Tragédia Aérea
Governo da Colômbia lamenta perda de família em queda de helicóptero
Acidente Aéreo
Diana Paez, cônsul-geral do país no Rio, informou que está apoiando os parentes das vítimas para que possam ‘superar esse momento‘
Por Rômulo Cunha* | Rio de Janeiro (RJ)
O Governo da Colômbia emitiu uma nota, neste sábado (8), nas redes sociais, lamentando a morte de três colombianas da mesma família, ocorrida na queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa, Zona Norte do Rio.
O Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado da Colômbia no Rio está em coordenação com as autoridades locais para realizar as diligências cabíveis. Além disso, o órgão também afirmou que entrou em contato com familiares das vítimas para a orientação necessária.
“Estamos em contato permanente com as autoridades, que são as pessoas encarregadas das operações de resgate e atenção às vítimas. Também estamos em contato com os familiares, tanto os que estão no Brasil quanto os que estão na Colômbia. Do consulado, continuamos fazendo o apoio e a orientação necessária, tanto à família quanto às autoridades locais, com objetivo de que possam retornar à Colômbia e superar esse momento”, disse a cônsul-geral do país no Rio, Diana Paez.
O governo colombiano expressou condolências e solidariedade às famílias e aos entes queridos das vítimas. Também ressaltou que continuará prestando a assistência consular necessária.

Viagem de aniversário
As três colombianas eram passageiras da aeronave e estavam no Rio como turistas. As vítimas formavam três gerações da mesma família. As mulheres foram identificadas como Rocio Cubillos, de 59 anos; Wendy Manrique, de 37, filha de Rocio; e Sofia Murillo, 17, filha de Wendy e neta de Rocio.
A família havia vindo ao Brasil para comemorar os 15 anos de Laura Manrique, neta de Rocio e sobrinha de Wendy, que aguardava para embarcar em um segundo voo quando o acidente aconteceu.
As colombianas chegou ao Rio no início da semana e pretendia permanecer no país até a próxima terça-feira (11). Durante a estadia, visitou pontos turísticos da capital fluminense e também passou por Búzios, na Região dos Lagos.
Neste sábado (8), o grupo contratou um passeio panorâmico de helicóptero. Como eram seis passageiros, foi necessária a divisão em dois voos: Rocio, Wendy e Sofia embarcaram no primeiro; no segundo, aguardavam Victor Manrique, filho de Rocio e irmão de Wendy; a mulher Daniela Castañeda; e a filha Laura.
Em publicação realizada nas redes sociais, Victor falou sobre a dor da perda e agradeceu pelo período que as familiares passaram no Brasil. “Minha irmãzinha, minha mãe e minha sobrinha! Vou amá-las para sempre nesta vida e na outra”, declarou.
A queda também vitimou o piloto Alessandro Rocha. Ele deixou três filhos e a mulher.
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Piloto do helicóptero Alessandro Rocha
Investigação
A Força Aérea Brasileira (FAB), através do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), informou que os investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), com sede no Rio, foram acionados para realizar a Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave de matrícula PP-MFS.
Durante a Ação Inicial, realizada logo depois do evento, investigadores qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para a coleta e confirmação de dados, a verificação dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações relevantes.
Nessa etapa, reúnem-se elementos que subsidiarão as fases posteriores da investigação, as quais têm por finalidade identificar possíveis fatores contribuintes para a queda, quando aplicável, permitir a emissão de Recomendações de Segurança voltadas à prevenção de novas ocorrências.
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Empresa diz que helicóptero que caiu no Rio estava regular / Foto: G1
A investigação está em andamento. Além da FAB, a 19ª DP (Tijuca) também apura o caso.
De acordo com a empresa Voo Rio Panorâmico, responsável pelo helicóptero, a aeronave estava com a manutenção e a documentação em dia. Além disso, a companhia destacou que o piloto possuía as habilitações exigidas para operar a aeronave.
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- Matéria reproduzida de O Dia – Conteúdo / Colaboração Pauta1
- Foto destaque: Divulgação / CBRJ
Acidente Aéreo
Relatório do Cenipa detalha falhas e erros humanos na tragédia do voo 2283 da Voepass em Vinhedo
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revelou detalhes dos bastidores da tragédia do voo 2283 da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. O documento, apresentado na última quinta-feira (23/7), aponta uma sequência fatal de falhas técnicas, equívocos humanos e falhas na fiscalização.

