Coluna / Opinião
Entrelinhas da Política | Setembro – 3ª. edição
OPINIÃO

Por Paulo Roberto Borges
Por que não?!
A candidatura individual, sem a necessidade de filiação partidária, representa uma mudança importante na forma de participação política. A proposta permite que o cidadão apresente seu nome diretamente ao eleitor, sem depender da estrutura, das decisões internas e das conveniências de uma legenda.
Na prática, a ideia fortalece a autonomia do candidato e coloca o eleitor diante de uma escolha mais centrada em sua trajetória, propostas e compromisso com a sociedade. Ao mesmo tempo, exige do candidato maior responsabilidade para construir sua própria base, apresentar ideias claras e conquistar a confiança do eleitor.
É um modelo que amplia o debate sobre representatividade e sobre até que ponto os partidos devem ser os únicos caminhos para quem deseja disputar um mandato eletivo.
Conveniências eleitoreiras

Dilma Rousseff já disse certa vez que, para ganhar uma eleição, “se faz o diabo”. José Dirceu, por sua vez, afirmou que eleição não se ganha, se toma.
O presidente Lula, numa investida para tentar conquistar corações e mentes, vem adotando medidas que podem ser interpretadas como de forte conotação eleitoral, especialmente diante das mudanças de posição em relação a iniciativas que foram implementadas ou defendidas por seu próprio governo.
O chamado “imposto das blusinhas” foi criado pelo governo e, agora, passou a ser alvo de mudanças. Com as bets, ocorreu movimento semelhante: o governo criou mecanismos de regulamentação e tributação do setor e, posteriormente, passou a endurecer o discurso contra as apostas. O reajuste do Bolsa Família também pode ser inserido nesse contexto, sobretudo porque ocorre próximo ao período eleitoral e depois de um longo período sem aumento real do benefício.
Vale lembrar que, ao longo dos quatro anos de mandato, muitas das promessas feitas nos palanques ainda aguardam concretização. Agora, em busca de mais quatro anos, o discurso volta a apresentar como novidade aquilo que, em grande parte, já havia sido prometido anteriormente.
Esse roteiro político se repete há décadas. A promessa de combater a pobreza, por exemplo, permanece recorrente nos discursos eleitorais, enquanto milhões de brasileiros continuam enfrentando dificuldades para melhorar suas condições de vida e parte da classe média sente o peso da perda de poder de compra.
O problema é que políticas públicas deveriam ser pensadas como projetos de Estado, com planejamento, continuidade e resultados duradouros — e não apenas como instrumentos de conveniência eleitoral.
Na avaliação de seus críticos, os governos do PT têm priorizado a manutenção de um projeto de poder em detrimento de uma visão de Estado de longo prazo. Também permanecem no debate público os diversos escândalos de corrupção que marcaram diferentes administrações petistas, ainda que cada episódio tenha suas próprias circunstâncias, responsáveis e desdobramentos judiciais.
No fim das contas, o eleitor precisa separar discurso de campanha, medidas de governo e resultados concretos. É nessa diferença que está a verdadeira dimensão das promessas eleitorais.
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Bola Dentro / Bola Fora
Bola Dentro – Para os clubes de futebol brasileiros que se sentiram apunhalados pela decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de pôr fim às bets, depois de o governo ter arrecadado mais de R$ 20 bilhões com esse segmento.
O governo federal regulamentou as apostas esportivas e, agora, em uma decisão que pode ser interpretada como de caráter eleitoreiro, muda as regras e sinaliza o fim da atividade, aos “45 minutos do segundo tempo”, depois de as normas terem vigorado por longo período.
A mudança atinge diretamente os clubes, que passaram a contar com as bets como uma importante fonte de patrocínio e receitas, criando uma situação de insegurança para o futebol brasileiro.
Bola Fora – Para ele, o presidente Lula foi à Assembleia Geral da ONU para, mais uma vez, reiterar discursos e narrativas que, na avaliação de seus críticos, pouco contribuem para o Brasil. Em seu pronunciamento, também aproveitou para abordar questões internas do país, em uma fala que pode ser interpretada como tendo forte conteúdo de comunicação política, inclusive com potencial interesse eleitoral.
Em tempo: na campanha passada, o então presidente Jair Bolsonaro foi impedido de utilizar, em sua propaganda eleitoral, trechos de seu discurso proferido na ONU. Agora, segundo decisões da Justiça Eleitoral, até mesmo a exibição de imagem e do nome do ex-presidente em determinadas peças de campanha pode sofrer restrições.
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Bloco de Notas

