Coluna / Opinião
Entrelinhas da Política | Setembro – 1ª. edição
OPINIÃO

Por Paulo Roberto Borges
Eleições e Debates
O primeiro “debate” realizado pela Band, com a ausência de Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), acabou se tornando pouco relevante para grande parte do eleitorado. O que chamou a atenção, na ocasião de sua realização, foi o aparente sono profundo do vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), o Kassab.
Outro fato que chamou a atenção foi a entrevista de Lula à Record, exibida no mesmo horário do debate da Band. Pelo que se sabe, as perguntas são encaminhadas previamente para que o entrevistado possa se preparar para respondê-las. Na entrevista, Lula aproveitou a oportunidade para apresentar narrativas que, na avaliação de seus críticos, não se sustentam à luz dos fatos. Chegou a afirmar que a ex-primeira-dama Marisa Letícia teria morrido em decorrência da Lava Jato.
Lula também afirmou que Lulinha, caso seja culpado, deverá pagar pelo suposto envolvimento no esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Uma declaração que, diante das recentes movimentações políticas, ganha contornos ainda mais controversos. O encontro para um cafezinho e um jantar com o ministro do STF Alexandre de Moraes, por exemplo, foi interpretado por setores da oposição como uma tentativa de fragilizar a relatoria do ministro André Mendonça no caso.
Nas entrevistas promovidas pela Rede Globo com os principais candidatos à Presidência da República, o presidente Lula mentiu descaradamente ao falar sobre a “amiga” de seu filho, Lulinha. Disse que não a conhecia, que nunca a havia visto e ainda a classificou como “pilantra”. As declarações, porém, foram posteriormente desmentidas por várias fotografias que mostram os dois juntos.
Flávio Bolsonaro tentou explicar o pedido de recursos a Vorcaro para a produção do filme que retrata a vida de seu pai. Deu uma resposta meia-boca. Só com muita boa vontade é possível compreender suas explicações.
Zema, Caiado, Renan e Cury passaram praticamente batidos, com pouca relevância no que disseram. Foi fogo morno.
Eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vitória
As eleições para a composição da nova Mesa Diretora da Câmara de Vitória têm sido motivo de acirramento do clima político entre os vereadores Dalton Neves (Solidariedade) e Anderson Goggi (Republicanos).
A eleição deveria ter ocorrido neste mês de agosto, mas, em razão de uma ação judicial no STF, foi suspensa e adiada para depois das eleições de outubro. Diante disso, Dalton cobrou do presidente da Câmara, Anderson Goggi, a definição de uma data, alegando indignação por parte da oposição, que hoje reúne 15 dos 21 vereadores.
Goggi foi direto na resposta: a eleição será realizada após as eleições de outubro. Um gaiato, talvez interessado em apimentar ainda mais o clima, chegou a sugerir que a data poderia ser 31 de dezembro, poucos minutos antes da meia-noite, às vésperas da virada do ano.
Nos bastidores, muitas conversas e narrativas circulam. As reais intenções de ambos os lados, porém, ainda não estão claras. Por enquanto, são muitas conjecturas e poucos fatos.
Pensamento vigente em vários municípios
Existe, em vários municípios, uma corrente de pensamento que defende que os eleitores priorizem candidatos da própria cidade, em detrimento dos de fora. A exceção, evidentemente, ficaria para as disputas ao Senado, ao Governo do Estado e à Presidência da República.
A justificativa dos defensores do chamado “voto nativo” é que os recursos poderiam chegar mais rapidamente e em maior volume por meio das emendas parlamentares. O argumento tem fundamento, mas é preciso observar que um candidato da terra não necessariamente fará o jogo em favor dos interesses locais. A história mostra que alguns acabam atuando em benefício de grupos, grupelhos e camarilhas.
