Coluna / Bloco de Notas
Coluna / Bloco de Notas – Edição de maio
OPINIÃO

Por Paulo Borges
O Brasil e suas mazelas
O Brasil não é para amador. Somos um país com características e diversidades que desafiam a sã consciência de especialistas, quando se debruçam para desenvolver seus estudos. A historiografia oficial vendeu por muito tempo a ideia que somos um povo pacífico. Se estudarmos a nossa história vamos constatar que essa não foi a nossa realidade histórica. Tivemos inúmeros movimentos contra o poder central e ainda hoje as ações de violência são praticadas por facções criminosas sob – em muitos casos – o olhar de complacência de autoridades e muita gente da sociedade, como se “o Brasil não tem jeito”. Não tem jeito porque a omissão e a complacência são características que ainda são resquícios impregnados em parte da sociedade acomodada, preferindo a zona de conforto que nos leva ao futebol, ao carnaval, aos assessórios sem irmos ao âmago dos nossos problemas. Reunimos um cabedal de qualidades e “desqualidades”. O Brasil real está desconectado daquele que é mostrado na telinha colorida da emissora do Plim-Plim.
Hoje, no Brasil, temos a letargia que nos paralisa diante de ações ditatoriais, injustiças e violência. O tal sistema se mostra para muitos como intransponível, invencível. Por vezes um homem esbofeteia toda uma população e está tudo certo. Vamos chorar pelos cantos, nas redes sociais, mas nada fazemos de efetivo para mudar essa realidade que não desejamos (só alguns a deseja).
Portanto, o Brasil tem jeito e somente o povo pode dar jeito, até porque alguém já disse que “só o povo salva o povo”. Esperar pela classe política que temos, vamos ficar esperando.
Paralelo macabro
A Prefeitura e o Governo do Estado do Rio de Janeiro torraram R$ 20 milhões dos recursos dos impostos pagos pela população com o show da pornográfico da Madona. Um grande banco e outra empresa despejaram R$ 100 milhões cada para em parceria com a Rede Globo patrocinar, divulgar e transmitir o evento. A propagando oficial dizia que era um show de graça nas areias de Copacabana. De graça cara pálida?!
Se fizermos um comparativo com o que se gasta com o carnaval de Guriri, guardadas as devidas proporções, em São Mateus se gasta mais ou próximo a isso. O mateense sente na pele, na mente e na alma e percebe porque não tem médicos nos postos de saúde, remédios na farmácia popular, educação de qualidade em suas escolas, ruas esburacadas e escuras, sem empresas instaladas trazendo emprego e renda. Em São Mateus, os gastos com um único evento, beira a esse valor. No Rio não se sabe se o Eduardo Paes leva “algum”, mas em São Mateus, a Polícia Federal provou que se levam “alguns”.
Desempregado
Ao final deste ano, muito prefeitos deixarão as prefeituras para voltarem a trabalhar na planície. Alguns até conseguirão novo emprego, outros terão dificuldade e podem ter o mandato estendido, mas na prisão.

Para quem desejar um funcionário com a expertise de destruir um município, o prefeito de São Mateus, Daniel Santana (foto), tem todas as qualificações para o novo cargo. Em sete anos e meio, tem sido competente nessa função.
Filosofando ao reverso
O Lula disse que se pudesse faria uma lei proibindo as pessoas de contar mentiras. O estranho – apesar de louvável – é que estaria legislando contra si próprio.
Engarrafamento
As eleições parecem distantes, mas não para os pré-candidatos. Eles estão andando correndo, abordando, articulando, mentindo, falando verdades tem todo tipo de espécie nessa “fauna e flora” da política capixaba.
No bairro de Jardim Camburi, o maior colégio eleitoral de Vitória, são sete pré-candidatos a vereador que residem no bairro. São seis que já têm mandatos e tentam a reeleição; sete pré-candidatos a prefeito, todos se preparando de caniço e anzol para pescar os votos necessários à sua eleição.
Linhares e a cafeicultura
Linhares é atualmente o segundo maior produtor capixaba de conilon (foto). Em 2022 o município produziu 6,03% de todo café produzido no ES.

