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Homenagem e Reconhecimento

Diversas maneiras de ser pai: uma mistura de afeto, força e transformação

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Jovens, experientes, improváveis e especiais: conheça histórias de paternidades que vão além do modelo tradicional

Por Giovanna Kuns e Giovanna Rodrigues* – Brasília / DF

No dicionário, a palavra “pai” pode ter uma definição simples, mas, na vida real, ela se desdobra em um universo de significados. A figura paterna transcende o laço biológico e se manifesta de inúmeras maneiras, cada uma com seus desafios, alegrias e particularidades. De primeira viagem, com idade mais avançada, solo, adotivo ou vivenciando a paternidade atípica, o amor e a responsabilidade de cuidar de uma vida permeiam todas as jornadas.

O Dia dos Pais é uma data para celebrar essa diversidade. É um momento para refletir sobre as diferentes realidades que compõem a paternidade moderna, uma oportunidade de reconhecer aqueles que se adaptam a novas rotinas, os que lutam por seus filhos com necessidades especiais, os que encaram o desafio de criar sozinhos e os que se dedicam, diariamente, para construir uma relação de afeto muito além da simples obrigação parental. Cada um desses pais escreve uma história única, mas todos compartilham a mesma essência: o compromisso incondicional de amar, proteger e guiar seus filhos.

A paternidade jovem e a mudança de rota

Para Gabriel, a paternidade é uma jornada crescimento pessoal

Um exemplo de como a paternidade tem o poder de transformar uma vida é a trajetória de Guilherme da Silva Chaves. Aos 17 anos, ainda no ensino médio, ele descobriu que se tornaria pai. Assim que soube, os primeiros sentimentos foram desespero, por ser muito jovem e não ter condições financeiras para sustentar uma criança, e medo, pois não sabia como contar para os familiares. 

Guilherme, porém, foi surpreendido com o suporte que recebeu. “Inicialmente, minha família ficou meio desapontada porque eu era muito jovem. Mas, depois, tive um apoio muito grande. Desde o início, os meus amigos também me apoiaram e aconselharam”, lembra. 

Hoje, com 23 anos, Guilherme é pai de João Guilherme, 4, e de Henrique, de apenas 4 meses. De acordo com ele, o maior desafio é conciliar a própria rotina com a dos filhos, especialmente porque, às vezes, é difícil ter alguém para ficar com os meninos. “Uma criança precisa de muita atenção, companhia e, por conta do dia a dia corrido, com faculdade e trabalho, às vezes, chego cansado em casa, mas puxo a última energia para brincar com eles”, garante. 

Apesar da dificuldade, a ajuda dos familiares facilita a rotina das crianças com o pai. Mesmo com uma rede de apoio, Guilherme entende que precisou abrir mão de coisas naturais na juventude, como sair e ver amigos frequentemente, para priorizar os filhos. “Eu tive que amadurecer muito porque ainda era uma criança, não tinha responsabilidade com nada e não trabalhava. Então, quando descobri que seria pai, arrumei um emprego e comecei a me preocupar com as minhas ações, pois elas teriam consequências diretas para o meu filho.” 

Sonhos adaptados

Aos 26 anos, Gabriel Guedes vive uma realidade semelhante à de Guilherme. Ele se tornou pai de Maria Flor aos 20 anos, em um momento financeiramente complicado e em que tinha a vida voltada para a curtição. A notícia da paternidade o deixou nervoso, mas também feliz, e a chegada da filha transformou sua postura e seus planos.

“Quando você tem 20 anos, tudo o que pensa é aproveitar a vida e, de repente, tem outra vida que depende de você. Isso faz você querer ter outra postura”, conta Gabriel. Ele diz que não abandonou os próprios sonhos, mas os adaptou para incluir a filha, que se tornou prioridade. “Todos sempre me apoiaram bastante, o que foi fundamental, já que, na época, a mãe da Maria Flor ainda estava na faculdade e meu emprego tomava quase todo o meu tempo”, lembra. 

A maior alegria de Gabriel foi quando segurou a filha no colo pela primeira vez, mas outro momento que recorda com carinho é de seu primeiro Dia dos Pais, em que ela cantou para ele. Hoje, com a filha com 6 anos, ele se esforça para conciliar a vida pessoal e profissional, sempre colocando Maria Flor em primeiro lugar.

