, da qual participaram oito cooperativas brasileiras, com investimento do governo federal, para promover o desenvolvimento regional. 

Rampa do Açaí, em Macapá / Foto: Reprodução – Redes Sociais

Algumas publicações incluem ao fim do texto a explicação de que a compra é referente apenas à produção da cooperativa, apesar da chamada enganosa. Ainda assim, nos comentários, muitos usuários demonstram preocupação com possíveis impactos na oferta do produto no Brasil.

Mas as 15 mil toneladas acordadas para exportação não são expressivas no contexto da produção anual, tanto do estado quanto do país. 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Amapá produziu 22 mil toneladas da fruta em 2024. Já em 2025, a produção subiu para cerca de 30 mil toneladas — o dobro do total estipulado no acordo para cinco anos.

Ainda assim, o estado é superado pelo Amazonas, que produziu mais de 90 mil toneladas de açaí em 2024, e pelo Pará — maior produtor da fruta no país — com mais de 1,6 milhão de toneladas produzidas no mesmo ano.

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  • Matéria reproduzida da AFP Brasil – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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