VITÓRIA
Pesquisar
Close this search box.

Coluna / Opinião

Rumos da Política | 1ª edição de maio

Publicados

OPINIÃO

Por Paulo Roberto Borges

Patrimônio Histórico do ES

O Parque Moscoso está comemorando 114 anos. Se destaca no centro da capital capixaba e já foi local de muitos eventos e lembranças de todos que nasceram, viveram e vivem em Vitória.

Nesta semana foram programadas várias atividades no Parque. A Prefeitura vem revitalizando alguns logradouros históricos ou importantes no contexto da cultura da cidade.

Vereadora em apuros

São Domingos do Norte é um município pequeno, mas a movimentação política tem sido intensa. Está em andamento o processo de possível cassação do mandato da vereadora Andressa Aparecida Ferreira Siqueira, do MDB. Ela é investigada por suspeitas de coação e tentativa de estelionato.

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) rejeitou os pedidos para suspender a comissão processante. Com a negativa aos recursos apresentados pela defesa, o processo de cassação segue em tramitação na Câmara Municipal.

A vereadora Andressa Siqueira afirma ser vítima de perseguição política. Ela é acusada de pressionar servidores do CRAS para promover inclusões irregulares no programa Bolsa Família.

Todo esse imbróglio virou assunto nas “Bocas de Matilde”, além de dominar conversas em becos, esquinas e praças de São Domingos do Norte, município localizado na região Noroeste do Espírito Santo.

Diagnóstico 

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), disse em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, que “o problema do Brasil é que está sobrando ladrão”.

Melou o plano de Lula nas eleições em Minas?

O presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) tinha esboçado um plano para fortalecer a sua pré-candidatura à reeleição à presidência da República, em Minas. Para isso o seu escolhido foi o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Afinal o PT não tem, por enquanto, palanque para fazer subir seus pré-candidatos e, principalmente, o Lula em Minas.

Pela montagem de todo esse esquema, já era o sinal que o Pacheco não seria o indicado para a vaga no STF. Pacheco, aliado e preferido do presidente do Senado, Alcolumbre (União-AC), não queria ir para o sacrifício em Minas e esperava ser o escolhido pelo Lula ao Supremo. Deu água.

A vingança veio depois, pois o Jorge Messias, ex-office boy e menino de recado da Dilma, teve sua indicação rejeita para uma vaga no STF. Derrota do Lula.

Em resumo: O veto ao Messias, acredita-se, pode liquidar aliança entre Lula e Pacheco por palanque em Minas.

Oposição desmoralizada

Em São Mateus vem acontecendo um fato inusitado. Trata-se dos ataques que o prefeito Marcus Batista (Podemos) vem sendo alvo de uma oposição que age na clandestinidade, pois não tem cara para mostrar, pois foi autora de ter destruído, em oito anos, o que ainda havia de relevante no município. Aliás, a oposição é irrelevante, daí atuar sordidamente, sem ter alguma ação que preste para mostrar.

Leia Também:  Bloco de Notas

A Pinguela do Balanga

Faz uma eternidade que um “nobre” edil do município de São Mateus pede, implora e cobra a construção de uma ponte de concreto em Nativo de Barra Nova, distrito mateense. A estrutura existente já tem cerca de 50 anos e por ela passam ônibus escolares, veículos leves e pesados, caminhões-tanque, entre outros.

O “pedinte” é o vereador Cristino Balanga (PP), conhecido pelo slogan “Buzinou, é nóis”. Faz tempo que ele buzina, mas ninguém parece ouvir. Em todas as sessões da Câmara, o parlamentar cobra providências das autoridades estaduais, porém a tão prometida ponte nunca sai do papel. O curioso é que outras obras no entorno já foram executadas, enquanto a “Pinguela do Balanga” continua esquecida.

“As Bocas de Matilde” comentam que todo esse imbróglio seria uma represália política. O motivo? Balanga teria apoiado um candidato à Câmara Federal que acabou sendo reeleito com mais votos do que um concorrente da própria região. Muitos negam, mas, em política, até o que é negado costuma carregar algum lampejo de verdade.

Bloco de Notas

Turismo gratuito – A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, parece aproveitar bem a condição de esposa do presidente para viajar e conhecer o mundo. Há quem diga que ela já viajou mais do que o próprio Luiz Inácio Lula da Silva.

Sem noção – Nos bastidores, comentam à boca miúda que a senadora Soraya Thronicke seria igual a “biruta de aeroporto”: vai para onde o vento sopra. Eleita com apoio de Jair Bolsonaro, acabou embarcando na canoa furada do lulismo. Agora, com a embarcação fazendo água, parece não ter boia eleitoral para se salvar.

Ausência – Diante de tudo o que vem acontecendo no Brasil, a impressão é a de um Congresso Nacional com poucos homens de atitude e muitos “sacos de batata”. Poucos demonstram disposição para agir de verdade.