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A paternidade, para ele, vem sendo uma jornada de crescimento pessoal. “Ela me faz querer ser melhor em todos os aspectos, desde o material até em mim mesmo como pessoa, ser mais amável, atencioso, protetor, presente”, reflete. O conselho de Gabriel para outros jovens na mesma situação é que aproveitem esse momento. “Ser pai já é algo incrível, mas ser pai jovem é uma experiência única. Você consegue ser mais próximo, entender melhor os sentimentos, estar disponível de uma forma mais viva.”

Os pais jovens, como Guilherme e Gabriel, ainda sofrem com estigmas relacionados à maturidade e à responsabilidade. De acordo com a psicóloga Andréa Pepino, em vez de os homens serem acolhidos para que cresçam no papel de pai, muitos são deslegitimados, afastados ou invisibilizados, o que compromete sua vinculação afetiva com os filhos. “Eles vivenciam a paternidade em um momento de autodescoberta e construção da identidade, em que todos, nessa fase, estão se autoafirmando e ainda precisam cuidar de um serzinho”, diz a especialista. 

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Por conta da ruptura abrupta com os planos da juventude ou dos conflitos internos, uma rede de apoio, que pode incluir avós, tios, amigos, vizinhos, instituições sociais ou religiosas, é um dos principais fatores de proteção para pais em qualquer situação, especialmente os solos e jovens. “Essa rede oferece acolhimento emocional, possibilidade de compartilhar responsabilidades e um ambiente de cuidado”, ressalta a psicóloga.

No tempo do coração 

Em contraste, alguns indivíduos experienciam a paternidade tardia. É o caso de Marcelo Guimarães de Souza, que está prestes a completar 55 anos. O seu primogênito, Daniel, hoje tem 27 anos, enquanto Maria Valentina, 5 anos, chegou mais de duas décadas depois para trazer ainda mais alegria para a família. “É muito gratificante ter uma criança em casa com essa idade. Mesmo eu já tendo filho, ser pai aos 50 anos trouxe novos desafios, pois são outros tempos, outra época para educar”, descreve.

A segunda filha era um grande desejo de Marcelo, que se casou aos 40 anos. No entanto, foram necessários nove anos de tentativas para que Maria Valentina fosse concebida. Os problemas e as frustrações com os tratamentos quase fizeram o casal desistir da gravidez. A descoberta, então, foi uma explosão de alegria, que veio acompanhada da preocupação com a evolução do bebê, mas tudo seguiu extremamente bem e, além da gratidão, vieram os planos para preparar a pequena para o mundo. 

Ciente dos desafios atuais, especialmente com o fácil acesso às informações, Marcelo afirma que a maior preocupação é orientar e oferecer uma educação familiar de qualidade, com princípios e valores. Mesmo com as responsabilidades, a necessidade de ter paciência e com um ritmo bem mais desacelerado do que na juventude, ele reconhece que a maturidade está bem mais presente na paternidade tardia do que na primeira experiência. 

No entanto, a felicidade de ter uma criança em casa o faz se sentir tão vivo que, enquanto está brincando com a filha, sente como se fosse uma criança também. “Brincamos de boneca, de esconder, ela me maquia, passa batom, passa esmalte. A gente é muito colado, então é gratificante”, celebra Marcelo. 

Além dos rótulos 

A sociedade ainda carrega uma série de estigmas e estereótipos de gênero que dificultam a vivência plena da parentalidade por homens. A psicóloga Andréa Pepino ressalta que a população como um todo ainda é muito machista, então poucos espaços institucionais reconhecem ou incentivam a paternidade ativa. “A maioria dos serviços ainda é centrada na figura materna, o que reforça a exclusão simbólica dos homens no universo do cuidado, reforçando os pré-conceitos”, destaca. 

O psicólogo Paulo Henrique Souza acrescenta que a paternidade é uma função que não possui manual e que a ideia cronológica também não necessariamente indica uma equivalência. “Todo pai, do novo ao envelhecido, precisará rever suas expectativas diante do nascimento de um filho e precisará de alguma maneira alçar estratégias de cuidado com essa criança que vem com uma série de especificidades”, destaca. 

