Decisão Histórica
Marinha é condenada a pagar R$ 200 mil por ofensas a João Cândido
Justiça
Justiça determinou o pagamento de indenização depois que documentos oficiais classificaram a Revolta da Chibata como “deplorável” e chamaram os marinheiros de “abjetos”
Por Thamires Pinheiro* | Brasília – DF
A Justiça Federal do Rio de Janeiro decidiu que o governo federal deve pagar R$ 200 mil por danos morais coletivos, devido a manifestações oficiais da Marinha do Brasil contra João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata e conhecido como o “Almirante Negro”, e contra os marinheiros que participaram do movimento em 1910.
A decisão foi assinada na quinta-feira (21/5) pelo juiz federal Mario Victor de Souza, da 4ª Vara Federal do Rio, após ação movida pelo Ministério Público Federal. O processo questionava declarações enviadas pela Marinha à Câmara dos Deputados durante a tramitação de um projeto que propõe incluir João Cândido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria.
Segundo o MPF, a instituição classificou a Revolta da Chibata como uma “deplorável página da história nacional” e utilizou termos como “abjetos” e “reprovável exemplo” ao se referir aos marinheiros envolvidos no movimento. Para a Justiça, embora a Marinha tenha direito de apresentar sua visão histórica ao Parlamento, isso não autoriza o uso de linguagem considerada ofensiva ou discriminatória.
A sentença também determina que a União e a Marinha deixem de utilizar expressões pejorativas em manifestações oficiais relacionadas a João Cândido e à Revolta da Chibata. O valor da indenização deverá ser destinado a projetos de preservação da memória do líder do movimento e da própria revolta.

João Cândido, o Almirante Negro da Revolta da Chibata / Foto: Reprodução
Líder histórico
Conhecido como “Almirante Negro”, João Cândido nasceu em 1880, no Rio Grande do Sul, filho de ex-escravizados. Ingressou na Marinha ainda adolescente e em 1910, liderou a Revolta da Chibata, quando marinheiros negros e pobres denunciaram castigos físicos, baixos salários e condições degradantes.
Durante quatro dias, os manifestantes assumiram navios de guerra na Baía de Guanabara e pressionaram o governo pelo fim das agressões. O movimento terminou com a promessa de anistia e da suspensão dos castigos, mas muitos participantes foram perseguidos posteriormente.
João Cândido acabou preso, foi expulso da Marinha e passou décadas sem reconhecimento oficial. Em 2008, uma lei federal concedeu anistia póstuma, uma espécie de reparação histórica, ao marinheiro e aos demais participantes da revolta, reconhecendo o caráter simbólico e histórico do movimento.
Na decisão mais recente, a Justiça destacou que esse reconhecimento oficial exige do Estado uma postura compatível com os princípios de dignidade humana e respeito à memória coletiva.
Até a publicação da decisão, a Marinha não divulgou nota oficial sobre a condenação judicial.
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- Correio Braziliense – Conteúdo
- Foto destaque: crédito: Wikipedia / Imagem de domínio público
Justiça
Vereador de Vitória condenado por estupro pode ter mandato cassado
Câmara de Vitória abriu processo para apurar a conduta de Baiano do Salão (Podemos), após requerimento de 17 parlamentares
Por Enzo Bicalho Assis* | Vitória (ES)
A Câmara Municipal de Vitória informou que abriu uma representação disciplinar nesta quinta-feira (16) para investigar o vereador Orlandino Rodrigues de Souza, conhecido como Baiano do Salão (Podemos), condenado a 31 anos de prisão por estupro de vulnerável.
O processo foi protocolado e encaminhado pela presidência da Casa após 17 parlamentares assinarem um requerimento de abertura de providências administrativas.
A ação apura se Baiano infringiu o Código de Ética ou o Regimento Interno e pode resultar na cassação do mandato. Segundo a Câmara, o documento foi protocolado e encaminhado para análise da Corregedoria-Geral, conforme os procedimentos previstos.
Assinaram o requerimento: Aloísio Varejão (PSB), Ana Paula Rocha (PSOL), André Brandino (PODE), Armandinho Fontoura (PL), Aylton Dadalto (Republicanos), Bruno Malias (PSB), Camillo Neves (PP), Dalto Neves (SDD), Darcio Bracarense (PL), João Flávio (MDB), Karla Coser (PT), Leonardo Monjardim (Novo), Luiz Paulo Amorim (PV), Mara Maroca (PP), Maurício Leite (PRD), Pedro Trés (PSB) e Professor Jocelino (PT).
A casa legislativa também manifestou solidariedade à vítima e seus familiares e reiterou seu “repúdio a todas as formas de violência e a quaisquer condutas que atentem contra a dignidade e a integridade das pessoas”.
Nesta terça-feira (16), o Podemos, partido de Baiano do Salão, também abriu um processo disciplinar, com pedido de expulsão do parlamentar da sigla. O partido também informou que avalia medidas para buscar a perda do mandato.
Vereador foi condenado por estupro contra criança de 5 anos
O vereador Baiano do Salão foi condenado a 31 anos, seis meses e 20 dias de prisão em regime inicialmente fechado por pelos crimes de estupro de vulnerável e violência doméstica contra uma criança de 5 anos.
Segundo relato da família da vítima, os crimes teriam ocorrido por cerca de quatro meses, quando o vereador namorava a mãe da criança. A mulher precisou ficar internada e, nesse período, a criança demonstrou resistência a ficar sozinha com o padrasto. Foi então que relatou os abusos ao tio.
A sentença foi proferida pela 10º Vara Criminal de Vitória e também inclui a fixação de valor mínimo para reparação dos danos causados à vítima.
Orlandino vai responder em liberdade e terá que usar tornozeleira eletrônica. Em nota, o parlamentar afirmou que a decisão em primeira instância possui “natureza estritamente provisória” e que “não representa o pronunciamento definitivo do Poder Judiciário”. Ele disse que irá recorrer da condenação e reafirmou sua confiança na Justiça.
- Folha Vitória – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Instagram
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