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Ação da Justiça

Produtores de café são condenados por irregularidades trabalhistas no Norte do ES

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Justiça

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Mateus obteve na Justiça do Trabalho a condenação de três cafeicultores do norte do Espírito Santo por violações reiteradas às normas de saúde, segurança e meio ambiente do trabalho em suas propriedades rurais.

A decisão foi proferida em Ação Civil Pública ajuizada após diversas fiscalizações e tentativas frustradas de regularização por meio de Termos de Ajuste de Conduta (TACs). A sentença reconheceu a existência de grupo econômico familiar entre os produtores, responsabilizando-os de forma solidária.

Além de impor 21 obrigações de fazer e não fazer, o Juízo determinou o pagamento de indenização de R$ 500 mil por dano moral coletivo e multa de R$ 1,5 milhão pelo descumprimento de liminar anteriormente concedida — valores que, somados, chegam a R$ 2 milhões.

44 propriedades fiscalizadas em cinco municípios
De acordo com os autos, 44 propriedades vinculadas aos réus foram fiscalizadas. Os produtores — conhecidos pela expressiva participação na cadeia cafeeira do norte capixaba — mantêm unidades rurais nos municípios de Pinheiros, Boa Esperança, São Mateus, Montanha e Mucurici.

Denúncia, TACs e descumprimentos sucessivos
A atuação do MPT em São Mateus começou após o recebimento de denúncia sobre irregularidades trabalhistas. Mesmo após a assinatura de diversos TACs e sucessivas fiscalizações da Superintendência Regional do Trabalho no Espírito Santo (SRT/ES), os cafeicultores seguiram descumprindo as obrigações trabalhistas. Os relatórios reunidos no processo registram mais de 50 autos de infração por falhas como:

  • ausência de serviços especializados em segurança e saúde no trabalho rural;
  • inexistência de comissões internas de prevenção de acidentes;
  • fornecimento insuficiente ou inadequado de equipamentos de proteção individual (EPIs);
  • instalações sanitárias inadequadas;
  • exposição de trabalhadores a riscos envolvendo agrotóxicos e eletricidade;
  • descumprimento de normas sobre jornada, realização de exames médicos e capacitação obrigatória.
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Segundo o MPT, mesmo diante de reiteradas oportunidades para promover ajustes, os produtores preferiram arcar com multas a realizar as adequações exigidas pela legislação trabalhista e normas regulamentadoras do setor rural.

“É preciso parar de postergar”, diz procuradora
A procuradora do Trabalho responsável pela ação, Polyana França, ressaltou que os produtores rurais precisam interromper a prática de adiar medidas básicas de proteção. Para ela, garantir condições dignas de trabalho no campo é uma exigência que vai além da pressão crescente de consumidores por cafés produzidos com responsabilidade socioambiental. “É preciso que os produtores rurais parem de postergar a adoção de medidas que visam garantir a integridade física e moral dos trabalhadores, cessando imediatamente as práticas lesivas, não só porque os consumidores de café estão se conscientizando da importância de comprar cafés produzidos com responsabilidade socioambiental, mas principalmente porque o trabalhador é uma pessoa humana que precisa ter a sua dignidade reconhecida”, afirmou.

Obrigações impostas pela Justiça
A sentença impôs cumprimento imediato de 21 obrigações trabalhistas e de proteção à saúde e segurança. Entre os principais pontos determinados estão:

  • implementação e manutenção de serviços de saúde e segurança do trabalho;
  • registro correto da jornada de todos os trabalhadores;
  • realização de treinamentos obrigatórios previstos em norma;
  • fornecimento, substituição e controle de uso de EPIs adequados às atividades rurais;
  • disponibilização de instalações sanitárias em condições de higiene e uso;
  • adoção de medidas de prevenção quanto ao uso e armazenamento de agrotóxicos;
  • proibição do transporte irregular de trabalhadores;
  • cumprimento das exigências relativas a exames médicos ocupacionais;
  • organização de rotinas de capacitação e prevenção de acidentes.
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Destinação dos valores
Conforme previsto na decisão, a indenização por dano moral coletivo deverá ser revertida ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou, alternativamente, a entidades ou projetos de relevante finalidade social na região de atuação dos réus. A destinação alternativa dependerá de indicação do MPT e aprovação do Juízo na fase de execução.

