Curiosidade / Cultura
A história de um grande tesouro que pode ter sido escondido em um morro da cidade do Rio de Janeiro
Curiosidade & Conhecimento
Existem lendas que viram verdades absolutas. Talvez porque tenham acontecido mesmo. Nunca se sabe. Uma dessas ronda o Rio de Janeiro até os dias atuais
Por Felipe Lucena* – Rio de Janeiro/RJ
Existem lendas que viram verdades absolutas. Talvez porque tenham acontecido de verdade. Nunca se sabe. Uma dessas ronda o Rio de Janeiro até os dias atuais. O tesouro dos Jesuítas escondido no antigo Morro do Castelo. Será que ainda está lá?

A lenda (talvez verdadeira) conta que no Morro do Castelo, derrubado em 1922, os Padres Jesuítas ocultaram tesouros. Isso teria acontecido nos tempos coloniais, quando o Morro era posse da ordem religiosa.
“Por ser uma ordem rica, os jesuítas talvez tivessem guardado os seus tesouros nas galerias, gerando lendas e curiosidades entre a população carioca. A expulsão dos jesuítas do Morro do Castelo gerou muitas lendas na população”, escreveu a pesquisadora Catherine Beltrão, no site Arte na Rede.
Pesquisadores dizem que a lenda se originou na época das invasões francesas de 1710 e 1711 e ganhou força a partir da expulsão dos Jesuítas do Brasil, em 1759, por determinação do Marquês de Pombal.
“Dizem que aquele prédio que desabou ao lado do teatro municipal tinha um túnel secreto que foi selado com concreto depois do acidente e um funcionário disse que havia uma passagem em direção ao teatro feita de pedras e o prefeito do rio mandou jogar concreto lá”, conta o pesquisador Flávio Brandão.

O caso continuou sendo contado, inclusive, por ótimos contadores de história, como Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo (autor de “A Moreninha“) e Lima Barreto.
O tesouro seria constituído de: uma imagem de Santo Inácio de Loiola, de ouro maciço pesando 180 marcos (1 marco corresponde a 229.5 gramas); uma imagem de S. Sebastião e outra de S. José, ambas de ouro maciço pesando cada uma 240 marcos, uma imagem da Santa Virgem, de ouro maciço pesando 29marcos; a coroa da Santa Virgem, de ouro maciço e pedrarias, pesando, só o ouro, 120 marcos; 1400 barras de ouro de quatro marcos cada uma; dois mil marcos de ouro em pó; dez milhões de cruzados em moeda velha e três milhões de cruzados em moeda nova, tudo em ouro; onze milhões de cruzados em diamantes e outras pedras preciosas, um diamante de 11 oitavas, 9 quilates e 8 grãos, que não está avaliado, uma banqueta do altar-mor da Igreja, seis castiçais grandes e um crucifixo, tudo em ouro, pesando 664 marcos.
A lenda ganhou tanta força que as possíveis riquezas que poderiam encontradas lá serviriam como garantia às empresas que estivessem a serviço do desmonte do Morro do Castelo, já nos anos 1920.
Há quem defenda que, além das mudanças urbanísticas pelas quais o Rio de Janeiro passava no século XX, a história do tesouro, aceita por grande parte da população, acabou contribuindo para legitimar o arrastamento do Morro do Castelo.
O tesouro nunca foi encontrado. Mas quem quiser tentar achar, o Morro do Castelo ficava onde hoje em dia se encontra a Ladeira da Misericórdia (próxima à Rua Santa Luzia, Igreja Nossa Senhora do Bonsucesso, no Centro da Cidade). Outro acesso era a Ladeira do Poço do Porteiro – atual Cinelândia.
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*Diário do Rio – Conteúdo
* Foto/Destaque: Morro do Castelo – centro do Rio / Quadro de Schutz – Reprodução / DR
Curiosidade & Conhecimento
Fazenda ‘rara’ do subúrbio do Rio segue abandonada após promessa de revitalização do Governo Federal
Por Victor Serra* | Rio de Janeiro (RJ)
Mais de um ano após ser incluída entre os 14 bens culturais fluminenses contemplados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), a histórica Fazenda Capão do Bispo, no Cachambi, Zona Norte do Rio, permanece sem qualquer intervenção de restauro. Enquanto as obras não saem do papel, o casarão do fim do século XVIII segue sendo alvo de invasões, vandalismo e furtos. Segundo apuração da reportagem, o programa destinou R$ 440 mil para a elaboração do projeto de restauração do imóvel.
Na época do anúncio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou ao DDR que o imóvel seria transformado
Patrimônio em deterioração