Além disso, nem todos os candidatos se informam ou acompanham de maneira adequada as questões estaduais, nacionais e até locais. Alguns preferem permanecer restritos à chamada “bolha municipal”, como se os acontecimentos que ocorrem fora de sua área imediata de atuação não tivessem importância. E política exige justamente o contrário: conhecimento amplo, visão de conjunto e capacidade de compreender que as decisões tomadas em outras esferas também interferem diretamente na vida do município.
Política não é profissão. Política não deve ser instrumento para servir a interesses particulares, mas, sim, para servir ao cidadão, ao Estado e ao país.
O problema é que, em muitos casos, a política virou “boquinha”, “mamar na teta”, fazer negócios, levar vantagem e, em algumas situações, até praticar atos pouco republicanos para se perpetuar no poder. Há quem minta, se locuplete e faça o jogo de grupos que estão muito distantes dos verdadeiros interesses da população.
Por isso, o eleitor precisa ser criterioso na hora de escolher seus representantes. O voto é uma das poucas ferramentas que o cidadão tem para premiar quem trabalhou pelo bem coletivo e retirar do poder quem não correspondeu às expectativas.
Se a urna eletrônica brasileira não tiver “vida própria”, como alguns insinuam de maneira irresponsável, o eleitor tem, sim, a possibilidade de eleger exatamente aquele em quem verdadeiramente votou. A escolha, no fim das contas, continua sendo do cidadão.
Aniversário da Capital capixaba

A cidade de Vitória comemora, nesta terça-feira (8), o aniversário de sua fundação. São 475 anos de história, marcados por muitas conquistas e importantes realizações, apesar dos fracassos decorrentes não apenas das circunstâncias próprias de sua formação como cidade, mas também da incompetência de alguns mandatários que estiveram à frente de seus destinos ao longo dos anos.
Nos tempos atuais, porém, podemos afirmar que a capital de todos os capixabas se tornou uma das melhores cidades do país quando o assunto é qualidade de vida. Vitória avançou muito, e um dos responsáveis por essa transformação foi o ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). Só não reconhece essa realidade quem, por má vontade ou conveniência, se recusa a enxergar a diferença entre o antes e o depois.
Atualmente, com a prefeita Cris Samorini, que assumiu a titularidade do Executivo municipal após a renúncia de Pazolini para disputar a eleição ao Governo do Estado, Vitória vem dando continuidade a esse legado deixado pelo ex-prefeito.
Samorini ainda está se inteirando de muitas questões relacionadas à administração municipal e, certamente, terá tempo para imprimir sua própria marca como gestora. Capacidade, competência e disposição para a gestão ela tem. Agora, é acompanhar os próximos passos e esperar que Vitória continue avançando.
Prestígio

O renomado escritor e jornalista Maciel de Aguiar estará participando da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo. Poucos têm esse privilégio e esse reconhecimento. Aliás, parece que o capixaba tem mais prestígio e reconhecimento fora do Estado do que dentro dele. Por aqui, às vezes, parece que “prestígio” é justamente de quem não consegue nenhum lá fora.
Maciel é escritor e jornalista e tem 145 livros publicados, uma produção literária invejável e que, por si só, demonstra sua importância para a cultura capixaba e brasileira.
Apesar de sua trajetória e de seu reconhecimento, Maciel tem sido vítima de perseguição política e de casos de plágio envolvendo parte de sua obra. Situações que, além de lamentáveis, revelam como ainda é difícil reconhecer e valorizar, dentro de seu próprio Estado, quem leva o nome do Espírito Santo para além de suas fronteiras.
____________________
Bola Dentro / Bola Fora
Bola Dentro – Do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, pela atitude de verdadeiro magistrado, ao cumprir a lei e defender a transparência, trazendo ao conhecimento do Brasil as ilicitudes atribuídas a um dos integrantes da Alta Corte.
Em tempo: na verdade, Supremo é o cidadão brasileiro e não os que lá estão.
