Conhecendo a História da Cidade
Minha Rua Tem História | Paulino Müller
Curiosidade & Conhecimento
Desta vez, não é uma rua, mas uma avenida: a Paulino Müller, localizada na Ilha de Santa Maria, em Vitória.
Todo cidadão que dedica sua vida a contribuir para o desenvolvimento de sua terra e, por sua atuação, alcança reconhecimento público acaba, muitas vezes, sendo homenageado após a morte com seu nome em ruas, avenidas, praças e outros espaços públicos. Alguns, em âmbito nacional, chegam a emprestar seus nomes a cidades, monumentos e grandes obras que marcaram a sociedade.
Avenida Paulino Müller, antiga 15 de Novembro, construção a partir de 1923.
Paulino Müller foi um desses personagens. Em Vitória, capital do Espírito Santo, uma importante avenida da região da Ilha de Santa Maria recebeu seu nome. A via começa na confluência com a Avenida Mascarenhas de Moraes, a conhecida Beira-Mar, e segue em direção a Jucutuquara.

Aspecto atual da Avenida Paulino Muller, Ilha de santa Maria
Quem foi Paulino Müller?
Paulino Müller foi médico, político e administrador público. Teve atuação de destaque na vida pública de Vitória, onde exerceu funções importantes, entre elas a de secretário de Educação e Saúde Pública. Posteriormente, esteve à frente da administração da capital capixaba.
Dr. Paulino Muller foi assassinado em 1938. Ex prefeito de Vitória. Hoje nome de importante avenida da capital capixaba
Sua trajetória foi marcada pela participação na gestão pública e por iniciativas relacionadas à organização dos serviços municipais e ao desenvolvimento urbano de Vitória.
Inicialmente, destacou-se na Secretaria de Educação e Saúde Pública, áreas consideradas fundamentais para a estruturação dos serviços oferecidos à população.
Mais tarde, assumiu a administração da capital, em uma época em que a denominação do cargo correspondente ao de prefeito ainda era diferente da atual. Durante sua passagem pela administração municipal, participou da condução de obras e de iniciativas voltadas à infraestrutura urbana.
Sua atuação ocorreu em um período de transformações, quando Vitória começava a experimentar mudanças significativas em sua estrutura urbana e administrativa.
A homenagem
Em reconhecimento à sua atuação e aos serviços prestados à capital capixaba, uma das importantes avenidas de Vitória recebeu o nome de Avenida Paulino Müller.
A homenagem contribui para manter viva a memória de um personagem que participou da vida pública do Espírito Santo nas primeiras décadas do século XX.
Dar nome a ruas, avenidas, praças e outros espaços públicos é uma prática comum no Brasil e constitui uma das formas de preservar a memória de pessoas que tiveram participação relevante na história política, administrativa, cultural, empresarial ou social de uma comunidade.
Um legado que permanece
Mais do que os cargos que ocupou, a trajetória de Paulino Müller está inserida em um período importante da formação administrativa e urbana de Vitória.
Seu nome permanece presente no cotidiano da capital capixaba por meio da avenida que leva sua homenagem, fazendo com que sua história continue sendo lembrada por milhares de pessoas que transitam diariamente pelo local.
É justamente essa a proposta da série “Minha Rua Tem História”: resgatar personagens, acontecimentos e fatos que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano, mas que ajudam a compreender a formação e a memória das cidades.
A morte de Paulino Müller
Prefeito de Vitória entre 04/07/1936 a 29/11/1937.
A trajetória de Paulino Müller terminou de forma trágica. Ele foi assassinado em 26 de fevereiro de 1938, durante o período de Carnaval daquele ano.
Segundo registros históricos sobre o episódio, o autor do crime foi o ex-deputado e advogado Lauro Faria Santos.
Com a morte de Paulino Müller, ficaram viúvas sua esposa, Maria Luiza Carneiro de Campos Müller, e sua filha, Lucy, então com 15 anos.
O caso teve grande repercussão e chegou ao Tribunal do Júri ainda em 1938. Lauro Faria Santos acabou sendo absolvido pelos jurados.
A morte violenta encerrou a trajetória de um personagem que participou da vida pública capixaba em um período de importantes transformações. Décadas depois, porém, seu nome permanece registrado no mapa de Vitória, perpetuado na Avenida Paulino Müller.
E é assim que a história sobrevive: não apenas nos livros e documentos, mas também nas placas das ruas, nas avenidas e nos lugares por onde a cidade continua passando.
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- Pesquisa Pauta1
- Fotos de reportagens da época e de arquivos
Curiosidade & Conhecimento
Fazenda ‘rara’ do subúrbio do Rio segue abandonada após promessa de revitalização do Governo Federal
Por Victor Serra* | Rio de Janeiro (RJ)
Mais de um ano após ser incluída entre os 14 bens culturais fluminenses contemplados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), a histórica Fazenda Capão do Bispo, no Cachambi, Zona Norte do Rio, permanece sem qualquer intervenção de restauro. Enquanto as obras não saem do papel, o casarão do fim do século XVIII segue sendo alvo de invasões, vandalismo e furtos. Segundo apuração da reportagem, o programa destinou R$ 440 mil para a elaboração do projeto de restauração do imóvel.
Na época do anúncio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou ao DDR que o imóvel seria transformado
Patrimônio em deterioração

