Justiça Tardia
Prisioneiro há mais tempo no corredor da morte no mundo é inocentado
Justiça
Um homem de 88 anos, condenado à morte com mais tempo de prisão no mundo, foi absolvido por um tribunal japonês, após a conclusão de que as provas usadas contra ele foram forjadas.
BBC News / Singapura e Tóquio
Por Gavin Butler e Shaimaa Khalil
Um homem de 88 anos, condenado à morte com mais tempo de prisão no mundo, foi absolvido por um tribunal japonês, após a descoberta de que as evidências usadas contra ele foram forjadas.
Iwao Hakamada, que estava no corredor da morte há mais de meio século, foi considerado culpado em 1968 por matar o próprio chefe, além da esposa e dos dois filhos adolescentes do homem.
Recentemente, Hakamada foi alvo de um novo julgamento em meio às suspeitas de que os investigadores poderiam ter forjado evidências que levaram à sua condenação por homicídio quádruplo nos anos 1960.
O caso de Hakamada é uma das sagas jurídicas mais famosas do Japão e atraiu amplo interesse público — cerca de 500 pessoas acompanharam o desfecho do julgamento no tribunal localizado na cidade de Shizuoka na manhã desta quinta-feira (26).
Quando o veredicto finalmente foi divulgado, os simpatizantes de Hakamada do lado de fora do tribunal aplaudiram e gritaram banzai — uma exclamação japonesa que significa “viva”.
Hakamada não estava presente no tribunal, pois foi dispensado de todas as audiências devido ao seu estado mental deteriorado.
Desde 2014, ele vive sob os cuidados da irmã. Neste ano, Hakamada foi liberado da prisão e recebeu a oportunidade de um novo julgamento por um tribunal japonês.
Roupas manchadas de sangue em um tanque de missô
Ex-boxeador profissional, Hakamada trabalhava em uma fábrica de processamento de missô — um ingrediente tradicional da culinária japonesa feito a partir da fermentação de soja, arroz e sal — em 1966, quando os corpos de seu chefe, da esposa do homem e de dois filhos do casal foram recuperados após um incêndio na casa da família em Shizuoka, que fica a oeste de Tóquio.
A investigação revelou que as quatro vítimas haviam sido esfaqueadas.
As autoridades acusaram Hakamada de assassinar a família, atear fogo na casa e roubar 200 mil ienes (R$ 7,5 mil, na cotação atual) em dinheiro.
Hakamada inicialmente negou ter roubado e assassinado as vítimas, mas depois deu o que ele descreveu posteriormente como uma confissão forçada. Ele alegou que sofreu espancamentos, além de ser submetido a interrogatórios que duravam até 12 horas por dia.
Em 1968, ele foi condenado por assassinato e incêndio criminoso e acabou sentenciado à morte.
A saga jurídica de décadas tinha como chave algumas roupas manchadas de sangue que foram encontradas em um tanque de missô logo após os corpos serem descobertos. Essas peças foram usadas para incriminar Hakamada.
Durante anos, no entanto, os advogados de Hakamada argumentaram que o DNA recuperado a partir das roupas não correspondia com o material genético dele.
A defesa levantou a possibilidade de que os itens pertenciam a outra pessoa e sugeriu ainda que a polícia poderia ter fabricado as evidências.
O argumento foi suficiente para persuadir o juiz Hiroaki Murayama, que em 2014 observou que “as roupas não eram do réu”.
“É injusto deter o réu por mais tempo, pois a possibilidade de sua inocência se tornou clara em um grau considerável”, disse Murayama à época.
Hakamada foi então libertado da prisão e ganhou o direito a um novo julgamento.
A demora de procedimentos legais fizeram com que o novo julgamento se arrastasse por mais alguns anos e só começasse em 2023. E o veredicto só veio nesta quinta-feira (26/9) pela manhã.
Além de declarar Hakamada inocente, o juiz também concluiu que as principais evidências dos promotores foram de fato forjadas.
As décadas de detenção, muitas vezes em confinamento solitário com a ameaça de execução a qualquer momento, tiveram um grande impacto na saúde mental de Hakamada, de acordo com os advogados e os familiares dele.
