Coluna / Opinião
Entrelinhas da Política | julho – 2ª edição
OPINIÃO

Por Paulo Roberto Borges
Convenções Partidárias
Os partidos, seguindo o que preconiza a legislação eleitoral em vigor, estão realizando suas convenções com a finalidade de oficializar o lançamento de seus candidatos.
Na convenção do PSB, realizada no último dia 25, o fato de maior relevância foi o anúncio do apoio do candidato ao Senado, Renato Casagrande, à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não sei se essa decisão lhe trará ganhos eleitorais, mas permanece a percepção, entre parte do eleitorado, de que não é confortável apoiar um presidente que foi condenado, posteriormente teve suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, e que, na avaliação de seus críticos, pouco entregou ao país ao longo de quase quatro anos de governo. Também é alvo de críticas por declarações consideradas inadequadas, pelo elevado nível de gastos públicos e por medidas econômicas que, segundo opositores, não contribuíram para equilibrar a situação do Brasil. Para esses críticos, Lula governa mais com um projeto de poder do que com um programa de governo.
É importante reconhecer, contudo, que Casagrande realizou uma gestão bem avaliada, especialmente pelos municípios do interior do Espírito Santo. Por isso, suas chances de conquistar uma vaga no Senado são reais.
O PT cobra
O Partido dos Trabalhadores (PT) quer que o ex-governador e candidato ao Senado, Renato Casagrande (PSB), faça campanha para a reeleição do presidente Lula. Na eleição passada usou a imagem do Bolsonaro somente para se eleger. Depois voltou ao ninho da esquerda.
Faz bem o PT exigir esse comprometimento do ex-governador ao seu candidato à Presidência.
Cariacica é destaque nacional
O município de Cariacica vem se consolidando como um dos principais polos do desenvolvimento econômico capixaba. De janeiro a junho deste ano, alcançou a expressiva marca de R$ 29,61 bilhões em importações, resultado que o coloca na quinta posição do ranking nacional.
O desempenho reforça a importância estratégica da cidade no cenário econômico brasileiro, aproximando-a de grandes centros logísticos já consolidados, como Itajaí, Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro. O avanço evidencia a força da infraestrutura local, a capacidade de atrair investimentos e o protagonismo crescente de Cariacica no comércio exterior.
Nossos “representantes”
Neste período eleitoral, o brasileiro terá, mais uma vez, a oportunidade de escolher quem irá representá-lo nas diferentes esferas de poder. Na prática, porém, a representatividade política no Brasil continua deixando a desejar. Em muitos casos, ela não corresponde às expectativas do eleitor nem traduz os anseios da sociedade.
O cidadão deposita seu voto na esperança de que as mudanças prometidas finalmente aconteçam. No entanto, a decepção costuma chegar cedo. Grande parte dos eleitos não corresponde à confiança recebida nas urnas e, frequentemente, atribui sua falta de resultados ao chamado “sistema”, às dificuldades políticas ou a outros obstáculos. Enquanto isso, permanece durante quatro anos usufruindo de prerrogativas e privilégios que, para muitos brasileiros, jamais deveriam fazer parte da vida pública.
Essa realidade ajuda a explicar o crescente distanciamento entre eleitores e representantes, alimentando a descrença na política e reforçando a sensação de que o mandato, muitas vezes, serve mais aos interesses de quem foi eleito do que aos da população que o colocou no cargo.
Bloco de Notas

