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Conhecendo a História / Brasília

Brasília comemora 64 anos de fundação

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Conhecendo a História

Por Paulo Borges*

Brasília, a jovem capital do Brasil, completa neste 21 de abril 64 anos de fundação. A lei de sua fundação foi sancionada pelo então presidente  Juscelino Kubitschek de Oliveira, também conhecido pela sigla JK. Foram 41 meses de construção, com inúmeros prédios, rodovias, implantação do serviço de água e esgoto, além do lago artificial, o Paranoá.

Construção de Brasília - Governo JK e Projetos de Niemeyer

Um resumo histórico

A mudança da capital brasileira do litoral para o Planalto Central foi assunto desde os tempos idos do Brasil colônia. Até os nomes sugeridos foram vários, dentre eles Vera Cruz, Cidade Tiradentes, Petrópole dentre outros. O nome Brasília foi aventado pelo então deputado, em 1823, José Bonifácio de Andrade e Silva, estadista e diplomata, o Patriarca da Independência, que propôs a criação de uma nova capital no interior do Brasil (sugerindo o nome Brasília), longe dos portos para garantir a segurança do país. A vocação mística de Brasília se inicia quando é incorporada à sua história o sonho de Dom Bosco.

Mas foi com o presidente Juscelino que o sonho começou a ser realidade com o início da sua construção em outubro de 1956. A data, 21 de abril de 1960, para a sua inauguração oficial como a nova capital do Brasil, não foi ao acaso. O novo centro de decisões da República viria ao mundo oficialmente no Dia de Tiradentes, símbolo da luta pela independência e pelos valores republicanos no Brasil. Fato é que JK buscava um lugar afastado do Rio de Janeiro e no meio do deserto por motivos geopolíticos: a capital não estaria tão vulnerável em caso de guerra, a pressão popular sobre o governo seria menor, a nova capital iria contribuir para a ocupação do interior brasileiro.

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Juscelino Kubitschek – Wikipédia, a enciclopédia livre

Então, em 1956, com nova demarcação da futura capital, o então presidente da República, Juscelino Kubitschek, deu início de fato à realização do projeto que durou séculos. Na mesma área das coordenadas que Dom Bosco apontou e às margens do Lago Paranoá, Brasília começou a ser erguida.

Inaugurada em 1960, e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1990. Em 1987, foi inscrita pela UNESCO da lista do Patrimônio Mundial.  

Inauguração e seus personagens

O projeto urbanístico foi de autoria de Lúcio Costa, arquiteto que conquistou essa função após ser anunciado como o vencedor do concurso organizado pela Novacap para essa finalidade (obter o projeto urbanístico), em 1957.

Com o projeto urbanístico aprovado, Juscelino escolheu Oscar Niemeyer como o arquiteto responsável pela construção dos monumentos. O carioca foi autor das principais estruturas da cidade: o Congresso Nacional, os Palácios da Alvorada e do Planalto, o Supremo Tribunal Federal e a Catedral de Brasília. 

Engenheiro calculista pernambucano pioneiro de Brasília, Joaquim Cardozo foi decisivo para que os rabiscos líricos de Oscar Niemeyer ganhassem forma no pesado e duro concreto armado tão presente nas edificações da cidade.

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A construção de Brasília custou U$ 83 bilhões.

Brasília: como visitar o Palácio da Alvorada e o Catetinho

Palácio Catetinho, primeiro local de trabalho de JK em Brasília (foto)

Com seu lema de campanha “50 anos em 5”, o presidente Juscelino implementou a sua política desenvolvimentista e se tornou um dos mais festejados e admirados presidente do Brasil republicano.

Juscelino morreu em Juscelino morreu em um acidente automobilístico em 22 de agosto de 1976. Segundo a perícia e laudo oficial na época, o acidente ocorreu por uma fatalidade normal no trânsito. Mas, durante muito tempo a desconfiança de atentado perdurou, mas após a família do ex-presidente pedir novas perícias, confirmou-se ter sido uma fatalidade.

