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Economia

Projeto do governo para novo teto do MEI traz armadilha jurídica que ameaça o Simples Nacional

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Brasil / Economia

Proposta do Executivo eleva limite para R$ 140 mil em 2028, mas artigo 3º abre precedente perigoso para cortes ou restrições futuras

Por Silvia Pimentel* | São Paulo (SP)

O governo enviou à Câmara o Projeto de Lei Complementar (PLP) 186/2026, que propõe a aguardada atualização do limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI). Embora a medida seja vista com bons olhos pelo setor produtivo, já que os valores estão congelados desde 2018, foi inserida no texto da proposta uma “pegadinha” jurídica que pode colocar em risco a segurança de todo o regime tributário das pequenas empresas, o Simples Nacional.

O alerta é do advogado e especialista em políticas públicas Gabriel Ferraz. O projeto propõe uma recomposição da inflação de forma escalonada. Pelo texto do Executivo, o teto de faturamento do MEI passaria dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027, chegando a R$ 140 mil em 2028. A proposta permite, ainda, a contratação de até dois funcionários pelos microempreendedores individuais.

“Jabuti”

O ponto mais polêmico e preocupante do PLP 186/2026 está concentrado no seu Artigo 3º, que vincula a ampliação dos limites do MEI à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), classificando a atualização como uma “renúncia de receita” que precisa de compensação na lei orçamentária.

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Para Gabriel Ferraz, essa classificação é um precedente perigoso. Na sua visão, ao carimbar o reajuste do regime como “renúncia fiscal”, o governo abre brechas para que o Simples Nacional e o MEI se tornem alvos fáceis de cortes ou restrições futuras sempre que o Executivo precisar fechar as contas ou cumprir metas fiscais.

“Classificar o reajuste do teto como renúncia pode tornar o regime vulnerável a cortes no futuro. O Simples não é um favor ou um benefício temporário, é um direito constitucional de estímulo à pequena empresa”, afirma o especialista.

De acordo com o advogado, a tentativa do governo de enquadrar o reajuste do MEI como benefício fiscal contraria entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) que, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7096), definiu de forma expressa que o Simples Nacional não é um benefício fiscal, mas sim um modelo jurídico simplificado, garantido pela Constituição para assegurar a sobrevivência dos pequenos negócios.

A mesma tese de que o regime tributário simplificado não configura renúncia fiscal, lembra o especialista, já foi defendida pelo Poder Legislativo. Quando o Congresso Nacional aprovou a Emenda Constitucional 109/2021 – que exigia revisão ampla de todos os benefícios fiscais e gastos tributários da União – os parlamentares excluíram o Simples Nacional desse pente-fino, reforçando sua natureza de direito constitucional.

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O advogado também chama a atenção de que, na proposta, ficaram de fora o reajuste das faixas de faturamento das microempresas e empresas de pequeno porte que integram o Simples Nacional, uma reivindicação do setor produtivo.  O teto de faturamento do MEI Caminhoneiro, que hoje gira em torno de R$ 250 mil, também não foi contemplado.

Fragilidade nos dados

O Simples Nacional costuma liderar o Demonstrativo de Gastos Tributários elaborado anualmente pela Receita Federal, sendo apontado pelo órgão como a maior “renúncia” do país. Contudo, segundo Gabriel Ferraz, a metodologia do fisco é amplamente questionada por economistas e por entidades como o Sebrae.

Estudos mostram que os cálculos do fisco utilizam uma premissa estática e irreal: presumem que, se o Simples deixasse de existir, todas as pequenas empresas migrariam para o regime geral (Lucro Presumido ou Real) e pagariam o valor cheio de impostos.

Na realidade, diz o especialista, o MEI e o Simples funcionam como ferramentas de redução da informalidade, abrigando hoje mais de 13 milhões de microempreendedores ativos. Sem o regime facilitado, a tendência natural seria o fechamento de empresas e o retorno em massa à economia informal, reduzindo a arrecadação real do Estado.


