Obra Impactante
Ecovias inicia obras do Contorno de Fundão na BR-101 com investimento de R$ 247 milhões
Trânsito
Novo trecho de 7,2 quilômetros deve desviar o tráfego de veículos pesados da área urbana e aumentar a segurança viária
A Ecovias Capixaba, concessionária que administra a BR-101 no Estado, anunciou o inpicio das obras do Contorno de Fundão. O projeto tem objetivo de aumentar a segurança viária e reduzir impactos da circulação de carretas e caminhões na área urbana da região. As obras começaram nesta quinta-feira (16) e devem resultar em um contorno de 7,2 quilômetros de extensão. Ou seja, fica entre os quilômetros 222,9 e 231,9 da BR-101. O investimento é de R$ 247 milhões.
Entre as principais intervenções previstas estão a construção de um retorno em nível. Além de dois dispositivos de retorno em desnível e nove Obras de Arte Especiais (OAEs), como pontes e viadutos. A expectativa é que a obra gere cerca de 1.700 empregos diretos e indiretos.
As primeiras atividades da obra envolvem os serviços de supressão vegetal e limpeza da área, que em seguida acontecerão as etapas de drenagem e terraplenagem.
A construção deve beneficiar não apenas os moradores dos municípios, mas também o transporte de cargas e passageiros que utilizam o corredor rodoviário que conecta os estados da Bahia e do Rio de Janeiro à Região Metropolitana de Vitória.
“Agora, com os contornos de Fundão e Ibiraçu em execução simultaneamente, avançamos em duas intervenções estratégicas que vão transformar a mobilidade na região Norte do Estado. São obras que ampliam a segurança viária, melhoram a fluidez do tráfego, reduzem a circulação de veículos pesados nos perímetros urbanos e contribuem para o desenvolvimento econômico do Espírito Santo”, Roberto Amorim, diretor-superintendente da Ecovias Capixaba
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- Fonte: Ecovias Capixaba
- Foto destaque: Divulgação / Ecovias Capixaba
Trânsito
Casarão, cafezal, cerimonial e madeireira: o que está no caminho da obra de duplicação da BR-101
Famílias e empresas afetadas estão em negociação com a Ecovias para definição do valor das indenizações pela desapropriação
Por Patrícia Maciel*
Uma plantação de café, um cerimonial, um casarão centenário e uma madeireira são algumas das áreas que estão no caminho das obras do Contorno da BR-101 em Ibiraçu, dentro do projeto de duplicação da rodovia na cidade, que fica no Norte do Espírito Santo. No total, cerca de 20 terrenos devem ser desapropriados para a construção da nova pista.
As famílias e empresas afetadas já estão em processo de negociação com a Ecovias para definição do valor das indenizações. A maioria dos proprietários ouvidos pela reportagem do Folha Vitória se diz insatisfeita com o valor estabelecido pela concessionária.
Mesmo assim, dizem que devem ceder e entregar as terras, pois já tentaram todas as alternativas na Justiça ou por meio de acordo.

O funcionário público aposentado Adauri Della Valentina é um dos afetados. Ele tem um cerimonial construído em um terreno vizinho ao casarão centenário da família Perut, que também está em processo de desapropriação.
Adauri tem 83 anos e há 15 tem investido na casa de festas. O proprietário conta que a concessionária ofereceu pouco mais de R$ 1 milhão pelo terreno, onde também há uma marcenaria e um chalé que é alugado para turistas.
Após mais de 10 reuniões de negociação com a Ecovias, Adauri conseguiu que o valor da indenização aumentasse, mas o acréscimo é irrisório, segundo ele. O dono disse que, se tivesse opção, não venderia a propriedade nem por R$ 3 milhões.
“Mas não tem jeito. Eu fiz tudo o que estava ao meu alcance. Agora eu pedi um prazo maior, e eles me deram até o fim de junho para sair”, relatou.
Prejuízo com plantação de café

Foto: Arquivos pessoais
O agricultor Lupiciano Marcos Peruch calcula um alto prejuízo com a desapropriação de cerca de três hectares de terra, onde está a plantação de café da família. A nova rodovia vai cortar a propriedade ao meio. “Hoje o café representa 90% da renda da nossa família. O impacto disso será muito grande para nós”, disse o proprietário.
O agricultor ainda está tentando negociar com a concessionária o valor do pedaço de terra que será desapropriado. Para ele, o valor da indenização estabelecido inicialmente é injusto. O dono calcula que cada hectare valha entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, mas a concessionária ofereceu cerca de R$ 100 mil por hectare.
“Não é certo considerarem apenas o valor que a propriedade vale no momento. Tem que levar em consideração o que vamos perder ao longo dos anos. É nossa fonte de renda e das próximas gerações”, reclamou Lupiciano.
Outro local que será atingido é a propriedade do marceneiro Marcelo Nunes. Ele contou ao Folha Vitória que a Ecovias ofereceu R$ 14 mil por uma parte de seu terreno com cerca de 360 m².