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* Pesquisa: Pauta1 – Paulo Roberto Borges / Arquivo do Senado / Biblioteca Nacional / IHGB

* Fotos: Arquivos oficiais / publicações da época / Agência Brasil

* Vídeo: AB

 

 

 

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Conhecendo a História

Peixe pré-histórico que viveu há mais de 250 milhões de anos foi encontrado com ajuda de pesquisadores do Rio

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Nova espécie, que sobreviveu por pouco ao impacto do meteorito que causou a maior extinção em massa da história do planeta, revela detalhes de um ecossistema de 254 milhões de anos

Por Felipe Lucena* | Rio de Janeiro (RJ)

Uma nova espécie de peixe pré-histórico, que viveu há cerca de 254 milhões de anos, pouco antes da maior extinção em massa da história do planeta, acaba de ser apresentada em um estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O fóssil, encontrado no município de Alto Garças, em Mato Grosso, está excepcionalmente preservado e oferece uma rara oportunidade de conhecer a vida existente no continente sul-americano nos momentos que antecederam uma das maiores transformações da história da Terra.

Os professores Valéria Gallo e Francisco J. de Figueiredo, do Departamento de Zoologia da Uerj, participaram da descrição científica do animal, incluindo investigação, análise morfológica, descrição e validação do estudo. A nova espécie foi batizada de Leolepis matogrossensis e representa um achado raro em escala mundial entre os peixes continentais do Permiano Superior.

A nova espécie pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios) que reúne cerca de 96% dos peixes vertebrados atualmente existentes, incluindo espécies como atum, salmão e bacalhau. O animal tinha aproximadamente 15 centímetros de comprimento e apresentava uma característica marcante: seu corpo era protegido por escamas resistentes formadas por dentina e esmalte, os mesmos materiais encontrados nos dentes humanos.

O grau de preservação torna o achado especialmente relevante. Enquanto grande parte dos peixes dessa idade encontrados no Brasil é conhecida apenas por dentes, escamas ou fragmentos ósseos isolados, o exemplar de Leolepis conserva praticamente todo o corpo. O estudo o classifica como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado no estado de Mato Grosso, além de representar um achado raro em escala mundial.

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Um retrato da vida antes da maior extinção do planeta

O peixe viveu durante o Permiano Superior, em um grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior existente quando a América do Sul e a África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana.

Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas. O fóssil, portanto, ajuda a reconstruir parte de um ecossistema que existia pouco antes da chamada extinção Permo-Triássica, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos. O evento foi o maior episódio de extinção em massa conhecido pela ciência: cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas desapareceram.

Um peixe que viveu perto de uma cratera de asteroide

Há ainda uma coincidência geológica que torna a descoberta particularmente interessante: o fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul.

Formada pelo impacto de um asteroide estimado em 2 a 3 quilômetros de diâmetro, a estrutura possui aproximadamente 40 quilômetros de diâmetro. O impacto ocorreu em período próximo ao final do Permiano, quando Leolepis ainda fazia parte daquele ecossistema.

O evento de Araguainha pode ter causado efeitos ambientais regionais importantes, embora as evidências disponíveis não permitam apontá-lo como a principal causa da extinção em massa do final do Permiano.

Uma nova espécie para entender a evolução dos peixes

Além de registrar uma espécie até então desconhecida, a pesquisa contribui para ampliar o conhecimento sobre a evolução dos actinopterígios, grupo extremamente diverso que domina a fauna de peixes atual. O resultado ajuda a compreender a diversidade, a distribuição geográfica e a evolução desses peixes durante o Permiano.

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A descoberta também é importante porque o registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul ainda é considerado pouco conhecido. A pesquisadora Valéria Gallo, envolvida na descrição do fóssil, afirma que “por estar excepcionalmente preservado, o exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas”.

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. O nome Leolepis é uma homenagem ao geólogo, enquanto matogrossensis faz referência ao estado brasileiro onde o fóssil foi encontrado.

Para os pesquisadores, a descoberta também indica que ainda podem existir outros fósseis importantes a serem encontrados não apenas no Brasil, mas em diferentes regiões da América do Sul.

Pesquisa reúne instituições brasileiras e internacionais

O estudo foi realizado por uma equipe formada por pesquisadores vinculados à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Natural History Museum, de Londres, e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), entre outras colaborações internacionais.

Participaram da pesquisa Martha Richter, do Natural History Museum; Francisco J. de Figueiredo e Valéria Gallo, da Uerj; Raoul J. Mutter, pesquisador associado à área de paleontologia; Gerson Souza Saes, da UFMT, e Dharani Sundaran. A análise contou ainda com dados comparativos fornecidos pela pesquisadora Sam Giles, da University of Birmingham.

O fóssil permanece depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de O fóssil permanece depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso, sob o registro UFMT-353 a,b.

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  • Matéria do Diário do Rio – Conteúdo
  • Foto destaque: Divulgação
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