Assassinatos e Suicídio
Empresário mata mãe e filha após ser denunciado por estupro no RJ
Brasil / Assassinato
Suspeito, identificado como Moisés Belmont, de 66 anos, foi encontrado morto horas depois em Rio Bonito
Tanguá / RJ
Um duplo homicídio brutal chocou a Região Metropolitana do Rio nesta quinta-feira (2). Aline dos Santos Barbosa, de 36 anos, e sua filha, Gabrielle dos Santos Camacho, de 15, foram executadas a tiros dentro de casa, no bairro Mangueirinha, área rural de Tanguá, próxima à BR-101.

O principal suspeito é o empresário Moisés Belmont, de 66 anos, namorado da mãe. Horas após o crime, ele foi encontrado morto dentro de seu carro, em Rio Bonito. A polícia investiga se o homem teria cometido suicídio.
De acordo com a investigação, o crime ocorreu depois que Aline e a filha formalizaram denúncia de estupro de vulnerável contra Moisés na 70ª DP (Tanguá). O boletim também citava abusos contra outra criança da família, de 10 anos. Ao ser avisado de que precisaria prestar esclarecimentos, o suspeito foi até a casa das vítimas e as matou.
O caso está sendo investigado como feminicídio e estupro seguido de morte. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), e a Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e aguardando laudos periciais para confirmar a dinâmica dos fatos.
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* Informações do portal R Lagos Notícias
* Foto/Destaque:Reprodução / Redes Sociais
Brasil / Assassinato
Vítima de espancamento levou 57 pauladas, além de pisões, chutes e socos em seis minutos de barbárie em Copacabana
Câmeras registram espancamento que matou inocente na Zona Sul. Dois acusados do crime já estão presos, um deles se entregou à noite numa delegacia da Baixada Fluminense
Por Marcos Nunes e Vera Araújo* | Rio de Janeiro (RJ)
Em seis dos nove minutos de gravação, contam-se 57 pauladas, fora pisões na cabeça, chutes e socos. Alvo de toda essa violência, Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, morreu nas primeiras horas do último dia 12. O laudo de necropsia da vítima aponta traumatismo cranioencefálico e hemorragia interna, além de lesões no baço e no rim esquerdo. Registros de câmeras de segurança, capturados nas ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira, indicam uma sequência de acontecimentos diferente da que o segurança David Santos Machado (Foto) relatou em seu primeiro depoimento na 12ª DP (Copacabana), que investiga o caso.

Machado se entregou ontem à noite na 53ª DP (Mesquita). Contra ele e Jorge Luiz Ricardo Dias — que havia se apresentado mais cedo à delegacia em Copacabana — foram emitidos mandados de prisão temporária. Como as imagens mostram, o primeiro abordou Cláudio Rafael, que havia saído de casa perto das 22h30 do dia 11, em Botafogo, para passear: ele usava a bicicleta da irmã.
Já em Copacabana, Machado suspeitou que Cláudio tivesse roubado a bicicleta e, ainda na Barata Ribeiro, na altura do número 35, encostou-a na frente de uma loja. Logo em seguida, Jorge Luiz aparece pedalando e atravessando a rua, quando Cláudio tenta evitar que levassem o bem que era de sua irmã. Machado, então, o repele usando um porrete de madeira.
Com a mesma arma, o segurança aparece na sessão de espancamento filmada na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro. Ali, ao contrário do que disse em seu primeiro depoimento, ele protagoniza as agressões, ajudado por dois homens de bicicleta e mochilas de entregadores. Eles alcançam a vítima primeiro, sentada na escada de um prédio, e parecem cercá-la — até a chegada de Machado, ainda munido do porrete.
Aquilo a que se assiste em seguida são cenas de brutalidade indizível e inexplicável. Acusado injustamente de roubo, Cláudio Rafael, que tinha transtornos psicológicos, segundo a família, sofre as primeiras agressões e tenta escapar — mas é contido pelos entregadores, que o socam enquanto o seguram. O segurança desfere mais três pauladas, erra uma e chega a deixar o porrete cair no chão, mas logo recupera a ferocidade: em uma sequência de 20 segundos, contam-se 15 golpes com o cassetete improvisado, além de dois chutes.
Imagens mostram espancamento até a morte de homem em Copacabana
A barbárie continua, com breves interrupções em que o trio de agressores filma e tira fotos da vítima no chão. Entre quase seis dezenas de pauladas, Machado acerta uma enquanto aparentemente fala com alguém pelo celular. A certa altura, um quarto personagem, um homem de suéter, se aproxima, dá um chute na cabeça do homem e se afasta. Em alguns momentos, Cláudio ergue as mãos, parece implorar, e em outros tenta se levantar, mas não consegue e rola se contorcendo na calçada. Ele foi deixado ali, agonizando por pelo menos 30 minutos até a chegada dos bombeiros. Deu entrada no Hospital Miguel Couto à 1h, mas não resistiu.
“Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos. São muito fortes” — diz o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP.
Segundo o policial, os quatro suspeitos de participarem das agressões contra Cláudio Rafael vão responder por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Os investigadores tentam ainda identificar os dois homens que usavam mochila de entregadores.
Infância feliz e acidente
Subir e descer correndo a escadaria da vila onde morava, em Botafogo, era uma das brincadeiras preferidas de Cláudio Rafael quando tinha sete anos. Apaixonado pelo menino Bart, da série “Os Simpsons”, e louro como o personagem na época, acabou herdando o apelido. Extrovertido, era presença garantida nas festas infantis da vizinhança, sempre ao lado das irmãs — Fabiana, a caçula, e Nathália, a mais velha. A vizinha Genuína da Silva, de 52 anos, guarda fotos daquele tempo.
“Ele e a Fabiana vinham para cá e ficavam brincando com o meu filho. O Rafael tinha talento para desenhar, era muito bom mesmo. O que fizeram com ele foi uma covardia”, conta Genuína. “Ele não fazia mal a ninguém. Todo mundo aqui pelas redondezas o conhecia. Depois que caiu do telhado na adolescência, ele passou a ter transtornos psicológicos. Ficou introvertido, parou de falar com as pessoas”.
O exercício arbitrário das próprias razões é um delito do artigo 345 do Código Penal, definido como “fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite”. A pena é baixa: 15 dias a um mês de detenção, ou multa, mas, caso haja violência, a sentença é somada à da agressão.
No ano passado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) obtidos via Lei de Acesso à Informação, foram registradas 1.609 ocorrências do crime no Estado do Rio. A capital concentra 39% dos casos (625 registros): os bairros com mais ocorrências são Campo Grande, com 38, Barra da Tijuca (33), Recreio (31) e Guaratiba, com 22. Copacabana teve 20 casos em 2025.
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- Matéria do jornal Extra – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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