Conhecendo a História / Brasil
13 de maio de 1888: Dia do fim “oficial” da escravidão negra no Brasil
Conhecendo a História
“É declarada extincta desde a data desta lei a escravidão no Brazil”, esta é a frase que consta no primeiro artigo da Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, data que simboliza o Dia da Abolição da Escravatura.
A abolição da escravatura no Brasil aconteceu por meio da: Resistência realizada pelos próprios escravos ao longo do século XIX; Adesão de parte da nossa sociedade à causa por meio de associações abolicionistas; Mobilização política dos defensores do abolicionismo.

O país foi o último da América Latina a terminar com o sistema escravista; rentabilidade do trabalho escravo seria o principal motivo da abolição tardia.
Em 13 de maio de 1888, após seis dias de debate no Congresso, foi assinada pela princesa Isabel a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, sendo o último país da América Latina a abolir a escravatura.
Os escravos após a Abolição da Escravatura
Pós-abolição é o período da história do Brasil imediatamente posterior à abolição da escravatura. Definido como uma grande ruptura no sistema praticado até então, desencadeando mudanças significativas na economia e na sociedade brasileiras, que dependiam largamente do trabalho escravo. Para os libertos, de muitas maneiras sua situação piorou. A sociedade dominante branca permanecia repleta de racismo. A vasta maioria dos libertos permaneceu marginalizada e desprovida de acesso à saúde, à educação, à formação profissionalizante, ao exercício da cidadania.
Muitos escravos acabaram abandonando as fazendas nas quais foram escravizados e mudaram-se para outras ou para outras cidades. Essas migrações de ex-escravos aconteceram por múltiplos fatores. Os libertos mudavam-se para se distanciar dos locais em que foram escravizados, ou então iam para outros lugares procurar parentes e estabelecer-se juntos desses ou até mesmo procurar melhores salários.

Essas migrações, na maioria dos casos, eram uma ação mais realizada pelos homens jovens, por terem melhores possibilidades de conseguirem terra para cultivar. As mulheres que possuíam filhos e os idosos tinham menos possibilidades de migrar à procura de melhores condições.
A migração de ex-escravos gerou uma reação nos grandes proprietários e autoridades daquela época trazendo-lhes muita insatisfação, sobretudo porque os primeiros não aceitavam mais as condições de trabalho degradantes que existiam antes de 1888 e porque estavam em busca de melhores salários. Assim, os grandes proprietários, sobretudo do interior do país, começaram a pressionar as autoridades para que reprimissem essa movimentação.
Com isso, os grupos de ex-escravos que migravam começaram a sofrer com a repressão e foram sendo taxados de vadiagem e vagabundagem.

Muitas vezes também, os grandes fazendeiros e antigos donos de escravos impediam que os libertos fizessem suas mudanças, sendo ameaçados fisicamente para que não se mudassem, e outra estratégia utilizada era a de tomar a tutoria dos filhos dos ex-escravos. Inúmeros grandes proprietários acionavam a justiça para ter a tutoria sobre os filhos dos libertos e com isso forçavam esses a permanecerem em sua propriedade. Houve, inclusive, casos de filhos de libertos que foram sequestrados.
Se os libertos não encontrassem condições que lhes agradassem, e se tivessem outras condições, a migração era sempre uma opção. Os pagamentos exigidos eram realizados diariamente ou semanalmente e a jornada deveria ter um limite. Aqueles que se mudavam para as cidades acabavam aprendendo diferentes ofícios, tais como o de marceneiro, charuteiro (produtor de charuto), servente, pedreiro etc. As mulheres, na maioria dos casos, assumiam posições relacionadas com o trato doméstico.
Não foi realizada reforma agrária e, assim, a grande maioria dos 700 mil libertos, não teve acesso à terra, sendo forçados a receber os salários baixos, oferecidos pelos grandes proprietários.

