Dinheiro de Campanha
PF indicia ex-candidato a vereador em Vitória por falsidade ideológica
Política / Eleições
Investigações da PF indicam que Evandro Figueiredo pressionava servidoras de gabinete a repassar parte do salário para financiar sua campanha
Por Enzo Bicalho Assis* / Vitória – ES
A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-candidato a vereador em Vitória, Evandro Figueiredo Boldrine, e seu colaborador, Fabrício Trevisani de Oliveira, por falsidade ideológica eleitoral. Com o crime, os dois teriam usado R$ 3 mil de servidora em campanha nas eleições municipais de 2024.
Eles também são investigados em outro inquérito pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por um esquema de “rachadinha”.
De acordo com o inquérito da Polícia Federal, a dupla teria pressionado uma servidora do gabinete do então vereador Leandro Piquet, presidente da Câmara Municipal à época, a repassar parte de seus vencimentos.
A servidora foi exonerada do cargo depois de dois meses. Segundo a PF, ela afirma não ter efetuado os pagamentos à campanha e relatou os fatos ao vereador Piquet, o que teria motivado a exoneração. Após a exoneração, o ex-candidato indicou outra pessoa para o cargo, parente de Fabrício. Ela repassou os valores para os suspeitos, em setembro e outubro de 2024, tendo saído do cargo em novembro, já após as eleições.
A PF concluiu pelo indiciamento de Evandro Figueiredo, apontado como o mentor do esquema, por falsidade ideológicaeleitoral. Fabrício Trevizani, colaborador do esquema, foi indiciado pelo mesmo crime, cometido em concurso de pessoas.
O que disseram os envolvidos
Ainda de acordo com o inquérito, o ex-vereador Leandro Piquet, atualmente delegado da Polícia Civil, afirmou que tomou conhecimento da atividade por meio da vítima enquanto ela estava no cargo. Ele atribuiu a exoneração dela a um comportamento “desagregador” no gabinete.
Já Evandro Figueiredo, conforme o inquérito, negou exigir os repasses financeiros e atribuiu as acusações a motivações políticas. Ele também afirmou que a segunda pessoa que indicou para o gabinete auxiliou a sua campanha voluntariamente.
De acordo com o ex-candidato no inquérito, as indicações eram uma “prática do partido”, disponibilizar vagas em gabinetes, para apoiar candidatos. Ele alega que a troca da servidora teria sido motivada pelo fato da primeira indicada ter passado a apoiar outro candidato do partido.
Ao Folha Vitória, Evandro Figueiredo disse que confia na Justiça. “Se houver denúncia, pois ainda não existe, vou responder com muita tranquilidade, pois é fruto de uma denúncia anônima, que na fase de inquérito mostrou que não existe nenhuma prova documental. As testemunhas todas negam que cometi qualquer ilicitude, dando conta de suposto caixa dois de campanha, no valor de R$ 1,5 mil. Estou muito tranquilo que comprovarei minha inocência”, destacou ele, em nota.
O outro indiciado, Fabrício Trevisani, confirmou no inquérito que recebeu dois pagamentos no valor de R$ 1.500, feitos por sua parente. Segundo ele, os valores seriam uma retribuição pela ajuda financeira que costumava prestar a ela. Ele ainda disse que usou o dinheiro para pagar um serviço de pedreiro em seu imóvel.
O Folha Vitória tenta contato com Fabrício e atualizará a matéria caso queira se manifestar.
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- Folha Vitória – Conteúdo
- Foto Destaque: Reprodução / Instagram
Política / Eleições
Marcos do Val, após ser excluído de sabatinas da Rede Gazeta, aciona a Justiça Eleitoral
O senador Marcos Do Val (Avante-ES), candidato à reeleição ao Senado Federal, ingressou nesta segunda-feira (14) com representação e pedido de tutela de urgência no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo contra a Rede Gazeta (TV Gazeta e Rádio CBN Vitória), após ser excluído da rodada de entrevistas com candidatos ao Senado que a emissora promove entre os dias 14 e 18 de setembro.
Segundo a campanha, a Rede Gazeta havia comunicado previamente aos candidatos, em reunião realizada em 20 de agosto, que participariam das sabatinas aqueles que atingissem 5% ou mais na última pesquisa estimulada de intenção de voto do instituto Quaest, contratada pela própria emissora. Marcos Do Val cumpriu esse critério: na pesquisa Quaest divulgada em 27 de agosto, o senador obteve exatamente 5% no cenário estimulado para a primeira vaga ao Senado.
Apesar disso, a emissora o excluiu da lista de sabatinados alegando que ele não teria atingido o percentual — usando, para isso, um recorte “consolidado” da pesquisa, não divulgado nem explicado aos candidatos como critério de corte, e conhecido apenas depois de apurado o resultado. Trata-se, segundo a campanha, de parâmetro que não constava das regras originalmente apresentadas e que teria sido aplicado para produzir a exclusão do senador.
Na representação protocolada no TRE-ES, a defesa do senador pede a inclusão imediata de Marcos Do Val na rodada de entrevistas ou, subsidiariamente, a realização de sabatina em condições equivalentes às oferecidas aos demais candidatos, antes do dia 4 de outubro, data da eleição.
“A Rede Gazeta criou uma regra, eu cumpri a regra, e ainda assim fui excluído por um critério inventado depois que o resultado já era conhecido. Isso não é jornalismo imparcial, é seleção arbitrária de quem pode ou não falar com o eleitor capixaba”, afirma o senador.
Marcos Do Val reforça que não se opõe à existência de um critério objetivo de corte para as sabatinas — pelo contrário, defende que esse critério exista e seja aplicado de forma igual a todos. O que contesta é o uso de uma pesquisa realizada num momento ainda inicial da campanha, antes de os candidatos terem tido oportunidade plena de se apresentar ao eleitor e expor suas propostas, como parâmetro definitivo e insuscetível de revisão — sobretudo quando aplicado de forma seletiva, prejudicando apenas um dos candidatos que o atingiu.
Para o senador, o episódio expõe um padrão mais amplo: candidaturas como a sua, que historicamente fazem oposição frontal ao sistema político, ideológico e econômico que governa o país há décadas, enfrentam resistência crescente de parte da grande mídia em 2026 — resistência que, no entender do senador, se manifesta também na forma como esses veículos moldam o acesso dos candidatos a seu público. Marcos Do Val lembra ainda que sua exclusão priva do contato direto com a cobertura da Rede Gazeta não apenas um candidato, mas um senador eleito e em pleno exercício do mandato.
A campanha espera pronta resposta da Justiça Eleitoral e reafirma confiança de que a decisão da emissora será revista, assegurando a Marcos Do Val o mesmo espaço concedido aos demais candidatos que atingiram o critério anunciado.
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Sobre Marcos do Val:
Marcos Ribeiro do Val é senador da República pelo Espírito Santo, eleito em 2018, e candidato à reeleição pelo Avante nas Eleições 2026.
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- Matéria veiculada na mídia capixaba
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