Caroneiros – Pode até não ser ilegal, mas beira a cara de pau o comportamento de pré-candidatos que deixaram cargos públicos — dos quais já se aproveitavam politicamente — e continuam pegando carona em inaugurações e obras do governo, como se ainda integrassem a administração. Alguns chegam a disputar espaço na frente das câmeras, aparecendo até mais do que quem ainda ocupa o cargo. Campanha antecipada travestida de “suposta legalidade”. Será que a Justiça Eleitoral não enxerga isso?

Leia Também:  Bloco de Notas - Segunda Edição de Agosto

Relação – A Câmara Municipal de Santa Leopoldina, em um ato pouco comum na política local, derrubou dois vetos do prefeito. Ainda não há sinais claros de arranhões na relação entre os poderes.

Efeito Denorex – Parece, mas não é. A turma que deixou cargos no governo continua de vento em popa no staff oficial, mantendo-se em evidência diante do eleitorado.

Que coisa, hein?! – A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro pretende homenagear Ana Paula Renault pelos “relevantes serviços prestados ao País” após sua participação no Big Brother Brasil.

Preocupação – O vereador de Vitória, Maurício Leite (PRD), subiu à tribuna da Câmara na sessão desta terça-feira (19) para alertar sobre a proliferação de distribuidoras de bebidas em alguns bairros da capital, citando o caso de Jardim Camburi.

Ovacionado – Quando Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira de Futebol, anunciou a convocação do craque Neymar Jr., o auditório aplaudiu intensamente a decisão. Pelo entusiasmo, parece que o camisa 10 continua sendo unanimidade.

Viagem – A sessão da Câmara Municipal de São Mateus, prevista para segunda-feira (18), foi cancelada. O motivo teria sido um convite do prefeito Marcus Batista para que os vereadores viajassem a Brasília.

Bem avaliado – Cariacica tem no prefeito Euclério Sampaio um gestor bem avaliado. Com simplicidade e competência, vem mudando a realidade do município e da população. Sem favor algum, é apontado como um dos principais gestores públicos do Espírito Santo.

Dois bicudos – O vereador, vice-presidente e líder do Executivo na Câmara de Vitória, Leo Monjardim (NOVO), criticou de corpo presente o seu colega Pedro Trés (PSB). O chamou de menino de recado do Palácio Anchieta.

Infelizmente – O atual cenário brasileiro nos faz pensar que o nosso País virou um país de merda.

__________________

Pode Isso, Arnaldo?

Não. Não pode.

Na verdade, soa como uma bizarrice um país ter um presidente que insiste em se considerar popular, mas não consegue sair às ruas sem ouvir vaias e críticas. Parece ficção, mas é a realidade, é fato termos um presidente sem povo.

Não deveria ser assim, mas é o que temos, Arnaldo!

_______

Reflexão

“Ao invés de horário político eleitoral seria mais útil mostrar a ficha criminal de cada um deles”.

Autor desconhecido, porém, antenado no cenário da política nacional.

 

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

OPINIÃO

O analfabetismo funcional não é problema só dos pobres

Publicados

em

A elite que lê e não entende, mas tem diploma

Por Fabrício Zavarise*

No imaginário brasileiro médio, o analfabetismo funcional tem endereço fixo: a periferia. E não somente. Também frequentou escola pública precária, tem renda baixa e, geralmente, não é branco. Ou seja, “é um problema daqueles que o sistema abandonou, e não meu”.

Esta narrativa é tão confortável quanto falsa. O analfabetismo funcional mora também nos escritórios de torres envidraçadas, nas salas de reunião com café gourmet em cápsula de gente que fala o dialeto farialimer nasalisado, nos currículos com MBA e em perfis do LinkedIn com mais de 5000 conexões. Só não atende por esse nome.

O que o INAF realmente diz

Durante o último governo da Ditadura Militar, quando se queria ofender alguém pelo seu baixo nível de inteligência, chamavam-no de MOBRAL. O Movimento Brasileiro pela Alfabetização visava a ensinar a população adulta a ler e escrever. Hoje, o Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) mede, desde 2001, não somente a capacidade de assinar o próprio nome, pois essa já não é mais a fronteira relevante, e sim a capacidade de compreender, interpretar e usar a informação escrita em situações do quotidiano.

Os dados do INAF 2024 são perturbadores não pelo que mostram sobre a base da pirâmide, mas pelo que revelam sobre os seus estratos intermediários. Apenas 12% da população brasileira atinge o nível pleno de alfabetismo. Isto é, ler textos longos, estabelecer relações entre informações implícitas, avaliar a credibilidade de uma fonte, construir argumentos a partir de dados e fatos. Os restantes 88% operam em níveis que variam entre o analfabetismo absoluto e o básico.