A investigação conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) chegou a 39 conclusões, indicando que o acidente foi causado por uma combinação de irregularidades. Essas falhas teriam começado ainda com o avião em solo e se estenderam até os segundos finais antes da queda.
O desastre começou a ser traçado antes mesmo do ATR 72-500 decolar de Cascavel (PR). Conforme explicou o investigador Paulo Mendes Fróes, a aeronave já apresentava dez falhas mecânicas anteriores. Uma delas era o limpador de para-brisa, cuja inoperância, segundo as normas de aviação, impediria a decolagem caso houvesse previsão de chuva, o que era o caso.
O Cenipa apontou que existia na Voepass uma cultura arriscada de “normalização de desvios”. Pilotos e mecânicos frequentemente deixavam de anotar problemas técnicos nos diários de bordo para evitar que as aeronaves fossem paralisadas para manutenção. O defeito no sistema de degelo, que foi determinante para o acidente, era um desses problemas não registrados.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também foi severamente citada no relatório. Inspeções anteriores já haviam identificado essas práticas irregulares dentro da companhia aérea, mas a gestão de risco da agência foi considerada insuficiente para impedir a continuidade das operações inseguras.
O caos na cabine e os últimos minutos
Durante o trajeto até Guarulhos, a aeronave enfrentou condições severas de gelo por cerca de dez minutos. Com o sistema de degelo da asa direita sem funcionar, a situação exigia máxima atenção. Mesmo assim, o painel do avião emitiu oito alertas visuais e sonoros indicando perda de velocidade e queda de desempenho, que foram ignorados.
O motivo? De acordo com informações obtidas pelo G1, os pilotos estavam distraídos conversando sobre assuntos pessoais. Quando a aeronave perdeu sustentação (o chamado estol), uma ação equivocada definiu o desfecho do voo. O copiloto, ao contrário das recomendações dos manuais, puxou o manche em vez de empurrá-lo.

Isso agravou ainda mais a perda de controle, levando o avião a um “parafuso chato”, girando em torno do próprio eixo enquanto despencava na vertical. A velocidade da queda chegou a impressionantes 14 mil pés por minuto, o que significa cair quatro quilômetros em apenas sessenta segundos, realizando cinco voltas antes do impacto.
Cobranças urgentes e defesa da empresa
Com o fim das investigações, o Cenipa fez recomendações rigorosas para a fabricante francesa ATR, exigindo melhorias nos sistemas de alerta visual, regras para voos em condições de gelo e aprimoramento das caixas-pretas, e para a Anac, cobrando fiscalização mais rigorosa e atualização de manuais.
Em resposta, a Voepass divulgou nota se solidarizando com as famílias e defendendo seu histórico. A empresa destacou que atua há 30 anos no mercado nacional, possui certificações internacionais de segurança desde 2012 e afirmou que a tripulação era altamente experiente e qualificada.
A Anac, por sua vez, informou que terá até 120 dias para analisar de forma detalhada as conclusões do relatório.
Avião da Voepass que caiu em SP não poderia ter decolado, conclui Cenipa / Foto: Reprodução – Internet
Confira a nota completa da Voepass:
“A queda do voo 2283, em 9 de agosto de 2024, foi o episódio mais difícil da história da VOEPASS. Desde o momento do acidente, a empresa esteve solidária às famílias das vítimas, compartilhando uma dor que permanece presente em sua memória.
Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, a companhia jamais havia enfrentado uma situação como essa. Ao longo de três décadas, sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação.
A atuação da empresa sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais, contando inclusive com a certificação IOSA desde 2012, um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas IATA.
A tripulação do voo 2283 era experiente, capacitada e devidamente certificada, acumulando mais de 5.000 horas de voo e com treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação.
Desde o início das apurações, a VOEPASS atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário”.
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- Matéria reproduzida da MSN – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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