Norte do Espírito Santo
Obras de recuperação da orla da Praia de Guaxindiba, em Conceição da Barra, tem recursos de R$ 97 milhões
Regional
Intervenção busca conter o avanço da erosão, proteger moradores e infraestrutura e recuperar área de importância turística para o município
Conceição da Barra (ES)
As obras de contenção da erosão, proteção e urbanização da orla da Praia de Guaxindiba, em Conceição da Barra, começaram no dia 1º de setembro e representam uma das principais intervenções de infraestrutura já realizadas no litoral do município. Com investimento superior a R$ 97 milhões, o projeto contempla 2.613 metros de orla e tem prazo de execução de 630 dias. Os serviços são executados pelo Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES).
Segundo o prefeito Erivan Tavares, a intervenção atende a uma demanda histórica de Conceição da Barra, município que há anos convive com o avanço do mar e com processos erosivos que vêm comprometendo a faixa de areia, imóveis e estruturas urbanas próximas à costa. Em março deste ano, um decreto municipal classificou as intervenções na região de Guaxindiba como de utilidade pública e de interesse da Defesa Civil, diante dos riscos de danos a edificações, à infraestrutura e à população.
“O projeto em execução prevê a implantação de blocos articulados de concreto pré-moldados e anéis hexagonais, estruturas destinadas à estabilização da faixa costeira e à contenção do processo erosivo. A obra também contempla ações de urbanização da orla, ampliando a perspectiva de recuperação não apenas da área afetada pelo avanço do mar, mas também de sua utilização pela população”, explica Erivan.
A Praia de Guaxindiba tem importância estratégica para Conceição da Barra. Localizada a poucos quilômetros do centro da cidade, a praia fica próxima à foz do Rio Itaúnas e é conhecida pela chamada Floresta de Raízes, além de manter a pesca como uma de suas atividades tradicionais.

Proteção e recuperação do potencial turístico
Mais do que uma obra de contenção, a intervenção representa uma perspectiva de recuperação de uma área importante para a vida cotidiana e para a economia de Conceição da Barra. A erosão costeira vinha reduzindo a faixa de areia e avançando sobre áreas urbanizadas, aumentando os riscos para imóveis, equipamentos públicos e infraestrutura.
O problema não é recente. Em 2023, o DER-ES já classificava a situação da Guaxindiba como um processo erosivo severo e intenso e iniciou novos estudos em busca de uma solução para o avanço do mar na região. Naquele período, a erosão já havia destruído o bairro Bugia e avançava sobre imóveis próximos à Guaxindiba, ameaçando, inclusive, estruturas da rede de energia elétrica.
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A recuperação da orla também poderá fortalecer o turismo local. Conceição da Barra possui aproximadamente 25 quilômetros de praias e reúne diversos atrativos naturais, entre eles o Parque Estadual de Itaúnas, rios, áreas de restinga e atividades ligadas ao turismo de natureza. A própria Guaxindiba integra esse circuito, especialmente pela proximidade com a foz do Rio Itaúnas e por suas características naturais.
As intervenções deverão produzir impactos que vão além da proteção física da costa. A recuperação da área poderá possibilitar a retomada do uso turístico da orla de forma mais ampla, contribuindo para a valorização do espaço público e para a melhoria das condições de segurança e infraestrutura.
Com a nova intervenção, a expectativa é que a Guaxindiba volte a oferecer melhores condições de uso para moradores, comerciantes, pescadores e visitantes, criando um ambiente mais seguro e estruturado para atividades de lazer e turismo.
“A intervenção é resultado de um processo que envolveu estudos técnicos, articulação entre Estado e município e participação da comunidade. Em agosto, a Prefeitura de Conceição da Barra realizou audiência pública para apresentar o projeto à população, reforçando o caráter de diálogo da intervenção”, reforçou Erivan.

