VITÓRIA
Pesquisar
Close this search box.

Ação Legislativa

Deputados do RJ aprovam benefício a policiais civis que matarem bandidos em confronto

Publicados

SEGURANÇA

Emenda foi incluída no projeto de reestruturação da Polícia Civil; governador Cláudio Castro dará o veredito final

Por Wilson França* – Rio de Janeiro / RJ

A conhecida ”Bancada da Bala” da Assembleia Legislativa (Alerj) incluiu emenda no projeto de reestruturação da Policia Civil que ressuscita a polêmica ”Gratificação Faroeste”, que permite a premiação de policiais por ato de bravura que matarem bandidos em confronto. O projeto foi aprovado pelo Legislativo Estadual, nesta terça-feira (23/set) e irá à análise do governador Claudio Castro, que tem 15 dias para vetá-lo ou sancioná-lo.  

Por 45 votos a 17, o plenário da Casa rejeitou um destaque para retirar a emenda que ressuscitava o benefício criado em 1995 pelo governador Marcelo Alencar (PSDB) e extinta pela própria Alerj em 1998. Capitaneado pelo líder do governo e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Rodrigo Amorim (União), a emenda foi então acrescentada ao projeto do executivo que trata da reestruturação do quadro permanente da Polícia Civil.

”Querem impedir que o policial que neutraliza vagabundos seja condecorado, tenha uma gratificação à altura do desempenho da brilhante função de herói. Meu encaminhamento não é pelo governo, meu encaminhamento é pelo consenso dos deputados que defendem o bom policial que neutraliza criminosos no Rio de Janeiro”, defendeu Amorim, em plenário, olhando em direção à bancada do PSOL, contrária à emenda.

Além de Amorim, assinam a emenda outros seis integrantes da chamada bancada da bala da Alerj: Alan Lopes (PL), Filippe Poubel (PL), Alexandre Knoploch (PL), Renan Jordy (PL), Douglas Gomes (PL) e Marcelo Dino (União).

”Tem que trabalhar cumprindo as leis e a Constituição brasileira é muito clara. Ninguém pode matar alguém fazendo uma execução sumária. Então, quem defende a polícia, em especial a Polícia Civil, que é a nossa polícia investigativa, que é a nossa polícia judiciária, que é a nossa polícia que tem que agir com inteligência, não defende uma gratificação como essa”, disse Flávio Serafini, do PSOL.

Carlos Minc (PSB), que já era deputado na época da criação do benefício, em 1995, e que foi o autor do projeto que acabou com a gratificação, em 1998, fez um breve balanço do período de sua existência. ”A ‘gratificação faroeste’ aumenta a violência. Quem mata mais, ganha mais. Isso dobrou a taxa de letalidade em confrontos com a polícia”, disse. Minc se baseou em dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) e pela Alerj.

Reestruturação do quadro da polícia civil

O projeto aprovado em discussão única pela Alerj, de autoria do Poder Executivo, prevê a reestruturação do quadro permanente da Secretaria de Estado de Polícia Civil. Agora, o texto segue para o governador Cláudio Castro, que tem até 15 dias para sancionar ou vetar a medida.

Leia Também:  Polícia Militar recebe viaturas do Governo do Estado

A principal mudança prevista é a redução de 11 cargos para sete. Assim, o quadro da corporação passará a ter as seguintes funções: delegado de polícia; perito legista; perito criminal; perito papiloscopista; oficial de Polícia Civil; piloto policial; e técnico de polícia científica. A proposta também estabelece as atribuições de cada um desses cargos.

Outro ponto presente na proposta é a regulamentação das vantagens pagas aos agentes. São elas: décimo terceiro salário; auxílio-transporte; auxílio-invalidez; auxílio-saúde, auxílio-doença; diárias; adicional de atividade perigosa; adicional por tempo de serviço; abono permanência; gratificação pelo exercício de cargos ou funções de confiança; gratificação de habilitação profissional; auxílio-funeral; adicional de remuneração para as atividades insalubres; gratificação de atividade técnico-científica de nível superior; auxílio-alimentação; gratificação de atividade aérea; verba de representação para delegado de polícia; e demais vantagens indenizatórias previstas em lei, inclusive as concedidas aos servidores públicos em geral.