Bola Fora – De todos aqueles que insistem em posar de mocinhos quando se sabe, diante das provas apresentadas, que não o são. Para se safarem, reúnem-se com a cúpula dos Poderes da República na tentativa de impedir que suas ações pouco republicanas cheguem ao conhecimento de toda a nação brasileira.
______________
Bloco de Notas

Fato – O Brasil está empobrecendo.
Como explicar? – Como explicar um presidente eleito que encontra dificuldades para circular pelas ruas das cidades sem ser alvo de críticas e xingamentos?
Apelido pela competência – A economista Daniella Marques é chamada por alguns de “Paulo Guedes de saia”. Sua competência, seu conhecimento sobre a economia brasileira, com seus meandros e dificuldades, além das críticas à condução econômica do atual governo, ajudam a explicar o apelido. Em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), há quem aponte seu nome como uma possível escolha para comandar o Ministério da Economia.
Sonífero – Para quem sofre de insônia, Kassab tem a receita para a cura: basta ouvir o discurso de Ronaldo Caiado, seu candidato à Presidência da República.
Solução – Para Lula, as questões de conflito no mundo podem ser resolvidas reunindo as principais lideranças para tomar um “gole”. Ao defender essa solução, que o isola ainda mais do mundo diplomático, o presidente, segundo a crítica, parecia estar alterado pelo tal gole.
Curto e Grosso – O vereador Professor Juscelino (PT), ao questionar, em Plenário, uma ação do presidente da Câmara de Vitória, Anderson Goggi (Republicanos), recebeu dele a seguinte resposta: “Você tem que se eleger prefeito da cidade”. Juscelino retrucou: “Quando a vereadora Karla Coser virar prefeita, ela vai responder”.
Conceito – Se um esquerdista entendesse de economia, talvez não fosse socialista.
A turma – É impressionante que assessores próximos ao presidente Lula estejam envolvidos em investigações relacionadas a supostas práticas ilícitas. As investigações da Polícia Federal já chegaram a pessoas do seu entorno. E ainda há o caso do filho do presidente, Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, citado em denúncias e investigações. Quando Lula conseguirá convencê-lo a voltar ao Brasil para prestar esclarecimentos?
KKKKK – O vice-presidente do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, disse que conhece Lulinha há muito tempo. Afirmou que ele vive de maneira “espartana” em Madri e que enfrenta dificuldades. É difícil levar a sério uma afirmação dessas diante das informações que circulam sobre o padrão de vida do filho do presidente. Segundo relatos divulgados, Lulinha viveria em um condomínio de luxo, com aluguel de cerca de R$ 35 mil, tendo como vizinhos os jogadores do Real Madrid Vini Jr. e Rodrygo. A pergunta que fica é: como consegue manter esse padrão de vida sem uma atividade profissional conhecida? Será que alguém banca essa conta?
Pode isso, Arnaldo?! – Não pode, mas o presidente Lula fez. Foi inaugurar uma ponte que, segundo informações divulgadas, ainda não existia. E, como se não bastasse, apresentou como obra um canal de água que mais parecia uma simples poça.
Faz falta – A implantação do voto distrital aproxima o eleitor do eleito. Já deveríamos ter essa importante ferramenta eleitoral.
Como explicar? – Lula mente com a maior tranquilidade, sem se preocupar com as consequências. Disse, em sabatina na TV, que não conhece a lobista Roberta Lushinger, apontada como suposta sócia do filho, Lulinha, e que nunca esteve com ela. Mas as fotos dos dois abraçados não provam nada?
Prole – O boneco inflável Pixuleco, que representa Lula e ganhou notoriedade por ocasião de sua prisão, agora deu cria. Nasceu o Pixulequinho, que seria o Lulinha inflável.
Enigma – O que leva um governante a valorizar adversários em detrimento de aliados leais? Seria um problema cognitivo ou, simplesmente, ingratidão?
Ele disse – Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência da República, afirmou: “No Brasil não faltam recursos; sobra ladrão”.
Fato – O Brasil não ganhou a Copa, mas é campeão quando o assunto é carga tributária. Essa realidade também pode ser apontada como parte do legado do PT para o País.