Gestão – Segundo a prefeita de Vitória, Cris Samorini (PP), a administração municipal já concluiu 410 obras e mantém outras 80 em execução. É preciso reconhecer, entretanto, que parte significativa desse resultado decorre do trabalho realizado na gestão do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Desmentidas – A deputada estadual Camila Valadão (Psol) afirmou, posicionamento posteriormente repercutido pela vereadora Karla Coser (PT), que Renato Casagrande não integra o grupo político de Lula. No entanto, o próprio candidato ao Senado declarou, durante a convenção do PSB, que apoia e votará no presidente petista.
Mancada – Uma administração pública solicitar oficialmente a cassação do mandato de um parlamentar não parece uma atitude compatível com os princípios democráticos. Foi o que ocorreu no pedido de cassação do vereador Professor Juscelino (PT). A Câmara Municipal de Vitória rejeitou a medida por unanimidade. Fica a indagação: se a situação fosse inversa, a esquerda manteria o mesmo entendimento em defesa da independência entre os Poderes?
Infelizmente é real – Muitos ingressam na política em busca de privilégios, e não para servir à população. Como disse alguém: “Enquanto continuarmos querendo um governante apenas carismático, em vez de um líder competente, continuaremos vivendo essa mesma realidade”.
Economia – Em conversa com um economista especializado em reforma tributária me afirmou que o contribuinte vai continuar, como sempre, fora do radar que, supostamente, possa lhe beneficiar. Ilusão.
É isso mesmo? – O candidato a Presidência da República, Flávio Bolsonaro, escolhe sua vice e o cacicão do seu partido, PL, não concorda ou quer negociar algo que está nos subterrâneos do interesse pouco republicano. Pode isso, Arnaldo?!
Bola Dentro –
Para o ministro do STF, André Mendonça, que vem demonstrando disposição para investigar fatos e condutas que considera lesivos ao País e à população. Na avaliação desta coluna, postura que contrasta com a de outros integrantes da Corte, frequentemente acusados de agir com maior rigor contra adversários políticos, inclusive em casos nos quais, segundo seus críticos, não houve a prática de crime.
– Bola Fora
Para a cúpula da Polícia Federal que, conforme divulgado, alegou não dispor de efetivo suficiente para investigar o caso envolvendo o INSS e Lulinha. Ao mesmo tempo, críticos afirmam que há estrutura e recursos para conduzir investigações envolvendo adversários do governo e integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Em tempo: A crítica dirige-se exclusivamente à cúpula da Polícia Federal, e não à instituição como um todo, composta por servidores que desempenham suas funções com profissionalismo e dedicação.
________
Reflexão
“Seja a mudança que você deseja ver no mundo”.
Autor: Mahatma Gandhi
OPINIÃO
Entrelinhas da Política | Setembro – 2ª. edição

Por Paulo Roberto Borges
STF e seus personagens
A Alta Corte brasileira se apequenou. E não é apenas por causa dos fatos levantados pela Polícia Federal envolvendo as relações do ministro Alexandre de Moraes. Não podemos esquecer que o atual presidente do STF, Edson Fachin, foi quem sepultou a Lava Jato e “descondenou” Lula, tornando-o novamente candidato do “Sistema” e, segundo Gilmar Mendes, com a ajuda do Supremo, presidente da República.
Cármen Lúcia é a mesma que, na visão de seus críticos, rasgou a Constituição ao “censurar” as redes sociais, dizendo que era apenas — pasmem! — “um pouquinho”. Dias Toffoli, bem, é o “amigo do amigo do meu pai”, o mesmo do episódio do “Taiaiá”. Zanin foi advogado de Lula e, por isso, seus críticos questionam sua isenção para ocupar uma cadeira no STF. Gilmar Mendes — santo Deus! — dispensa comentários.
Fux, agora endeusado por seu voto contrário à condenação do ex-presidente, foi o mesmo ministro que tomou a decisão que resultou na soltura de André do Rap, apontado como um dos criminosos mais perigosos do país e que permanece foragido no exterior.
Lewandowski e Barroso foram dois ministros que, até pouco tempo atrás, também eram alvo de duras críticas e contribuíram, na opinião de seus opositores, para o desgaste da imagem do STF.
Sobram André Mendonça e Nunes Marques. Mendonça vem cumprindo, na visão de seus admiradores, o sagrado dever de juiz. Nunes Marques, por sua vez, é visto como um ministro mais discreto e, algumas vezes, incapaz de assumir posições mais firmes em defesa daquilo que entende ser justo. Ambos foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diante de todo esse prontuário, o que se pode esperar de uma Corte que deveria estar acima das disputas políticas e atuar em favor do Brasil e da democracia?
O Senado deveria saber.
Moraes, seus pares e a credibilidade do STF
O Brasil, formado por cidadãos que defendem e valorizam verdadeiramente uma democracia plena e irrestrita, acompanhou atentamente a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) que colocou o ministro Alexandre de Moraes no centro de um dos mais delicados episódios recentes da Corte.