No Espírito Santo, o dia 14 de maio marcou oficialmente o início da colheita de café Conilon. A data foi estabelecida para evitar que o produtor colha o café antes da hora certa. Desta forma garante-se a uniformidade de maturação dos grãos e mais qualidade ao produto.
Sujou
Um caminhão carregado de excremento, desfilou pelo centro da cidade de Santa Teresa, vindo de Santa Maria de Jetibá. O carregamento, mal acomodado na carroceria, incomodou os moradores, que foram obrigados a cheirar o que não desejavam.
O assunto excremental, foi parar na sessão da Câmara e alguns vereadores fizeram discursos inflamados sobre a ação “merdacológica” acontecida na cidade.
Existe vacina contra a gripe e outras comorbidades, mas ainda não inventaram a vacina contra a porcariada alheia. Só na taca!
Querendo voto do céu e dos seus
Contam a história de um certo ex-vereador de um município do norte capixaba, que arrecadou material de construção para – em mutirão – construir uma creche em seu bairro.
Acontece, porém, que ao conseguir todo o material, ergueu a sua igreja até porque se dizia pastor, e umas melhorias em sua casa.
Na esperança de receber um voto dos céus, não recebeu nem dos seus, pois perdeu a reeleição. Dizem que terminou de pagar penitência e vai tentar virar, novamente vereador e não enganador.
O lado surreal da política

Na política a gente vê cada coisa que beira a comicidade. Em São Mateus já teve candidato que usou na campanha o nome de guerra “Peixe Seco”. Agora apareceu “Sete Boia”. É pré-candidato a vereador e se não conseguir se eleger, não corre nenhum risco de se afogar.
Pré-candidatos a prefeito de São Mateus

A política no município é muito disputada e hoje os nomes que estão em maior evidência são o do ex-prefeito Amadeu Boroto (MDB), Carlinhos Lyrio (Republicanos) e Marcos Batista – Cozivip (Podemos). Em toda pesquisa feita até agora, em todos os cenários, Amadeu Boroto (foto) tem se destacado na preferência do eleitorado mateense.
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Pode Isso, Arnaldo?!

Não, não pode. O governo Lula e sua trupe fazer política com a tragédia que vive a população do Rio Grande do Sul. Isso é perigoso, pois o estado pode se levantar e criar problemas para o governo central. E a maioria dos brasileiros estarão solidários com o Rio Grande do Sul.
Resumão
* Sem Noção – O Lula vibrou com o resgate do cavalo sobre um telhado. Chegou a se imaginar pensando como um para sentir o desespero do animal. *** Obra anunciada – O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos) disse que a quadra da praça Mário Elias da Silva receberá uma cobertura, igual à que foi feita na quadra da Nilze Mendes Rangel. *** Amojac – Essa associação realizou eleição dia 28 de abril. Não houve divulgação, a presença foi reduzidíssima. Isso lembra o Lula, um presidente sem povo. *** Legislando ao reverso – O presidente Lula disse que se pudesse faria uma lei proibindo as pessoas de contar mentiras. Apesar de estranho – e louvável – estaria legislando contra si próprio. *** Sentença – No Brasil, na eleição, só é feio perder. *** Perseguidor – O prefeito de São Mateus, Daniel Santana (sem partido e sem vergonha), quer a todo custo despejar a Câmara de Vereadores da sua sede, um prédio recuperado e que virou um dos cartões postais da cidade. O objetivo do prefeito é destilar veneno e aflorar seu extinto de perseguidor contra o presidente Paulo Fundão (União), seu adversário-mor. *** Especulação – O MST é suspeito de ter ateado fogo em uma cooperativa em São Mateus. *** Miliciana – Janja é acusada de comandar milícia digital contra críticos do governo Lula. A pesquisadora Michele Prado denunciou a existência de uma milícia digital para tentar influenciar o debate público com “raids” de assédio. *** É o cara – O vereador Paulo Vitor (PSD), de Santa Teresa, tem se revelado a oposição contundente ao atual prefeito do município, Kleber Médici (PSDB). Errou, ele baixa a bota no chefe do Executivo municipal. Se acertou, ele tira o pé, mas passa ao largo. É um dos vereadores mais atuantes do Parlamento teresense. *** É ela – A vereadora Dra. Mel (PSDB), é outra parlamentar municipal muito atuante e sempre com bons propósitos. Tem conseguido exercer o seu mandato com dignidade. Aliás, a Câmara de Santa Teresa é, talvez, a mais produtiva do Estado. Tem bons parlamentares antenados com as demandas da população. *** Bem avaliado – O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), tem se revelado um dos melhores gestores que a capital capixaba já teve. ///
Para reflexão
“Às vezes é melhor um cavalo no telhado de uma casa do que relinchando livre, leve e solto…”
OPINIÃO
Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas
Por Arthur Gebara Júnior*
A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.
Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).
O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.
A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.
Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.
Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.
Instituições determinantes
Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.
Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.
Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.
O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

E o Brasil?
O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.
Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.
O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”
Determinismo histórico
Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.
Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.
O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”
O mapa da baixa produtividade
A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.
A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.
Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.
A Divergência Coreana
Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.
A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.
Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.
A retomada de Singapura e da China
A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.
A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.
Defasagem
No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.
Reformas
As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.
Radiografia da Estagnação Produtiva
A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.
Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.
Para a Virada Estrutural
A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:
– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.
– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.
– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.
– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.
Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.
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- Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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