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Conhecendo a História

A Revolução dos Cravos: movimento cívico-militar que libertou Portugal da ditadura

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Curiosidade & Conhecimento

Por Paulo Borges*

Hoje, 25 de abril, comemoramos a Revolução dos Cravos, que livrou Portugal da ditadura instalada por Antônio Salazar (foto). Foi um movimento liderado pela maioria da população portuguesa que pôs fim ao Estado Novo no País, em 25 de abril de 1974, o fim do regime que durou 41 anos.

António de Oliveira Salazar - Wikiquote

O nome dado a Revolução foi inspirado no fato de os portugueses terem distribuído cravos aos soldados que lutavam para restabelecer a democracia, ausente do País por décadas. A causa desse descontentamento com o regime ditatorial que tinha sido instalado em 1933.

A Revolução dos Cravos teve consequências importantes para as colônias portuguesas na África, que conquistaram sua independência.

O processo revolucionário se encerrou com a aprovação da Constituição de 1976 e a eleição do general Antônio Ramalho Eanes. Presos políticos foram libertados, permitiu a volta de exilados e nacionalizou bancos e empresas. Provocando êxodo de empresários para o Brasil e África. O primeiro-ministro da época era o Marcello Caetano que buscou asilo político no Brasil que na ocasião ainda vivia um regime ditatorial.

Aqui abro um parêntese para registrar que conheci o ex-primeiro-ministro, Marcello Caetano (foto) e o presidente português, o almirante Américo Thomás, quando estavam exilados no Brasil. Foi no Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB), onde eu sempre ia para fazer minhas pesquisas para a elaboração de monografias e trabalhos acadêmicos para meu curso de História (antes do curso de Comunicação Social e Ciências Políticas, me formei em História).

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Da Ditadura a Democracia

Depois de ter passado pela Primeira Guerra Mundial e pela Crise de 1929, Portugal se viu diante de grandes problemas econômicos. Em um cenário instável, em 1926 o país sofreu um golpe de Estado promovido por militares. Em 1932, sob o governo do general Antonio Carmona, Antonio de Oliveira Salazar assumiu o Ministério da Fazenda, tomando decisões que favoreciam a classe média.

O apoio dessa classe logo o colocou em uma posição que permitiu que se tornasse chefe do governo. Em 1933, teve início o Estado Novo, um período nacionalista e autoritário, fortemente inspirado nas ideias da extrema-direita e nos regimes totalitários da Itália e da Alemanha.

Revolução dos Cravos: Há 48 anos Portugal libertava-se; que | Política

Naquele ano, Salazar instaurou uma nova carta constitucional que censurava os meios de comunicação, proibia os movimentos de greve e criava um sistema político unipartidário. Em se tratando de um governo autoritário, a oposição foi perseguida por meio de prisões, censura e polícia política. Foi uma das ditaduras que duraram mais tempo na Europa.

Outras questões que culminaram na Revolução dos Cravos foram a instabilidade econômica que Portugal atravessava e as guerras coloniais que já marcavam o período. Como o sistema de extravio colonial conferia uma importante fonte de renda para o país, o regime autoritário tentava sufocar os movimentos das colônias africanas que lutavam por independência.

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Portugal celebra a Revolução dos Cravos que restaurou a democracia - Hora do Povo

Nos anos 1960, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde entraram em guerra com as forças portuguesas. Os anos de conflitos coloniais só agravaram a crise econômica e o desgaste do governo.

Com a morte de Salazar, em 1968, Marcelo Caetano, que já havia desempenhado várias funções no poder público, assumiu o Executivo. Na década de 1970, o enfraquecimento do governo abriu espaço para a organização de um movimento de oposição dentro das Forças Armadas de Portugal. Em 25 de abril de 1974, os rebelados foram convocados às ruas por meio da transmissão da música Grândola, Vila Morena, de José Afonso, proibida pelo regime autoritário.

Revolução dos Cravos: como foi o movimento que pôs fim à ditadura em Portugal - BBC News Brasil

Para finalizar esta simples lembrança de um fato marcante para portugueses e toda a Europa e, por que não?, para as ex-colônias de Portugal, é relevante dizer que apenas quatro civis mortos e 45 pessoas feridas pelas balas da Direção Geral de Segurança (DGS) que tinha métodos bem semelhantes a PIDE, polícia da ditadura salazarista.