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Com isso, segundo a especialista Andréa Pepino, desconstruir esses estigmas é essencial para promover a equidade parental e permitir que os homens exerçam um papel de protagonismo na criação dos herdeiros. “É preciso reconhecer que homens também amam, cuidam, educam e sofrem por seus filhos.” 

Amor que move montanhas

Aos 43 anos, Anderson Cabral tem cinco filhos: Catarina, 10 anos, Miguel, 8, Samuel, 4, e as gêmeas Maria e Ana, 2. Ele não imaginava que a vida o levaria a uma jornada tão complexa e, ao mesmo tempo, transformadora. “Um pai nasce junto com seu filho e temos que aprender a cuidar dessa vida frágil”, reflete Anderson, que descobriu um desafio maior da paternidade quando as caçulas nasceram prematuras. Uma delas, Maria, foi diagnosticada com paralisia cerebral após uma bradicardia grave nas primeiras 24 horas de vida.

O diagnóstico trouxe uma nova realidade para a família, exigindo adaptações na rotina e na casa. A principal dificuldade, segundo Anderson, foi encontrar profissionais capacitados e lidar com os altos custos dos tratamentos. “A questão financeira é a mais difícil, pois na rede pública, infelizmente, não existe o suporte adequado”, desabafa.

Para Anderson, Maria não o torna diferente dos outros pais, mas, sim, “mais ávido por mudanças concretas em que nossos filhos tenham as mesmas oportunidades que as crianças típicas têm”. Ele e a esposa, Karolina Cabral, precisaram priorizar o desenvolvimento de Maria, e a família se uniu para dar o apoio necessário.

“O dia em que eu vi a Maria dando seus primeiros passinhos no andador, bem ‘alinhadinha’, sustentando o pescoço, eu me emocionei muito”, relembra. Apesar das dificuldades, as pequenas vitórias enchem o pai de orgulho. E, para Anderson, a maior lição que sua filha o ensinou é que a vida é um dom de Deus, e que é preciso lutar por cada oportunidade de ser feliz e independente.

Ele conta que a chegada dos filhos mudou tudo, e seu viver passou a ter um propósito maior. Como pai, esforça-se para que Maria tenha acesso ao que há de melhor em sua reabilitação, mas o emocional e o psicológico podem ficar abalados, e o cansaço bater forte. Mesmo assim, encontra forças para persistir na tarefa. “A paternidade, mais do que uma atividade, é uma missão, missão essa que eu abraço com responsabilidade e amor”, completa. 

Idealização

O psicólogo e professor do curso de psicologia do Centro Universitário Uniceplac Paulo Henrique Souza afirma que o exercício da paternidade sempre é um encontro inesperado, especialmente por conta da idealização por parte dos progenitores, pois essas expectativas evocam desejos, sonhos e outras ambições que beiram a perfeição. Segundo ele, quando um filho tem uma condição específica, os responsáveis se deparam com uma quebra ainda maior da ilusão desse ser idealizado. “Ou seja, os pais precisaram refazer todo o projeto anterior sobre o cuidado do filho, os planos, as ambições, mas acima de tudo, sobre o próprio ideal”, destaca. 

Essa necessidade de reinventar os planos e as crenças foi sentida na pele por Anderson, mas ele acredita que a experiência com Maria é ainda mais enriquecedora do que qualquer outra. “Uma família especial consegue ver um amor puro, despretensioso e diferente de tudo. Quase nunca é romântico e muito menos suave, mas é verdadeiro e nos ensina muito todos os dias. Nunca desistam de suas crianças. Eles sempre conseguem tirar o melhor de nós e nos fazer melhor para que elas tenham mais oportunidades, nesse mundo que muitas vezes é cruel, mas que merece que nossas crianças façam parte, sejam felizes e sejam respeitados”.

