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Autismo no Mercado de Trabalho: inclusão ainda é desafio

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Falta de informação e preconceito ainda são barreiras para conseguir um emprego e se manter no mercado de trabalho

Por Catherine Teles*

Apesar da inserção de autistas no ambiente corporativo ser garantida por lei, a realidade para muitos adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda está longe de ser ideal. Mesmo com as leis de inclusão e a crescente conscientização sobre a diversidade, cerca de 85% dos profissionais com autismo continuam fora do mercado de trabalho, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O jovem Augusto Menaguali Lima Costa, de 23 anos, enfrenta desafios ao tentar se inserir no mercado de trabalho. Ele relata que descobrir ser autista foi um alívio: “Me descobrir autista foi um alívio até para eu poder entender o motivo de ser diferente e ter dificuldades para aprender as atividades na escola. Por onde passei, nunca houve inclusão de fato. Eu precisava de todo material adaptado para ter o maior aprendizado e era uma luta constante.”, enfatiza.

Quando se trata de buscar emprego, Augusto conta que embora alguns empregadores tenham uma reação inicial amistosa frente ao diagnóstico, ele raramente é selecionado para as vagas. Augusto destaca que, infelizmente, poucos espaços são verdadeiramente inclusivos e que há uma necessidade urgente de melhorias. Para ele, adaptações como a modificação das tarefas, supervisão direta, carga horária adaptada e acolhimento do entorno são essenciais.

“Acho que existe muito boa vontade mas falta realmente a prática de inserção. As vagas para pcd são em sua maioria, para pessoas com deficiência física e não intelectual, o que dificulta a inserção no mercado de trabalho”, pontua o jovem.

Alexsandra Menaguali Lima, mãe de Augusto, expressa suas preocupações sobre como seu filho será recebido no mercado de trabalho. Ela questiona: “Como meu filho será recebido? Como será tratado? Será que será selecionado após saberem do autismo?” Essas dúvidas refletem a hostilidade que muitas vezes o mundo apresenta para pessoas com autismo. No entanto, Alexsandra sempre incentiva Augusto, mostrando que ele é capaz de qualquer coisa se se dedicar, e afirma que ele pode aprender e fazer tudo que lhe for proposto.

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“Desejo que haja locais em que possamos mostrar nossas habilidades, compromisso e amor nas tarefas simples e ainda, que haja respeito e acolhimento. Afinal, autistas são capazes tanto quanto outra pessoa sem transtorno”, enfatiza Augusto.

A jornalista e autista Maria Isabel Dias da Cruz, de 26 anos, também busca uma oportunidade no mercado de trabalho. Ela conta que durante um processo seletivo, além do nervosismo, faltou um tratamento humanizado, preparo e empatia com os candidatos à vaga.

“Eles trataram as pessoas de um jeito ruim, lá dentro, o lugar estava frio pra caramba. Quando a gente chegou na sala, tinha que ter levado um casaco de neve, porque o negócio estava assim, muito frio”, contou sobre uma das dificuldades que enfrentou durante a etapa de um processo seletivo para um estágio.

Além disso, Márcia Bezerra, mãe da Maria Isabel, ressalta que a falta de feedback dos recrutadores, o gerou frustração: “Depois, para piorar, eles não deram nenhum tipo de retorno para as pessoas e ela ficava todo dia me perguntando se tinha um retorno. Foi uma experiência horrível o processo seletivo. A gente está trabalhando para que as empresas tenham um RH inclusivo. Porque eles têm que ter outro tipo de avaliação e de recepção, tem que ter um olhar específico, porque se você não passar desse primeiro ponto, você nunca vai chegar na Maria Isabel de fato, entendeu?”, ressalta a Márcia.

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Para a jovem Maria Isabel, as mudanças começam a partir da informação e da conscientização. “A gente sempre tem que levar informação para as pessoas aprenderem um pouco. Não é só para não ser capacitista, é para poder mudar as coisas. Ela ainda ressalta que apesar de ter uma longa estrada pela frente, o importante é: “Nunca desistir dos seus sonhos”, recomenda para todos os autistas.

Não basta apenas contratar

O especialista em RH e gestão de carreira Cláudio Riccioppo, ressalta que a inclusão não deveria ser apenas uma obrigação legal, mas uma iniciativa promovida internamente pelas próprias empresas. Ele observa que raramente vê vagas destinadas a autistas, o que evidencia a necessidade de mais incentivos para a contratação dessa mão de obra.

