Política Internacional
Brasil não assina comunicado que rechaça reeleição de Nicolás Maduro na Venezuela
BRASIL
Lula ainda não se pronunciou sobre a decisão do Tribunal Supremo de Justiça e telefonará ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, para coordenar uma posição comum
Brasília / DF
O governo brasileiro decidiu não assinar um comunicado conjunto dos Estados Unidos e mais dez países latino-americanos que “rechaçaram categoricamente” o reconhecimento da reeleição do ditador Nicolás Maduro na Venezuela. Em paralelo, a União Europeia também afirmou que não vai aceitar a certificação encomendada por Maduro e emitida nesta quinta-feira (22), pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) – a corte é a instância judicial máxima do país e jamais contraria o regime chavista. Os governos de Argentina, Costa Rica, Chile, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai “rechaçaram categoricamente o anúncio do TSJ”.
Esses mesmos países já haviam declarado que não reconheceriam a vitória de Maduro proclamada anteriormente pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano, sem base em dados transparentes. Segundo o grupo, tanto a corte suprema quanto órgão eleitoral na Venezuela carecem de “imparcialidade e independência”. “Somente uma auditoria imparcial e independente sobre os votos, que avalie todas as atas, permitirá garantir o respeito à vontade popular soberana e a democracia na Venezuela”, afirmaram os países no comunicado conjunto, emitido na noite desta quinta, após a decisão do TSJ ser anunciada.
Em outra frente, Josep Borrell, alto representante da União Europeia para Assuntos Estrangeiros de Política de Segurança, disse nesta sexta-feira, que o bloco não aceitará a certificação da corte chavista, sem que o tribunal emita qualquer documento comprobatório. “Estamos dizendo que este resultado eleitoral deve ser comprovado. Até o momento, não vimos nenhuma prova. Enquanto não virmos um resultado verificável, não vamos reconhecê-lo”, disse Borrell, que exerce função similar à de um chanceler dos 27 países do bloco.
O TSJ validou a reeleição de Maduro na disputa presidencial realizada em 28 de julho, em decisão que não surpreendeu o governo brasileiro. A corte, porém, não tornou públicos documentos que embasaram seu pronunciamento e decidiu colocá-los sob custódia judicial. O tribunal afirma ter conduzido uma perícia no material entregue pelo CNE e que sua decisão encerra o caso.
A presidente do TSJ, Caryslia Rodriguez, disse que os peritos “certificam inquestionavelmente o material da perícia e validaram os resultados emitidos pelo CNE onde Nicolás Maduro foi eleito”. “Com base nos resultados da perícia, concluímos que os boletins do CNE estão respaldados pelas atas emitidas pelas máquinas de votação e mantêm plena coincidência com os registros das bases de dados”, afirmou a magistrada.
O Estadão questionou a Presidência da República e o Itamaraty sobre o posicionamento oficial do País após a ratificação da reeleição na Corte, mas, até a publicação deste texto, não havia sido enviada uma resposta. Apesar do posicionamento dos demais países, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se pronunciou sobre a decisão do Tribunal Supremo de Justiça e telefonará ao presidente da Colômbia, para Gustavo Petro coordenar uma posição comum.

Lula já indicou que não está disposto a reconhecer a reeleição do ditador e aliado Nicolás Maduro, mesmo depois do endosso emitido por um tribunal controlado pelo regime. A tendência é que também divulguem uma nota conjunta, com teor que não altera posições anteriores. A decisão do TSJ também tornou mais difícil que Lula atenda a um pedido de telefonema de Maduro, feito há mais de 20 dias. O petista sugeriu que Petro participasse. Desde então, ambos têm manifestado publicamente em entrevistas visões conflitantes.