Diante do que foi exposto durante a sessão, torna-se difícil afastar a percepção de que existe uma forte articulação entre setores do STF alinhados ao governo Lula. O pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino interrompeu a análise do caso e poderá levar a uma suspensão de até 90 dias, conforme as regras da Corte.
O timing não deixa de chamar a atenção: o prazo pode avançar para além das eleições de outubro. Até lá, o processo permanece sem uma definição, enquanto as controvérsias envolvendo a atuação de Moraes continuam provocando questionamentos e alimentando o debate público sobre os limites de atuação do Supremo.
Mais do que uma disputa entre ministros, o episódio coloca em discussão algo maior: a credibilidade da própria Corte perante a sociedade. Quando integrantes do mais alto tribunal do país entram em confronto público, trocam acusações e deixam questões relevantes sem uma resposta definitiva, a confiança nas instituições inevitavelmente passa a ser colocada em debate.
O STF tem papel essencial na democracia brasileira. Justamente por isso, seus integrantes precisam estar submetidos aos mesmos princípios de transparência, imparcialidade e respeito ao devido processo legal que a própria Corte exige das demais instituições.
A sociedade brasileira tem o direito de cobrar respostas, clareza e segurança jurídica. Afinal, a credibilidade de uma instituição tão poderosa não se sustenta apenas pela autoridade de seus ministros, mas também pela confiança que consegue preservar diante daqueles em nome de quem a Justiça é exercida.
Candidatos ao Senado
A eleição para o Senado, diante do cenário que se apresenta no Brasil, tornou-se, talvez, uma das mais importantes para quem deseja ver restabelecida a normalidade institucional do País.
No Espírito Santo, há candidatos de diferentes campos ideológicos, da esquerda à direita. O cardápio é variado, mas é preciso cautela nas escolhas, porque aquilo que está explícito no menu nem sempre é o que encontraremos depois do consumo. Experiências passadas servem de alerta: houve candidato que se apresentou como aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e defensor da direita e que, depois de eleito, adotou posições políticas muito diferentes daquelas que haviam marcado sua campanha.

Também temos candidato que, como governador, realizou obras e ações importantes no Estado, especialmente nos municípios do interior e fora da Grande Vitória. Em determinado momento, contou inclusive com o apoio e a imagem de Bolsonaro para se eleger governador. Posteriormente, por razões políticas, aproximou-se do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passou a apoiá-lo. Já declarou, inclusive, que votará pela reeleição de Lula. Caso chegue ao Senado, qual será a sua postura diante desse novo cenário político?
Há também um senador em final de mandato que lançou a própria filha para dar continuidade ao seu legado político. Nos últimos tempos, como senador, ele adotou uma postura combativa e se destacou por críticas ao governo e por questionamentos a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). É uma trajetória política que merece ser observada em perspectiva, inclusive considerando suas diferentes fases.
Temos ainda outro candidato à reeleição: o senador Marcos do Val (Avante). Ao longo do mandato, ele protagonizou embates políticos e institucionais e fez críticas contundentes a decisões e integrantes do STF. Também foi alvo de medidas judiciais e de forte controvérsia política. Agora, apresenta-se novamente ao eleitorado capixaba em busca de um novo mandato no Senado.
Outros candidatos ao Senado sabem que a caminhada é tortuosa e difícil. Entre eles estão nomes com experiência política e atuação em diferentes áreas. Evair de Melo (Republicanos), deputado federal desde 2015, disputa uma vaga no Senado. Também está na corrida o vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo). A lista oficial de candidatos ao Senado no Espírito Santo inclui ainda outros nomes, entre eles Fabiano Contarato, Maguinha Malta, Renato Casagrande, Rose de Freitas, Sergio Meneguelli, Professor Fabian, Rodney Miranda e Callegari.
A escolha, portanto, não deveria ser feita apenas pelo discurso de campanha. Cabe ao eleitor conhecer o passado, conferir as atitudes e observar as posições assumidas por cada candidato ao longo de sua trajetória política. Afinal, entre aquilo que se anuncia no cardápio eleitoral e o que chega à mesa do eleitor pode existir uma enorme diferença.
___________________
Bola Dentro / Bola Fora
Bola Dentro – Para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Sua atuação e suas posições em julgamentos têm sido acompanhadas de perto por diferentes setores da sociedade, especialmente por aqueles que defendem maior equilíbrio entre as instituições.
Bola Fora – Para o ministro Gilmar Mendes, também do STF, em razão de uma declaração na qual fez referência à ética e à lealdade existentes até mesmo na máfia. A afirmação provocou questionamentos e abre espaço para uma pergunta: o que exatamente o ministro quis dizer com essa comparação?
Bloco de Notas