Sem vigilância permanente e praticamente abandonado, o casarão vem sofrendo com a retirada de portas, janelas e outros elementos arquitetônicos, além da ocupação irregular por pessoas em situação de rua. Recentemente, preservacionistas denunciaram a realização de fogueiras no interior da construção, aumentando o risco de incêndio em um imóvel tombado.
Para o ativista Marconi Andrade, da página SOS Patrimônio, a situação é crítica e coloca em risco um dos imóveis históricos mais importantes da cidade. “A Fazenda Capão do Bispo é um patrimônio fundamental para a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Foi um dos primeiros locais de cultivo de cana-de-açúcar e, mais tarde, recebeu uma das primeiras mudas de café plantadas no país. Hoje, infelizmente, a casa está completamente aberta, sem segurança e sem manutenção. Portas e janelas estão sendo roubadas, há pessoas morando no imóvel e existe um risco real de incêndio ou até mesmo de desabamento”.

Marconi afirma que grupos ligados à preservação do patrimônio precisaram se mobilizar. “Existe um risco real de incêndio e até de desabamento. Há pessoas utilizando o imóvel de forma irregular, enquanto o patrimônio permanece completamente vulnerável”.
Há cerca de quatro anos, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública pedindo medidas para garantir a recuperação do imóvel. O processo, no entanto, não produziu os efeitos esperados.
Uma fazenda que ajudou a contar a história do Brasil
A Casa do Capão é considerada um símbolo da arquitetura vernacular brasileira, e integra o Projeto Circuito de Fazendas Históricas do Rio de Janeiro. Em 1759, a fazenda foi confiscada dos jesuítas e incorporada à Coroa. Dois anos depois, começou a ser leiloada. Um dos compradores foi o bispo D. José Joaquim Justiniano Mascarenhas de Castelo Branco, que construiu a casa-grande em um capão — porção de mata isolada sobre um outeiro de cerca de 20 metros de altura — origem do nome da propriedade. Durante séculos, a fazenda manteve atividades agrícolas.
Do ponto de vista arquitetônico, o casarão é uma das raríssimas casas de engenho preservadas na cidade do Rio. Conserva características típicas das edificações rurais setecentistas da Baía de Guanabara, como o pátio central e a varanda sustentada por colunas toscanas de alvenaria. Especialistas costumam comparar sua relevância apenas à da Fazenda do Colubandê, em São Gonçalo.
O imóvel foi tombado pelo Iphan ainda na primeira metade do século XX.
O que diz o Iphan
Procurado pelo DIÁRIO DO RIO, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional informou que aguarda o envio do projeto executivo de restauração pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), responsável pela condução do processo. Segundo o órgão federal, cabe ao Iphan apenas analisar e aprovar o projeto, descentralizar os recursos do Novo PAC e fiscalizar a execução das obras.
Sobre as invasões e o vandalismo registrados no imóvel, o instituto ressaltou que a manutenção dos bens tombados é responsabilidade de seus proprietários. O órgão informou ainda que, após vistoria técnica, encaminhou ofícios à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec), alertando para o descumprimento de medidas emergenciais e solicitando providências imediatas.
Entre os problemas apontados estão a falta de limpeza do terreno, o acúmulo de lixo e dejetos, a ausência de capina, o avanço da vegetação e a inexistência de vigilância efetiva no local.
- Matéria do Diário do Rio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Iphan
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