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Conflito no Oriente Médio

Guerra Israel-Hamas: como foram as negociações para libertar reféns que envolveram 4 países

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INTERNACIONAL

Além de Israel e do Hamas, participaram dos esforços EUA, Catar e Egito.

Por Barbara Plett Usher –

Logo após os ataques de 7 de outubro contra Israel, foi criado uma célula secreta para trabalhar na libertação dos cerca de 240 reféns capturados pelo Hamas.

Foi assim que começou o “processo extremamente excruciante de cinco semanas” envolvendo quatro países, coordenação entre especialistas em espionagem e ligações presidenciais de alto risco, segundo uma fonte da Casa Branca.

Esse processo resultou no acordo entre Israel e Hamas para libertar 50 mulheres e crianças israelenses durante uma pausa de quatro dias nos combates em troca de 150 prisioneiros palestinos, também mulheres e crianças.

Quando o acordo foi anunciado, o responsável pelas negociações deu detalhes a jornalistas sobre como tudo aconteceu.

Catar liderou os esforços, disse ele, aproximando-se de Israel e dos EUA com uma proposta para estabelecer uma célula que trabalharia de forma silenciosa e intensa na questão.

Doha atuou como principal canal para o Hamas, mas o Egito também fez parte do complexo acordo de negociação.

O primeiro avanço ocorreu em 23 de outubro, quando o Hamas libertou duas mulheres americanas. Esse foi o projeto “piloto” que “comprovou o conceito”, disse o responsável.

Depois disso, os esforços para uma etapa mais ampla de negociação começaram.

Israel delegou o chefe da Mossad, David Barnea, como seu negociador. Ele atuou e manteve contato regular com o chefe da CIA, Bill Burns, sobre os contornos de um acordo.

O processo foi demorado porque as mensagens tiveram de ser passadas de Doha ou do Cairo para o Hamas em Gaza — e posteriormente respondidas seguindo o caminho inverso.

As conversas também foram altamente técnicas, elaborando meticulosamente detalhes sobre corredores para a passagem dos reféns, vigilância, prazos e números de pessoas libertadas.

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A fonte do governo americano disse que o presidente dos EUA, Joe Biden, estava “direta e pessoalmente” engajado na libertação dos sequestrados, convocando os líderes de Israel e do Catar em momentos críticos.

Biden viu um acordo de reféns como o “único caminho realista para garantir uma pausa humanitária de vários dias nos combates”, disse.

Segundo ele, os israelenses deixaram claro que não iriam parar a sua ofensiva por nenhum outro motivo.

Esse cálculo faz parte do acordo, que propõe prolongar a suspensão das hostilidades se o Hamas libertar mais reféns.

“Também temos confiança de que enquanto estivermos no período de pausa, mais mulheres e crianças vão aparecer”, acrescentou.

uma campanha aberta e pública para trazê-los de volta

Um dos pontos críticos foi a inabilidade do Hamas de identificar claramente quem estaria no grupo inicial de 50 reféns libertados.

Essa informação só foi conhecida de fato quando o presidente Biden ligou para o emir do Catar e disse que, sem esses detalhes, o acordo seria rompido, segundo conta a fonte da administração americana.

Mas, no momento em que o pacto parecia prestes a ser concluído, em meados de novembro, o processo estagnou.

Segundo a fonte, isso aconteceu porque as comunicações com o Hamas “ficaram obscuras”.

Ele não deu mais detalhes, mas foi também nessa época que Gaza ficou sem combustível.

O funcionário disse que após as comunicações serem restauradas ainda demorou algum tempo para resolver as lacunas no acordo, que é extremamente detalhado devido ao alto nível de desconfiança de Israel e dos EUA em relação ao Hamas.

A fonte americana evitou responder perguntas sobre se o acordo de reféns e o canal de negociações poderiam oferecer um caminho para acabar com a guerra.

