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Política Municipal

Vitória terá orçamento de R$ 4,1 bilhões em 2027, maior orçamento da história da capital

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Política / Municipal

Por Julia de Almeida* | Vitória (ES)

Vitória terá, em 2027, o maior orçamento da história da capital, com R$ 4,145 bilhões previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) da Prefeitura. O valor é 6,25% maior que o orçamento aprovado para 2026, de R$ 3,9 bilhões, o que representa um acréscimo de R$ 243,7 milhões.

O crescimento é puxado pelos recursos próprios do município, que devem chegar a R$ 2,86 bilhões, alta de 11,47% em relação a 2026, o equivalente a R$ 294,9 milhões a mais. Já os recursos vinculados somam R$ 1,28 bilhão, redução de 3,84% em relação ao orçamento de 2026. O aumento dos recursos próprios amplia a capacidade de investimento do município e contribui para a manutenção do equilíbrio das contas públicas.

Visita nas Obras da UPA do Forte São João Mergulhão Jardim Camburi Guarderia Praia do Canto

UPA do Forte de São João / Foto: Marcos Salles

O crescimento do orçamento permitirá ampliar políticas públicas em áreas essenciais para a população, como Saúde, Educação, Assistência Social, Habitação e Segurança, fortalecendo serviços e investimentos voltados diretamente à melhoria da qualidade de vida dos moradores de Vitória.

Para a prefeita de Vitória, Cris Samorini, a definição das prioridades da gestão parte do diálogo com a população e da presença da Prefeitura nos bairros e nos diferentes espaços da cidade.

“A construção de uma cidade melhor passa, primeiro, por ouvir quem vive nela. Por isso, fazemos questão de estar nos bairros, nas escolas, nas feiras e nos diferentes espaços de Vitória, conversando com as pessoas e entendendo de perto as necessidades de cada região. É desse diálogo e dessa presença que surgem as prioridades que orientam nossas ações e nossos investimentos”, afirma Cris Samorini.

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Para o secretário municipal de Fazenda, Regis Mattos, a responsabilidade na gestão dos recursos públicos é fundamental para garantir a capacidade de investimento do município e dar continuidade às ações planejadas.

“O equilíbrio das contas públicas é o que nos dá segurança para planejar e executar os investimentos que a cidade precisa. Quando temos responsabilidade na gestão dos recursos, conseguimos transformar o planejamento em ações concretas, definidas a partir das necessidades que encontramos nos bairros e ouvimos da população. É esse trabalho que permite manter os serviços, realizar obras e ampliar os investimentos em Vitória”, afirma.

Educação e Saúde lideram

Alunos em aula de pintura CMEI Rubens José Vervloet / Foto: Jansen Lube

Entre as secretarias, a Educação terá o maior orçamento, com R$ 960,9 milhões, o equivalente a 23,2% do total. Em seguida vem a Saúde, com R$ 637,6 milhões. Na área da Saúde, a principal entrega prevista para 2027 é a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Forte São João, no Centro. A unidade será a primeira UPA da história de Vitória.

Na Educação, o planejamento também contempla a entrega de novas unidades de ensino. A Emef Irmã Jacinta Soares de Souza Lima, no Romão, tem previsão de entrega no primeiro semestre de 2027. Já a Emef São Vicente de Paulo, no Moscoso, deve ser entregue no segundo semestre.

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Orçamento para Habitação dobra em 2027

A Habitação também ganha reforço no orçamento de 2027. Os recursos destinados à área foram dobrados, garantindo maior capacidade para ampliar as políticas habitacionais no município. O aumento concretiza um dos compromissos assumidos pela prefeita Cris Samorini em sua posse, de fortalecer a política de Habitação e ampliar as ações voltadas às famílias da capital.

Segurança e Vitória de Frente para o Mar

O orçamento de 2027 também contempla o fortalecimento das políticas públicas de Segurança e a continuidade das ações do Vitória de Frente para o Mar, ampliando a capacidade do município de investir em iniciativas voltadas à proteção da população e à transformação e valorização da relação da cidade com sua orla.

Recursos serão destinados a pessoal, custeio e investimentos

Pela divisão por grupos de despesa, R$ 1,84 bilhão, o equivalente a 44,4% do orçamento, será destinado a pessoal. Outros R$ 1,45 bilhão, ou 35,1%, serão destinados ao custeio, que reúne despesas necessárias à manutenção dos serviços públicos, como limpeza pública e serviços médicos.

Os investimentos, que incluem obras, instalações e aquisição de equipamentos, somam R$ 545,9 milhões. Entre as ações previstas para 2027 estão investimentos na orla Beira-Mar, no Mergulhão de Camburi e na segunda etapa do Canal de Camburi.

Com equilíbrio das contas públicas e diálogo permanente com a população, a Prefeitura planeja o orçamento a partir das necessidades da cidade, destinando recursos para manter os serviços, ampliar os investimentos e realizar ações que contribuam para transformar a vida dos moradores de Vitória.

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  • Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo / Edição Andreza Lopes
  • Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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Política / Municipal

A guerra pela Mesa da Câmara de Vitória: STF, Justiça, 16 vereadores e a disputa pelo comando de 2027

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Por Paulo Roberto Borges* | Vitória (ES)

A disputa pela Mesa Diretora da Câmara de Vitória para o biênio 2027–2028 chegou a uma combinação de briga regimental, decisão do STF, disputa interna entre vereadores e judicialização. O ponto central, neste momento, é quando e em que condições os 21 vereadores poderão votar.