Sem vigilância permanente e praticamente abandonado, o casarão vem sofrendo com a retirada de portas, janelas e outros elementos arquitetônicos, além da ocupação irregular por pessoas em situação de rua. Recentemente, preservacionistas denunciaram a realização de fogueiras no interior da construção, aumentando o risco de incêndio em um imóvel tombado.
Para o ativista Marconi Andrade, da página SOS Patrimônio, a situação é crítica e coloca em risco um dos imóveis históricos mais importantes da cidade. “A Fazenda Capão do Bispo é um patrimônio fundamental para a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Foi um dos primeiros locais de cultivo de cana-de-açúcar e, mais tarde, recebeu uma das primeiras mudas de café plantadas no país. Hoje, infelizmente, a casa está completamente aberta, sem segurança e sem manutenção. Portas e janelas estão sendo roubadas, há pessoas morando no imóvel e existe um risco real de incêndio ou até mesmo de desabamento”.

Marconi afirma que grupos ligados à preservação do patrimônio precisaram se mobilizar. “Existe um risco real de incêndio e até de desabamento. Há pessoas utilizando o imóvel de forma irregular, enquanto o patrimônio permanece completamente vulnerável”.
Há cerca de quatro anos, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública pedindo medidas para garantir a recuperação do imóvel. O processo, no entanto, não produziu os efeitos esperados.
Uma fazenda que ajudou a contar a história do Brasil
A Casa do Capão é considerada um símbolo da arquitetura vernacular brasileira, e integra o Projeto Circuito de Fazendas Históricas do Rio de Janeiro. Em 1759, a fazenda foi confiscada dos jesuítas e incorporada à Coroa. Dois anos depois, começou a ser leiloada. Um dos compradores foi o bispo D. José Joaquim Justiniano Mascarenhas de Castelo Branco, que construiu a casa-grande em um capão — porção de mata isolada sobre um outeiro de cerca de 20 metros de altura — origem do nome da propriedade. Durante séculos, a fazenda manteve atividades agrícolas.
Do ponto de vista arquitetônico, o casarão é uma das raríssimas casas de engenho preservadas na cidade do Rio. Conserva características típicas das edificações rurais setecentistas da Baía de Guanabara, como o pátio central e a varanda sustentada por colunas toscanas de alvenaria. Especialistas costumam comparar sua relevância apenas à da Fazenda do Colubandê, em São Gonçalo.
O imóvel foi tombado pelo Iphan ainda na primeira metade do século XX.
O que diz o Iphan
Procurado pelo DIÁRIO DO RIO, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional informou que aguarda o envio do projeto executivo de restauração pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), responsável pela condução do processo. Segundo o órgão federal, cabe ao Iphan apenas analisar e aprovar o projeto, descentralizar os recursos do Novo PAC e fiscalizar a execução das obras.
Sobre as invasões e o vandalismo registrados no imóvel, o instituto ressaltou que a manutenção dos bens tombados é responsabilidade de seus proprietários. O órgão informou ainda que, após vistoria técnica, encaminhou ofícios à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec), alertando para o descumprimento de medidas emergenciais e solicitando providências imediatas.
Entre os problemas apontados estão a falta de limpeza do terreno, o acúmulo de lixo e dejetos, a ausência de capina, o avanço da vegetação e a inexistência de vigilância efetiva no local.
- Matéria do Diário do Rio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Iphan
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