Política Nacional
Deputados federais do ES aumentam gastos em quase R$ 2 milhões em um ano
Política Nacional
Bancada capixaba na Câmara custa mais de R$ 20 milhões por ano aos cofres públicos, segundo Portal da Transparência
Por Julia Camim*
Os dez deputados federais do Espírito Santo em exercício custam aos cofres públicos mais de R$ 20 milhões por ano, considerando remuneração, cota parlamentar, verba de gabinete, auxílio-moradia e despesas com viagens oficiais.
De 2023 para 2024, os custos dos deputados aumentaram R$ 1,9 milhão. No primeiro ano, foram gastos R$ 21.346.353,7 e, no segundo, R$ 23.318.218,4. Só nos quatro primeiros meses de 2025, a bancada capixaba já gastou R$ 7,92 milhões.
A remuneração mensal dos deputados evoluiu desde o início deste mandato. Em 2023, cada um ganhava R$ 41.650,92 por mês; em 2024, R$ 44.008,52; e, em 2025, ganham R$ 46.366,19.
A reportagem do Folha Vitória utilizou os dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados para calcular os gastos dos parlamentares por ano e por tipo de gasto. Os dados de 2025 consideram os meses de janeiro, fevereiro, março e abril. Apenas as cotas parlamentares foram registradas até o dia 12 de maio.
Vale lembrar que o deputado Gilvan da Federal (PL) está afastado cautelarmente do cargo por três meses e, durante este período, não vai receber salário, benefícios ou cota.
Cota parlamentar
A cota parlamentar é utiliza para custear as despesas do mandato. As mais comuns são divulgação da atividade do deputado, aluguel de veículos, manutenção de escritório, passagens aéreas e combustíveis.
Veja quanto os deputados capixabas usaram de cota parlamentar neste mandato:
| Deputado | 2025 | 2024 | 2023 |
| Amaro Neto (Republicanos) | R$ 182.660,09 | R$ 506.115,63 | R$ 458.750,88 |
| Da Vitória (PP) | R$ 157.285,37 | R$ 510.896,55 | R$ 429.030,59 |
| Dr. Victor Linhalis (Podemos) | R$ 115.190,76 | R$ 503.609,10 | R$ 434.815,33 |
| Evair de Melo (PP) | R$ 157.398,03 | R$ 516.103,05 | R$ 476.234,90 |
| Gilson Daniel (Podemos) | R$ 157.405,32 | R$ 528.932,70 | R$ 475.715,97 |
| Gilvan da Federal (PL) | R$ 128.535,58 | R$ 468.081,64 | R$ 402.738,15 |
| Helder Salomão (PT) | R$ 112.507,10 | R$ 339.570,24 | R$ 302.724,62 |
| Jack Rocha (PT) | R$ 142.719,37 | R$ 489.456,53 | R$ 482.593,71 |
| Messias Donato (Republicanos) | R$ 113.517,65 | R$ 510.844,07 | R$ 468.036,10 |
| Paulo Folletto (PSB) | R$ 162.970,55 | R$ 520.091,33 | R$ 483.178,18 |
| Total | R$ 1.430.189,82 | R$ 4.893.700,84 | R$ 4.413.818,43 |
Verba de gabinete
Cada deputado tem à disposição R$ 133.170,54 por mês para pagar salários de até 25 secretários de gabinete, que podem trabalhar em Brasília ou no Espírito Santo. Eles são contratados diretamente pelos deputados e recebem de R$ 1.548,10 a R$ 18.719,88.
Gastos dos deputados capixabas com verba de gabinete:
| Deputado | 2025 | 2024 | 2023 |
| Amaro Neto (Republicanos) | R$ 498.560,90 | R$ 1.355.755,47 | R$ 1.292.561,31 |
| Da Vitória (PP) | R$ 445.430,02 | R$ 1.274.712,58 | R$ 1.247.858,63 |
| Dr. Victor Linhalis (Podemos) | R$ 365.335,80 | R$ 1.258.996,58 | R$ 1.019.800,12 |
| Evair de Melo (PP) | R$ 500.570,46 | R$ 1.360.308,41 | R$ 1.291.730,54 |
| Gilson Daniel (Podemos) | R$ 337.998,12 | R$ 1.045.864,02 | R$ 1.072.399,57 |
| Gilvan da Federal (PL) | R$ 442.434,41 | R$ 1.340.735,59 | R$ 1.271.551,21 |
| Helder Salomão (PT) | R$ 482.757,59 | R$ 1.324.692,82 | R$ 1.249.900,89 |
| Jack Rocha (PT) | R$ 456.083,61 | R$ 1.166.375,80 | R$ 921.014,89 |
| Messias Donato (Republicanos) | R$ 500.302,97 | R$ 1.323.830,24 | R$ 1.173.999,56 |
| Paulo Folletto (PSB) | R$ 500.657,80 | R$ 1.370.040,61 | R$ 1.296.661,52 |
| Total | R$ 4.530.131,68 | R$ 12.821.312,12 | R$ 11.837.478,24 |
Auxílio-moradia
Os parlamentares que não ocupam os apartamentos disponibilizados pela Câmara em Brasília têm direito a receber um auxílio-moradia de R$ 4.253,00 (em 2025) por mês.
