Justiça em Ação
Juiz do ES é condenado à aposentadoria após desvio milionário de heranças
Justiça
Maurício Camatta Rangel foi condenado a aposentadoria compulsória por envolvimento no esquema
Por Enzo Bicalho Assis* / Vitória – ES
O juiz Maurício Camatta Rangel foi condenado a aposentadoria compulsória pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), nesta quinta-feira (23), em dois Processos Administrativos Disciplinares (PADs): por envolvimento no esquema que desviou R$ 7 milhões de heranças e por “falta de cautela” em liberação de saque de R$ 2,7 milihões.
As relatoras de ambos os casos, desembargadoras Marianne Judice de Mattos e Heloisa Cariello, decidiram pela condenação com a penalidade máxima, de aposentadoria compulsória, ao magistrado. Elas foram acompanhadas por unanimidade pelo Plenário do TJES.
Esquema para desvio de heranças
No primeiro caso, de acordo com a Operação “Follow the Money”, realizada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o esquema consistia em ações judiciais simuladas a partir de documentação falsa, direcionamento da distribuição dos processos e emissão indevida de alvarás, com indícios de recebimento de vantagem indevida e lavagem de ativos.
Segundo a relatora, o juiz Camatta teria proferido sentenças judiciais “em prática estranha às atribuições do cargo” e “com o mínimo rigor técnico” na 4ª Vara Cível de Vitória, da qual era titular. Ele já havia sido suspenso do cargo pelo TJES em agosto de 2024 e a vara foi fechada no ano seguinte.
O MPES apurou que os envolvidos teriam desviado R$ 7 milhões de pessoas falecidas com grandes investimentos bancários paralisados e que não possuíam herdeiros interessados.
O advogado de Camatta, João Guilherme Gualberto Torres, nega qualquer irregularidade. Segundo a defesa, nenhuma transferência bancária foi realizada para a conta do juiz e ele também chegou a proferir decisões contrárias às partes envolvidas no esquema quando havia indício de fraude.
“Não há elemento probatório que indique transferência de valores das partes para o magistrado. Embora não tenha sido constado nos votos, não há nenhuma transferência bancária que pudesse indicar qualquer indício de corrupção”, afirmou o advogado.
Decisão para liberação de R$ 2,7 milhões
No outro caso, em 2023, Camatta havia assumido a 2ª Vara Cível de Vitória como substituto e, no mesmo dia, recebeu um pedido para liberação de um saque de R$ 2,7 milhões em um banco, referente a um processo que já se estendia há alguns meses. Logo no dia seguinte, o juiz autorizou que o dinheiro fosse sacado.
A defesa também nega irregularidade na atuação do juiz neste caso. De acordo com João Torres, o banco já havia sido intimado pela juíza titular da vara pela liberação do dinheiro meses antes, mas não compareceu em juízo. O não comparecimento indicaria anuência por parte do banco, afirma a defesa.
Segundo o advogado, as decisões proferidas por Camatta em ambos os processos foram fundamentadas com base nos elementos apresentados até o momento em que precisou tomar as decisões.
“Tanto em relação aos cinco casos dos herdeiros, que depois vieram e indicaram que teria alguma fraude, como no caso do Banco do Brasil, em que a posição jurídica apresentada pelo magistrado diverge daquela apresentada nos autos”, disse João Guilherme Gualberto Torres, advogado da Mauricio Camatta.
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- Folha Vitória – Conteúdo
- Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
Justiça
Juiz aposentado Antônio Leopoldo foi condenado há 24 anos de prisão por mandar matar o juiz Alexandre Martins
Finalmente, para quem esperava por justiça, ela aconteceu com a condenação do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, há 24 anos, em julgamento acontecido nesta quinta-feira (12), por ser o mandante de matar o juiz Alexandre Martins.

O assassinato aconteceu há 23 anos, quando o jovem juiz, que investigava ações do crime organizado, chegava à uma academia de ginástica em Itapuã, Vila Velha. Foi assassinado por três disparo assassinado por três disparos de arma de fogo, no dia 24 de maio de 2003. Na data, ele havia dispensado segurança. Alexandre foi surpreendido por dois criminosos.
Os acusados de serem executores do crime — Odessi Martins da Silva e Giliard Ferreira de Souza — foram presos, julgados e condenados a mais de 24 anos de prisão.
Também foram condenados, como intermediadores do crime, os sargentos Heber Valêncio e Ranilson Alves da Silva; Fernandes de Oliveira Reis, o “Cabeção”; André Luiz Barbosa Tavares, o “Yoxito”; e Leandro Celestino dos Santos, o “Pardal”.
De acordo com denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira é apontado como autor intelectual do homicídio. Na época do crime, ele havia sido acusado, em denúncia apresentada por Alexandre Martins, de vender sentenças.

Acusados fazem reconstituição do assassinato do juiz Alexandre Martins.
Além do magistrado aposentado, o coronel da reserva da Polícia Militar Walter Gomes Ferreira e o ex-policial civil Cláudio Luiz Andrade Baptista também foram apontados como mandantes. Ferreira foi condenado, já Cláudio Luiz foi absolvido em 2015.
O processo se arrastou nos tribunais porque, além dos inúmeros recursos apresentados pela defesa dos acusados de serem os mandantes do crime, nove juízes foram considerados impedidos de julgar o caso. Eles alegaram ter algum tipo de relação com uma das partes — réu ou vítima — e, por esse motivo, o julgamento poderia ser considerado sem validade.

O pai, Alexandre Castro, lembrou que a perda do filho continua presente no cotidiano da família, especialmente em datas simbólicas.
“São 23 anos em que eu não tenho a companhia dele. Natal, Semana Santa, Dia dos Pais, aniversário… essas datas de família trazem uma saudade. Não um sofrimento, mas uma saudade”.
Quem foi o juiz Alexandre Martins?
Alexandre Martins Filho se destacou por investigar o crime organizado no Espírito Santo. O juiz formou-se em Direito em 1991, quando tinha 21 anos.
Em 2002, ele integrou a missão especial federal de investigações contra o crime organizado. Em um documento consta que os magistrados Alexandre Martins de Castro Filho e Carlos Eduardo Ribeiro Lemos passaram a ser ameaçados de morte logo após comunicarem ao Tribunal de Justiça as anomalias existentes na Vara de Execuções Penais.
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- Com informações Folha Vitória / A Gazeta
- Foto Destaque: Reprodução / Internet
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