Maduro já rechaçou as ideias propostas por Lula e Petro, entre elas a realização de novas eleições com garantias especiais aos dois lados. O ditador acusou Lula e Petro de promoverem uma “diplomacia de microfone”, sugeriu que os aliados se intrometiam em assuntos domésticos do país e exigiu que o pronunciamento da Corte Suprema fosse respeitado. A realização da chamada telefônica foi discutida nas últimas horas. Desde a manifestação oficial do TSJ, auxiliares de Lula entraram em cena para discutir que caminho tomar, diante da decisão de Maduro de tentar encerrar a disputa pela via judicial
Integrantes do governo a par da articulação dizem que o Brasil não vai ceder. Na semana passada, o governo brasileiro – por meio de Lula e do assessor especial Celso Amorim – anunciaram pela primeira vez que não reconheceriam um presidente eleito na Venezuela, enquanto as atas eleitorais que atestassem a votação não fossem publicadas, a fim de permitir uma verificação imparcial. Um dos interlocutores de Amorim, o líder chavista Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, provocou o ex-chanceler exigindo que a Justiça do país seja respeitada no mundo todo. Em declaração, ele comparou o processo eleitoral venezuelano ao brasileiro e disse – “ouviu, senhor Celso Amorim?”.
Desde a votação em 28 de julho, um impasse político tomou conta da Venezuela e mobilizou a comunidade internacional. O regime e a oposição, na figura do candidato Edmundo González, reclamam ter vencido a disputa pelo Palácio Miraflores, que poderia pôr fim ao regime chavista após 25 anos. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão que promove as eleições e também é chefiado por aliados do presidente venezuelano, proclamou Maduro vitorioso com 52% dos votos contra 43% de González. O conselho afirmou ter sofrido um ataque de hacker e, mudando o costume, não divulgou qualquer ata das mesas de votação que comprove sua contagem.
A oposição, por sua vez, coletou e divulgou online cópias de atas que mostram uma vitória de González por 67% dos votos contra 30% de Maduro. Os documentos publicados correspondem a cerca de 25 mil atas de votação – 82% do total. Instituições independentes verificaram essa documentação e a reputaram como confiável.
Os Estados Unidos, a União Europeia e países latino-americanos declararam reconhecer que González conseguiu demonstrar sua vitória. Outros países como China e Rússia reconheceram Nicolás Maduro. Desde o pronunciamento do TSJ, as tratativas diplomáticas incluíram telefonemas de alto nível político, entre o chanceler Mauro Vieira e seus homólogos da Colômbia e outros países da região. Parte deles já se manifestou em viés crítico.
Embaixadores envolvidos nas conversas entendem que o cenário está mais complicado e que deve aumentar agora a pressão sobre Maduro, depois que ele fechou ainda mais as portas a qualquer tentativa de mediação. O risco de recrudescimento do regime também preocupa.
Houve ao menos 23 mortes e entre 1,5 mil e 2,4 mil encarceramentos – sendo centenas de crianças e adolescentes. Entidades de direitos humanos e o regime chavista diferem na contagem, sendo que as forças oficialistas divulgam os números mais dramáticos, algo interpretado como uma estratégia de causar temor. Lideranças da oposição, como González e Maria Corina Machado, também estão na mira e disseram atuar agora escondidos na clandestinidade.
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* Fonte: O Estadão
* Fotos: Reprodução / AFP
BRASIL
Criança é mordida por tubarão no Grande Recife
Praia de Piedade é a que mais concentra ataques de tubarão na região, que é conhecida por ser um ponto de foco da espécie
Por Isac Mascarenhas*
O ataque de um tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, feriu a perna e a mão esquerda de um garoto de 11 anos, na tarde deste domingo (31/5). De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE), a criança foi socorrida ainda na areia e levada ao Hospital da Restauração Governador Paulo Guerra, onde está no centro cirúrgico.
Até a publicação desta matéria, a unidade hospitalar informou que o garoto está sendo atendido por equipe multiprofissional, mas não relatou o estado de saúde dele.
O garoto tomava banho há poucos metros da orla quando foi mordido pelo tubarão às 13h40, horário em que outros banhistas acionaram os bombeiros. Três viaturas e oito militares foram necessários para atender a ocorrência.
Antes de ser encaminhada ao Hospital da Restauração, o garoto chegou a ser transportado pelo SAMU para o Hospital da Aeronáutica, à poucos quilômetros da praia. Vídeos que circulam na internet mostram a criança numa maca e tumulto entre as pessoas que acompanhavam.
Piedade é praia que mais concentra ataques de tubarão na Grande Recife, região conhecida por ser um ponto de foco da espécie — várias praias são fechadas para o banho ao mar, justamente pelo risco de incidentes.
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- Correio Braziliense – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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