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Governo dobra a aposta e vai ao Supremo pelo IOF

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Ação será impetrada hoje pela AGU e entregue ao ministro Alexandre de Moraes para relatá-la. Mais cedo, presidente da Câmara, Hugo Motta, publicou vídeo com recados ao Palácio do Planalto deixando claro que congressistas não vão recuar

Brasília/DF

Apesar das advertências de setores do governo e do próprio PT, o Palácio do Planalto decidiu dobrar a aposta feita pelo Congresso e vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a derrubada do decreto que aumenta o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolará hoje a ação, que será imediatamente encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes — que analisa medida semelhante impetrada pelo PSol.

A decisão tem tudo para acirrar, ainda mais, a crise entre o Executivo e o Legislativo, e trazer o Judiciário para o ringue. O governo, porém, pretende argumentar junto aos líderes partidários do Congresso dois pontos: 1) que a medida tem base jurídica, conforme a análise feita à AGU e repassada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e 2) que não se trata de afrontar o Congresso, mas, sim, defender uma prerrogativa do Executivo.

Desde ontem cedo, porém, a temperatura da crise entre o Congresso e o Palácio do Planalto estava alta devido ao vídeo postado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no Instagram pessoal. Na publicação, manda duros recados ao governo e deixa claro que os parlamentares estão dispostos a enfrentar o Executivo por conta da judicialização do aumento do IOF.

Motta começa rebatendo a versão de que o governo não foi alertado antecipadamente sobre as dificuldades de manter o decreto do IOF. Uma resposta direta à crítica do líder do PT na Casa, deputado Lindbergh Farias (RJ), que classificou como “estranha” a forma como a pauta foi conduzida pelo presidente da Câmara. Segundo o petista, os líderes governistas só tomaram conhecimento da inclusão do projeto na pauta por volta das 23h35 do dia anterior à votação, por meio de uma publicação de Motta no X (antigo Twitter).

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“O capitão que vê o barco indo em direção ao iceberg, e não avisa, não é leal, é cúmplice. E nós avisamos ao governo que essa matéria do IOF teria muita dificuldade de ser aprovada no Parlamento. O presidente de um Poder não pode servir a um governo; tem que servir ao seu país”, afirmou Motta.

Depois dessa alfinetada, passa a listar matérias aprovadas na mesma sessão da derrubada do decreto que, segundo ele, substituem o aumento do IOF e geram arrecadação para a União — como uma medida provisória que possibilita o investimento de R$ 15 bilhões em habitação, na qual foi incluído um”jabuti” que permite ao governo vender o excedente da produção de petróleo, com potencial arrecadatório de até R$ 20 bilhões.

Ele adverte, ainda, sobre a estratégia de colocar a sociedade contra o Congresso. Isso porque, desde que o governo foi derrotado com a derrubada do decreto, circulam nas redes sociais vídeos mostrando que, enquanto boa parte da população sustenta a arrecadação de impostos, uma parte da sociedade faz lobby no Parlamento e impede que se faça a redistribuição tributária. Motta observa que a derrubada do IOF passou com 383 votos.

“Quem alimenta o nós contra eles acaba governando contra todos. A polarização política no Brasil tem cansado muita gente e, agora, querem criar a polarização social. Se uma ideia for ruim para o Brasil, eu vou morder. Mas se a ideia for boa, vou soprar para que possa se espalhar por todo o país”, frisou.

Reações

No governo, o alerta de Motta foi claramente entendido. Tanto que, no evento sobre o lançamento do Plano Safra da agricultura familiar, houve recados na direção do Congresso. O mais veemente foi o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad — defensor da judicialização do IOF.