Fica ainda estabelecido o adicional de atividade perigosa ao policial civil, no percentual de 230% sobre o vencimento-base, salvo para os delegados. Para estes, fica destinada verba de representação, no percentual de 212% sobre o vencimento-base. Além disso, a Gratificação de Habilitação Profissional é devida ao policial civil pelos cursos realizados com aproveitamento, nos seguintes percentuais: Formação Profissional: 90%; Aperfeiçoamento Profissional: 95%; Especialização Profissional: 100%; Superior de Polícia: 105%.

As emendas incorporadas

Entre as emendas apresentadas e incorporadas ao texto original está o artigo que garante ao policial civil o direito de receber premiação em pecúnia, por mérito especial, em caráter individual. A bonificação será concedida por ato do chefe do Poder Executivo, mediante reconhecimento oficial e dentro dos procedimentos regulamentares definidos pela Secretaria de Estado de Polícia Civil.

O valor poderá variar entre 10% e 150% dos vencimentos do servidor premiado, respeitado o teto constitucional. A premiação será destinada a casos de apreensão de armas de grande calibre ou de uso restrito em operações policiais, além de situações que envolvam a neutralização de criminosos. A proposta de emenda foi apresentada pelos deputados Alan Lopes (PL), Marcelo Dino (União) e Alexandre Knoploch (PL).

“Nós sabemos que o Rio de Janeiro é um estado fora da curva, então apresentamos uma proposta que incentiva o nosso policial que sai de casa deixando quem ele tanto ama para proteger quem ele nem conhece. É nada mais do que a valorização desses policiais. Quando você implementa uma medida como essa, você incentiva esse policial”, disse Dino.

Outra emenda aprovada estabelece que delegados de polícia não poderão exercer funções de comando ou chefia em forças de segurança que tenham como atribuição principal o policiamento ostensivo e comunitário. A vedação busca evitar o desvio de função e assegurar a autonomia institucional entre as diferentes corporações de segurança pública. A proposta foi apresentada pelos deputados Renan Jordy (PL), Jari Oliveira (PSB), Filippe Poubel (PL), Alan Lopes (PL), Thiago Gagliasso (PL) e Douglas Gomes (PL).

Leia Também:  "Casal do tráfico" é preso com caminhonete roubada na Serra

Já o deputado Luiz Paulo (PSD) defendeu a aprovação do destaque que garante nomeação em concurso da Polícia Civil e de Oficial de Cartório. O texto prevê que, no preenchimento dos cargos de Oficial de Cartório e de Investigador Policial, será respeitada a livre escolha do chefe do Poder Executivo quanto ao número de nomeações, prazos e critérios de convocação. A medida estabelece que os candidatos já aprovados na primeira fase do concurso em andamento para Oficial de Cartório, bem como os aprovados em todas as etapas do concurso para Investigador Policial, poderão ser chamados de acordo com a decisão do governo.

Outra emenda, aprovada através de votação em destaque, foi apresentada pelo deputado Flávio Serafini (PSol). Ela estabelece as atribuições de cada uma das categorias de peritos. Segundo o parlamentar, a norma tem como objetivo fortalecer o trabalho da perícia criminal e da inteligência policial. Desse modo, será possível que a Polícia Civil entregue maior eficiência no trabalho de investigação de crimes.

“A gente tem feito um debate de fortalecimento da perícia técnico-científica, que precisa ser cada vez mais autônoma, independente e com mais condições de trabalhar. O Rio é o único estado do Brasil onde a perícia não é dirigida por um perito. Além disso, com a consolidação dos papiloscopistas também como peritos, a gente precisava ter um desenho claro de quais são as atribuições deles, dos peritos legistas e dos peritos criminais. O que nossa emenda fez foi definir bem esse escopo”, salientou Serafini.