Hideko, irmã de Hakamada que tem 91 anos, há muito tempo defendia a libertação. No ano passado, quando o novo julgamento começou, ela expressou alívio e disse que finalmente um peso havia sido tirado dos ombros dela.
Novos julgamentos para condenados à morte são raros no país — o de Hakamada é apenas o quinto na história do pós-guerra do Japão.
Ao lado dos Estados Unidos, o Japão está entre os únicos países do G7 (grupo que reúne as nações mais desenvolvidas do mundo) que ainda impõe pena de morte.
No país, prisioneiros condenados à pena capital são notificados sobre o enforcamento apenas algumas horas antes da execução.
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Foto: Getty Images
Justiça
STJ manda soltar prefeito e ex-prefeito de Pedro Canário presos em operação da PF
A decisão que beneficiou os políticos investigados na Operação Eco da Fraude foi proferida nesta quinta-feira (10); ambos cumpriam prisão no Complexo de Viana
Por Wilson Rodrigues* | Nova Venécia (ES)
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus e mandou soltar, no fim da tarde desta quinta-feira (10), o prefeito afastado de Pedro Canário, no Norte do Espírito Santo, Kleilson Martins Rezende (PSB), e o ex-prefeito do município, Bruno Araújo (PDT). Eles estavam presos desde o dia 26 de maio na Penitenciária de Segurança Média 1, no Complexo de Viana. Eles são suspeitos de prática de crimes de corrupção, fraude licitatória, lavagem de capitais e organização criminosa.
Os dois foram alvos de mandados de prisão preventiva cumpridos pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção na organização do Forró da Tábua Lascada, investigado no âmbito da segunda fase da chamada Operação Eco da Fraude.
A decisão que determinou a soltura dos investigados foi proferida pelo ministro Carlos Pires Brandão, às 17h20. Ante o exposto, concedo a ordem de habeas corpus para revogar a prisão
Na decisão de soltura, obtida pela Rede Notícia, o ministro Carlos Brandão mantém o afastamento dos cargos de Kleilson e Bruno, e os proíbe de manter contato com os demais investigados, testemunhas e servidores públicos ligados aos setores de licitação, contratos e finanças do Município de Pedro Canário.
Veja a lista completa de medidas cautelares impostas, que, se descumpridas, podem motivar uma nova prisão:
- a) proibição de manter contato por qualquer meio com os demais investigados, testemunhas e servidores públicos vinculados aos setores de licitação, contratos e finanças do Município de Pedro Canário/ES;
- b) proibição de acesso às dependências da Prefeitura Municipal de Pedro Canário/ES e de seus órgãos administrativos;
- c) manutenção do afastamento cautelar das funções públicas ocupadas;
- d) proibição de ausentar-se da comarca de residência sem prévia autorização judicial;
- e) comparecimento a todos os atos do processo e atualização de endereço perante o Juízo de origem.
“Fica ressalvada a possibilidade de fixação de outras cautelares pelo Juízo a quo, inclusive monitoração eletrônica, bem como a decretação de nova custódia na hipótese de descumprimento das obrigações impostas ou de superveniências de novos motivos”, diz o ministro na decisão.
“No caso em análise, não foram apontados atos concretos de destruição de provas ou coação de testemunhas atribuíveis diretamente aos pacientes, registrando o próprio acórdão que o encerramento ou a indisponibilidade de mensagens operou-se em dispositivo de terceiro e que o paciente Kleilson forneceu voluntariamente a senha de seu aparelho, o que afasta a ilação de risco atual decorrente de sua liberdade”, escreveu o ministro Carlos Brandão na decisão.
O ministro disse que os políticos não oferecem risco ao processo neste momento. “O alegado risco à instrução criminal e à ordem pública encontra-se substancialmente neutralizado pelo cumprimento dos mandados de busca e apreensão, pela efetivação da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático, pelo bloqueio dos acessos administrativos e, notadamente, pelo afastamento do paciente Kleilson Martins Rezende do cargo de Prefeito Municipal de Pedro Canário/ES e pela exoneração do paciente Bruno Teófilo Araújo da função de Superintendente Geral Municipal”, disse o ministro na concessão do habeas corpus.
