Feminicídio
Militar encontrada carbonizada em quartel do Exército foi assassinada por soldado
Brasil / Assassinato
Suspeito do crime é um soldado do mesmo quartel. Ele foi preso e confessou o crime à polícia
Por Darcianne Diogo* – Brasília / DF
O caso da militar encontrada carbonizada após um incêndio nas dependências do 1° Regimento de Cavalaria de Guardas (1° RGC) é investigado como feminicídio. O suspeito do crime é um soldado do mesmo quartel. Ele foi preso e confessou o crime à polícia.
Maria de Lourdes Freire Matos tinha 25 anos de idade, ocupava a patente de Cabo e era musicista do Regimento. Pessoas ouvidas pelo Correio contaram que, na tarde dessa sexta-feira (5/12), escutou-se um grito vindo das dependências do Regimento. Logo após, viram um incêndio. Militares chegaram a entrar no local para retirar itens, entre eles instrumentos musicais. O corpo de Maria foi localizado depois, já carbonizado.
Pessoas próximas à Maria relataram à reportagem que a jovem mantinha um relacionamento com o autor. Ao Correio, um primo de Maria negou que ela tenha tido qualquer relacionamento com Kelvin e supôs uma possível perseguição do autor contra a militar. Pessoas do quartel próximas à Maria também relataram à reportagem que Kelvin se mascarava de “bom samaritano” e se aproveitava das recém-chegadas. Maria estava no Exército há cinco meses.
O suspeito tinha um perfil de “bom samaritano”, descreveram as fontes próximas à vítima. “Ele se pagava de bom para todas as mulheres. E como ela (Maria) chegou por agora, ela não via maldade, e acabou acontecendo isso”, disse.
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*Correio Braziliense – Conteúdo
*Foto/Destaque: Reprodução / Redes Sociais
Brasil / Assassinato
Vítima de espancamento levou 57 pauladas, além de pisões, chutes e socos em seis minutos de barbárie em Copacabana
Câmeras registram espancamento que matou inocente na Zona Sul. Dois acusados do crime já estão presos, um deles se entregou à noite numa delegacia da Baixada Fluminense
Por Marcos Nunes e Vera Araújo* | Rio de Janeiro (RJ)
Em seis dos nove minutos de gravação, contam-se 57 pauladas, fora pisões na cabeça, chutes e socos. Alvo de toda essa violência, Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, morreu nas primeiras horas do último dia 12. O laudo de necropsia da vítima aponta traumatismo cranioencefálico e hemorragia interna, além de lesões no baço e no rim esquerdo. Registros de câmeras de segurança, capturados nas ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira, indicam uma sequência de acontecimentos diferente da que o segurança David Santos Machado (Foto) relatou em seu primeiro depoimento na 12ª DP (Copacabana), que investiga o caso.

Machado se entregou ontem à noite na 53ª DP (Mesquita). Contra ele e Jorge Luiz Ricardo Dias — que havia se apresentado mais cedo à delegacia em Copacabana — foram emitidos mandados de prisão temporária. Como as imagens mostram, o primeiro abordou Cláudio Rafael, que havia saído de casa perto das 22h30 do dia 11, em Botafogo, para passear: ele usava a bicicleta da irmã.
Já em Copacabana, Machado suspeitou que Cláudio tivesse roubado a bicicleta e, ainda na Barata Ribeiro, na altura do número 35, encostou-a na frente de uma loja. Logo em seguida, Jorge Luiz aparece pedalando e atravessando a rua, quando Cláudio tenta evitar que levassem o bem que era de sua irmã. Machado, então, o repele usando um porrete de madeira.
Com a mesma arma, o segurança aparece na sessão de espancamento filmada na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali, ao contrário do que disse em seu primeiro depoimento, ele protagoniza as agressões, ajudado por dois homens de bicicleta e mochilas de entregadores. Eles alcançam a vítima primeiro, sentada na escada de um prédio, e parecem cercá-la — até a chegada de Machado, ainda munido do porrete.
Aquilo a que se assiste em seguida são cenas de brutalidade indizível e inexplicável. Acusado injustamente de roubo, Cláudio Rafael, que tinha transtornos psicológicos, segundo a família, sofre as primeiras agressões e tenta escapar — mas é contido pelos entregadores, que o socam enquanto o seguram. O segurança desfere mais três pauladas, erra uma e chega a deixar o porrete cair no chão, mas logo recupera a ferocidade: em uma sequência de 20 segundos, contam-se 15 golpes com o cassetete improvisado, além de dois chutes.
Imagens mostram espancamento até a morte de homem em Copacabana
A barbárie continua, com breves interrupções em que o trio de agressores filma e tira fotos da vítima no chão. Entre quase seis dezenas de pauladas, Machado acerta uma enquanto aparentemente fala com alguém pelo celular. A certa altura, um quarto personagem, um homem de suéter, se aproxima, dá um chute na cabeça do homem e se afasta. Em alguns momentos, Cláudio ergue as mãos, parece implorar, e em outros tenta se levantar, mas não consegue e rola se contorcendo na calçada. Ele foi deixado ali, agonizando por pelo menos 30 minutos até a chegada dos bombeiros. Deu entrada no Hospital Miguel Couto à 1h, mas não resistiu.
“Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos. São muito fortes” — diz o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP.
Segundo o policial, os quatro suspeitos de participarem das agressões contra Cláudio Rafael vão responder por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Os investigadores tentam ainda identificar os dois homens que usavam mochila de entregadores.
Infância feliz e acidente
Subir e descer correndo a escadaria da vila onde morava, em Botafogo, era uma das brincadeiras preferidas de Cláudio Rafael quando tinha sete anos. Apaixonado pelo menino Bart, da série “Os Simpsons”, e louro como o personagem na época, acabou herdando o apelido. Extrovertido, era presença garantida nas festas infantis da vizinhança, sempre ao lado das irmãs — Fabiana, a caçula, e Nathália, a mais velha. A vizinha Genuína da Silva, de 52 anos, guarda fotos daquele tempo.
“Ele e a Fabiana vinham para cá e ficavam brincando com o meu filho. O Rafael tinha talento para desenhar, era muito bom mesmo. O que fizeram com ele foi uma covardia”, conta Genuína. “Ele não fazia mal a ninguém. Todo mundo aqui pelas redondezas o conhecia. Depois que caiu do telhado na adolescência, ele passou a ter transtornos psicológicos. Ficou introvertido, parou de falar com as pessoas”.
O exercício arbitrário das próprias razões é um delito do artigo 345 do Código Penal, definido como “fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite”. A pena é baixa: 15 dias a um mês de detenção, ou multa, mas, caso haja violência, a sentença é somada à da agressão.
No ano passado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) obtidos via Lei de Acesso à Informação, foram registradas 1.609 ocorrências do crime no Estado do Rio. A capital concentra 39% dos casos (625 registros): os bairros com mais ocorrências são Campo Grande, com 38, Barra da Tijuca (33), Recreio (31) e Guaratiba, com 22. Copacabana teve 20 casos em 2025.
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- Matéria do jornal Extra – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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