Gratificações e promoções

A proposta ainda estabelece que a Gratificação de Atividade Técnico-Científica de Nível Superior é devida aos integrantes dos cargos de perito legista, perito criminal, perito papiloscopista, e corresponde a 100% do vencimento-base. Define também que as promoções regulares dos policiais civis serão realizadas por classe, à razão de dois terços por antiguidade e um terço por merecimento, tanto no dia 21 de abril quanto no dia 29 de setembro de cada ano.

A norma estabelece que as promoções regulares, por ato de bravura e post mortem, serão realizadas com base nos critérios e procedimentos previstos na Lei Complementar Estadual nº 204/2022, a serem regulamentados por ato normativo. O texto ainda cria a promoção compulsória por antiguidade, independentemente de vaga no quadro permanente da Polícia Civil.

———————————–

* Diário do Rio – Conteúdo

* Foto/Destaque: Divulgação / Polícia Civil-RJ

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

SEGURANÇA

Irmãos policiais fazem troca de comando inédita na PM do ES

Publicados

em

Esta foi a primeira vez em 191 anos da PMES em que um irmão transmitiu o comando para outro

Por Guilherme Lage* | Vitória (ES)

Um momento inédito marcou a história da Polícia Militar do Espírito Santo, nesta segunda-feira (22), em Vitória. Nesta data, pela primeira vez em 191 anos de PM no Estado, um irmão transmitiu o comando de uma unidade para o outro.

O momento solene aconteceu com a transmissão da 12ª Companhia Independente, que patrulha a região continental deVitória ao major Baltazar Rubim Garcia. Ele recebeu a responsabilidade das mãos do irmão mais novo, Isaac Rubim Garcia.

Isaac assumirá o 1º Batalhão da Polícia Militar, também na Capital. Segundo ele, poder passar o comando da Companhia Independente ao irmão, foi um momento único e histórico, cheio de emoção.

Foi emocionante! Inicialmente, porque transmiti o comando a uma pessoa extraordinária e que cuidará muito bem da Unidade. Em segundo lugar porque sabemos que foi um momento histórico nos 191 anos de existência da PMES, Major Isaac Rubim Garcia

Família de policiais

Isaac e Baltazar vêm de uma família com seis irmãos em que quatro são policiais. De acordo com Isaac, o desejo de se tornar um policial militar surgiu quando ainda era criança, em 1990.

Isso porque naquele ano, a irmã mais velha, Rosane, ingressou na corporação. Quatro anos depois foi a vez do outro irmão, Ubiratan. Dali para a frente, o desejo de ser policial nunca mais passou.

“Rosane, a mais velha, entrou na PM em 1990 e se aposentou na graduação de subtenente. Ubiratan ingressou em 1994 e se aposentou no posto de capitão. A família sempre ‘respirou’ a Polícia Militar e ficou muito emocionada com o momento. Quando Rosane entrou na PM, eu era uma criança de apenas 7 anos e, desde já, quis seguir os passos dela. Ela foi minha inspiração”, contou.

Para Isaac, assumir o 1º Batalhão é motivo de orgulho e sentimento de honra. Aos 44 anos, o major está há 25 anos na corporação.

Leia Também:  Policiais usam drones e cães na busca pelos três adolescentes desaparecidos

Segundo ele, poder compartilhar o momento com o irmão torna a celebração ainda mais significativa.

“Isso, de certo modo, é um prêmio para nossa carreira, um reconhecimento também da história que a gente trilhou na Polícia Militar, estou muito feliz e foi no primeiro batalhão que eu iniciei minha carreira operacional, após o Curso de Formação de Oficiais. Comecei aqui em dezembro de 2003, ingressei na Polícia Militar em março de 2001, em dezembro de 2003 iniciei minha carreira no primeiro batalhão e fui até 2010 aqui”, disse.

