Prejuízos Ambientais
Agilidade para vencer desafios climáticos
Meio Ambiente
Mais de 80% dos municípios brasileiros são vulneráveis a desastres no país. Candidatos nas eleições de 2026 devem definir políticas e investimentos para adaptação e prevenção
Por Rafaela Gonçalves* | Brasília (DF)
Mais de 80% dos municípios brasileiros apresentam vulnerabilidade média, alta ou muito alta a desastres geo-hidrológicos, como inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos. O cenário aumenta a pressão sobre os governantes que serão escolhidos nas eleições de 2026, responsáveis por definir investimentos, políticas de prevenção e estratégias de adaptação diante do avanço dos eventos extremos.
Um levantamento do Observatório do Clima, com base em dados do AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mostra que cerca de 4,5 mil dos 5,5 mil municípios brasileiros estão nos três níveis mais altos de vulnerabilidade. O indicador considera tanto a exposição das cidades aos eventos climáticos quanto a capacidade de enfrentar seus impactos.
O risco também é elevado. Apresentam risco médio, alto ou muito alto de inundações, enxurradas e alagamentos. Em 1.513 cidades, 27% do país, o risco é alto ou muito alto. Para deslizamentos, 2.930 municípios, ou 53%, estão nos três níveis mais elevados de risco. Em 1.041 cidades, 19% do total, o risco é alto ou muito alto.
Das capitais, Salvador (BA) tem a maior combinação de riscos de inundação e deslizamento, seguida por Belém (PA), Manaus (AM) e Macapá (AP). O Nordeste concentra cinco das 10 capitais com maior risco, entre elas Recife (PE), Maceió (AL), João Pessoa (PB) e Aracaju (SE).
A vulnerabilidade também é determinada pelas condições sociais e pela infraestrutura disponível. Populações de menor renda tendem a ocupar áreas mais expostas e têm menos recursos para enfrentar e se recuperar dos desastres. “Famílias de menor renda tendem a ocupar áreas mais expostas e dispõem de menos recursos para enfrentar eventos extremos”, afirma Henrique Frota, diretor-executivo do Instituto Pólis.
Enfrentamento
A resposta depende de políticas públicas que envolvem diferentes níveis de governo. Cabe aos municípios atuar em áreas como drenagem, habitação, saneamento, ordenamento territorial e Defesa Civil. Estados e União, por sua vez, têm papel decisivo no financiamento, na infraestrutura, no monitoramento e na coordenação das ações.
O desafio é agravado pela situação fiscal de parte das prefeituras. Segundo o Observatório do Clima, 28,6% dos municípios brasileiros estavam em situação de vulnerabilidade climática e fiscal. São cidades que precisam investir em adaptação, mas têm dificuldade para acessar crédito e financiar obras.
A experiência de Encantado, no Rio Grande do Sul, mostra como decisões de governo podem reduzir riscos. Depois das enchentes de 2023 e 2024, o município criou um centro de resiliência climática e passou a usar inteligência artificial para monitorar rios e barragens e antecipar possíveis inundações. A prefeitura também instalou rotas de fuga, pontos de encontro e estruturas para manter comunicação, energia e abastecimento durante emergências.
- Matéria do Correio Braziliense – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Evandro Leal / Estadão
Meio Ambiente
Sooretama recebe seminário para preparar produtor rural para o El Niño
Evento reúne Incaper, Defesa Civil e instituição financeira no dia 18 de agosto, às 16h, na Câmara Municipal; entrada é gratuita
Com a previsão de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026, os produtores rurais de Sooretama e região têm um encontro marcado com o futuro da lavoura. No dia 18 de agosto, terça-feira, a partir das 16 horas, a Câmara Municipal sedia o Seminário “El Niño e a Agricultura: Impactos, Monitoramento e Planejamento para o Produtor Rural”, promovido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com o apoio da Defesa Civil e do Incaper. O objetivo é transformar o alerta climático em informação prática para dentro da porteira.
A preocupação não é teórica. Nota técnica conjunta do INPE, Inmet, Funceme e Censipam, divulgada em abril, apontou probabilidade superior a 80% de o fenômeno se configurar ainda neste semestre, com projeções que ultrapassam 90% a partir da primavera. Para o Espírito Santo, o cenário acende o sinal de atenção: as análises indicam redução das chuvas e temperaturas mais altas, condições que ameaçam diretamente a cafeicultura, uma das principais atividades econômicas da região, tanto na colheita quanto na florada da próxima safra.
A programação foi montada para responder às perguntas que o produtor faz no dia a dia. Quem abre o evento é o meteorologista Ivaniel Fôro Maia, agente de pesquisa e inovação em desenvolvimento rural do Incaper, que explica o fenômeno El Niño: o que é, por que acontece e o que se pode esperar para os próximos meses. Na sequência, o engenheiro agrônomo Rodrigo Altoe, pesquisador com foco na cafeicultura, apresenta o que o produtor pode fazer para mitigar os impactos na colheita e como agir em cenário de crise.
O monitoramento oficial também ganha espaço. O Capitão BM Amarildo, chefe da Repdec de Linhares, mostra como o estado acompanha o fenômeno e emite os alertas, além de explicar de que forma a população pode se manter informada em tempo real. Fechando a programação, Elizangela Honorato, gerente da agência do Sicredi, aborda o planejamento financeiro e os instrumentos de apoio ao produtor rural em cenários de eventos climáticos extremos: linhas de crédito rural para custeio e investimento, crédito emergencial quando disponível, renegociação de operações prevista na legislação e nas normas do crédito rural, além do funcionamento do seguro rural, das coberturas disponíveis e dos benefícios para reduzir perdas financeiras. A palestra também traz orientações sobre organização financeira da propriedade e formação de reserva para períodos críticos.
O evento é gratuito e encerra com espaço para perguntas, quando os produtores poderão esclarecer dúvidas sobre crédito, seguro rural e atendimento. Quem planta sabe que informação chega na hora certa vale tanto quanto chuva na lavoura, e o seminário é a chance de chegar preparado ao próximo ciclo.
Serviço
– Seminário El Niño e a Agricultura: Impactos, Monitoramento e Planejamento para o Produtor Rural
– Data: terça-feira, 18 de agosto, às 16h
– Local: Câmara Municipal de Sooretama
– Entrada: gratuita
- Fonte: Prefeitura de Sooretama / Secretaria do Meio Ambiente / Comunicação – Conteúdo
- Foto destaque: Divulgação / PMS
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