Sem audiência – Os desfiles de Sete de Setembro, nos últimos anos, têm registrado participação popular que desperta diferentes interpretações. Uma das imagens que mais repercutiram foi a do presidente Lula e da primeira-dama Janja acenando durante o desfile oficial. Para os críticos do governo, a cena simbolizou o distanciamento entre o poder e parte da população.
Para lembrar – Foi o ministro Edson Fachin quem, em 2021, determinou a anulação das condenações de Lula proferidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba, ao considerar que aquele juízo não era competente para processar e julgar os casos. O Plenário do STF posteriormente confirmou a decisão, por maioria, e determinou a remessa dos processos à Justiça Federal do Distrito Federal.
Diagnóstico – Acabou a testosterona no Senado?
Óbvio – Para quem defende o funcionamento regular das instituições, o cenário político brasileiro continua despertando questionamentos e preocupações. O debate sobre os limites e a atuação de cada Poder permanece no centro da discussão nacional.
Festa – São Mateus comemora mais um aniversário de sua fundação. A Prefeitura prepara uma programação especial para receber os moradores e visitantes. A cidade vive um novo momento administrativo, com obras, investimentos e mudanças que vêm sendo apresentadas pela atual gestão. O desafio é transformar essa nova fase em resultados permanentes para a população.
Mas… – O ex-prefeito de São Mateus, Daniel Santana, é candidato a deputado federal. O TRE-ES concluiu, em 15 de setembro, o julgamento de todos os pedidos de registro de candidatura das Eleições 2026 no Estado. As informações sobre a situação individual de cada candidatura estão disponíveis no sistema DivulgaCandContas.
Pega a visão – As recentes controvérsias envolvendo o STF e seus ministros continuam alimentando um intenso debate público sobre os limites de atuação da Corte, a separação entre os Poderes e a confiança da população nas instituições. É um debate que precisa ser feito com firmeza, mas também com responsabilidade e respeito aos fatos.
________
Reflexão

“Existe uma certa quantidade limite de canalhas e bandidos que se pode suportar. E o Brasil já passou dos limites, com certeza”.
Autor: Olavo de Carvalho
-
POLÍTICA & GOVERNO6 dias atrásConselho Tutelar de Vitória ganha sede própria a partir desta segunda (14)
-
Política / Eleições7 dias atrásJanja é vaiada durante comício de Lula em Curitiba
-
GERAL6 dias atrásPassageiros de voos domésticos podem ser multados em até R$ 17,5 mil desde segunda-feira (14)
-
CIDADES5 dias atrásDossiê sobre doação de áreas públicas da Prefeitura foi feito, e sociedade mateense quer saber quem são os contemplados
-
Política / Eleições7 dias atrásMarcos do Val, após ser excluído de sabatinas da Rede Gazeta, aciona a Justiça Eleitoral
-
BRASIL6 dias atrásMoraes aponta nulidade em investigação e pede arquivamento de processo
-
Política / Municipal6 dias atrásMunicípio ministra capacitação sobre direitos das crianças e adolescentes
-
Justiça5 dias atrás“A gente luta para que ele seja condenado”, diz família de jovem morta com mais de 40 facadas