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Haddad afirma que cumprir a meta fiscal é responsabilidade dos três Poderes

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Após suspensão do STF e revogação no Congresso, equipe econômica prepara defesa de decreto que eleva IOF, diz ministro

Por Raphael Pati* – Brasília/DF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira (8/7) que o cumprimento da meta fiscal de 2025 deve ser uma responsabilidade compartilhada pelos três Poderes. Em entrevista na sede da pasta, ele fez críticas veladas ao Congresso Nacional sobre o controle do Orçamento e cobrou engajamento das demais instituições no esforço fiscal.

“É uma tarefa dos três Poderes cumprir a meta do ano. Se cada poder for usar das suas prerrogativas para aumentar o gasto, não conter o gasto, e não contribuir para o corte de gasto tributário, que no Brasil chegou a patamares absurdos, nós vamos ter dificuldade de cumprir a meta”, disse o ministro.

Haddad afirmou, ainda, que a arrecadação deve surpreender no próximo relatório bimestral e que o governo deve buscar novas medidas para garantir que as contas fechem dentro do previsto para este ano.

Documentos em preparação

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Sobre o prazo concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que tanto o governo federal quanto o Congresso Nacional se posicionem sobre o imbróglio do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o titular da pasta disse que a equipe econômica já prepara documentos para comprovar a legalidade do decreto presidencial que eleva alíquotas do tributo. O prazo se encerra no próximo dia 15 de julho.

“Todos os documentos técnicos estão sendo preparados. Nós vamos comprovar para o ministro Alexandre (de Moraes) que nós estamos evitando planejamento tributário, elisão fiscal, evasão fiscal”, disse Haddad, que destacou que há cerca de R$ 800 bilhões em isenções que favorecem determinados grupos econômicos” do país.

“Toda vez que você favorece algum grupo econômico, você compromete as metas fiscais, a taxa de juro fica alta e prejudica o país inteiro. Qual o sentido de, para favorecer uns empresários, prejudicar todos. Não faz sentido nenhum isso”, completou.

Entenda o caso

O decreto presidencial que eleva alíquotas do IOF sobre operações de câmbio, seguros e crédito para empresas foi derrubado pelo Congresso Nacional no final de junho, por um decreto legislativo, que anula os efeitos das medidas anteriores. No último dia 4 de julho, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, decidiu suspender ambos os decretos, após a Advocacia-Geral da União (AGU) entrar com ação para retomar medida do governo Lula.

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Moraes, que é o relator das ações sobre o tema que tramitam na Corte, ainda determinou uma audiência de conciliação marcada para o próximo dia 15 de julho, com representantes do governo federal e do Congresso Nacional, para resolver o imbróglio.

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* Correio Braziliense – Conteúdo

* Foto/Destaque: Crédito: Diogo Zacarias / Ministério da Fazenda

 

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Brasil / Economia

Tarifaço: Brasil abre processo para aplicar Lei de Reciprocidade aos EUA

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Medida ocorre em razão da taxa de 25%; Presidência afirma que solicita realização de ‘consultas diplomáticas’ ao governo americano

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta quinta-feira, 13, o processo para aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, em razão da aplicação da tarifa de 25% contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais.

“Em cumprimento ao artigo 16 do referido decreto, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas”, afirma nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgada na noite desta quinta-feira.

Segundo o comunicado, a consulta à diplomacia americana antes da adoção de medidas mostra o esforço do Brasil para privilegiar o diálogo com a Casa Branca. As negociações podem levar ao adiamento ou à suspensão de eventuais contramedidas, a critério do governo, mas o Ministério das Relações Exteriores terá de produzir relatórios periódicos sobre seu andamento.

O governo destacou que, durante a investigação da Seção 301 da lei americana – com base na qual o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) acusou o Brasil de práticas desleais em temas como Pix e desmatamento -, apresentou evidências para contestar os argumentos americanos. A Secom voltou a classificar as tarifas como “injustificadas e arbitrárias”. “O Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, afirma a nota.

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O governo também disse que seguirá trabalhando para reduzir os efeitos das tarifas e defendeu o multilateralismo e o fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Seguiremos trabalhando pela diversificação de parcerias comerciais e abertura de novos mercados para nossos produtos”, diz a Secom. A nota cita ainda o Plano Brasil Soberano, voltado à proteção dos setores afetados e à preservação de empregos e da capacidade produtiva.

Desde o ano passado, a aplicação da lei divide opiniões no governo Lula e entre setores privados, que temem os efeitos de uma eventual resposta na mesma proporção. Na ocasião, o governo também abriu o processo na Camex, mas não avançou na adoção de medidas.

As próximas semanas devem ser marcadas por consultas aos setores afetados. O governo descartou, por exemplo, a proposta de economistas de aplicar tarifas de exportação sobre produtos sensíveis retirados pelo governo Trump da lista do novo tarifaço. A avaliação é de que a medida seria difícil de justificar politicamente, após meses de esforços para evitar a taxação.

O passo dado agora cumpre os prazos e formalidades previstos na lei para eventual adoção de medidas tarifárias e comerciais. O governo pode aplicar contramedidas provisórias enquanto avalia as definitivas, mas antes terá de realizar consultas públicas com as partes interessadas.

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Entre as possibilidades, estão restrições à importação de bens e serviços, suspensão de concessões comerciais e de investimentos e de obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual. As medidas devem ser proporcionais ao impacto econômico provocado pelo outro país.


  • Matéria do Estadão – Conteúdo
  • Foto destaque: Crédito – AFP
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