Esses mesmos 88% não respeitam o nível de escolaridade. Há analfabetos funcionais com diploma universitário. Pessoas que concluíram cursos de pós-graduação e não conseguem ler e compreender um contrato, interpretar gráficos ou detectar um argumento falso quando vem aparentemente bem construído. Os diplomas foram distribuídos a esmo, só não ensinaram compreensão de texto nem português.

A métrica que o Brasil varre para debaixo do tapete

A IEA (International Association for the Evaluation of Educational Achievement) é uma organização independente que coordena avaliações comparativas internacionais sobre aprendizagem. Ela aplica, a cada 5 anos, o PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study) a alunos do 4.º ano do ensino fundamental em mais de 50 países, com foco exclusivo em compreensão leitora.

Leia Também:  Coluna / Bloco de Notas - 2ª edição de abril

Na edição de 2021, apenas 13% dos alunos brasileiros atingiram nível alto ou avançado de compreensão leitora. Cerca de 24% dominam somente habilidades básicas. A pontuação média do Brasil foi de 419 pontos, equiparável à do Kosovo e à do Irã.

O dado mais revelador, porém, está na discrepância entre o que esse estudo internacional vê e o que o nosso SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) registra. Especialistas apontam que a avaliação nacional não inclui textos tão longos nem exigências comparáveis às da avaliação internacional.

Assim, o Brasil vai mal segundo a régua de fora. Segundo a sua própria, está tudo bem. O sistema de avaliação nacional está calibrado para não enxergar o próprio déficit.

Analfabetos com diploma universitário

As consequências da educação básica deficitária revelam-se nas várias camadas de analfabetismo funcional. Alguns exemplos: o executivo que não consegue interpretar um relatório completo, o gestor que decide com base num PowerPoint de 10 slides porque não sustenta a atenção além disso, o jornalista que reproduz o comunicado de imprensa sem verificar fatos e omissões de informação, o professor que publica artigos, mas não consegue escrever um texto de opinião coerentemente.

Teoricamente, nenhum destes é analfabeto no sentido convencional. Todos têm escolaridade, leem tecnicamente, uns até falam inglês e têm MBA. O que não fazem é compreender com a profundidade que o seu cargo ou a sua responsabilidade exigiria.

Não é falta de vocabulário, mas de processamento. A leitura superficial, que extrai a informação imediata sem construir relação entre ela e o contexto, sem avaliar a qualidade da fonte, sem detectar o que está implícito ou ausente, não é leitura funcional. É apenas um reconhecimento de palavras com ilusão de compreensão.

E esta ilusão é particularmente perigosa em quem tem o poder de decisão nas mãos. Quem decide mal com base numa leitura deficiente não sofre, em geral, as consequências imediatas. Já os que executam as suas decisões erráticas pagam um alto preço.

Leia Também:  Bloco de Nota / Dezembro 2ª edição

O que a escola fez com isso

O ensino da leitura no Brasil foi historicamente reduzido à decodificação. Aprender a ler significava aprender a transformar símbolos gráficos em sons. Compreender o que esses sons significam em contexto, em relação com outros textos e com o mundo foi considerado uma consequência natural. Porém, não o é.

A compreensão leitora é uma competência que se ensina, que se pratica repetidas vezes e que se desenvolve com textos progressivamente mais exigentes, com perguntas mais complexas. E, principalmente, com um professor que sabe distinguir bem o aluno que compreendeu daquele que apenas reproduziu. Esta distinção exige tempo, critério e uma concepção de ensino que vai muito além de cumprir o currículo.

Hoje temos uma população que completou anos de escolaridade sem nunca ter sido confrontada com um texto que exigisse dela mais do que a localização de informações explícitas. O resultado é o que o INAF documenta e que aparece até mesmo nos níveis superiores da pirâmide social. Temos, sim, uma elite de analfabetos funcionais.

O analfabetismo funcional pode até mudar de endereço, de roupa, de cifras no IR, de escola ou faculdade. O que não muda é a incapacidade da esmagadora maioria dos brasileiros, de todas as castas, ler com profundidade, de argumentar com coerência e coesão e de pensar com o texto.

A única diferença é que o analfabeto funcional da periferia tem ciência de que não sabe. Já o que tem um diploma na mão vive a ilusão de que sabe, e ainda desdenha dos outros.

E é este o mais difícil de se ajudar.

____________________________________________________________________

  • O autor é mestre em Educação Linguística (University of Chichester), especialista em Educaçao Bilíngue e licenciado em Letras. MBA em Gestão Estratégica & IA (UFJF), certificado em Liderança do International Baccalaureate® e Cambridge CELTA. Trilíngue, escritor e consultor, discorre sobre linguagem, educação, IA aplicada, / Coluna do portal Folha Vitória
  • Foto destaque: Imagem gerada por IA
COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

GERAL

POLÍTICA & GOVERNO

CIDADES

TURISMO

MAIS LIDAS DA SEMANA