Maldade – Alguns torcedores implicantes estão dizendo que o jogador Hulk não está ficando conhecido apenas pelo futebol que joga, mas também pelo tamanho do seu traseiro.
Absurdos – Todos aqueles que denunciaram os abusos de alguns ministros do STF estão presos. E o que estamos vendo agora é uma luta que, sob o discurso de salvar a democracia, parece cada vez mais voltada à manutenção de privilégios.
Dica – Esta serve para o momento em que vivemos, principalmente neste período eleitoral: primeiro, “Temos que avaliar o político pela sua conduta. O voto vem depois.”
Anota aí – Quer saber? O Brasil não tem elite. Tem oligarquia. E, como anexo, uma “narcoligarquia”.
Prestígio – O renomado escritor Maciel de Aguiar estará participando da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo. Poucos têm esse privilégio, aliás, capixaba tem mais prestígio e reconhecimento fora do que dentro do Estado. Parece que “prestígio” por aqui é de quem não tem nenhum lá fora. Maciel é escritor e jornalista, tem quase 150 livros escritos. Uma produção invejável.
Reflexão
“A maior tragédia da vida não é a morte, e sim o que morre dentro de nós enquanto ainda estamos vivos”.
Frase atribuída a Albert Schweitzer
OPINIÃO
Entrelinhas da Política | Agosto – 1ª. edição

Por Paulo Roberto Borges
Rio de Janeiro: o Brasil de amanhã?
O Rio de Janeiro pode ser o Brasil de amanhã — ou o Brasil pode se transformar no Rio de Janeiro de hoje — se ações severas e atitudes de coragem não forem tomadas. O caos, a insegurança, a desesperança, a pobreza e a falta de perspectivas de mudança verdadeira são sintomas de uma realidade que não pode mais ser ignorada. É o resultado de uma política que, na prática, pouco tem conseguido fazer para transformar a vida das pessoas e garantir-lhes dignidade.
Temos um governo atolado em narrativas para justificar o injustificável, marcado por bravatas, contradições e pela ausência de um planejamento consistente para o País. Um governo que enfrenta graves questionamentos e que, na visão de seus críticos, não demonstra a capacidade necessária para conduzir o Brasil rumo a um futuro de desenvolvimento e prosperidade.
Lula gosta de falar. O que se espera de um presidente, porém, é que trabalhe efetivamente pelo Brasil e, sobretudo, pelas pessoas mais vulneráveis. Programas sociais são importantes e necessários para amparar quem mais precisa, mas não podem se transformar apenas em instrumentos de dependência política ou eleitoral. O verdadeiro desafio deveria ser criar condições para que essas pessoas tenham emprego, renda, educação, saúde, segurança e oportunidades para construir uma vida melhor.
Andando pelo meu Rio de Janeiro e visitando lugares onde vivi antes de me mudar para o Espírito Santo, percebo que muita coisa mudou — e, infelizmente, para pior. É importante destacar que o Rio não se resume à Zona Sul e à Zona Oeste, regiões onde passei minha adolescência, juventude e parte da vida adulta.
Em bairros próximos ao Centro, é perceptível o abandono: ruas sujas, espaços públicos degradados e dezenas de pessoas vivendo nas ruas, muitas delas em situação de extrema vulnerabilidade. O cenário impressiona e revela um problema social que se agrava a cada dia.
O ex-prefeito Eduardo Paes, a quem admiro, sempre destacou as realizações de suas administrações. E é verdade que houve importantes obras e avanços durante seus governos. O problema é que essas benfeitorias não chegaram, na mesma proporção, a grande parte dos moradores das regiões mais afastadas das áreas tradicionalmente valorizadas da cidade. Isso é perceptível a olhos nus para quem percorre diferentes bairros do Rio.