O que está em jogo

O Regimento Interno da Câmara previa originalmente a eleição da Mesa entre 1º e 15 de agosto do segundo ano da legislatura. Um grupo de 16 dos 21 vereadores defendia a manutenção dessa regra e articulava a eleição de Dalto Neves (Solidariedade) para presidente.

Do outro lado está o presidente da Câmara, Anderson Goggi (Republicanos), ligado politicamente ao grupo do então prefeito Lorenzo Pazolini. A discussão ganhou dimensão política porque Pazolini defendia que a eleição fosse realizada somente depois das eleições gerais de outubro.

Plenário da Câmara de Vitória | Foto: CMV – Comunicação

A primeira grande pendência: a data

O STF, ao analisar a questão, considerou incompatível com sua jurisprudência a regra que permitia a eleição em agosto. Na Reclamação 92.004, relatada pelo ministro Gilmar Mendes, a Corte aplicou o entendimento das ADIs 7.733 e 7.753 de que a eleição para renovação da Mesa deve ocorrer a partir de outubro do ano anterior ao início do segundo biênio. O agravo apresentado por Dalto Neves, Karla Coser, Pedro Trés e Camillo Neves foi rejeitado pela Segunda Turma.

Com isso, a Câmara estabeleceu administrativamente que não poderia haver eleição antes de 1º de outubro de 2026.

A segunda pendência: o projeto que fixa 1º de outubro

O grupo que inicialmente queria a eleição em agosto mudou a estratégia. Em julho, 11 vereadores protocolaram o Projeto de Resolução nº 8/2026 para estabelecer 1º de outubro como a nova data da eleição.

Assinaram o projeto: Dalto Neves, Bruno Malias, Ana Paula Rocha, Karla Coser, Professor Jocelino, Maurício Leite, André Brandino, Aylton Dadalto, Camillo Neves, João Flávio e Pedro Trés.

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A questão passou a ser: o presidente Anderson Goggi colocaria ou não o projeto em votação?

A terceira pendência: o requerimento de urgência

A situação se agravou porque 16 vereadores assinaram um requerimento de urgência, protocolado em 24 de agosto, para acelerar a tramitação do projeto que estabelece 1º de outubro como data da eleição.

Segundo a decisão judicial divulgada em setembro, Dalto Neves ingressou com mandado de segurança alegando que o requerimento preenchia os requisitos regimentais, mas não estava sendo colocado em votação.

Anderson Goggi

Em 21 de setembro, a 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual e Municipal de Vitória concedeu liminar determinando que a Câmara colocasse o requerimento de urgência em votação. A decisão também registrou que Goggi havia afirmado em plenário que somente colocaria a matéria em votação depois das eleições gerais de 4 de outubro.

Portanto, agora, esse é o novo front judicial da disputa. Mais uma pendência a ser destacada, a de Goggi x Dalto. Sendo assim, a disputa ficou bastante personalizada entre o presidente da Câmara, Anderson Goggi e o vereador Dalto Neves. O primeiro é do Republicano, o mesmo do ex-prefeito e candidato ao governo, Lorenzo Pazolini; Dalto é vereador do Solidariedade e principal nome articulado pelo grupo dos 16 para comandar a Mesa.

Mas não se trata apenas de uma disputa entre dois vereadores. A composição da Câmara é de 21 parlamentares, e o embate envolve diferentes grupos e interesses políticos.

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Dalto Neves

A imprensa registrou inclusive que, em determinado momento, Dalto declarou que não pretendia mais respeitar determinados acordos de plenário que considerava mal formulados, enquanto Goggi também afirmou não concordar com o acordo em questão.

A questão Pazolini

Essa é uma das partes politicamente mais delicadas da história.

Reportagens publicadas ao longo do ano relataram que um áudio atribuído ao então prefeito Lorenzo Pazolini teria provocado forte reação nos bastidores por suposta tentativa de interferência na eleição da Mesa. A disputa pela data acabou sendo associada à estratégia política de postergar a eleição para depois do pleito de outubro.

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É importante separar, jornalisticamente, fato comprovado de alegação política: a existência da disputa judicial e das decisões do STF e da Justiça estadual é documental; já interpretações sobre influência política, acordos e articulações de bastidores devem ser atribuídas às fontes.

Onde a situação está agora

Em termos objetivos, as principais pendências são:

  1. Votação do requerimento de urgência apresentado pelos 16 vereadores.
  2. Tramitação do Projeto de Resolução 8/2026, que estabelece 1º de outubro como data da eleição.
  3. Cumprimento da decisão judicial que determinou a apreciação do requerimento.
  4. Definição da composição da próxima Mesa, com Dalto Neves como nome articulado pelo grupo que reúne 16 vereadores.
  5. Disputa política entre o grupo de Dalto e o grupo comandado pela atual Presidência, com Anderson Goggi à frente da Câmara.
  6. Efeitos da eleição geral de 4 de outubro sobre as articulações internas.
  7. Possíveis novos recursos judiciais, considerando que a questão já passou pelo STF e voltou a ser objeto de decisão na Justiça estadual.

Em resumo: a eleição que deveria ser uma disputa interna da Câmara transformou-se numa batalha sobre a própria data da eleição, passou pelo STF, voltou ao Legislativo, chegou novamente ao Judiciário e agora está diretamente ligada à correlação de forças entre os 21 vereadores.

E há um detalhe importante: a eleição propriamente dita ainda não aconteceu. O que está em disputa neste momento é também quem terá o controle do calendário que levará à escolha da Mesa de 2027–2028. A atual Mesa permanece no exercício até a posse da nova composição, prevista para 1º de janeiro de 2027.

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  • Da Redação / Com informações de fontes políticas
  • Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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