*Diário do Comércio – Conteúdo

*Foto destaque: Reprodução / DC

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Brasil / Economia

Correios somam prejuízo líquido de R$ 5,5 bi no 1º semestre, 30% maior do que igual período de 2025

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Por Aramis Merki* | São Paulo (SP)

Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 30,36% ante o resultado negativo de R$ 4,26 bilhões de igual período de 2025.

No segundo trimestre, o prejuízo líquido foi de R$ 2,39 bilhões, queda de 5,5% em relação ao prejuízo de R$ 2,53 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando o prejuízo foi de R$ 3,16 bilhões, houve redução de 24,4%.

A receita líquida de vendas e serviços somou R$ 4 bilhões no segundo trimestre, queda de 5,4% ante os R$ 4,2 bilhões registrados um ano antes. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, porém, a receita cresceu 3,8%, segundo o balanço de resultados publicado neste sábado, 29.

Apesar das cifras bilionárias no vermelho, o balanço revela que a operação postal direta não é a responsável primária por sangrar o caixa. A estatal apurou lucro bruto positivo de R$ 121 milhões no segundo trimestre e de R$ 274 milhões no acumulado do semestre.

A corrosão dos resultadosCorreios seleciona lojas interessadas em atuar como Pontos de Coleta no Acre – O RIO BRANCO ocorre nas linhas seguintes, impulsionada por pesadas despesas gerais e administrativas — que somaram R$ 1,52 bilhão apenas no trimestre — e despesas financeiras de R$ 775 milhões. O resultado pressiona ainda mais a saúde financeira da empresa, cujo patrimônio líquido afundou para um patamar negativo de R$ 19,9 bilhões.

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Em nota, a estatal disse que os resultados ocorrem em meio à implementação de um plano de reestruturação, que inclui revisão de despesas e contratos, reorganização da companhia, aumento da eficiência operacional e medidas para ampliar a geração de receitas.

Em nota, a estatal classificou o cenário como “desafiador” e reforçou a dependência do plano de reestruturação em curso. O pacote de medidas prevê a venda de imóveis subutilizados, lançamento de um marketplace próprio, renegociação de contratos e o Programa de Demissão Voluntária (PDV), que já resultou no desligamento efetivo de 6.545 empregados até o fim do semestre (dos quais 783 ainda aguardam a quitação dos incentivos).

Fechando no vermelho sucessivamente desde 2022, a crise levou a estatal a uma dependência aguda de crédito e socorro estatal. O governo federal já assumiu o compromisso de injetar R$ 6 bilhões na companhia até o final de 2027, montante que será incluído na proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA).

Esse aporte governamental é uma das âncoras do megaempréstimo de R$ 12 bilhões assinado no final do ano passado com um consórcio de cinco grandes bancos. O empréstimo foi autorizado pelo Tesouro Nacional, com acordo válido até 2040 e garantia da União, para reduzir o risco às instituições financeiras que concederam o crédito. Se os Correios não pagarem as parcelas, o governo federal deve honrá-las.

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Pessoas a par do empréstimo apontam que, após a operação de R$ 12 bilhões garantida pela União, com a dívida alongada e mais barata, foi possível que os Correios quitassem antecipadamente, já em janeiro, o empréstimo de R$ 1,8 bilhão contratado em 2025. O prazo da dívida passou de 18 para 180 meses, com três anos de carência e custo efetivo de DI + 1,89% ao ano, bem inferior ao da dívida substituída. Com isso, a estatal encerrou o semestre sem nenhum empréstimo vencendo no curto prazo, e com o saldo total recuando de R$ 14 bilhões para R$ 12,9 bilhões.

Hoje, interlocutores apontam não haver incerteza relevante sobre a continuidade das operações. Além do empréstimo já contratado, uma nova operação de R$ 7 bilhões, também com garantia da União, está em estágio avançado. Os Correios também negociam uma operação de R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) para seu programa de modernização.

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  • Matéria do jornal Estadão – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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