Parlamentar Punido
Justiça obriga deputado a se retratar por dado inverídico sobre homicídios em Vitória
Justiça
A Justiça determinou que o deputado remova publicações que qualifiquem Vitória como “a cidade que mais mata na Grande Vitória”
Por Guilherme Lage* – Vitória / ES
A Justiça do Espírito Santo condenou o deputado estadual João Coser (PT) a se retratar por uma publicação feita em suas redes sociais, onde afirmava, em abril de 2024, que Vitória seria “a cidade que mais mata na Grande Vitória”.
À época da publicação, Coser disputava a Prefeitura de Vitória e acabou derrotado pelo atual prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos).
A ação foi ajuizada pelo município de Vitória, que sustentou que a declaração do parlamentar contrariava dados oficiais da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). Segundo os números apresentados nos autos, em 2023 os municípios com maior número de homicídios foram Vila Velha, Serra e Cariacica, com Vitória ocupando a quarta posição. O mesmo cenário se manteve em 2024, com redução dos índices na Capital.
De acordo com a decisão da Justiça, proferida pelo juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Municipal, Registros Públicos, Meio Ambiente e Saúde, Ubirajara Paixão Pinheiro, a retratação deve ser feita na conta do Instagram do deputado estadual.
A 4ª Vara reconheceu que a postagem veiculou “informação inverídica e ofensiva à imagem institucional do município”.
Limites à liberdade de expressão
Na sentença, o magistrado afirma que a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não absoluto e que não pode ser utilizada para propagar “informações falsas ou descontextualizadas”.
Segundo o juiz, a publicação de Coser não se tratava de opinião política, mas de uma afirmação passível de verificação.
“A liberdade de expressão é pilar do regime democrático, mas deve observar limites, sobretudo quando colide com a honra e a credibilidade das instituições públicas”, afirmou o juiz na decisão.
A retratação
A Justiça determinou que o deputado remova as publicações que qualifiquem Vitória como “a cidade que mais mata na Grande Vitória” de todas as redes sociais.
Além disso, também foi determinado que Coser se abstenha de divulgar informações semelhantes sem amparo técnico ou estatístico e publique por, no mínimo, sete dias consecutivas a retratação em sua conta no Instagram. O destaque deve ser equivalente ao da postagem original.
Ainda segundo a determinação, a retratação deve ser em caixa alta, com pedido de desculpas ao município e aos seguidores do deputado por veiculação de informação inverídica e estatisticamente equivocada.
“Além disso, o parlamentar deverá comunicar aos seguidores que a publicação anterior “foi inverídica e não espelhou a realidade dos dados estatísticos dos órgãos de segurança pública do Estado”, “reconhecendo o erro”, determina o magistrado.
O descumprimento da decisão acarretará multa diária de R$ 5 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil. A sentença também confirmou a liminar anteriormente concedida e fixou o pagamento das custas processuais e honorários advocatícios pelo requerido.
O que diz o deputado
Por nota, a assessoria do deputado afirmou que João Coser sempre teve compromisso com a verdade, “como apresentou em sua defesa, repercutiu notícia que estava estampada na imprensa capixaba”.
Na mesma nota o deputado afirma que ainda não foi intimado e apenas após a intimação, seus advogados irão avaliar os próximos passos.
Veja a nota na íntegra:
“João Coser sempre teve compromisso com a verdade. Como apresentou em sua defesa, repercutiu notícia que estava estampada na imprensa capixaba. Ele ainda não foi intimidado e somente após a intimação é que seus advogados poderão avaliar os próximos passos.
O deputado segue com sua luta incansável pela democracia, a soberania, os direitos dos trabalhadores, os avanços para melhorar a vida da classe média e tirar cada vez mais capixabas da pobreza”.
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* Folha Vitória – Conteúdo
* Foto/Destaque: Crédito – Lucas Costa / Ales
Justiça
Justiça italiana aponta parcialidade de Moraes como motivo para anular extradição de Zambelli
Ex-deputada federal foi condenada pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo porte de arma de fogo ilegal nas eleições de 2022
A Corte de Cassação, instância máxima do sistema judicial da Itália, apontou uma suposta parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), para anular a sentença de extradição da ex-parlamentar da Europa para o Brasil.
Em decisão divulgada nesta sexta-feira, 12, a Justiça italiana diz que Moraes atuou sob “dupla veste”, como julgador e de pessoa afetada pelo crime imputado a Zambelli.
“Múltiplos elementos capazes de fazer duvidar da imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do Tribunal que proferiu a condenação da recorrente. Isso em razão da dupla veste assumida pelo M. A. D. M. (referência ao ministro) como componente do colegiado julgador e como pessoa danificada por um dos crimes imputados à recorrente”, diz.
Zambelli foi condenada pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo porte de arma de fogo ilegal nas eleições de 2022.
A mando da ex-deputada, o hacker Walter Delgatti Neto inseriu um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes no sistema da Justiça. “Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L”, dizia o documento falso.
Para a Justiça italiana, Moraes incorreu em um “acúmulo atípico de funções judiciais” ao conduzir parte das investigações e ser o juiz responsável por analisar o mérito do caso.
“Resulta dos autos transmitidos que o M. A. D. M. foi designado como relator do procedimento penal em desfavor de Z. S. O. C. (Zambelli); nessa condição, ele participou da decisão das questões preliminares, inclusive aquela relativa à sua incompatibilidade, bem como da decisão de condenação da recorrente no que tange aos crimes imputados e daquela que determinou a perda imediata do mandato parlamentar de Z. S. O. C ; o mesmo Juiz, ademais, expediu o mandado de prisão em desfavor de Z. S. O. C., redigiu o pedido de extradição e forneceu informações a respeito do Estabelecimento prisional”, diz.
Entenda o caso
A Corte de Cassação anulou no dia 22 de maio, a extradição da ex-deputada federal. Zambelli foi solta após a decisão. Ela publicou um vídeo no perfil de seu marido, Coronel Aginaldo, no Instagram, acompanhada dele e do advogado Pieremilio Sammarco.
“Hoje é dia 22 de maio de 2026, dia de Santa Rita, nome da minha mãe e da pessoa que era minha companheira de cela”, disse Zambelli.
O processo ainda depende de uma decisão do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. O ministro tem um prazo de 45 dias para se manifestar a partir do acórdão da nova decisão da Justiça.
Antes da decisão desta sexta-feira, a Justiça italiana vinha proferindo decisões a favor da extradição de Zambelli nos dois processos em que ela foi condenada no STF. A defesa recorreu, então, à Corte de Cassação, que é a última instância da Justiça no país. Zambelli teve seu mandato de parlamentar cassado pela Justiça eleitoral de São Paulo em 2025.
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- Fonte: Estadão – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Lula Marques / Agência Brasil
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