Política Nacional
Lula demite ministra da Saúde e dá início a Reforma Administrativa
Política Nacional
Brasília / DF
Com a popularidade em queda e pressionado por aliados que reivindicam mais espaço na Esplanada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deflagrou a reforma ministerial no primeiro escalão com a esperada demissão da ministra da Saúde, Nísia Trindade.
Para comandar a pasta, que tem um orçamento de R$ 239,7 bilhões, Lula escolheu o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT). A ideia é ter um perfil mais político no ministério.
O Centrão reivindicava o cargo, mas Lula não atendeu o grupo, sob o argumento de que a pasta é estratégica para o seu governo.
Com as mudanças, que continuarão nos próximos dias, o presidente tenta impor um freio de arrumação na segunda metade de seu mandato para estancar o desgaste e se preparar para 2026, quando pretende disputar a reeleição.
Ao deslocar Padilha, que cuidava da articulação política do governo, o chefe do Executivo abre espaço para uma nova troca justamente na área que trata da difícil relação do Palácio do Planalto com o Congresso, agravada por causa do impasse em torno das emendas parlamentares.
O mais cotado para a cadeira ocupada pelo ministro é o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), que foi chamado para uma conversa com Lula na noite desta terça-feira. Caso a ida de Guimarães para o núcleo duro do governo se confirme, a chamada “cozinha do Planalto” continuará nas mãos do PT. No Planalto, o único ministro não filiado ao partido é o publicitário Sidônio Palmeira, que desde janeiro está à frente da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, trabalhando no resgate da popularidade do presidente que está em baixa.
Menos mulheres
Com a saída de Nísia, o governo Lula passa a ter nove mulheres entre os 38 ministérios. Na primeira composição da equipe ministerial, em 2023, elas eram 11. Ao todo, nos últimos dois anos, foram feitas sete trocas no governo, com a saída de seis ministros — sendo a metade, de mulheres.
Uma possível saída para Lula recuperar parcialmente a representatividade do governo está em outra mudança ministerial, na Secretaria Geral da Presidência da República, atualmente chefiada pelo ministro Márcio Macedo. A presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) é a favorita para assumir o posto e recebeu muitos elogios do presidente, durante o aniversário da legenda, no último fim de semana.
“Graças a Deus, o partido compreendeu a necessidade de te eleger porque, se não fosse você, não sei se a gente teria um homem capaz de aguentar a barra que você aguentou defendendo o PT. Você é motivo de orgulho para mim”, disse Lula a Gleisi, no evento. A deputada federal está na presidência do PT desde 2017 e é a primeira mulher a assumir o cargo na legenda.
A dispensa de Nísia já era esperada e ocorre após semanas de “fritura” no cargo. Aplaudida de pé por colegas e servidores, ela deixou ontem o ministério, após dois anos de trabalho. “O presidente agradeceu à ministra pelo trabalho e dedicação à frente do ministério”, diz a nota oficial do governo.
Antes da reunião em que comunicou a dispensa de Nísia, Lula e a ministra estiveram na cerimônia de anúncio da produção de uma vacina contra a dengue 100% nacional, a partir de 2026. No evento, ficou patente o constrangimento entre os dois.
Primeira mulher a assumir o comando do Ministério da Saúde, Nísia fez um discurso já com tom de despedida. Com a voz trêmula e uma longa lista de agradecimentos à equipe, falou por mais de 30 minutos, o que não condiz com o perfil dela, que prefere falas breves e diretas. O fato de a ministra se alongar nas declarações provocou visível impaciência em Lula, que olhava frequentemente para o relógio. Ao terminar, Nísia foi ovacionada.
No encerramento, Lula foi questionado se faria trocas na Esplanada, mas não respondeu. Uma hora depois, recebeu a ministra em seu gabinete e a comunicou da exoneração.
O chefe do Executivo já vinha dando indícios de insatisfação com o trabalho de Nísia. A principal crise foi no início do ano passado, durante o surto de dengue que atingiu o país. Em uma reunião ministerial, ele cobrou a ministra por uma resposta mais eficaz à doença, e Nísia teria deixado a sala para chorar, reclamando da pressão que vinha sofrendo. À época, o Centrão também pressionava por vaga na pasta.
Nísia também teve imagem desgastada pela queima de doses vencidas da vacina da covid. Além disso, Lula a pressionava por uma entrega melhor do programa Mais Acesso a Especialistas, que busca reduzir a espera nos atendimentos por médicos especialistas no SUS. Para o chefe do Executivo, faltava uma “marca” de seu governo na Saúde.
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* Da Redação / Com informações da Agência Estado
* Foto/Destaque: Lula e Nísia / Crédito: Agência Estadão
Política Nacional
Messias é rejeitado para o STF
Primeira rejeição em 132 anos marca indicações ao STF; Lula já nomeou Zanin e Dino para a Suprema Corte, desta vez fracassou na sua indicação
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo plenário do Senado, por 34 a 42 votos, marcando a primeira vez em 132 anos que um nomeado para a Corte é barrado. Apesar de ter sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias não alcançou os votos necessários na votação final, em um revés histórico para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 
A última rejeição havia ocorrido em 1894. Messias havia sido indicado para a vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Com o resultado negativo, o foco se volta para os outros dois ministros efetivamente nomeados por Lula em seu atual mandato: Cristiano Zanin e Flávio Dino.
As indicações bem-sucedidas de Lula
Cristiano Zanin, o primeiro nomeado
Antes da tentativa frustrada com Messias, o primeiro nomeado por Lula em seu terceiro mandato foi Cristiano Zanin. Ele atuou como advogado pessoal do presidente nos processos da Lava Jato, obtendo as vitórias judiciais que anularam as condenações e restauraram os direitos políticos do petista. Zanin assumiu a vaga deixada por Ricardo Lewandowski, que se aposentou em abril de 2023.
Flávio Dino, da política para a Corte
O segundo indicado a tomar posse foi Flávio Dino, então ministro da Justiça e Segurança Pública. Com uma longa carreira política como governador do Maranhão, deputado federal e senador, Dino preencheu a vaga aberta pela aposentadoria da ministra Rosa Weber. Sua nomeação levou para o STF uma figura com forte articulação política e experiência no Executivo e Legislativo.
Pesa sobre Flávio Dinho a acusação pela oposição, de ter supostamente dado sumiço às câmeras que tinham gravado a movimentação das tropas estacionadas no pátio do Ministério da Justiça sem intervir para impedir as ações que vandalizaram as sedes dos três poderes.
O perfil do indicado rejeitado
Jorge Messias, o nome barrado pelo Senado, é procurador da Fazenda Nacional de carreira e ganhou notoriedade em 2016. Na época, uma conversa sua com a então presidente Dilma Rousseff foi divulgada, na qual ela se referia a ele como “Bessias”, apelido que o acompanha nos bastidores do poder. Considerado um nome técnico e leal ao presidente, Messias ocupava a chefia da Advocacia-Geral da União (AGU) desde o início do governo. Protagonizou ações que influenciaram – de certa forma – na sua rejeição. “Seria mais um aliado do governo Lula e não um ministro imparcial, gerando desconfiança”, disse uma liderança política.
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- Da Redação | Com informações da mídia nacional
- Foto Destaque: crédito – Ed Alves /CB/ D.A Press
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