Avisou – O governo Lula admite que poderá deixar para a próxima gestão uma dívida pública próxima de 90% do PIB. O alerta sobre a situação fiscal do País já entrou no debate eleitoral e deverá ser um dos temas enfrentados pelo próximo governo.
Mentiroso – Parece até aluno aplicado do curso de narrativas políticas do PT. Falo do prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá (PT), que afirmou que o filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha, vive em Madri uma “vida espartana”. A declaração provocou críticas e questionamentos nas redes sociais, diante das informações públicas sobre o padrão de vida atribuído a ele.
Vigilante Amigo – Flávio Dino, ministro do STF, vem ampliando sua atuação em temas de grande repercussão política e institucional. Entre decisões recentes, estão medidas envolvendo emendas parlamentares, investigações e disputas relacionadas ao processo eleitoral. Críticos questionam os limites dessa atuação e levantam a seguinte pergunta: seria uma nova versão do “Moraes II”?
Nome falado – O deputado estadual José Esmeraldo tem sido bastante comentado na Região Serrana do Espírito Santo e deverá buscar votos naquela região. Outros nomes, como Gilson Daniel e Messias Donato, ambos na disputa para a Câmara dos Deputados, também vêm sendo mencionados positivamente nos bastidores políticos.
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Reflexão

“Lula / Moraes comandaram o Brasil dos brasileiros.
Agora os brasileiros querem o Brasil de volta”.
OPINIÃO
Vitória e os desafios de administrar uma capital
Administrar uma capital como Vitória não é tarefa simples. A cidade reúne, em um território relativamente pequeno, demandas que vão muito além dos limites de seus bairros. É centro político, econômico, turístico e administrativo do Espírito Santo e, diariamente, recebe milhares de pessoas que circulam por suas ruas em busca de trabalho, serviços, comércio, saúde, educação e lazer.
Por isso, avaliar uma administração municipal exige olhar para além de obras pontuais ou de ações que produzem maior visibilidade. Uma cidade bem administrada precisa apresentar planejamento, capacidade de execução, equilíbrio financeiro e, principalmente, respostas concretas às necessidades da população.
Vitória tem características que exigem atenção permanente. Mobilidade urbana, conservação das vias, drenagem, limpeza pública, segurança integrada, saúde, educação, habitação, turismo e ocupação ordenada do território estão entre os temas que desafiam qualquer gestor. Não basta inaugurar uma obra; é necessário garantir que ela cumpra sua finalidade e que os serviços públicos funcionem de maneira contínua.
A administração da capital também precisa compreender que Vitória não pode ser analisada isoladamente. Seus problemas e suas oportunidades estão diretamente relacionados aos municípios da Região Metropolitana. Milhares de trabalhadores entram e saem da cidade diariamente, o que torna indispensável uma visão integrada sobre transporte coletivo, trânsito, saneamento, desenvolvimento econômico e meio ambiente.
Outro ponto fundamental é a relação entre Prefeitura e cidadão. Transparência, prestação de contas e diálogo não devem aparecer apenas em períodos eleitorais. O contribuinte tem o direito de saber como o dinheiro público está sendo aplicado, quais são as prioridades estabelecidas e quais resultados estão sendo alcançados.
Vitória possui potencial para avançar ainda mais como referência em qualidade urbana, turismo, inovação, serviços e desenvolvimento econômico. Mas potencial, por si só, não produz resultados. É necessário planejamento de longo prazo, continuidade administrativa e capacidade de transformar projetos em benefícios efetivos para a população.
Uma administração municipal deve ser observada justamente por aquilo que permanece depois da fotografia, da inauguração e do discurso. A pergunta essencial é simples: o cidadão está percebendo melhoria na cidade e nos serviços que utiliza diariamente?
É essa avaliação que deve prevalecer. Vitória pertence aos seus moradores, aos trabalhadores que nela circulam, aos empreendedores que investem na cidade e a todos aqueles que ajudam a construir sua história.
Mais do que disputar narrativas políticas, a capital precisa discutir resultados. E cabe à sociedade acompanhar, cobrar, reconhecer os avanços e apontar aquilo que ainda precisa ser corrigido.
No fim das contas, administrar uma cidade é transformar recursos públicos em qualidade de vida. É por esse critério que toda gestão municipal deve ser acompanhada.
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O Editor / Equipe Pauta1
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