Paes se prepara para disputar o Governo do Estado. Lidera as pesquisas divulgadas até aqui e aparece como um dos principais nomes na disputa eleitoral de outubro. Foi um bom prefeito e, caso seja eleito governador, espera-se que consiga transformar sua experiência administrativa em ações capazes de enfrentar os enormes desafios do Estado do Rio de Janeiro.
O Rio precisa reencontrar o caminho do desenvolvimento, da segurança, da organização urbana e, principalmente, da esperança. Mais do que discursos e promessas, a população precisa de resultados concretos. E isso exige coragem, planejamento, responsabilidade e, acima de tudo, compromisso verdadeiro com as pessoas.
Será o Rio de hoje o Brasil de amanhã?
O melhor vice para Pazolini?
Sempre defendi que um dos melhores nomes para compor a chapa majoritária com Lorenzo Pazolini (Republicanos) seria o ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon (PSD). Seria uma composição politicamente forte, capaz de agregar experiência administrativa, votos e representatividade, especialmente no Norte do Espírito Santo.
Para isso, seria fundamental uma composição entre o PSD e o Republicanos. Mas, na política, nem sempre prevalece aquilo que parece melhor para o eleitor. Prevalecem, muitas vezes, os interesses dos partidos, dos caciques e dos grupos que controlam as legendas.
O PSD, comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, parece seguir à risca a cartilha do velho pragmatismo político: não se comprometer demais, manter todas as portas abertas e esperar até o último momento para decidir de que lado ficar. É a política do “vamos ver quem ganha para depois escolher o vencedor”.
Kassab é um dos maiores expoentes desse modelo político que se convencionou chamar de Centrão. Um modelo no qual princípios e convicções parecem ser flexíveis, enquanto cargos, espaços e poder permanecem como prioridades permanentes.
É difícil acreditar em um projeto político quando o partido prefere deixar todas as opções sobre a mesa, aguardando o resultado das urnas para, então, aproximar-se de quem venceu.
Isso não é exatamente estratégia. É sobrevivência política.
E é justamente esse tipo de comportamento que alimenta a descrença da população na política e nos políticos. O eleitor é chamado a escolher um projeto, defender uma ideia e acreditar em propostas. Já alguns partidos preferem não escolher lado algum antes de saber quem terá mais chances de vitória.
O Centrão tornou-se, infelizmente, o símbolo maior dessa política sem identidade, sem convicção e sem compromisso ideológico. Uma política que transforma princípios em moeda de troca e o interesse público em instrumento de negociação pelo poder.
E depois ainda perguntam por que o brasileiro está cada vez mais descrente da política.
O vice de Flávio Bolsonaro
Demorou, mas a escolha do vice para compor a chapa majoritária do PL que disputará a Presidência da República foi definida. O deputado federal Alfredo Gaspar, do PL de Alagoas, foi o escolhido.
Bastou o anúncio de seu nome para começarem os ataques e as tentativas de desqualificação, muitas delas, diga-se de passagem, sem fundamento. Segundo seus apoiadores, essas narrativas já haviam sido contestadas desde março deste ano.
Naquela ocasião, houve uma articulação política atribuída ao PT com o objetivo de desqualificar Alfredo Gaspar, então relator da CPMI do INSS. Durante os trabalhos da comissão, o parlamentar defendeu, entre outras medidas, a prisão de envolvidos nas investigações, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Os principais nomes apontados como responsáveis pelos questionamentos contra Gaspar foram Lindbergh Farias e Soraya Thronicke. Na retaguarda, segundo essa versão, estaria o PT dando suporte à articulação.
Como mudar o Brasil na política?
Muito se fala sobre mudanças nas esferas de poder do nosso país. Todos defendem mudanças, mas, na prática, muitos daqueles que discursam a favor delas não parecem dispostos a abrir mão de poder e privilégios.
O Brasil precisa discutir uma ampla reforma do Estado, e a política não pode ficar de fora desse debate. É fundamental pensar e implementar mudanças que ampliem a eficiência, a transparência e a representatividade das instituições.