O pedido de habeas corpus foi protocolado na noite de terça-feira (8) e foi distribuído por dependência ao ministro Carlos Brandão, por ser ele o relator do primeiro pedido de habeas corpus, protocolado em junho e negado em liminar pelo próprio magistrado, decisão que havia sido mantida por unanimidade pela 6ª Turma do tribunal, presidida pelo ministro. Além de ser um novo pedido de habeas corpus, desta vez acolhido, é importante registrar que os advogados que protocolaram o primeiro e o segundo recurso são de escritórios diferentes.
A reportagem demandou o advogado Willer Tomaz de Souza que assinou o pedido de habeas corpus. Não havia retorno até a última atualização do texto.
DUPLA FOI PRESA EM MAIO
A decisão judicial do desembargador Pedro Valls Feu Rosa , do Tribunal de Justiça (TJES) que determinou as prisões apontou que diálogos interceptados pela Polícia Federal reúnem indícios das irregularidades. Em um dos trechos destacados, o então secretário de Cultura, Fúlvio Trindade de Almeida, negocia o retorno financeiro com base na liberação de recursos públicos para o evento, realizado em agosto de 2025. As mensagens indicam um plano de divisão de valores arrecadados entre os organizadores e gestores, com dependência direta dos pagamentos administrativos feitos pela prefeitura aos fornecedores contratados.
Segundo a Polícia Federal, a contratação para a festa somou R$ 1.269.242,73, com um sobrepreço estimado em R$ 380 mil, quantia que seria destinada ao pagamento de propinas. Documentos do processo detalham conversas em que o ex-secretário relata ter buscado R$ 100 mil em dinheiro vivo na cidade de Linhares, valor que estaria guardado no porta-malas de um veículo.
As investigações também revelaram alinhamentos prévios entre o ex-secretário de Cultura e empresários do setor de eventos para a simulação de orçamentos e montagem de planilhas de custos. Em outro trecho de áudio interceptado durante o primeiro dia da festividade, Fúlvio afirma à sua companheira que estava empenhado na captação dos valores com o objetivo de custear um procedimento cirúrgico para ela.
Sobre o caso:
- Polícia Federal prende prefeito e ex-prefeito de Pedro Canário na manhã desta terça-feira (26)
- Foto mostra prefeito e ex-prefeito de Pedro Canário presos em operação da Polícia Federal
- Mensagens revelam suposto esquema de propina que levou prefeito de Pedro Canário para a cadeia
- Justiça mantém prisão de prefeito e ex-prefeito de Pedro Canário em audiência de custódia
- ‘Tá no porta-malas’, mensagem revela ex-secretário de Pedro Canário combinando entrega de R$ 100 mil em suposta propina
- Prefeito do ES teria usado parte de propina para pagar afiliadas da Globo, do SBT e PMs, diz Polícia Federal
- ‘Estou enchendo o bolso de dinheiro para pagar sua cirurgia’, diz ex-secretário de Pedro Canário à esposa
- Desembargador volta a decretar segredo de Justiça em processo que prendeu prefeito e ex-prefeito de Pedro Canário
- Prefeito afastado e ex-prefeito de Pedro Canário passam primeiro domingo presos
- Presos pela PF, prefeito afastado e ex-prefeito de Pedro Canário são transferidos de presídio
- Ministro do STJ nega pedido de liberdade para prefeito afastado e ex-prefeito de Pedro Canário
- Prefeito afastado e ex-prefeito de Pedro Canário completam dois meses presos suspeitos de corrupção
- STJ marca data de julgamento de pedido de liberdade de prefeito afastado e ex-prefeito de Pedro Canário
- STJ julga nesta quarta-feira (2) pedido de liberdade de prefeito afastado e ex-prefeito de Pedro Canário
- STJ mantém prisão de prefeito afastado e ex-prefeito de Pedro Canário
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*Matéria do portal Rede Notícias – Conteúdo
*Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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