A falta de acesso à educação por parte dos libertos, era uma preocupação e foi uma questão fundamental para manter esse grupo marginalizado. Sem acesso ao estudo, esse grupo permaneceu sem oportunidades para melhorar de vida. Muitos deles acabaram optando por retornar ao continente africano, dada as dificuldades encontradas aqui.
A pós-abolição foi o início de um longo processo de luta dos negros por direitos, dignidade, reconhecimento e inclusão, que até hoje ainda não está concluído.
Em recente viagem â África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para desespero do Ministério de Relações Exteriores, cometeu mais uma de suas inúmeras “gafes”, ao agradecer ao Primeiro-Minstro de Cabo Verde pelos 350 anos dos escravos africanos ter contribuído com o desenvolvimento do Brasil.
“Temos “profunda gratidão” à África pelo que foi produzido durante o período da escravidão no Brasil”,
disse Lula para constrangimento geral da Nação e dos cabo-verdianos.
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- Pesquisa: Equipe Pauta1
- Fotos: Arquivo Nacional – RJ
- Vídeo: CanalGov – 2016
Conhecendo a História
Peixe pré-histórico que viveu há mais de 250 milhões de anos foi encontrado com ajuda de pesquisadores do Rio
Nova espécie, que sobreviveu por pouco ao impacto do meteorito que causou a maior extinção em massa da história do planeta, revela detalhes de um ecossistema de 254 milhões de anos
Por Felipe Lucena* | Rio de Janeiro (RJ)
Uma nova espécie de peixe pré-histórico, que viveu há cerca de 254 milhões de anos, pouco antes da maior extinção em massa da história do planeta, acaba de ser apresentada em um estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
O fóssil, encontrado no município de Alto Garças, em Mato Grosso, está excepcionalmente preservado e oferece uma rara oportunidade de conhecer a vida existente no continente sul-americano nos momentos que antecederam uma das maiores transformações da história da Terra.
Os professores Valéria Gallo e Francisco J. de Figueiredo, do Departamento de Zoologia da Uerj, participaram da descrição científica do animal, incluindo investigação, análise morfológica, descrição e validação do estudo. A nova espécie foi batizada de Leolepis matogrossensis e representa um achado raro em escala mundial entre os peixes continentais do Permiano Superior.
A nova espécie pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios) que reúne cerca de 96% dos peixes vertebrados atualmente existentes, incluindo espécies como atum, salmão e bacalhau. O animal tinha aproximadamente 15 centímetros de comprimento e apresentava uma característica marcante: seu corpo era protegido por escamas resistentes formadas por dentina e esmalte, os mesmos materiais encontrados nos dentes humanos.
O grau de preservação torna o achado especialmente relevante. Enquanto grande parte dos peixes dessa idade encontrados no Brasil é conhecida apenas por dentes, escamas ou fragmentos ósseos isolados, o exemplar de Leolepis conserva praticamente todo o corpo. O estudo o classifica como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado no estado de Mato Grosso, além de representar um achado raro em escala mundial.
Um retrato da vida antes da maior extinção do planeta
O peixe viveu durante o Permiano Superior, em um grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior existente quando a América do Sul e a África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana.
Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas. O fóssil, portanto, ajuda a reconstruir parte de um ecossistema que existia pouco antes da chamada extinção Permo-Triássica, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos. O evento foi o maior episódio de extinção em massa conhecido pela ciência: cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas desapareceram.
Um peixe que viveu perto de uma cratera de asteroide
Há ainda uma coincidência geológica que torna a descoberta particularmente interessante: o fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul.
Formada pelo impacto de um asteroide estimado em 2 a 3 quilômetros de diâmetro, a estrutura possui aproximadamente 40 quilômetros de diâmetro. O impacto ocorreu em período próximo ao final do Permiano, quando Leolepis ainda fazia parte daquele ecossistema.
O evento de Araguainha pode ter causado efeitos ambientais regionais importantes, embora as evidências disponíveis não permitam apontá-lo como a principal causa da extinção em massa do final do Permiano.
Uma nova espécie para entender a evolução dos peixes
Além de registrar uma espécie até então desconhecida, a pesquisa contribui para ampliar o conhecimento sobre a evolução dos actinopterígios, grupo extremamente diverso que domina a fauna de peixes atual. O resultado ajuda a compreender a diversidade, a distribuição geográfica e a evolução desses peixes durante o Permiano.
A descoberta também é importante porque o registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul ainda é considerado pouco conhecido. A pesquisadora Valéria Gallo, envolvida na descrição do fóssil, afirma que “por estar excepcionalmente preservado, o exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas”.
O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. O nome Leolepis é uma homenagem ao geólogo, enquanto matogrossensis faz referência ao estado brasileiro onde o fóssil foi encontrado.
Para os pesquisadores, a descoberta também indica que ainda podem existir outros fósseis importantes a serem encontrados não apenas no Brasil, mas em diferentes regiões da América do Sul.
Pesquisa reúne instituições brasileiras e internacionais
O estudo foi realizado por uma equipe formada por pesquisadores vinculados à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Natural History Museum, de Londres, e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), entre outras colaborações internacionais.
Participaram da pesquisa Martha Richter, do Natural History Museum; Francisco J. de Figueiredo e Valéria Gallo, da Uerj; Raoul J. Mutter, pesquisador associado à área de paleontologia; Gerson Souza Saes, da UFMT, e Dharani Sundaran. A análise contou ainda com dados comparativos fornecidos pela pesquisadora Sam Giles, da University of Birmingham.
O fóssil permanece depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de O fóssil permanece depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso, sob o registro UFMT-353 a,b.
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- Matéria do Diário do Rio – Conteúdo
- Foto destaque: Divulgação
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