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* Da Redação / Com informações do Correio Braziliense

* Fotos; Reprodução / Arquivos Pessoais

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Ídolo do Vasco, Geovani morre aos 62 anos

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‘Pequeno Príncipe’ também teve passagem marcante pela seleção brasileira

Ídolo do Vasco, Geovani Silva, o “Pequeno Príncipe”, faleceu nesta segunda-feira (18), aos 62 anos. Em comunicado publicado nas redes sociais do ex-jogador, a família informou que ele passou mal de forma repentina na madrugada e foi socorrido imediatamente ao hospital, mas não resistiu.

“Estamos todos muito abalados e tristes com essa partida tão inesperada. Que Deus possa confortar o coração de todos os familiares, amigos e daqueles que tiveram o privilégio de conviver com ele”, aponta o texto.

O antigo meio-campista já havia sido hospitalizado por problemas cardíacos em 2022. No ano passado, foi internado por desidratação causada por inflamação e infecção no intestino. Antes, em 2025, venceu um câncer na coluna vertebral.

O culto de despedida deve ser feito nesta terça-feira (19), seguido do sepultamento no Parque da Paz, em Vila Velha, Espírito Santo.

Passagem vitoriosa no Vasco

Geovani Silva conquistou cinco títulos cariocas e um Campeonato Brasileiro pelo Vasco - Divulgação / Instagram

Geovani Silva conquistou cinco títulos cariocas e um Campeonato Brasileiro pelo Vasco | Foto: Divulgação / Instagram

Geovani Silva, nascido em 6 de abril de 1964, teve três passagens pelo Cruz-Maltino: entre 1982 e 1989; entre 1991 e 1993; e em 1995. Por lá, jogou ao lado de Romário e Roberto Dinamite, disputou 408 partidas e marcou 50 gols.

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No Vasco, o ‘Pequeno Príncipe’ tornou-se ídolo graças ao talento que apresentava no meio de campo, os passes e as cobranças de falta. Ao todo, ele conquistou cinco títulos do Carioca (1982, 1987, 1988, 1992 e 1993) e o Brasileirão de 1989.

Geovani Silva em ação pelo Vasco - Divulgação / Instagram

Campeão pela seleção brasileira

Ele também vestiu a camisa da seleção brasileira por 23 partidas, marcando cinco gols, e conquistou a Copa América de 1986. Ele também conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Seul-1988, a primeira do futebol brasileiro, e, as categorias de base, foi campeão, artilheiro e eleito o melhor jogador do Mundial Sub-20, em 1983.

Foi depois deste título mundial que ele recebeu o apelido de ‘Pequeno Príncipe’, como contou ao Museu da Pelada: 

“Vem da vascaína Dulce Rosalina, falecida em 2004, que foi presidente da Torcida Organizada Vascaíno (TOV) e da Pequenos Vascaínos, que ao me ver desembarcar no aeroporto do Rio, lotado de torcedores e da imprensa que aguardavam os campeões mundiais de 83, ela me abraçou, me parabenizou pelos meus seis gols marcados na competição e por ter sido escolhido o melhor jogador. A Dulce, na euforia, me chamou de ‘Meu Pequeno Príncipe’, na frente de todo mundo. Eu sorri, agradeci o carinho, abracei a causa e gostei, pois pequeno eu sei que sou, agora príncipe foi ela que me intitulou”.

Geovani Silva vestiu a camisa da seleção brasileira por 23 partidas - Divulgação / Instagram

Outros clubes de Geovani

Antes de chegar ao Vasco, Geovani, teve estreia precoce no futebol profissional, aos 16 anos, na Desportiva Ferroviária, do Espírito Santo. E na reta final da carreira, após última passagem pelo Cruz-Maltino, passou por XV de Jaú e ABC, antes de retornar ao seu estado natal para atuar por Serra, Linhares, Rio Branco, Tupy e Vilavelhense, onde encerrou a carreira em 2022, aos 38 anos.

Geovani Silva atuou pelo Bologna, da Itália entre 1989 e 1991 - Divulgação / Instagram

Geovani Silva atuou pelo Bologna, da Itália entre 1989 e 1991 | Foto: Divulgação / Instagram

Ele também atuou por Bologna, da Itália, entre 1989 e 1991, Karlsruher, da Alemanha, até 1993, e Tigres, do México, em 1994.

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  • Informações do jornal O Dia – Conteúdo
  • Foto destaque: Divulgação / Instagram
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