Pré-campanha
Lula: Tarcísio “não é nada” sem Bolsonaro
Política
Em tom de campanha, presidente diz que governador vai fazer o que o ex-chefe do Executivo quiser, porque depende do apoio dele
Por Fernanda Strickland e Vitor Correia* – Brasília / DF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a disparar, nesta sexta-feira, contra rivais políticos — e prováveis concorrentes em 2026 — durante visita a Minas Gerais. Ele disse não ter medo de adversários e criticou os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ambos considerados pré-candidatos à Presidência. O chefe do Executivo afirmou que Tarcísio “não é nada” sem o ex-presidente Jair Bolsonaro. Sobre Zema, voltou a chamá-lo de “falso humilde” e disse que o governador mineiro recebeu mais recursos federais nesta gestão federal do que na anterior.
“Temos que reconhecer que o Bolsonaro tem uma força no setor da extrema-direita muito grande. O Tarcísio vai fazer o que o Bolsonaro quiser. Sem o Bolsonaro, ele não é nada, ele sabe disso “, respondeu Lula, ao ser questionado sobre o governador paulista, durante entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais. Ele também rebateu o resultado de uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que mostrou que Tarcísio o venceria em um eventual segundo turno: 48,4% contra 46,6%. “A história está cheia de gente que seria eleita no dia anterior, mas, quando concorre, não tem voto”, frisou.
O chefe do Executivo repetiu que será candidato se tiver condições de saúde para um novo mandato e que se prepara para enfrentar um adversário de direita apoiado por Bolsonaro. Ele mencionou outros governadores que pretendem concorrer à Presidência e avaliou como positivo o número de postulantes. “Todos devem ser candidatos, se quiserem. Tarcísio quer ser candidato, Zema, (Ronaldo) Caiado (governador de Goiás), Ratinho (Jr., governador de Santa Catarina). Que seja todo mundo. Quanto mais, melhor”, afirmou.
Sobre Bolsonaro, Lula voltou a defender que o ex-presidente deve provar sua inocência, e não contar com a aprovação de um projeto de anistia, como o que está em tramitação no Congresso. “Não se discute anistia. É uma coisa tão impertinente. Ninguém foi ainda condenado. O homem (Bolsonaro) não foi nem julgado. Ele já está querendo anistia. Já está dizendo que é culpado e quer ser perdoado? Não. Ele tem que primeiro provar a inocência dele”, disse. Questionado se assistirá ao julgamento que começa na terça-feira, em que o ex-presidente é réu por tentativa de golpe de Estado, ele negou. “Não, eu não vou assistir ao julgamento. Tenho coisa melhor para fazer”, respondeu.
Em relação aos aliados, Lula exaltou o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que estava ao seu lado durante a entrevista, assim como os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos) — todos mineiros. O presidente reforçou que quer Pacheco como candidato a governador do estado, mas alertou que o martelo precisa ser batido logo.
“Eu acho que o tempo do Pacheco está terminando, porque o povo já começa a pensar o que vai acontecer neste país”, declarou. “Eu acho que ele tem de tomar uma decisão, porque é importante. Quanto mais tempo ele demorar para tomar decisão, mais os outros vão ganhando espaço”, acrescentou. Na avaliação dele, caso o senador decida concorrer, os adversários vão “se desmanchar em pó”.
Sem trégua
Na entrevista, Lula classificou de histórica a megaoperação contra o PCC, deflagrada na quinta-feira, e ressaltou que a ofensiva marca um novo momento no enfrentamento à violência. “Foi a operação mais importante da história de 525 anos do Brasil. Até agora, prendia-se só o andar de baixo. Agora, queremos saber quem é que faz parte do crime organizado no andar de cima”, afirmou.
Segundo ele, o crime organizado já se infiltrou em diferentes setores da sociedade: política, futebol, Justiça e economia. Mas garantiu que o governo não vai recuar. “Nós não vamos dar trégua. O que aconteceu ontem (quinta-feira) foi muito importante e vai ajudar na aprovação da PEC da Segurança no Congresso”, ressaltou, numa menção à proposta que aumenta a participação da União no combate ao crime organizado, e fortalece a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O petista confirmou também que viajará a Manaus em setembro para inaugurar um centro da Polícia Federal voltado ao combate ao narcotráfico. Reforçou que a integração entre União e estados será essencial para fortalecer a segurança pública. “O que queremos é saber como o governo federal pode ajudar os governadores a fazer uma polícia mais eficiente. Não tem mais volta: começamos a agir fortemente contra o crime organizado”, frisou.