Recurso do MPT
Da sentença cabe recurso. O Ministério Público do Trabalho já interpôs recurso ordinário para requerer o aumento do valor da multa aplicada, buscando ampliar o efeito pedagógico da condenação e garantir o cumprimento efetivo das obrigações impostas.

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* Fonte: Ministério Público do Trabalho – São Mateus – Conteúdo

* Fotos: Reprodução

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Mendonça autoriza PF a abrir inquérito para apurar tráfico de influência de Lulinha no governo

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Ministro do STF havia feito cobranças à PF nas últimas semanas sobre o andamento das investigações de Lulinha

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência no governo federal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Relator do caso, Mendonça atendeu a um pedido da Polícia Federal. Procurada, a defesa de Lulinha disse que recebeu “com tranquilidade” a informação e afirmou que o filho do presidente não obteve nenhum pagamento por negócios de empresários com o governo Lula (leia mais no fim do texto).

A informação sobre o pedido de inquérito foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão. A solicitação foi enviada à presidência do STF com a sugestão de distribuição livre na Corte, o que tiraria o caso das mãos do ministro André Mendonça. A presidência, porém, remeteu o caso ao ministro, por entender que havia conexão com as investigações sobre desvios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Mendonça havia feito cobranças à PF nas últimas semanas sobre o andamento das investigações de Lulinha, o que vinha gerando descontentamento na corporação. No pedido de investigação, a PF cita suspeitas de tráfico de influência de Lulinha no Palácio do Planalto e no Ministério da Saúde. O objetivo da apuração é saber se o filho do presidente vendia acesso ao governo federal, em troca de pagamentos.

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O nome do filho do presidente surgiu nas investigações sobre desvios de aposentadorias por causa de sua relação com um dos empresários investigados como líder do esquema, Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Lulinha chegou a admitir em documento protocolado no STF que viajou a Portugal com as despesas pagas pelo “Careca do INSS” para prospectar um negócio de cannabis medicinal. Esse negócio seria intermediado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e responsável por apresentá-lo ao “Careca do INSS”. Ela recebeu pagamentos de R$ 1,5 milhão do empresário e afirmou que prestou serviços de consultoria para regulação do mercado de cannabis medicinal no Brasil.

Como revelou o Estadão, a PF suspeita que Lulinha seria sócio oculto do “Careca do INSS” e, por causa disso, informou no final do ano a André Mendonça que iria aprofundar as suspeitas sobre o filho do presidente. Agora, os investigadores entenderam que os fatos encontrados sobre Lulinha não têm relação direta com os desvios do INSS e, por isso, decidiram pedir um inquérito autônomo para investigar o assunto.

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O advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Lulinha, considerou “estranha” a instauração do novo inquérito e citou “pesca probatória”. “Importante dizer que o presidente Lula devolveu as instituições de Estado à sociedade brasileira, notadamente a Polícia Federal, que tinha sido capturada pelo governo anterior por interesses políticos e eleitorais. A PF recuperou a independência e autonomia que são determinantes para a manutenção da credibilidade da instituição, mas ela precisa usar com responsabilidade. É estranha a notícia sobre a instauração de novo inquérito, a impressão que passa é que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de pesca probatória. ‘Não achei nada aqui e vou procurar ali. Isso é muito grave. Não acharam nada do Fábio no bojo das investigações do INSS, como não vão achar em relação a esses fatos”, afirmou.

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  • Matéria reproduzida do Estadão
  • Foto destaque: Crédito – Gustavo Moreno / STF
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