Entre as propostas que podem ser debatidas estão a redução da quantidade de partidos, com mecanismos que dificultem a criação de novas legendas e estimulem a união de grupos com ideologias semelhantes; o aperfeiçoamento do financiamento público das campanhas, com regras mais rígidas de distribuição e fiscalização dos recursos; a ampliação da transparência, obrigando candidatos e partidos a divulgarem de forma clara todas as receitas e despesas eleitorais; e mudanças no sistema eleitoral, como a discussão sobre o voto distrital ou listas partidárias, buscando aproximar o eleitor de seus representantes.
Mudanças dessa natureza podem contribuir para fortalecer a democracia, melhorar a eficiência do Estado e aumentar a confiança da sociedade nas instituições.
Mas nenhuma reforma será suficiente sem a participação efetiva da sociedade. É preciso que cidadãos, entidades representativas e instituições participem do debate e cobrem mudanças que contribuam para a construção de um Brasil mais justo, transparente e eficiente.
Atentado à liberdade de imprensa e à democracia

Os que se dizem defensores da democracia, mas que se calaram quando ações semelhantes atingiram adversários do atual sistema e do governo, agora despertam ao perceber que também podem ser alcançados. Jornais e jornalistas ligados ao chamado consórcio da mídia de esquerda parecem, ainda que tardiamente, demonstrar preocupação com medidas que consideram inconstitucionais e atribuídas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao permitir que dados extraídos dos equipamentos de um jornalista fossem utilizados para identificar e alcançar sua fonte, Alexandre de Moraes teria aberto um precedente que pode atingir uma garantia fundamental prevista na Constituição e produzir um efeito intimidatório sobre o jornalismo investigativo.
A questão não é saber se o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, ou qualquer outro profissional da imprensa, pode ser investigado. Evidentemente, pode. Também não se trata de discutir se ministros do Supremo Tribunal Federal têm direito à proteção contra ameaças e perseguições. É claro que têm.
O ponto central é outro: pode o Estado apreender equipamentos de um jornalista, acessar suas comunicações e utilizar o material encontrado para tentar descobrir quem forneceu informações utilizadas em uma reportagem?
A Constituição estabelece garantias que precisam ser observadas.
A liberdade de imprensa é fundamental para o funcionamento de uma democracia. Ela garante à população o acesso a informações de interesse público e permite que jornalistas e veículos de comunicação atuem livremente na apuração e divulgação de fatos, inclusive aqueles que envolvam governos, autoridades ou indivíduos da sociedade civil.
Por conveniência e oportunismo, alguns parecem ter se esquecido disso.
Cautela
Vários prefeitos e vereadores de municípios capixabas estão declarando voto “chapa branca”, por receio de possíveis retaliações futuras.
O que está na mente e no coração pode não ser, necessariamente, o que estará nas urnas.
________________________________________________________________________________________________
Bola Dentro
Para a Prefeitura de Vitória, que celebrou com a Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) um Acordo de Cooperação para a implantação do programa “Defensoria Delas nas Escolas”. A iniciativa tem como um dos principais objetivos unir educação e prevenção na defesa dos direitos e na proteção das mulheres.
Bola Fora
Para a fiscalização da Prefeitura de Vitória, que até o momento não tomou nenhuma atitude efetiva contra os proprietários de trailers que ocupam irregularmente vagas de estacionamento nas praças do bairro Jardim Camburi.
O que se comenta é que alguns desses comerciantes teriam “padrinhos” fortes, capazes de garantir a permanência deles no local. Se isso for verdade, fica a impressão de que a regulamentação para o uso do espaço público não passa de ficção: letra morta que pode ser amassada e jogada no lixo. A população merece uma fiscalização que aplique as regras de forma igual para todos, sem privilégios ou apadrinhamentos.