Riccioppo critica a postura de muitas empresas, que se preocupam mais com sua imagem corporativa do que com a inclusão efetiva dos autistas no quadro de colaboradores. “Vejo diversas empresas preocupadas com a imagem corporativa, preocupadas em contar uma história ao público e ao consumidor dos seus produtos, mas não vejo uma preocupação em trazer o autista ao quadro de colaboradores”, comenta.
Os maiores desafios para a inclusão dos autistas no ambiente de trabalho incluem a dificuldade de comunicação e interação com colegas, além da inflexibilidade na alteração da rotina. “A empresa que contrata esse tipo de mão de obra precisa entender que haverá dificuldades sim e que terá que estar preparada para essa realidade”, afirma Riccioppo. Ele sugere que o ambiente de trabalho deve ser organizado e com pouca sobrecarga sensorial, como por exemplo, não deve haver som alto ou figuras coloridas iluminadas, para ser adequado a pessoas neurodivergentes.

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* Publicação O Dia

* Foto: Reginaldo Pimenta

 

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“Virou tudo cinza”: incêndio em apartamento de Jardim Camburi deixa aposentado sem nada

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Chamas e fumaça acabaram com o imóvel onde o aposentado Deilson Beltrame vivia há mais de quatro décadas

Por Laura Mel* / Vitória – ES

Depois de mais de quatro décadas vivendo no mesmo endereço, o aposentado Deilson Beltrame agora tenta recomeçar do zero. O apartamento onde morava, em Jardim Camburi, Vitória, foi destruído por um incêndio, na noite desta quarta-feira (15).

O morador contou que perdeu tudo, incluindo móveis, roupas e pertences do neto e da filha que moravam com ele, mas que não estavam em casa quando o fogo começou.

“Começou em cima do colchão, em um carregador de celular. Eu esqueci ele conectado à tomada. Estava sem o celular, mas estava conectado. Aí não sobrou nada”, disse Deilson Beltrame.

Além dos prejuízos materiais, ele também perdeu objetos pessoais que guardava da esposa, que morreu há um ano.

Apartamento não tinha seguro

Sem seguro para cobrir os danos internos, o morador terá que arcar sozinho com os custos da reconstrução. Deilson optou por não acionar a perícia do Corpo de Bombeiros para formalizar a causa do incêndio.

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Segundo ele, a decisão foi tomada diante da burocracia exigida para tentar acionar o seguro do condomínio, que não cobre danos internos ao imóvel. “Se eu for fazer por seguro, é uma amolação tremenda. São três orçamentos para cada tipo de trabalho”, afirmou.

De acordo com Deilson, a cobertura disponível no prédio se restringe a áreas comuns e não contempla perdas dentro dos apartamentos, o que o deixa responsável por todos os custos da reforma. O prejuízo estimado é de R$ 100 mil.

“Eu vou ter que trocar o piso todo, reformar o teto, que caiu. Acabou ventilador, ar-condicionado, cama, colchão, guarda-roupa… virou tudo cinza”.

Na noite do incêndio, o aposentado foi acolhido por vizinhos. A filha e o neto também precisaram buscar abrigo em casas de conhecidos. Apesar da destruição, ele destaca que conseguiu sair a tempo com a cachorrinha de estimação.

Incêndio destruiu quartos e danificou restante do imóvel

O incêndio atingiu o apartamento que fica no terceiro andar de um condomínio e mobilizou o Corpo de Bombeiros. Imagens registradas no momento mostram uma grande quantidade de fogo e fumaça preta saindo pela janela. A rua precisou ser interditada durante o atendimento da ocorrência.

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De acordo com os bombeiros, o fogo se espalhou rapidamente e destruiu quase todo o imóvel. Apenas a cozinha não foi atingida diretamente pelas chamas, mas ficou comprometida pela fumaça. O teto sofreu danos, com queda de gesso e reboco.

Como ajudar

Sem chave Pix, Deilson disponibilizou um telefone para quem quiser e puder contribuir com doações ou qualquer tipo de ajuda: (27) 99957-0202.

 A família precisa de móveis, roupas e apoio para a reconstrução do imóvel.

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  • Folha Vitória – Conteúdo / Com informações da repórter Alessandra Ximenes, da TV Vitória/Record, 
  • Foto Destaque; Crédito – TV Vitória / Record
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