Atualmente utilizam o benefício Amaro Neto, Dr. Victor Linhalis, Evair de Melo, Helder Salomão e Jack Rocha. Gilvan da Federal, quando em exercício, também desfruta do auxílio.
Usam os apartamentos funcionais Da Vitória, desde 2019; Gilson Daniel, desde 2023; Messias Donato, desde 2023; e Paulo Folletto, desde 2022.
Veja quanto soma o auxílio-moradia concedido à bancada capixaba.
| Deputado | 2025 | 2024 | 2023 |
| Amaro Neto (Republicanos) | R$ 12.759,00 | R$ 51.036,00 | R$ 46.306,00 |
| Dr. Victor Linhalis (Podemos) | R$ 8.506,00 | R$ 51.036,00 | R$ 46.183,00 |
| Evair de Melo (PP) | R$ 17.012,00 | R$ 51.036,00 | R$ 46.465,00 |
| Gilvan da Federal (PL) | R$ 17.012,00 | R$ 51.036,00 | R$ 46.783,00 |
| Helder Salomão (PT) | R$ 17.012,00 | R$ 51.036,00 | R$ 46.277,00 |
| Jack Rocha (PT) | R$ 17.012,00 | R$ 51.036,00 | R$ 42.530,00 |
| Total | R$ 89.313,00 | R$ 306.216,00 | R$ 274.544,00 |
Viagens oficiais
Para realizar viagens oficiais, que devem ser relatadas posteriormente, os deputados recebem R$ 842 para cada diária em viagens nacionais, US$ 391 para viagens na América do Sul e US$ 428 para os demais países. Os valores das passagens também são reembolsados.
Até agora, 2023 teve o maior custo com viagens. Foram gastos R$ 96,9 mil. Naquele ano, viajaram Da Vitória (gastou R$ 22.333,62), Gilson Daniel (R$ 17.493,43), Helder Salomão (R$ 20.451,47), Jack Rocha (R$ 33.463,45) e Messias Donato (R$ 3.204,65).
Em 2024, foram pouco mais de R$ 20 mil gastos por Evair de Melo (R$ 15.868,72), Gilson Daniel (R$ 2.960,75) e Gilvan da Federal (R$ 1.263).
Já neste ano, os custos chegam a R$ 16 mil até o momento. Foram reembolsados Evair de Melo (R$ 11.158,44) e Gilson Daniel (R$ 4.934,65).
| 2025 | 2024 | 2023 |
| R$ 16.093,09 | R$ 20.092,47 | R$ 96.946,62 |
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* Folha Vitória – Conteúdo
* Foto/Destaque: Câmara dos Deputados
Política Nacional
Messias é rejeitado para o STF
Primeira rejeição em 132 anos marca indicações ao STF; Lula já nomeou Zanin e Dino para a Suprema Corte, desta vez fracassou na sua indicação
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo plenário do Senado, por 34 a 42 votos, marcando a primeira vez em 132 anos que um nomeado para a Corte é barrado. Apesar de ter sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias não alcançou os votos necessários na votação final, em um revés histórico para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 
A última rejeição havia ocorrido em 1894. Messias havia sido indicado para a vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Com o resultado negativo, o foco se volta para os outros dois ministros efetivamente nomeados por Lula em seu atual mandato: Cristiano Zanin e Flávio Dino.
As indicações bem-sucedidas de Lula
Cristiano Zanin, o primeiro nomeado
Antes da tentativa frustrada com Messias, o primeiro nomeado por Lula em seu terceiro mandato foi Cristiano Zanin. Ele atuou como advogado pessoal do presidente nos processos da Lava Jato, obtendo as vitórias judiciais que anularam as condenações e restauraram os direitos políticos do petista. Zanin assumiu a vaga deixada por Ricardo Lewandowski, que se aposentou em abril de 2023.
Flávio Dino, da política para a Corte
O segundo indicado a tomar posse foi Flávio Dino, então ministro da Justiça e Segurança Pública. Com uma longa carreira política como governador do Maranhão, deputado federal e senador, Dino preencheu a vaga aberta pela aposentadoria da ministra Rosa Weber. Sua nomeação levou para o STF uma figura com forte articulação política e experiência no Executivo e Legislativo.
Pesa sobre Flávio Dinho a acusação pela oposição, de ter supostamente dado sumiço às câmeras que tinham gravado a movimentação das tropas estacionadas no pátio do Ministério da Justiça sem intervir para impedir as ações que vandalizaram as sedes dos três poderes.
O perfil do indicado rejeitado
Jorge Messias, o nome barrado pelo Senado, é procurador da Fazenda Nacional de carreira e ganhou notoriedade em 2016. Na época, uma conversa sua com a então presidente Dilma Rousseff foi divulgada, na qual ela se referia a ele como “Bessias”, apelido que o acompanha nos bastidores do poder. Considerado um nome técnico e leal ao presidente, Messias ocupava a chefia da Advocacia-Geral da União (AGU) desde o início do governo. Protagonizou ações que influenciaram – de certa forma – na sua rejeição. “Seria mais um aliado do governo Lula e não um ministro imparcial, gerando desconfiança”, disse uma liderança política.
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- Da Redação | Com informações da mídia nacional
- Foto Destaque: crédito – Ed Alves /CB/ D.A Press
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