________________________________________________________________________________________________
Bloco de Notas

Escolha – O Norte voltou a fazer parte de uma chapa majoritária. Desta vez, a vereadora de São Mateus, Professora Valdirene, foi escolhida como vice na chapa do Partido dos Trabalhadores (PT), que tem Helder Salomão como candidato ao Governo do Estado. Adelson Salvador, de Nova Venécia, foi o último representante da região a ocupar esse espaço: chegou a ser eleito vice-governador.
Começou – A campanha eleitoral teve início oficial neste domingo (16). Vamos ver e ouvir de tudo: verdades e mentiras. É preciso que o eleitor saiba distinguir o que compõe esse balaio — às vezes, de gatos e serpentes.
Vai e Vem – O partido Democratas havia divulgado que teria rompido com a candidatura do Republicanos ao Governo do Estado. Isso foi pela manhã, durante o café. À noite, no jantar, “desdisse o que disse” e voltou a se declarar aliado da candidatura de Pazolini.
Escândalo – O Espírito Santo já tem o seu “Master” para chamar de seu. A Apex Empresarial seria o “Master” capixaba, com nomes de peso supostamente envolvidos. O caso pode representar prejuízos para empresas e cidadãos que investiram e que, eventualmente, poderão ter de arcar com as perdas.
Aprovação – A Câmara Municipal de São Mateus aprovou, por unanimidade, o projeto de lei que autoriza a Prefeitura a contratar R$ 26 milhões para investimentos em infraestrutura destinados à construção de uma nova estrutura de captação de água para abastecer a cidade.
A medida busca evitar que a população volte a enfrentar uma situação semelhante à ocorrida anos atrás, quando a salinização do Rio Cricaré comprometeu o abastecimento e deixou os moradores apreensivos diante da falta de água adequada para o consumo.
Recado sutil – Alguns políticos que estariam se aproximando para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, em encontros sociais ou conversas ocasionais, teriam consultado ministros sobre a possibilidade de sofrer retaliações caso declarassem esse apoio. A resposta, segundo relatos, teria sido: “Possivelmente”.
Isso é crime? – Violar a fonte de um jornalista é inconstitucional. O fato é que, ao permitir que informações protegidas pelo sigilo da fonte fossem utilizadas, Alexandre de Moraes teria “rasgado” um pedaço da Constituição.
Jantar revelador – O encontro entre Lula, Alcolumbre, Zanin e Gonet, na casa do ministro Alexandre de Moraes, teria como objetivo selar a paz entre o presidente da República e o presidente do Congresso. Se essa foi realmente a finalidade da reunião, trata-se de uma questão que não pode ser banalizada e merece atenção.
Enrolado – Por que, até agora, não foi decretada a prisão de Lulinha?
É política? – É curioso observar alguns vereadores da Capital subirem à tribuna da Câmara para desqualificar praticamente tudo o que a atual administração de Vitória tem feito em benefício da cidade e da população. Pelo tom dos discursos, parece até uma antecipação do clima eleitoral.
________
Reflexão
“Mentes poderosas têm objetivos, as demais têm desejos”.
Autor desconhecido, porém, sábio.
-
SAÚDE7 dias atrásLito Sousa apela para tratamento experimental
-
Economia7 dias atrásVitória assume liderança nacional no Ranking de Competitividade
-
CIDADES6 dias atrásES chega a 4,15 milhões de habitantes; veja cidades que mais cresceram
-
Brasil / Economia6 dias atrásBandeira tarifária de energia permanecerá amarela em setembro
-
Acidente / Trânsito5 dias atrásMulher de 46 anos morre atropelada na Avenida Dante Michelini, em Vitória
-
ESPORTES6 dias atrásVitória lança Plano Atleta 2026 com R$ 1 milhão em investimentos e amplia apoio aos esportistas
-
Política / Eleições6 dias atrásVitória e TRE-ES firmam parceria para garantir transporte especial a eleitores com deficiência nas eleições
-
Política / Eleições7 dias atrásPerguntas sobre filho e Marcola põem Lula na defensiva em sabatina