Crise no Caribe
Maduro diz que Venezuela enfrenta maior ameaça em 100 anos
INTERNACIONAL
Presidente venezuelano acusa os Estados Unidos de apontarem 1.200 mísseis para o país dispostos em oito navios de guerra próximos à costa caribenha. Líder chavista anuncia “preparação máxima” da defesa
Por Rodrigo Craveiro*- Brasília / DF
Diante de representantes da imprensa internacional, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou que os Estados Unidos mantêm 1.200 mísseis de oito destróieres apontados para o país. O líder chavista assegurou que suas forças estão “prontas para a luta armada“. “A Venezuela está enfrentando a maior ameaça já vista em nosso continente nos últimos 100 anos”, advertiu Maduro. Ele classificou a mobilização militar dos EUA, que incluiriam ainda um submarino e 4.500 marines (fuzileiros navais), como “uma ameaça extravagante, injustificável, imoral e absolutamente criminosa, sangrenta”. “Eles quiseram avançar para o que chamam de pressão máxima. Neste caso, é militar. Diante da máxima pressão militar, nós declaramos a máxima preparação para a defesa da Venezuela.”
De acordo com o jornal El Nacional, de Caracas, sete navios de guerra, entre eles o USS San Antonio, o USS Iwo Jima e o USS Fort Lauderdale, além de um submarino nuclear de ataque rápido, estão no sul do Caribe. O deslocamento, de acordo com o presidente Donald Trump, insere-se em uma luta contra o tráfico internacional de drogas e o Cartel de Los Soles — acusado por Washington de escoar cocaína para o México e os Estados Unidos.
Para fazer frente à ameaça bélica, Maduro convocou o alistamento de reservistas e ativou 4,2 milhões de integrantes da Milícia Nacional Venezuela — um número considerado bastante exagerado por analistas internacionais. “A Venezuela nunca vai ceder a chantagens nem a ameaças de nenhum tipo. Se a Venezuela for agredida, passará imediatamente à luta armada em defesa do território nacional e da história e do povo da Venezuela”, avisou Maduro.
Cenários
Coronel do Exército da Venezuela e analista de segurança e defesa, Antonio Guevara explicou ao Correio que, ante a escalada do deslocamento de destróieres americanos no sul do Caribe, Maduro anunciou a mobilização cívica e militar para combates. “O regime da Revolução Bolivariana afirma estar preparado ante três possibilidades. A primeira é manter-se no poder, com Maduro exercendo, de forma usurpadora, os papéis de presidente da República e de comandante-chefe da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB). A segunda é, caso seja destituído do poder, recupere a Presidência da Venezuela imediatamente. A terceira envolve passar a uma etapa de guerra popular prolongada”, afirmou.
Segundo Guevara, esse último cenário demandaria “a mobilização de todo o potencial nacional”. “Em seu pronunciamento de hoje (segunda-feira), Nicolás Maduro anunciou que começará uma guerra popular. Por sua vez, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou que uma agressão à Venezuela seria uma agressão à sub-região. O regime venezuelano tem mobilizado o povo, à medida que os navios americanos se deslocam em direção à costa da Venezuela”, observou o coronel. “Minha opinião é que isso não passará de declaratória, de ameaças. Maduro esticará a corda para aumentar a tensão com os EUA; e Washington espera que ele reconheça o triunfo de Edmundo González nas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024.”
Jose Vicente Carrasquero Aumaitre, cientista político da Universidad Simón Bolívar (em Caracas), disse acreditar que Maduro pretende atrair os olhos da comunidade internacional. “Basicamente, ele quer se colocar na posição de ator mais frágil em uma disputa. Com isso, pretende colocar os EUA na posição de uma nação que usa o poder para tentar submeter a Venezuela”, afirmou.
De acordo com Aumaitre, “chama a atenção o fato de Maduro ter sido criminoso com o povo”. “Quem tem 900 presos políticos, quem matou estudantes nas ruas e submeteu a população a uma qualidade de vida deplorável foi Maduro. O argumento que ele usa contra Trump pode ser usado contra ele próprio. Maduro não é a Venezuela, roubou as eleições. A solução para ele é deixar o poder”, acrescentou o professor.
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* Correio Braziliense ´Conteúdo
* Foto/Destaque: Crédito – Juan Barreto / AFP
INTERNACIONAL
EUA expulsam delegado brasileiro envolvido na detenção de Ramagem
Por Raquel Derevecki*
Um delegado brasileiro que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em solo americano terá que deixar os Estados Unidos por supostamente manipular o sistema de imigração do país. De acordo com o governo de Donald Trump, o brasileiro teria tentado “contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas” ao território dos EUA. O delegado esteve envolvido na detenção do ex-deputado federal brasileiro Alexandre Ramagem (PL-RJ).
A medida foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano, e a Embaixada dos EUA no Brasil publicou nota no fim da tarde desta segunda-feira (20) informando sobre a decisão.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”, informou a Embaixada americana no Brasil pela rede social X. “Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, continuou.
O funcionário expulso é o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ICE em solo americano. A emissora informa que confirmou a identificação com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Outros veículos de imprensa também identificaram o delegado com auxílio de autoridades. Segundo eles, o Itamaraty disse que não comentaria o caso, e a PF informou não ter sido comunicada da expulsão.
Ramagem foi detido pelo ICE, na Flórida, semana passada
O ex-deputado federal Ramagem passou dois dias em um centro de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) nos Estados Unidos. Ele foi detido na última segunda-feira (13) em Orlando, na Flórida, após abordagem por suposta infração de trânsito. Com a checagem da documentação, teria sido verificada a invalidade de seu passaporte diplomático, que foi anulado pela Câmara em dezembro de 2025, logo após cassação de seu mandato.
No entanto, o ex-parlamentar foi liberado dois dias depois e agradeceu, por meio de suas redes sociais, a aliados e membros da “alta cúpula da administração Trump”, que teriam auxiliado no esclarecimento de sua situação perante os órgãos de imigração.
Ramagem também contestou a versão da PF e chamou o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, de “vergonha”. Ele negou que a abordagem policial tenha sido motivada por uma infração de trânsito — versão anteriormente divulgada por aliados —, sustentando que o procedimento teria sido estritamente migratório.
O ex-parlamentar declarou ter entrado nos Estados Unidos em setembro de 2025 de forma regular, com visto e passaporte válidos, e afirmou que aguarda a análise do pedido de asilo político.
Quem é Alexandre Ramagem?
Ramagem é ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e foi condenado à pena de 16 anos pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do suposto plano de golpe de Estado. Antes do encerramento da ação (trânsito em julgado), ele deixou o país pela fronteira entre Roraima e a Guiana.
Desde setembro de 2025, o ex-deputado é considerado oficialmente um foragido da justiça brasileira, o que motivou a inclusão de seu nome na lista da Interpol e um pedido de extradição.
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- Gazeta do Povo – Conteúdo
- Foto Destaque: Reprodução / Internet
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