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Mas segundo ele, no que diz respeito aos reféns, “o que acabei de descrever nas últimas cinco semanas não vai parar. À medida que passamos por esta fase inicial, estamos determinados a levar todos para casa”.

O acordo

Segundo um comunicado divulgado pelo governo israelense, em uma primeira leva, 50 reféns — crianças e mulheres — serão soltas durante quatro dias. Enquanto isso, o conflito será pausado temporariamente.

“A soltura adicional de cada grupo de 10 reféns resultará em um dia adicional na pausa”, diz um trecho do comunicado de Israel.

Israel libertará, então, 150 palestinos. Em seguida, Israel se comprometeu a libertar “até” mais 150 palestinos detidos se “até” mais 50 reféns forem libertados de Gaza.

Israel divulgou uma lista de 300 palestinos que poderiam ser libertados na troca.

A maioria tem 17 ou 18 anos, variando a idade geral entre 14 e 59 anos. Segundo foi informado, 274 dos detidos são homens.

A lista foi publicada devido a uma formalidade em Israel. Antes de qualquer libertação de prisioneiros, os cidadãos israelenses devem ter 24 horas para entrar com um recurso na Suprema Corte israelense.

Segundo informações obtidas pela BBC, a suspensão dos conflitos deveria começar às 10h (às 5h no horário de Brasília) desta quinta-feira (23/11), enquanto a troca de prisioneiros ocorreria por volta do meio-dia.

Uma fonte do governo israelense, porém, disse que permuta deve ser adiada para sexta (24/11). Com isso, a ofensiva em Gaza continua.

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* Correspondente do Departamento de Estado da BBC / Fotos: BBC

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INTERNACIONAL

Apresentadora egípcia Sarah Khalifa é condenada à morte; entenda o motivo

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Sarah Khalifa nega as acusações e pretende recorrer; autoridades dizem ter apreendido mais de 750 quilos de drogas e matérias-primas

Sarah Khalifaapresentadora egípicia de 39 anos, e outras 11 pessoas foram condenadas a morte por enforcamento por um tribunal do Cairo, no Egito, por envolvimento na fabricação e no tráfico de drogas sintéticas. A decisão foi divulgada neste sábado, 5, pela imprensa estatal egípcia.

Conhecida pelo programa de televisão Missão Impossível, sobre segurança e criminalidade, Khalifa foi condenada por formação de uma organização criminosa especializada na aquisição de materiais usados na fabricação de drogas para posterior comercialização. Ela também foi acusada de posse e porte de armas de fogo e munições sem licença.

Segundo o jornal estatal Al-Ahram, as autoridades apreenderam mais de 750 quilos de drogas e matérias-primas utilizadas na produção de entorpecentes.

Dois apartamentos que funcionariam como laboratórios também foram encontrados, além de armas e munições sem licença.

De acordo com o Akhbar el-Yom, os materiais usados na fabricação das drogas eram importados do exterior.

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A sentença foi emitida após o tribunal consultar o Grande Mufti do Egito, autoridade responsável por emitir pareceres religiosos em casos de pena de morte. A consulta é exigida pela legislação egípcia antes da confirmação de sentenças capitais.

Khalifa nega as acusações e pode recorrer da decisão. Segundo a imprensa local, seu advogado já anunciou que pretende apresentar uma apelação.

Durante um depoimento ao tribunal, em setembro de 2025, a apresentadora afirmou que nunca havia visto drogas antes de ser fotografada com entorpecentes dentro das instalações das autoridades de combate ao narcotráfico.

A acusação teria se baseado em 20 depoimentos de testemunhas e em provas eletrônicas, incluindo conversas gravadas e vídeos.

Além das condenações relacionadas ao tráfico de drogas, Khalifa e outros envolvidos receberam cinco anos de prisão em um processo separado, que trata do sequestro e da agressão de um jovem.

O tribunal absolveu sete dos acusados e condenou outros nove à prisão perpétua, segundo a BBC.

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  • Matéria do Estadão – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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