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*Correio Braziliense – Conteúdo / Foto Destaque: Crédito – Ricardo Stuckert / PR
Política
Câmara da Serra aprova “Projeto Anti-Oruam” que proíbe shows com apologia ao crime
Proposta do vereador Cabo Rodrigues recomenda que a prefeitura rescinda contratos e aplique sanções a artistas e eventos
Um projeto apresentado pelo vereador Cabo Rodrigues propõe proibir a Prefeitura da Serra de contratar, patrocinar, apoiar ou divulgar shows e eventos que façam apologia ao crime organizado, ao tráfico e ao uso de drogas, à violência contra as mulheres ou que promovam ataques às forças policiais.
A proposta, que ficou conhecida como “projeto Anti-Oruam“, também inclui restrições a apresentações com apologia à pornografia e prevê sanções para os contratados que descumprirem as regras.

O texto, apresentado como projeto de indicativo, recomenda que o prefeito Weverson Meireles (PDT) adote as medidas por meio das secretarias municipais competentes. A justificativa é proteger crianças e adolescentes e estabelecer critérios para a utilização de recursos públicos em eventos culturais.
No momento, ainda sem sanção, o projeto funciona como uma indicação ao prefeito.
De acordo com a proposta, a proibição alcançaria a contratação de artistas e eventos abertos ao público infantojuvenil ou que, pela natureza das apresentações, atraiam esse público. O projeto também prevê a vedação ao apoio, patrocínio e divulgação, pelo município, de eventos que promovam ou exaltem as práticas mencionadas.
Multa pode chegar a 100% do contrato
O texto estabelece que os contratos de shows, artistas e eventos acessíveis ao público infantojuvenil deverão incluir uma cláusula que proíba manifestações de apologia ao crime e ao uso de drogas.
Caso a regra seja descumprida, o contratado poderá sofrer a rescisão imediata do contrato, além de outras sanções previstas contratualmente. A proposta também estabelece multa equivalente a 100% do valor contratado.
O valor arrecadado com as multas deverá ser destinado ao ensino fundamental da rede municipal da Serra.
A proposta prevê ainda que qualquer pessoa, entidade ou órgão público poderá denunciar possíveis violações à Prefeitura da Serra por meio da Ouvidoria municipal. A fiscalização ficaria a cargo dos órgãos competentes, incluindo a Guarda Civil Municipal ou a Polícia Militar, desde que exista convênio para essa finalidade.
Proteção de crianças e adolescentes, diz projeto
Na justificativa, o vereador argumenta que a medida tem como fundamento o artigo 227 da Constituição Federal, que determina prioridade absoluta à garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
O parlamentar afirma que o poder público deve adotar medidas para prevenir a violência e a exploração desse público, além de evitar o financiamento de apresentações que, na avaliação da proposta, incentivem práticas criminosas.
O texto também sustenta que a restrição ao uso de dinheiro público não representa censura à liberdade de expressão artística, mas uma forma de estabelecer critérios para a aplicação dos recursos municipais.
A proposta prevê que a regulamentação da lei caberá ao Poder Executivo e que as regras entrariam em vigor na data de sua publicação, caso sejam aprovadas e sancionadas.
O projeto não altera, segundo o texto apresentado, a responsabilidade de pais e responsáveis de observar a classificação indicativa de shows e eventos que não sejam contratados pelo poder público municipal.
Quem é Oruam
O rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, de 23 anos, é filho de um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso desde 1996. Os dois nunca conviveram fora da prisão, de onde o líder continua a comandar a facção criminosa.

O rapper chegou a comentar a respeito de um projeto de lei semelhante ao da Serra, que também proíbe a contratação de artistas que fazem apologia ao crime e ao uso de drogas.
“Eles sempre tentaram criminalizar o funk o rap e o trap coincidentemente o universo fez um filho de traficante fazer sucesso, eles encontraram a oportunidade perfeita pra isso, virei pauta política mas o que vocês não entendem é que a lei anti-Oruam não ataca só o Oruam, mas todos”, disse o rapper na rede social X (antigo Twitter).
Ele se referia à iniciativa da vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), de São Paulo. Propostas similares, como a da Serra, já foram protocoladas em mais de 80 cidades brasileiras, sendo 18 capitais, de acordo com a parlamentar.
Projeto foi aprovado com 17 votos
De acordo com a ata de votação, a matéria foi aprovada com 17 votos a favor e nenhum voto contra.
Apesar disso, aparece que os vereadores Agente Dias (Republicanos) não votou e Dr. Thiago Peixoto (PSOL) não estava presente. O presidente da Câmara, Dr. William Miranda (União), não votou, pois só participa em critérios de desempate.
O Folha Vitória procurou a assessoria da Prefeitura da Serra para informações se o projeto já foi enviado ao prefeito Weverson Meireles. A matéria será atualizada assim que houver retorno.
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- Com informações Folha Vitória – Conteúdo
- Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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