“Penso que não foi tão justo, mas infelizmente é assim que funciona: um tem que ceder pelo bem maior, não é assim que dizem? Eu sei que a obra vai ser boa para o município. Agora eu só quero que isso seja resolvido o mais rápido possível, porque é muita dor de cabeça”, desabafou.
A decisão sobre a indenização do terreno de Nunes foi tomada em reunião nesta terça-feira (17). O Folha Vitória conversou com outros proprietários de terra na região que ainda estão em processo de negociação com a Ecovias, inclusive o dono de uma madeireira. Mas sobre esse terreno, ainda não há decisão tomada.
Casarão centenário está na lista das desapropriações
A reportagem do Folha Vitória acompanha desde outubro do ano passado a situação da família Perut. Treze pessoas de quatro gerações da família vivem em um casarão que tem mais de 100 anos e abriga as obras do artista plástico capixaba José Paulo Dileta.
Entre os moradores, estão a matriarca da família, Aurora Perut Barbosa, de 100 anos, e o patriarca, Pedro Barbosa, de 97. Eles têm até o dia 26 de março para sair do imóvel.
O neto do casal, Daniel Perut, tenta realizar o tombamento do casarão, tanto em nível municipal quanto federal. A ideia, com o reconhecimento da importância histórica do imóvel, era evitar a desapropriação e fazer com que a Ecovias Capixaba refizesse o trajeto da rodovia, desviando do imóvel dos Perut.
Mas, à medida em que o tempo corre, Daniel disse que percebe que não vai conseguir evitar a perda do imóvel. “Infelizmente eu vou ter que ceder. Não é da minha vontade nem da família, mas não temos alternativa. Mas é uma pena, pois vai se perder uma parte da história de Ibiraçu”, lamentou.
Além do valor histórico e cultural do casarão, Daniel afirma que o valor financeiro do imóvel também não foi devidamente reconhecido. O representante da família contou que o valor oferecido pela concessionária foi de menos de R$ 1 milhão. No entanto, segundo ele, o valor calculado por um avaliador particular foi de R$ 6 milhões.
“Eu sei da importância e da necessidade da estrada, mas tinham que analisar a situação de dois idosos que estão no final da vida. Não é um valor justo. E não é suficiente para dar um final de vida com dignidade para os meus avós. Mas vamos fazer, da nossa forma, tudo o que for possível para cuidar deles e deixá-los confortáveis”, relatou.
Família busca reconhecimento de casarão como patrimônio histórico
Daniel vem tentando realizar o tombamento do casarão, mas não teve sucesso. O representante da família Perut afirma que tem buscado o apoio da Prefeitura de Ibiraçu há meses, mas a resposta foi que o município decidiu pela inviabilidade do tombamento, baseando-se, segundo a Procuradoria-Geral do município, em análises técnicas promovidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O parecer está em documento anexado ao processo de desapropriação. O Iphan, por sua vez, respondeu à defesa dos Perut que, apesar de o imóvel não ser tombado em nível federal, não há impedimento para que o reconhecimento seja feito em nível municipal, “se houver valores histórico, artístico e cultural local”. A resposta do órgão, enviada por e-mail, também está anexada ao processo.
O Folha Vitória tem tentado contato tanto com a Prefeitura de Ibiraçu quanto com o Iphan. No dia 3 de outubro de 2025, o Iphan informou que “o imóvel citado não é tombado por esta Autarquia. O Instituto só se pronuncia sobre assuntos relacionados a patrimônios tombados e registrados em nível federal”.
Ao longo do mês de março vigente, foram feitos diversos contatos com o órgão, porém as demandas ainda não foram respondidas. Já a prefeitura respondeu apenas que “o processo está em análise do executivo”. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
O que diz a Ecovias?
O Folha Vitória procurou a Ecovias para levar o questionamento dos proprietários dos terrenos sobre o baixo valor oferecido pelas áreas. A empresa respondeu que os valores de indenização seguem rigorosamente critérios técnicos estabelecidos na legislação vigente.
“Para cada imóvel é realizada vistoria detalhada, com medições e levantamento das características da área, que subsidiam a elaboração do Relatório de Metodologia Avaliatória (RMA), aprovado pela ANTT. Esse estudo define parâmetros objetivos para a avaliação, assegurando isonomia e transparência em todo o processo”, diz a nota enviada.
A concessionária afirmou que permanece aberta ao diálogo com os proprietários, “tendo, desde o início, buscado conduzir as tratativas de forma respeitosa, transparente e com foco na construção de soluções consensuais”.
Em relação ao casarão centenário, a Ecovias disse que eventuais prazos e condições relacionados à desocupação estão sendo tratados no âmbito do processo judicial em andamento.
“A Ecovias seguirá cumprindo todas as determinações legais e decisões judiciais, mantendo-se disponível para o diálogo com a família ao longo de todo o processo”, afirmou em nota.
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- Folha Vitória – Conteúdo
- Foto Destaque: Divulgação / Ecovias
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