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“Estão falando de aumento de imposto por quê? Porque estamos fechando brechas? Fazendo o andar de cima pagar? Vamos continuar fechando todas as brechas, os jabutis, que no Brasil são órfãos de pai e mãe, aparecem em uma lei em geral para favorecer um grande empresário. Para tirar esse jabuti do regramento jurídico, é um parto. E cada vez que a gente tira o jabuti da árvore, há uma grita de aumento de imposto. Isso não é aumento de imposto. É o mínimo de respeito com o trabalhador que paga as contas em dia. Vamos continuar fazendo justiça social. Pode gritar, pode falar. Vai chegar o momento de debater, mas temos que continuar fazendo justiça social e não podemos nos intimidar”, exortou, num discurso que incluiu até mesmo uma crítica ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Já o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, afirmou que o vídeo de Motta não faria o governo “subir o tom” contra o Congresso. “É um direito dele responder. A gente também tem que se posicionar. O governo tem que explicar a posição que a gente tem, para as pessoas entenderem. Não é necessariamente subir o tom”, justificou.

Ele também defendeu o direito de Lula levar a questão do IOF para o STF. “Não é nenhuma afronta. É continuar brigando por aquilo que ele [Lula] acha que é direito dele. Quando o Executivo exorbita do que está no texto legal, o PDL é cabível. Mas tem que tomar cuidado, porque existe uma separação de Poderes. Cada um com sua parte”, observou.

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*Correio Braziliense – Conteúdo

*Foto/Destaque: Motta presidente da Câmara dos Deputados / crédito: Bruno Spada – Câmara dos Deputados

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Política Nacional

TSE nega pedido de entidade espanhola para observar eleições

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Corte apontou falta de perfil técnico e vínculos políticos de integrantes com críticos do sistema eleitoral. Entidade usava nome similar ao de órgão europeu

Por Iago Mac Cord | Brasília (DF)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o pedido de credenciamento da organização espanhola Eurolat Global Democracy Forum para atuar como observadora internacional nas eleições gerais de outubro. A decisão se baseia no entendimento de que a entidade não possui o perfil técnico e institucional exigido pela Corte para monitorar o processo de votação no Brasil.

De acordo com o Tribunal, missões desse tipo devem ser vinculadas a organismos internacionais consolidados, universidades ou centros de pesquisa com legitimidade reconhecida.

A análise técnica feita pela diretoria internacional do TSE concluiu que a organização não se enquadra no conceito de organização internacional. O grupo funciona como um fórum de debate da sociedade civil, sem chancela governamental ou autoridade legislativa.

Um ponto de confusão é que a entidade espanhola utiliza o mesmo nome da Assembleia Parlamentar Euro-Latina-Americana (Eurolat), esta sim um órgão público vinculado ao Parlamento Europeu desde 2006, mas que não possui relação com o grupo barrado.

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O histórico dos integrantes e vínculos políticos da Eurolat Global pesaram decisivamente no indeferimento do pedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A missão seria chefiada por Ahmed Adheeb, ex-vice-presidente das Maldivas condenado a 20 anos de prisão por corrupção em seu país, e pelo diplomata espanhol Daniel del Valle Branco.

Entre os nomes indicados estava também Maurício Galante, vereador em Arlington, nos Estados Unidos, e presidente no mercado estadunidense do Instituto Harpia — entidade presidida no Brasil pelo ex-deputado Major Vitor Hugo e que conta com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como presidente de honra.

A Corte ressaltou que membros do grupo mantêm laços diretos com críticos severos do sistema eleitoral brasileiro, o que inviabiliza a neutralidade exigida para a observação internacional.

Ataques às urnas

O próprio Galante chegou a publicar vídeos afirmando que o pleito brasileiro corre “sério risco de não ser reconhecido” devido ao uso das urnas eletrônicas. A Eurolat havia anunciado nas redes sociais, em 2 de julho, a intenção de acompanhar as eleições sob a justificativa de buscar “eleições livres e transparentes”, mas teve a solicitação formal negada nas semanas seguintes.

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A decisão segue os critérios institucionais definidos pela Resolução n° 23.678/2021, que condiciona a atuação desse tipo à celebração de acordos prévios com o Tribunal. Com a rejeição do pedido da organização espanhola, o TSE tem, atualmente, duas solicitações em análise para as eleições, incluindo a da organização “Transparencia Electoral”.

Até o momento, já estão credenciados para acompanhar o pleito a Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia (UE), a União Interamericana de Organismos Eleitorais e a Rede de Jurisdições e Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

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  • Correio Braziliense – Conteúdo
  • Foto destaque: crédito: Luiz Roberto / TSE
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