“Honra e responsabilidade”, diz major

Para o major Baltazar, que assume o posto que era do irmão, o momento se tornou simbólico por conta da responsabilidade que se assume ao se tornar comandante de uma unidade.

Tudo se tornou mais especial por ter vivido o momento, justamente em família, ao lado do irmão e com a presença da mãe e das esposas de cada um.

Foi um momento de grande emoção e significado. Na condição de policial militar, assumir o comando de uma Unidade já representa, por si só, uma enorme honra e responsabilidade. Mas receber essa missão das mãos do meu irmão tornou a ocasião ainda mais especial. Todos os irmãos, nossa mãe, esposas, filhos e demais familiares e amigos vieram prestigiar, Major Baltazar Rubim Garcia.

Ainda segundo ele, o momento foi marcado por reflexão sobre a confiança que a corporação tem nos irmãos.

“Recebi a missão com gratidão e o compromisso de dar continuidade ao excelente trabalho desenvolvido na 12ª Companhia Independente, sempre buscando servir da melhor forma à população de Vitória”, disse.

Continuidade ao trabalho do irmão

Segundo Baltazar, assumir a nova missão à frente da 12ª Companhia exige dedicação, equilíbrio e total alinhamento com os valores institucionais da Polícia Militar.

De acordo com ele, as pessoas podem esperar a continuidade do trabalho iniciado pelo irmão, que ele classifica como “pautado na preservação da ordem pública, no fortalecimento do policiamento ostensivo e na aproximação cada vez maior com a comunidade”.

“Também pretendo dar sequência às ações integradas com outros órgãos e reforçar o emprego estratégico do policiamento, valorizando o profissionalismo da tropa e o compromisso com a missão constitucional da Polícia Militar”, afirmou.

Leia Também:  Polícia do Senado apura suposto plano de atentado de Deolane contra Flávio Bolsonaro

Quem são os irmãos policiais

Isaac Rubim Garcia nasceu em 1982, em Alegre, e ingressou na PMES em 2001, aos 18 anos, por meio do Curso de Formação de Oficiais. Formado em 2003, iniciou a trajetória no 1º Batalhão, em Vitória, onde atuou como comandante de Policiamento da Unidade.

Ao longo da carreira, desempenhou funções como comandante de pelotão de patrulhamento tático motorizado e subcomandante da Companhia de Operações com Cães do Batalhão de Missões Especiais (BME).

Como capitão, passou por unidades como o Batalhão de Polícia de Trânsito, o 14º BPM, a Casa Militar do Governo e o 6º BPM. Já como major, atuou no Ciodes e na Diretoria de Recursos Humanos do Quartel do Comando-Geral, além de comandar por quatro anos a 12ª Companhia Independente. Agora, assume o comando do 1º Batalhão, unidade onde iniciou a carreira operacional.

Já Baltazar Rubim Garcia nasceu em 1979, em Jerônimo Monteiro, e ingressou na PMES em 2007, aos 27 anos, também pelo Curso de Formação de Oficiais, concluído em 2009. Sua primeira atuação foi no 9º Batalhão, em Cachoeiro de Itapemirim, onde exerceu funções como comandante de policiamento da unidade e chefe de seções de planejamento, recursos humanos e inteligência.

Também serviu no 1º Batalhão, acumulando funções de comando e inteligência, além de ter atuado como chefe de curso na Academia de Polícia Militar. Como capitão, passou pelo Batalhão de Missões Especiais, pelo 6º BPM, pelo 2º BPM e pela Diretoria de Tecnologia da Informação.

Já no posto de major, foi chefe da Divisão Operacional do 6º BPM entre 2024 e 2026. Agora, assume o comando da 12ª Companhia Independente da PMES.

————————————————–

  • Folha Vitória – Conteúdo
  • Foto destaque: Divulgação / PMES
COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

GERAL

POLÍTICA & GOVERNO

CIDADES

TURISMO

MAIS LIDAS DA SEMANA