Para Conceição da Barra, a obra representa uma ação estratégica de proteção do território e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de reorganização e valorização de uma área com relevante potencial turístico e econômico. A recuperação da orla poderá contribuir para melhorar a qualidade de vida da população, proteger o patrimônio público e privado e ampliar as condições para que o litoral seja utilizado de maneira mais segura, ordenada e sustentável.
A previsão é de que os trabalhos transformem gradualmente a paisagem da Guaxindiba, criando uma nova perspectiva para uma região que há anos enfrenta os efeitos da erosão costeira e que agora passa por um processo de recuperação e requalificação.
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- Fonte: Prefeitura de Conceição da Barra / Mídia da região
- Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
Regional
Conselho Tutelar: um órgão importante, porém esquecido por muitos governantes
São Mateus (ES) | Do Correspondente
O Conselho Tutelar é um órgão permanente, autônomo e fundamental para o Sistema de Garantia de Direitos. Criado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tem como missão zelar pelo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes. Cada município deve manter, no mínimo, um Conselho Tutelar, composto por cinco membros — os conselheiros tutelares — eleitos pela comunidade para atuar na defesa dos direitos desse público.
Vale destacar que o Conselho Tutelar é um órgão autônomo, com atuação independente, embora deva trabalhar de forma articulada com os demais serviços e órgãos da rede pública de proteção.
Apesar de toda a sua importância, a atuação dos Conselhos Tutelares ainda parece não sensibilizar alguns governantes. Talvez isso ocorra justamente por se tratar de um órgão autônomo e independente, que não deve ser utilizado politicamente e cuja atuação precisa estar acima de interesses partidários ou pessoais.
Em vários municípios, os Conselhos Tutelares trabalham em estruturas precárias e com recursos insuficientes para fazer frente às inúmeras demandas que chegam diariamente. Em muitos casos, os profissionais precisam lidar com situações complexas envolvendo violência, abandono, negligência, conflitos familiares e outras formas de vulnerabilidade, muitas vezes sem as condições adequadas para desempenhar suas funções.
No município de São Mateus, por exemplo, a Prefeitura cumpre as obrigações administrativas relacionadas ao Conselho Tutelar, mas, segundo informações colhidas pela reportagem, seria necessário um olhar mais atento por parte da sociedade e dos poderes constituídos. Prefeitura e Câmara Municipal poderiam oferecer um suporte mais consistente ao órgão, especialmente considerando a extensão territorial do município e uma população de aproximadamente 130 mil habitantes.
A dimensão territorial de São Mateus representa um desafio adicional para os conselheiros. Para atender à volumosa demanda, muitas vezes eles precisam deixar a sede para realizar diligências e acompanhar famílias e crianças em situação de vulnerabilidade. Nessas circunstâncias, a unidade pode ficar sem um profissional disponível para receber novas demandas e encaminhar situações que chegam ao Conselho.
Não se trata de um trabalho simples. Os conselheiros enfrentam diariamente situações delicadas e, muitas vezes, conflitos familiares e sociais que exigem equilíbrio, paciência, firmeza e, sobretudo, conhecimento da legislação e dos instrumentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em relação à estrutura do Conselho Tutelar, embora a legislação estabeleça a composição mínima de cinco membros eleitos, isso não impede que o município disponibilize um servidor para auxiliar no atendimento administrativo e no recebimento das demandas quando os conselheiros estiverem em campo, realizando diligências ou acompanhando situações que exigem sua presença.
Outro veículo também poderia ser disponibilizado para o Conselho Tutelar de São Mateus. O município possui uma extensa área territorial e longas distâncias a serem percorridas, o que exige condições adequadas de deslocamento para que os atendimentos sejam realizados com a agilidade que muitas situações emergenciais requerem.
Prefeitura, Câmara Municipal e até mesmo a iniciativa privada poderiam construir parcerias e apoiar de maneira mais efetiva esse órgão tão importante para a proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes mateenses.
Investir no Conselho Tutelar não é apenas oferecer melhores condições de trabalho aos conselheiros. É fortalecer a rede de proteção e demonstrar, na prática, que crianças e adolescentes são prioridade. Afinal, quando uma criança ou um adolescente precisa do Conselho Tutelar, não há espaço para demora, improviso ou omissão. Há, acima de tudo, um direito que precisa ser protegido.

- Pauta1 – Correspondente no Norte
- Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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