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* Pesquisa Pauta1 / Paulo Roberto Borges – jornalista e professor pós-graduado em História.

* Fotos: Reprodução / AFP / Arquivos oficiais portugueses

 

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Curiosidade & Conhecimento

Fazenda ‘rara’ do subúrbio do Rio segue abandonada após promessa de revitalização do Governo Federal

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Por Victor Serra* | Rio de Janeiro (RJ)

Mais de um ano após ser incluída entre os 14 bens culturais fluminenses contemplados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), a histórica Fazenda Capão do Bispo, no Cachambi, Zona Norte do Rio, permanece sem qualquer intervenção de restauro. Enquanto as obras não saem do papel, o casarão do fim do século XVIII segue sendo alvo de invasões, vandalismo e furtos. Segundo apuração da reportagem, o programa destinou R$ 440 mil para a elaboração do projeto de restauração do imóvel.

Na época do anúncio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou ao DDR que o imóvel seria transformado

Patrimônio em deterioração

Sem vigilância permanente e praticamente abandonado, o casarão vem sofrendo com a retirada de portas, janelas e outros elementos arquitetônicos, além da ocupação irregular por pessoas em situação de rua. Recentemente, preservacionistas denunciaram a realização de fogueiras no interior da construção, aumentando o risco de incêndio em um imóvel tombado.

Para o ativista Marconi Andrade, da página SOS Patrimônio, a situação é crítica e coloca em risco um dos imóveis históricos mais importantes da cidade. “A Fazenda Capão do Bispo é um patrimônio fundamental para a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Foi um dos primeiros locais de cultivo de cana-de-açúcar e, mais tarde, recebeu uma das primeiras mudas de café plantadas no país. Hoje, infelizmente, a casa está completamente aberta, sem segurança e sem manutenção. Portas e janelas estão sendo roubadas, há pessoas morando no imóvel e existe um risco real de incêndio ou até mesmo de desabamento”.

Marconi afirma que grupos ligados à preservação do patrimônio precisaram se mobilizar. “Existe um risco real de incêndio e até de desabamento. Há pessoas utilizando o imóvel de forma irregular, enquanto o patrimônio permanece completamente vulnerável”.

Há cerca de quatro anos, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública pedindo medidas para garantir a recuperação do imóvel. O processo, no entanto, não produziu os efeitos esperados.

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Uma fazenda que ajudou a contar a história do Brasil

A Casa do Capão é considerada um símbolo da arquitetura vernacular brasileira, e integra o Projeto Circuito de Fazendas Históricas do Rio de Janeiro. Em 1759, a fazenda foi confiscada dos jesuítas e incorporada à Coroa. Dois anos depois, começou a ser leiloada. Um dos compradores foi o bispo D. José Joaquim Justiniano Mascarenhas de Castelo Branco, que construiu a casa-grande em um capão — porção de mata isolada sobre um outeiro de cerca de 20 metros de altura — origem do nome da propriedade. Durante séculos, a fazenda manteve atividades agrícolas.

Do ponto de vista arquitetônico, o casarão é uma das raríssimas casas de engenho preservadas na cidade do Rio. Conserva características típicas das edificações rurais setecentistas da Baía de Guanabara, como o pátio central e a varanda sustentada por colunas toscanas de alvenaria. Especialistas costumam comparar sua relevância apenas à da Fazenda do Colubandê, em São Gonçalo.

O imóvel foi tombado pelo Iphan ainda na primeira metade do século XX.

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O que diz o Iphan

Procurado pelo DIÁRIO DO RIO, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional informou que aguarda o envio do projeto executivo de restauração pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), responsável pela condução do processo. Segundo o órgão federal, cabe ao Iphan apenas analisar e aprovar o projeto, descentralizar os recursos do Novo PAC e fiscalizar a execução das obras.

Sobre as invasões e o vandalismo registrados no imóvel, o instituto ressaltou que a manutenção dos bens tombados é responsabilidade de seus proprietários. O órgão informou ainda que, após vistoria técnica, encaminhou ofícios à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec), alertando para o descumprimento de medidas emergenciais e solicitando providências imediatas.

Entre os problemas apontados estão a falta de limpeza do terreno, o acúmulo de lixo e dejetos, a ausência de capina, o avanço da vegetação e a inexistência de vigilância efetiva no local.


  • Matéria do Diário do Rio – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Iphan
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