Política Econômica
Banco Central aumenta taxa Selic pela 7ª vez consecutiva, para 15% ao ano
Brasil / Economia
Na quarta reunião do ano do Copom, Banco Central mantém ciclo de aperto monetário e eleva juros básicos em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 15% anuais
Por Rosana Hessel* – Brasília/DF
O Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (18/6), aumentar a taxa básica da economia (Selic) pela 7ª reunião consecutiva, elevando os juros de 14,75% para 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas. A autoridade monetária ainda sinalizou que os juros devem seguir elevados “por período bastante prolongado” para assegurar a convergência da inflação à meta.
A decisão da 4ª reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) foi unânime e veio em linha com a curva de juros futuros do mercado, que apontava a Selic subindo para 15% ao ano, apesar de a mediana das estimativas coletadas pelo Banco Central no boletim Focus desta semana permanecer em 14,75% anuais.
No comuncado, o Comitê indicou que este pode ser o último aumento dos juros básicos, ou seja, uma interrupção no ciclo de alta da taxa Selic, iniciado em setembro de 2024. Contudo, não deu certeza de que o aperto terminou, pois destacou que o cenário “segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”. “Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, acrescentou a nota alertando a piora dos ambientes externo e interno.
Vale lembrar que a mediana das projeções do mercado para a inflação oficial deste ano, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), vem sendo revisada para baixo há três semanas, e segue acima do teto da meta de inflação, de 4,50%. Nesta semana, recuou de 5,44% para 5,25%, conforme dados do boletim Focus, do BC, confirmando mais um ano em que o BC não conseguirá cumprir a meta determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Desde o início do regime de metas, em 1999, o BC não conseguiu entregar a inflação na meta em oito vezes e, neste ano, completará a 9ª vez em que a autoridade monetária não entrega o IPCA na margem de tolerância da meta.
A seguir, a íntegra do comunicado do Copom:
O ambiente externo mantém-se adverso e particularmente incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente acerca de suas políticas comercial e fiscal e de seus respectivos efeitos. Além disso, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos também têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes em ambiente de acirramento da tensão geopolítica.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho ainda tem apresentado algum dinamismo, mas observa-se certa moderação no crescimento. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,2% e 4,5%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o ano de 2026, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,6% no cenário de referência|.
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.
O Copom decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
Em se confirmando o cenário esperado, o Comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.
_________________________________________________
* Correio Braziliense – Conteúdo
* Foto/Destaque: Banco Central do Brasil / Reprodução – CB
Brasil / Economia
Tarifaço: Brasil abre processo para aplicar Lei de Reciprocidade aos EUA
Medida ocorre em razão da taxa de 25%; Presidência afirma que solicita realização de ‘consultas diplomáticas’ ao governo americano
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta quinta-feira, 13, o processo para aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, em razão da aplicação da tarifa de 25% contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais.
“Em cumprimento ao artigo 16 do referido decreto, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas”, afirma nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgada na noite desta quinta-feira.
Segundo o comunicado, a consulta à diplomacia americana antes da adoção de medidas mostra o esforço do Brasil para privilegiar o diálogo com a Casa Branca. As negociações podem levar ao adiamento ou à suspensão de eventuais contramedidas, a critério do governo, mas o Ministério das Relações Exteriores terá de produzir relatórios periódicos sobre seu andamento.
O governo destacou que, durante a investigação da Seção 301 da lei americana – com base na qual o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) acusou o Brasil de práticas desleais em temas como Pix e desmatamento -, apresentou evidências para contestar os argumentos americanos. A Secom voltou a classificar as tarifas como “injustificadas e arbitrárias”. “O Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, afirma a nota.
O governo também disse que seguirá trabalhando para reduzir os efeitos das tarifas e defendeu o multilateralismo e o fortalecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Seguiremos trabalhando pela diversificação de parcerias comerciais e abertura de novos mercados para nossos produtos”, diz a Secom. A nota cita ainda o Plano Brasil Soberano, voltado à proteção dos setores afetados e à preservação de empregos e da capacidade produtiva.
Desde o ano passado, a aplicação da lei divide opiniões no governo Lula e entre setores privados, que temem os efeitos de uma eventual resposta na mesma proporção. Na ocasião, o governo também abriu o processo na Camex, mas não avançou na adoção de medidas.
As próximas semanas devem ser marcadas por consultas aos setores afetados. O governo descartou, por exemplo, a proposta de economistas de aplicar tarifas de exportação sobre produtos sensíveis retirados pelo governo Trump da lista do novo tarifaço. A avaliação é de que a medida seria difícil de justificar politicamente, após meses de esforços para evitar a taxação.
O passo dado agora cumpre os prazos e formalidades previstos na lei para eventual adoção de medidas tarifárias e comerciais. O governo pode aplicar contramedidas provisórias enquanto avalia as definitivas, mas antes terá de realizar consultas públicas com as partes interessadas.
Entre as possibilidades, estão restrições à importação de bens e serviços, suspensão de concessões comerciais e de investimentos e de obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual. As medidas devem ser proporcionais ao impacto econômico provocado pelo outro país.
- Matéria do Estadão – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – AFP
-
Política / Eleições5 dias atrásCandidaturas podem alterar composição da Câmara Municipal de Vitória
-
Esportes / Futebol7 dias atrásFluminense confirma lesão de John Kennedy, que passará por cirurgia
-
INTERNACIONAL4 dias atrásTerremoto na Colômbia
-
Esportes / Futebol2 dias atrásCBF e clubes aprovam adoção de novas regras no futebol brasileiro
-
Entretenimento / Famosos6 dias atrásEx-ator da Globo lamenta peça com 4 pessoas em teatro para 300
-
Acidente Aéreo5 dias atrásGoverno da Colômbia lamenta perda de família em queda de helicóptero
-
Acidente Aéreo4 dias atrásPiloto morto em queda de helicóptero é sepultado com louvores e homenagens
-
Regional3 dias atrásJaguaré se consolida como referência cultural no Norte do Estado
